Luis Fernando Verissimo, (n. 1936). Humorista, cronista e jornalista brasileiro e gaúcho.
[Ao ser perguntado por que costuma o número dezessete tantas vezes em suas crônicas]

Dezessete é um número cabalístico e, sendo cabalístico, eu não posso revelar. Brincadeira, não tem nenhum significado. Dezessete é uma palavra bonitafevereiro de 2004

A mensagem, a moral de algumas biografias é que, na falta de valores absolutos, o que é ético e o que é decente deve ser definido pela solidariedade, o nosso único instinto virtuoso.

A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?

Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.

Com esse negócio de clonagem, já estou me sentindo um disco de vinil.

Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.

É 'de esquerda' ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado.

Em certas sociedades primitivas, comer sorvete de casquinha com a mesma colher vale mais do que pacto de sangue — In: O Que Fazem os Vagalumes de Dia?

Eu não confio em nenhum músico de Jazz que não esteja morto há pelo menos dez anos.

O destino é um gozador.

O bombardeio humanitário já conseguiu salvar dezenas de crianças das garras do Saddam Hussein, matando-as2003

Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.

Nunca tomei chimarrão. Eu sou um gaúcho desnaturado.

Da última vez que eu andei a cavalo eu nem gosto de lembrar. Acho que o cavalo também não. [2004]

Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha — Verissimo, escritor, março de 2004

Sempre achei que o melhor professor de português do Brasil foi o Pelé. Quem o viu jogar ou hoje vê os seus teipes sabe que o Pelé jamais fez uma jogada que não fosse parte de uma progressão para o gol. O sentimento de tudo que o Pelé escrevia com a bola no campo era o gol. O drible espetacular era apenas circunstancialmente, com perdão do longo advérbio, espetacular, porque ele existia em função do objetivo final

Só acredito naquilo que posso tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.

Escrevi uma vez que era um cético que só acreditava no que pudesse tocar: não acreditava na Luiza Brunet, por exemplo. Cruzei com a Luiza Brunet num dos camarotes deste carnaval. Ela me cobrou a frase, e disse que eu podia tocá-la para me convencer da sua existência. Toquei-a. Não me convenci. Não pode existir mulher tão bonita e tão simpática ao mesmo tempo. Vou precisar de mais provas— março de 2003

Sempre fui péssimo em Português. Mas vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão dispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. (...) A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.

Todo corpo é um órgão sexual, com exceção, talvez, das clavículas.

Todo mundo apoia a reforma agrária, desde que não mexa no seu latifúndio.



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