| Primeiro de maio
Há 117 anos, dia do Trabalhador: No dia 1º de maio de 1886, 500 mil trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada de 14 ou 12 horas diárias de trabalho para 8 horas. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, ferindo e matando dezenas de operários. Quatro dias depois, em 5 de maio, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos. Desta vez, 8 líderes foram presos e 'julgados', sendo 5 condenados à forca e 3 à prisão perpétua. Dos 5 condenados à forca, 4 foram executados no dia 11 de novembro de 1887, pois um fora assassinado na prisão, na véspera da execução. A luta não parou. A pressão internacional obrigou o governo americano a anular o falso julgamento e realizar novo júri, em 1888. Esse júri reconheceu a inocência dos operários, culpou o Estado americano e soltou os 3 presos. Em 1889, o Congresso Operário Internacional, em Paris, decretou o 1º de maio como Dia Mundial do Trabalhador. No ano seguinte os trabalhadores americanos conquistam a jornada de 8 horas. Relembrar a luta operária hoje, nesses tempos frios e excludentes de mercado financeiro e dos capitais especulativos, é afirmar os valores do trabalho. São as mãos operosas - e não o dinheiro! - que semeiam, cultivam, constroem, digitam, consertam, criam toda riqueza. O trabalhador merece dignidade e respeito. O Brasil de quatro séculos de escravidão e cinco de latifúndio e autoritarismo das elites deve se orgulhar de ter, há quatro meses, um Presidente metalúrgico, que ocupa o mais alto posto da República pelo voto popular. Seu governo há de fazer justiça social. Agostinho Neto, líder da independência de Angola, lembrou bem a saga dos trabalhadores negros: "minhas mãos colocaram pedras nos alicerces do mundo: mereço meu pedaço de pão". Chico Alencar, historiador.
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