Cartas | Guerra no Iraque
Indignação
Renato e Gustavo: sou uma leitora silenciosa do site de vocês. Porém, hoje resolvi escrever, porque minha indignação com tamanha hipocrisia superou minha inércia. Concordo com você, Renato. A guerra, no campo teórico, gera inúmeras discussões, dá margem a várias elocubrações... Tanto que os cidadãos brasileiros jantam assistindo ao noticiário superficial da Rede Globo sobre os valores dos mísseis, por exemplo. Mais um filme de ação, uma ficção? E aí nos distanciamos cada vez mais da realidade da guerra, como você bem explicitou no texto.
[J.P. | 31 de março]


Estadunidenses
Meus caros senhores: É muito bom ter um jornal alternativo, sobretudo com esse nome de consciencia.net, mas sejam um pouco mais conscientes e não chamem os cidadãos do Estados Unidos de americanos. Eles são americanos, como todos os povos da América (Brasil incluído), mas não como nacionalidade. Esta é por definição, uma vez que o país se chama Estados Unidos, estadunidenses.

Se acharem que este termo, embora seja o correto e adequado, não cai bem na sua redação, ao menos utilizem norte-americanos, que os coloca no seu devido lugar. Mas, por favor, nunca  americanos. Não rebaixem minha condição de brasileiro a americano, por favor. Se ao menos a América fosse descoberta e o nome fosse dado pela Inglaterra, até dava para aceitar. Mas não, a América foi descoberta pela Espanha e já existia há mais de dois séculos antes da formação desse país.

E perguntem a eles, aos estadunidenses, se eles nos consideram americanos. Não, claro. Dirão que somos latino-americanos que para eles e uma sub-raça de gente aqui na América (que foi resultado do cruzamento de portugueses e espanhóis com negros e índios, uma raça inferior no conceito deles). Nem brancos somos considerados para eles. Somos latinos, sub-raça.

O termo ‘latino-americanos’ tal qual eles tentam nos etiquetar não tem nada a ver com a origem da língua que falamos. Há todo um componente racial e discriminatório atrás desse termo. Por favor avisem o sr. Gustavo Barreto que, da próxima vez que participar em um fórum de debates como o do Estadão, ser um pouco mais consciente e utilizar o termo correto quando se referir a esses cidadãos (estadunidenses). Americanos, sem outros adjetivos ou prefixos, somos todos nós.
[Martin | 25 de março]

Resposta [Gustavo]
Caro Martin: A sua observação é muito boa e eu a endosso. Nós já temos isso em mente. O que ocorre é que o número de tarefas às vezes nos faz querer escrever a menor palavra possível, que neste caso é 'americanos'. Ou simplesmente esquecemos. Acontece. No entanto, acho que o fato de chamarmos 'americanos', pelo menos para mim, não é algo tão grave assim. A comunicação jornalística serve, algumas vezes, como meio - e não como meio e fim sempre. Eu escrevi no texto 'americanos' dentro do contexto 'soldados americanos e britânicos'. Você entendeu, certo? Essa era a intenção. Além disso, devemos fazer reservas quanto a usar os termos 'eles' e 'nós'. Conheço estadunidenses absolutamente incríveis e que lutam há anos pela paz no planeta. Consciência não se mede pela nacionallidade. Forte abraço.

Resposta [Carol]
Sinceramente, acho que discutir o termo pelo qual a gente designa a nacionalidade dos americanos, norte-americanos, estadunidenses ou yankees é chover no molhado. Hannah Arendt fala em americanos. Chomsky fala em americanos. Não me parece que duas figuras quase-míticas, gente tão conceituada em filosofia e interessada nas questões que abarcam os famigerados Direitos Humanos, têm o intuito de desmerecer os brasileiros, os chilenos, os argentinos, etc. e tal. Até a Marilena Chauí fala em americanos! Até o século XIX, brasileiro era quem catava pau-brasil. Isso ofende alguém aqui?

Al Jazeera
Amigos: Apesar de estarem "fora do ar", não sei por que... divulguem o endereço do site da Al Jazeera em inglês, para que possamos acessar o outro lado da guerra. http://english.aljazeera.net | http://www.english.aljazeera.net

Foram divulgados pela Folha de São Paulo. É interessante que saibamos também o que o mundo árabe pensa deste conflito (massacre). Valeu!
[Marco Sanches | Uberlândia-MG, 27 de março]

Resposta: A Al Jazeera foi incluída na seção Sugestões | Mídia em inglês. Forte abraço, Gustavo Barreto.


QI
Com a permissão do Gustavo Barreto, que comentou o aspecto "show televisivo" da Guerra do Iraque, gostaria de compartilhar de sua opinião. O meu QI (Quociente de Indignação) nunca esteve tão alto. Muito feliz suas colocações. Mereceriam ser divulgadas. 
[Afonso | Brasília-DF, 25 de março]


Bombardeios
Eis aqui uma lista dos paises que foram bombardeados pelos Estados Unidos, após o fim da 2ª Guerra Mundial:
 
China 1945-46;
Coréia 1950-53;
China 1950-53;
Guatemala 1954;
Indonésia 1958;
Cuba 1959-60;
Guatemala 1960;
Congo 1964;
Laos 1964-73;
Peru 1965;
Vietnã 1961-73;
Cambodja 1969-70;
Guatemala 1967-69;
Granada 1983;
Líbia 1986;
El Salvador anos 80;
Nicarágua anos 80;
Panamá 1989;
Iraque 1991;
Sudão 1998;
Afeganistão 1998;
Iugoslávia 1999;
Afeganistão 2001;

Pergunta: Em quantos destes países, os bombardeios e outras ações americanas fizeram emergir um governo democrático e respeitador dos Direitos Humanos?
[Viviane Andrade | Rio de Janeiro, 20 de março]


Triste
As imagens dessa guerra me lembram dois filmes: As cenas de ataque alienígena de Independence day (pela superioridade-disparidade das armas) e as cenas de impotência diante do inimigo de Sinais. Ambos filmes que tratam de ataque alienígena (os inimigos que os EUA escolheram para povoar o seu imaginário Hollywoodiano depois da queda da URSS). Se eu fosse iraquiano e estivesse lá, além do medo natural talvez estivesse estupefato como as pessoas nesses dois filmes. Que pena que é vida real... Que pena que o único lunático dessa história não seja extraterrestre...

Triste saber que um míssil Tomahawk custa um milhão de dólares e ontem foram despejados 320 deles (320 milhões, Gustavo! De Dólares!!).

Mais triste ainda é saber que a única voz popular no planeta que seria ouvida pelo neo nazi-fascista Bush, a do povo americano, o apóia numa razão de 7 para 10. Triste... Um abraço do amigo.
[Hugo Almeida | Rio de Janeiro, 22 de março]


Panorama do conflito no Iraque.Ler
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