Cartas de 2002..janeiro a outubro
Quem é Loreta Turano? Ler

Bacana
Olá, amigos do Consciência.net. Gosto muito de "bacana", uma palavrinha bem camarada e muito preciosa. Exatamente por isso, é que, quando visitei o seu site pela última vez, pensei logo: que bacana! Vi que depois de muito tempo, voltaram a atualizar as informações e até renovaram o visual. Nunca conheci os responsáveis pela página pessoalmente, mas é bom ver a vitória da perseverança da juventude na criação e no amadurecimento de um projeto. Já dizia Brecht: "Há aqueles que lutam a vida inteira, esses são os imprescindíveis". Nossa geração é muito tentada com a fluidez, a pós-modernidade, a fama, o ecletismo oportunista, mas nem sempre se rende. Consciências jovens lutam e resistem no Brasil, na Colômbia, na Europa, nos Estados Unidos, na África, no Timor, na Palestina! A persistência de um projeto brasileiro de sucesso, como o seu site, só pode servir como inspiração para a luta e mostrar como os jovens são mesmo imprescindíveis para o triunfo da vida. Consciência.net é, realmente, muito bacana. Minhas saudações, meus abraços e desejos de sucesso.
[Marcelo, 25.10.02]

Ensaio sobre o medo
Adorei sua análise sobre o depoimento da Regina Duarte. Mais uma vez você foi brilhante! Merece meus Aplausos! Com certeza você conseguiu clarear as idéias de quem andava confuso, sem saber em quem votar... ou então, alguém que ficou "balançado" com as atuais propagandas do Serra, que só mostram críticas contra o Lula, e as propostas ficam em 2º, 3º plano... Mais uma vez Parabéns, Renato! É de jovens como você que a nossa "nação" (porque eu também gosto muito dessa palavra) está carente. Beijos da sua amiga internauta
[Joelma, 23.10]
Leia o texto

Liturgia da Seca II
Oi Ana [Rachel, colunista Consciência.Net], seu texto reflete a imagem real do inferno da seca, a exemplo de tantas outras obras como "O Quinze" de Rachel de Queiroz. Mesmo que já estejamos acostumados a ver esta imagem, não só na literatura mas também na música e no cinema, é sempre bom relembrarmos esse tema, dado a importância que ele ocupa na nossa cultura. Também gostei da referência religiosa que você atribui ao sentimento do sertanejo retirante em relação à Providência... A impotência diante do "Céu" e a incerteza diante das alternativas, são objetos delicados que pedem um olhar cuidadoso. Acho que você soube transmitir esse drama com propriedade. Parabéns! Beijos
[Regina Baptista, 13.10]
Leia o texto Liturgia da Seca II, de Ana Rachel

Risco País
Bom, vocês repararam que ninguém fala do "Risco País" dos EUA hoje? Silêncio nas agências financeiras... Curioso né? EU QUERO SABER QUAL O "RISCO PAIS" DOS EUA HOJE !!!
[Raúl Daniel Tegli, 21/07]

Juju
Acho que vou mandar a sua biografia do Gustavo para a Juju ler no programa do Antonio Carlos na rádio Globo!!!
[Roberto, Rio de Janeiro/RJ, 09/07]

Elogios
Amigo Concordo com você em tudo que vc escreve parabéns !!!!! São pessoas como vc e eu que vamos transforma este grande país.
[Alex Florentino, 16/06]

Carta ao Manhattan Connection
[O programa que citarei falou, entre outras coisas, sobre livro de Noam Chomsky, 11 de Setembro]
Olá. Meu nome é Gustavo e sou editor do jornal Consciência.Net. Tento não perder nenhum programa do Manhattan Connection. Creio que os senhores cometeram um erro inadmissível. Ficou claro que o apresentador não conhecia a obra do autor, já que tomou como novidade o fato do livro ter sido feito de entrevistas (percebe-se isso nas entrelinhas). Chomsky dá muito mais entrevistas do que escreve artigos. A comparação de Chomsky com autores sem nenhuma credibilidade que inventam teses absurdas – como a que diz que os atentados foram organizados pelo governo – obviamente denegriu a imagem do norte-americano para pessoas que não o conheciam. O próprio Chomsky já disse inclusive que não acredita nesta hipótese absurda. Não há nada de conspiratório em Chomsky, basta lê-lo e verá que ele se baseia em fatos e somente fatos. Perceba nos livros dele que ele sempre cita fontes. É óbvio que se uma pessoa lê um autor já tendo uma idéia pré-concebida – como, por exemplo, a de ser um radical da esquerda – acaba fazendo uma idéia em demasiado subjetiva do autor. continua>

Era evidente que Jabor nunca havia tentado entender o que Chomsky diz – e ele não tentou esconder isso. Mesmo assim, com completa falta de ética jornalística, ele falou mal de Chomsky. Falar mal sem ler? Peraí, não dá pra aceitar. Achei que vocês fizeram um dos piores programas de toda a história do Manhattan Connection, fazendo um desfavor para os jovens leitores que estão tentando se conscientizar. Por outro lado, eu nunca faria esta crítica se não tivesse visto o programa. Mas o Jabor já é carta marcada. Eu tento tirar coisas boas dele, até consigo raras vezes, mas esta ultrapassou os limites da alienação política a que ele se submete, mesmo conhecendo o quadro geral. E claro: não perdeu a chance de falar mal do PT, obviamente ignorando a diferença básica entre ‘um partido que possui duas alas’ e ‘um partido que possui duas caras’. Pro Jabor, é a mesma coisa. Só rindo, como diria Rubem Fonseca.

Caio Blinder erra ao falar que Chomsky está sendo lido por causa de uma ‘necessidade do americano por respostas rápidas’, pois não explica porque apenas agora ele está sendo tão lido, já que sabidamente já escreveu cerca de 40 livros (ou edições de entrevistas no formato de livro) sobre política. Gostaria de saber isso dele no próximo programa ou em resposta por e-mail. Não entro na discussão sobre a questão – que por sinal discordo –, gostaria apenas que ele não fosse tão parcial em suas explicações. O pior de tudo foi falar que ele é ‘simplista’. Existe uma palavra denominada ‘simples’ e outra denominada ‘simplista’. Chomsky precisa falar difícil para explicar as coisas? A linguagem é simples e direta, o que parece bastante óbvio, já que Noam Chomsky é a maior autoridade mundial em termos de neurolingüística. Este é outro fator que demonstra que ninguém na mesa – exceto a Lúcia (talvez), que não falou muito sobre a questão – leu Chomsky. Chomsky disserta sobre os assuntos mais específicos possíveis, como as guerras no Oriente Médio, Somália, Indochina, sistemas políticos, relações de poder, tudo com muita profundidade. Não só dos Estados Unidos. Por essa, posso afirmar sem erro: Caio Blinder ou não leu Chomsky, ou leu com muita má vontade e preconceito. Não vou tentar convencê-los, pois está tudo nos livros. Basta lê-los.

Fica a minha crítica construtiva e a esperança de que possam se redimir no próximo programa sendo mais imparciais e colocando as coisas que faltaram sobre Chomsky, falando dos erros como já vi fazerem outras vezes. O conceito do programa comigo caiu muito. Fica aqui o olhar atento de um telespectador que não foi amestrado pela mídia.
[Gustavo, editor Consciência, Rio de Janeiro/RJ, 20.05]

Armas químicas
[Painel do Leitor, FSP]
A truculência com que o governo americano trata as questões internacionais refletiu desta vez no afastamento do diplomata brasileiro da direção da Organização para a Proscrição das Armas Químicas – Opaq. A existência de organismos internacionais é questionável. Estes só servem para referendar decisões das grandes potências e, principalmente, aquelas que envolvem interesses do império americano. Se o governo brasileiro fosse altivo e independente, deveria retirar-se da Opaq”.
[José Honório Liberti, Curitiba/PR, 24/04/02]

Vergonha de ser brasileiro
O leitor Marco de Vito escreveu à revista IstoÉ (nº 1611) ridicularizando a pátria onde nasceu. Disse que mora há aproximadamente dez anos nos Estados Unidos e que retornou ao Brasil esperando presenciar alguma mudança histórica. Ficou tão decepcionado com o que encontrou que deu meia-volta. Segundo ele, as mudanças aqui acontecidas foram para pior. Fico imaginando que mudanças esperaria encontrar esse senhor. Será que no país onde ele reside atualmente acontecem mudanças históricas freqüentes? Que tipo de mudanças seriam essas e qual seria sua freqüência? Duvido que, no final do século, tenham acontecido, em terras do Tio Sam, mudanças tão radicais como as que aconteceram por aqui, impossíveis de serem previstas até pelos mais otimistas. Fomos capazes de tirar um Presidente da República. Aprovamos leis para proteger as crianças e os adolescentes, consideradas as mais avançadas do mundo. Pusemos em prática um código de defesa do consumidor, que tirou o brasileiro comum da condição de vítima indefesa nas mãos dos comerciantes desonestos. Observamos, estupefatos, o ministério público investigando e infernizando a vida de ricos e poderosos, dentre eles muitos políticos safados, juizes ladrões e empresários sonegadores, colocando inclusive alguns deles na prisão e confiscando seus bens..Presenciamos o embrião de uma guerra civil não declarada, com o MST invadindo terras para forçar o continua>

governo a demarcá-las e índios seqüestrando e expulsando brancos das suas reservas, mostrando à população quem são os verdadeiros donos da terra e não aceitam ser tratados como cidadãos de terceira classe. Vimos policiais bandidos sendo presos e expulsos da corporação, a partir de denúncias apresentadas por cidadãos comuns. Tudo isso num país onde a maioria da população vive dentro da faixa de pobreza. É pouco?

Marco de Vito é um exemplo de brasileiro que envergonha seus patrícios. Ao invés de lutar por um Brasil melhor, fugiu para os Estados Unidos, onde, deitado em berço esplêndido, aponta defeitos, sem apresentar soluções. Seu ídolo é um americano, personagem do filme "O Patriota", que arriscou a própria vida e a vida dos seus familiares lutando contra as injustiças, coisa que ele, como oportunista que é, jamais teria coragem de fazer. Imaginem se todos os homens de bem, verdadeiros patriotas, abandonassem o Brasil, ao invés de tentar mudá-lo. Como construiríamos um país do qual nos orgulhar? Quem puniria corruptos, assassinos e bandidos? Os americanos, por acaso? Em suas declarações Marco também afirmou que tudo nos EUA foi lavado com sangue. Mas pelo jeito ele mesmo não deu uma única gota, nem do seu suor, para tentar mudar o que estava errado em nossa sociedade. Quanto sangue esse indivíduo, que tem vergonha de ser brasileiro, acha que precisaria ser derramado, para que as mudanças fossem do seu agrado, ao ponto de convencê-lo a voltar a viver no Brasil? Bom, não precisa responder, senhor Marco. Nós não queremos mais o senhor aqui. O senhor traiu sua pátria e passou para o lado daqueles que exploram seus conterrâneos. Se tivesse sido mais inteligente e menos egoísta, teria percebido que não é qualquer nação do globo que promove mudanças tão substanciais, em tão pouco tempo, sem banhos de sangue e sem precisar sacrificar a vida dos seus filhos.

Como se tudo isso não bastasse, esse "novo americano" ainda fez piadinha com a nossa independência. Só esqueceu que nós ainda não somos independentes, pois continuamos sendo explorados pelo país que ele, vergonhosamente, escolheu como pátria. Se a "Solução do Aeroporto" que ele adotou fosse boa, o herói do seu filme predileto teria ido morar, provavelmente, na Inglaterra. E aí? Quem iria lutar e derramar sangue para que esse senhor pudesse viver como vive hoje, num paraíso capitalista? Marco de Vito afirmou ainda em sua carta que não falará com suas filhas a respeito do país onde nasceu. Eu compreendo: se assim fizesse, elas iriam perceber que o pai era um traidor da pátria. Entenderiam também que, para ele, a palavra patriotismo não tem nenhum significado, a não ser nos filmes americanos.

Ainda temos inúmeras batalhas pela frente, até que o Brasil possa ser considerado um modelo de sociedade que satisfaça a maioria dos brasileiros. Mas, nesta luta, não vamos precisar de brasileiros como Marco. Indivíduos como ele não fazem a menor falta. Deveriam ser banidos por Decreto. De minha parte, prefiro lutar pelo meu país aqui dentro, a sofrer humilhações num país racista que rejeita brasileiros e cuja riqueza vem da exploração das nações menos favorecidas. Eu jamais deixaria de ser cidadão brasileiro para me tornar um americano falsificado, como fez o ex-brasileiro Marco de Vito.
[César Medeiros é jornalista e reside em Natal, RN. Artigo foi publicado no Jornal de Hoje (RN) em 18.08.00 e pode ser lido na página do autor]

Triste país
Triste país que tem indivíduos como o senhor Arnaldo Jabor, que preferiu ir morar nos Estados Unidos, ao invés de dar sua contribuição para tornar esse país um lugar mais decente de se viver. Triste país cujos intelectuais como ele fogem com o rabo entre as pernas em busca de paraísos capitalista e depois, sempre em cima do muro, passam a enviar críticas e sugestões como se fossem os únicos a conhecerem os remédios para as nossas mazelas. Triste país cujos filhos debandam em busca de dólares e, de fora, ainda  têm o descaramento de assistir a um programa popular com o único intuito de menosprezar aqueles que, por não terem nascido em berço de ouro, mergulhados na própria ignorância, são obrigados a engolir tudo que a TV de Roberto Marinho, de quem ele é empregado, lhes enfia goela abaixo. Triste país que abriga pessoas capazes de zombar dos seus patrícios, mostrando claramente uma falta de patriotismo e um imenso desprezo pelos seus irmãos. Triste país onde vivem seres que se envergonham da terra em que nasceram. Triste Brasil, por ter entre seus filhos um cara chamado Arnaldo Jabor.
[Enviado por César Medeiros, Lista de Direitos Humanos, 15.04]

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Brasileira?
[Texto comentado ao lado]
Tive o desprazer de ler um texto de título Comentários de uma brasileira que mora na Holanda. O texto é exageradamente ufanista e nacionalista. De certo achei desprezível inicialmente, mas fiquei receoso quando percebi que poderia ter grande divulgação, devido ao forte poder de circulação da Internet. Releiam o texto abaixo que vê "grandes avanços" no nosso “Brasilzão”. Parece-me muito com a política dos antigos governantes, que diziam que aqui tudo é grande, como o próprio Brasil.

A autora começa o texto destacando os maus hábitos dos europeus nos açougues e restaurantes, por exemplo, onde muitas vezes embrulham comida em jornais. É uma escolha. O que não é uma escolha é a decisão de uma família de ir morar em torno de grandes lixões. A busca é por comida, pois sem comida não há escolha: há desnutrição e morte. A autora ignora este fato.

Um pouco depois, a autora fala dos “brasileiros mais esclarecidos” – uma tática para que o leitor se sinta conscientizado. Escreve um texto amador sobre a influência da cultura dos EUA como arma de “destruição” de um povo e diz ainda que “temos uma língua que apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa (...)”. Como assim? Não se parece? Será que ela não entende os portugueses? As considerações neste parágrafo são absurdas, não sei nem por onde começar. Depois divulga dados da Antropos Consulting, que, pelo que vi, deve trabalhar junto com o IBGE. Os dados, tópico a tópico:

1. Em relação à AIDS, é sempre bom lembrar que estamos muito bem na questão do tratamento, pesquisa, novas drogas etc. Como bem avisa David Uip, um dos infectologistas mais respeitados do Brasil e um dos pioneiros no tratamento de pacientes de Aids no país, na parte de prevenção – que ao meu ver é tão importante quanto o tratamento – estamos mal, muito mal. A entrevista do médico está na seção sobre AIDS deste jornal. Além disso, duvida que o Serra vá usar este programa para se eleger? E, com certeza, vai se esquecer que demitiu nove mil agentes sanitários em 99, provocando a maior proliferação de Dengue que o Brasil já viu em toda a sua História. Esquecerá do colapso dos hospitais públicos, sendo todo e qualquer assunto desviado para o sucesso com o programa da AIDS.

2. Sobre o projeto Genoma, isto mostra não só a força do Brasil, que deve ser reconhecida neste caso, mas também a fraqueza dos outros países da América Latina. Pouco ajuda, no entanto, em problemas mais sérios, de calamidade pública.

3. A solidariedade se faz presente no Rio de Janeiro, assim como em todo o Brasil, na medida em que a pobreza co-existe com as classes mais privilegiadas. Solidariedade em demasia demonstra duas coisas: (1) que o povo é, de fato, solidário; (2) que o Estado é incompetente. É dever do Estado, em primeiro lugar, dar assistência à população. Aqui o papel se inverte: o povo é que faz a maior parte do trabalho. Por que o projeto Favela-Bairro funciona em alguns lugares? Projeto social? Besteira. É resultado da pressão da classe média que começa a ocupar o pé do morro e, portanto, precisa morar bem. Você já vê casas com aluguel de R$ 300 a R$ 400 na Rocinha. O pobre pode pagar? Não, obviamente. Quem é pobre mora na Rocinha, quem é rico mora em São Conrado. O lugar é o mesmo, porém duas coisas mudam: o nome e a atenção do Estado. Tomara que a Benedita dê jeito nessa bagunça.

Resumindo: onde o Estado atua e entra forte com o social não há grande necessidade de um sentimento solidário. E, mesmo assim, esta determinada pesquisa, na minha opinião, é uma inutilidade pomposa. Basta ver uma das experiências: em qual cidade é maior a ajuda para uma velinha que atravessará a rua. É bonitinho, mas talvez se os direitos da terceira idade fossem respeitados integralmente no Brasil e a verba da previdência fosse usada corretamente, os velhinhos teriam mais força para atravessar a rua. Sem precisar de ajuda.

4. Quem garante que urnas eletrônicas são incondicionalmente boas para uma democracia? Lembre-se da confusão que deu nas eleições do César Maia (RJ) no primeiro mandato. O resultado é mais rápido, sim. E a fraude, mais devagar? Qualquer bom técnico em informática conhece pelo menos cinco formas de se fraudar uma eleição. Há avanço sim, mas com a permanência da corrupção nenhum avanço tecnológico é positivo.

5. "Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina”, cita o texto. É óbvio que somos 40% do mercado, o país tem 170 milhões de habitantes. Procure agora saber o percentual de pessoas, no Brasil, que têm computador. Oito por cento da população. Percebe-se: nada a celebrar.

6. “14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando”, cita o texto. Quem conta isso como vantagem não sabe nada de Brasil. 18 fábricas. Beleza. Quantas nacionais? Se a maioria é gringo, pra onde vai o lucro dessas empresas? Os empregos não pagam as perdas da nossa economia. Sem contar que se deixa de valorizar as médias e pequenas empresas para subsidiar as grandes empresas. Ou seja: o Governo paga para que a Ford, por exemplo, se instale na Bahia. Contar isso como vantagem é desconhecer os fatos, ou pelo menos ignorá-los.

7. “Das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos, 97,3% estão estudando”. Esta é típica de quem assiste Jornal Nacional pela Globocabo e acha que entende de Brasil. Quem fez esta pesquisa? Deve ter sido o IBGE, insisto, o mesmo que acha que o desemprego no Brasil é de 8%, porque pergunta se a pessoa trabalhou na última semana, e se ela vendeu uma bala no ônibus, é considerado trabalho. 97,3% das crianças podem estar inscritas na escola. E ainda com uma ressalva: segundo os "dados oficiais", que são irrefutáveis instrumentos da Verdade, não é mesmo? Não sei o de vocês, mas o meu País continua cheio de crianças morrendo devido à precariedade na estrutura sanitária e vendendo balas no sinal pra ajudar pai de família a comprar comida. É assim que se sustenta um castelo de vento: com estatísticas.

8. “O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês”, cita o texto. Quanto as empresas nacionais ganham com isso? A Nokia é pernambucana?

9. Telefonia fixa. Comparações devem ser feitas com proporção adequada, não com números soltos.

10. Mesma coisa.

11. “O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos”. Só pode ser piada esta vantagem.

1. "Nosso mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano”, cita a autora. Começo a desconfiar que este texto foi redigido por alguém do PFL. A Itália é 29 vezes menor do que o Brasil em território (301.302 km2 contra 8.547.403,5 km2) e, no entanto, tem o PIB mais de duas vezes maior (US$ 1,2 trilhões contra US$ 558 bilhões). Uma rede de supermercado, no Brasil, fatura mais do que todo o mercado editorial do país junto. É, realmente, que motivo de orgulho! E essa, de fato, não é a minha maior preocupação. Preocupo-me com os 90% que não têm o hábito da leitura, seja porque são analfabetos, seja porque não possuem dinheiro para comprar livros ou mesmo porque não têm interesse. Todos são muito ocupados venerando o Kléber, a Tiazinha e seus dirigíveis-ETs ou o Alexandre Frota.

2. “Temos o mais moderno sistema bancário do planeta”, cita o texto. Estes dados não tem base. E se o for, tudo fica mais fácil para o juiz Nicolau e para a família Sarney, entre outros. Grande vantagem. Repito: com corrupção, qualquer forma de avanço tecnológico pode ser um ponto negativo.

3. Tenho uma teoria sobre o sucesso da publicidade no Brasil: há de se ter muita criatividade para viver com dois salários mínimos por mês. Os camelôs que o digam.

4. “Por que não falamos que somos o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?”, cita o texto. Um: de onde ela tirou isso? Dois: dando o benefício da dúvida, não seria este número um indicador direto do aumento da desigualdade e da falta do Estado..continua>

5. “Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo?”, cita o texto. Maior em quê? Em corrupção? Em manipulação da imprensa? Ah, não, saquei: em número de decretos e medidas provisórias, batendo todos os recordes com Fernando Henrique.

6. “Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados”, cita o texto. Ainda estamos falando de Brasil? Pensei que estivéssemos no país em que um partido da base governista diz: "Se você acusarem minha candidata, não voto as MPs!" O Congresso pune seus próprios membros? Na Holanda (país de onde este infeliz texto veio) tem tevê? E o Cacciola, que foi inocentado, o FHC, o Collor etc?!

7. “Por que não nos lembramos que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?”, cita o texto. Deixa roubar, então, deixa levar nosso dinheiro, deixa criarem uma delegacia de primeiro mundo só para turistas, enquanto o povo continua levando nas costas. Afinal de contas, somos um povo bom por natureza, pacífico e hospitaleiro. Falta a autora abrir um livro de História e aprender com os erros do passado.

8. “Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?” Vamos comemorar a nossa alienação, sambar e deixar que os corruptos governem para sempre. A gente não tá nem aí mesmo, queremos saber é do Romário. Vai ou não pra Copa? A questão que ela deveria ter feito é: Por que nos orgulhamos disso?!

Esse e-mail é a nossa desgraça consagrada, nossas derrotas celebradas, a falta de perspectiva diante das tragédias, a aceitação de que o povo tem que ficar no lugar dele, assim, calado. Não sou pessimista e sabe Deus o que tenho feito para melhorar a situação por aqui, mas certamente não vou ficar sambando e fechar os olhos para nossos problemas, dando destaque demasiadamente à porcentagem de maravilhas que temos. Criar mérito por causa das nossas riquezas naturais é burrice. Mérito se dá a alguma realização, a alguém que tenha agido, e até mesmo a uma preservação do que foi encontrado. As nossas belezas naturais sempre estiveram aqui, ninguém as fez, e, na verdade, tudo o que fizemos foi destruir parte dela ao longo da História.

Acho que um dos grandes erros do brasileiro é unir otimismo e alienação, assim como opor otimismo e realidade. Sei que o Brasil tem qualidades e acredito nele. Se não acreditasse, não moraria no Brasil, moraria no exterior. Quem sabe, moraria na Holanda.
[Gustavo Barreto, Rio de Janeiro/RJ, 10.04]

O texto na íntegra:
Comentários de uma brasileira que mora na Holanda...

    Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil. E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
- Aqui na Holanda os resultados das  eleições demoram horrores porque não há nada automatizado. Sé existe uma companhia telefônica e (pasmem!) se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.
- Nos Estados Unidos e na Europa ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos - antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus os atendentes recebem o dinheiro e com a mesma mão suja te entregam o pão ou a carne.
- Em Londres existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e  tem fila na porta.
- Na Europa não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.
- Em Paris os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de "Como conquistar o Cliente".
[Georgia]

VEJA!
Vamos nos engajar neste movimento! Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos. Temos uma língua que apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua portuguesa. Somos vitimas de vários crimes contra nossa pátria, crenças, cultura, língua etc. Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar nossas raízes culturais.

Os dados são da Antropos Consulting:

1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do  Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a  credibilidade do processo.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
6. No Brasil temos 14 fábricas  de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
7. Das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos, 97,3% estão estudando.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
9. Na telefonia fixa, nosso país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil?

1. Por que não nos orgulhamos em dizer que nosso mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
2. Que temos o mais moderno sistema bancário do planeta?
3. Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
4. Por que não falamos que somos o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
5. Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo?
6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
7. Por que não nos lembramos que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
8. Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?

É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques, talvez porque sua verdadeira língua pátria não seja bem entendida. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!

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Carta aberta ao Presidente Eduardo Duhalde, à direção política e à burocracia sindical
Vemos com horror o panorama social de nosso país, onde a morte, a fome e o desemprego são os protagonistas do estado de deterioração do sistema político. Os piqueteiros se converteram na pequena chama de esperança que aquece e ilumina muitos de nós. As assembléias de bairro crescem e se aglutinam com todo tipo de problemas, como a intervenção dos dirigentes políticos de esquerda que tentam impedi-las ou impor suas decisões. Do poder se escutam frases como “não nos preocupa o dólar”. Por outro lado, o presidente disse “àquele que depositou dólares, serão devolvidos dólares”, “haverá solidariedade para todos”. O fantoche Duhalde promete seguros-desemprego, cestas básicas, mas nem fala de trabalho digno, disso, nem sombra. Sabemos que a intenção do Fantoche é repartir entre os governadores o dinheiro que lhe chegue da Igreja, da Europa e “o que seu marido lhe dê”, esse é o negócio. Para que os governadores apoiem a gestão de Duhalde, reparte-se a grana e, assim, permitem que continue roubando. Enquanto isso, quando o povo luta, quando faz piquetes, quando fecha as estradas e leva a comida dos supermercados, é acusado de terrorista. E vota-se contra Cuba nas Nações Unidas porque Argentina diz que em Cuba se violam os direitos humanos.  E se oferece ao governo da Colômbia treinamento de pilotos de helicópteros para combater a “guerrilha terrorista”.

Nós perguntamos: onde está o terrorismo? O terrorismo está no Presidente, nos governadores, nos deputados, nos senadores e nos vereadores que exaurem a república. Cada um deles tem salários mensais que passam de cinco mil dólares, fora os acréscimos para a mulher, a amante, as 5 secretárias, os 25 empregados, as casas de veraneio, 2 ou 3 carros, passagens de avião e contas nas Ilhas Caimán, onde depositam tudo que roubam mensalmente. Por outro lado, os revolucionários, antes os nossos filhos e agora a guerrilha colombiana das FARC, os Sem-Terra brasileiros, os Zapatistas mexicanos entre outros, se colocam a serviço de seus povos para combater a fome, a miséria, o analfabetismo, a falta de proteção à saúde, oferecendo o mais valioso, suas vidas, em defesa de seus povos. Ninguém imagina Tirofijo das FARC, Stedile do MST e Marcos, o comandante zapatista, viajando em limosines ou num Mercedes Benz. Nem podemos imaginá-los nadando numa piscina de um country club ou em Miami. Então, onde está o terrorismo? Nas instituições, nos governos subservientes às multinacionais, aos bancos e ao imperialismo dos EEUU, que consomem tudo como um câncer. Nunca um revolucionário será terrorista porque não quer nada para ele nem para sua família, ele doa tudo. Nossos piqueteiros que fecham as estradas com suas mulheres e seus filhos põem seus corpos valentes para exigir trabalho, não privilégios ou favores. Os deputados e senadores que, junto com os juízes, defendem seus benefícios e salários, não são capazes de defender as causas do povo.

A Associação Mães da Praça de Maio, juntamente com todos que lutam, não vamos permitir o estado de sítio, nem rondas noturnas de militares assassinos que, com alguns políticos ladrões, se atrevam a pensar em implantar um novo governo servil ao EEUU. Combatemos e resistimos ao terrorismo de Estado. Exigimos a liberdade de todos os presos políticos e o cancelamento dos processos de todos os lutadores populares. A Associação Mães da Praça de Maio está decidida a entregar até a última gota de sangue, até o último suspiro, até a última batida do nosso coração, que bate ao compasso do coração dos nossos filhos amados que, onde estejam, continuam nos iluminando. A vida só vale a vida, mas vale quando alguém a entrega para que outros comam, para que outros sonhem e, sobretudo, para unir nossas gargantas exigindo:
Liberdade! Liberdade! Liberdade!
Nem um passo atrás!
[Hebe de Bonafini, 28.03]

Parabéns
Só tenho a agradecer pelo belo site! Vc está de parabéns pela grandeza cultural do seu site a internet precisa de sites assim continue a frente e avante! Espero ansiosamente mais charges e mais cronicas de mais autores.
[Sergio Magno,14/3/2002]

Episódio ocorrido com um cidadão na Linha Vermelha (RJ)
Domingo à noite, em torno de 18h45, eu estava passando pela Linha Vermelha em direção à rodovia Presid. Dutra quando o motor do meu carro começou a parar. Eu estava entre Duque de Caxias e São João de Meriti (ao lado da favela do Lixão). Como o carro parou de funcionar, fui para o acostamento e imediatamente solicitei o reboque à minha seguradora (Unibanco Seguros). Já havia solicitado o reboque a mais ou menos 15 minutos, quando avistei um sujeito de bicicleta sem camisa vindo em minha direção. Logo imaginei: "Serei assaltada". Não havia muito o que fazer em tal situação: estava sozinha, com um carro que não queria pegar e em um local ao lado de uma favela, ou seja, não podia ir a lugar algum.

Então aguardei meu destino. Dito e feito. O cara se aproximou do carro, onde eu estava, colocou o revolver na minha cabeça e mandou que lhe entregasse todo o dinheiro que havia em minha carteira. Diante de tal situação, eu tentei argumentar e não ter uma reação tão passiva porém ele tomou minha carteira, retirou o dinheiro e foi embora de bicicleta.

Para o atual Rio de Janeiro, isso é "normal". Dez minutos após, passa uma viatura da polícia e fiz sinal para que a mesma parasse. Ao relatar o que houve, o policial falou apenas que isso era "normal" e que eu deveria chamar o reboque. Eu informei que já havia chamado o reboque da seguradora. Porém o policial disse que esses reboques não entram na linha Vermelha, pois é proibido! Na mesma hora eu liguei para seguradora, contando que já havia sido assaltada e exigia o reboque, e para minha surpresa ela confirmou que não poderia enviar um reboque à Linha Vermelha pois, segundo a seguradora, trata-se de uma "via monitorada (?) e com telefones de 100 em 100 metros (!!!)". Qualquer pessoa que passe por ela hoje em dia sabe muito bem que isso não é realidade. Se houver dois ou três telefones em toda extensão da Linha Vermelha é muito!

O policial também não concordava com a impossibilidade de reboques entrarem na via, que é administrada pela DER (Depto. de Estradas e Rodagem). Ele me contou que o DER paga a concessão de reboques exclusivos a 15 companhias distintas, porém dessas 15 que recebem dinheiro somente trabalham na via de três a cinco companhias. Ele contou também que carros que tem problemas de madrugada às vezes esperam de duas a três horas pelo socorro. É um absurdo!!! Você, como cidadão, paga seus impostos, paga por um socorro privado (seguro) e quando necessita não pode utilizá-lo porque só os reboques autorizados trafegam pela Linha Vermelha. O DER alega que ele mesmo lhe fornece esse socorro, só que ele é tardio demais para uma via sem segurança! A instituição deveria oferecer um serviço decente de acordo com as condições reais do local, ou permitir que as pessoas busquem seu próprio socorro.

E você fica no meio disso tudo a mercê dos bandidos. Pois além de tudo, a via está com sua iluminação precária, os próprios traficantes quebraram diversas lâmpadas para melhor realizar seu "trabalho". Agindo dessa forma, o DER somente atrapalha e além de tudo coloca nossa integridade física em alto risco. Os policiais, muito gentis, me contaram que estavam passando ali por acaso, pois eles estavam indo em direção a um shopping na via Dutra. Eles perguntaram se o meu celular poderia fazer alguma ligação e eu disse que sim. Logo, eles me informaram o telefone interno da central do DER onde eu poderia solicitar o reboque. Se o policial não estivesse ali, como eu iria saber desse telefone? Então, eu, do meu telefone (pois se não tivesse um estaria ferrada!), liguei e solicitei o reboque ao DER. Os PM's ficaram comigo até a chegada do reboque que após essa última ligação demorou 35 minutos para chegar ao local. 35 minutos para um lugar deserto e perigoso é muito tempo!

Divulguem isso, pois esse descaso não pode continuar. Sei que não fui a primeira e tampouco serei a última pessoa a passar por isso. Segurança é dever do estado e temos o direito de ficarmos perplexos com tais acontecimentos. Espero que isso não ocorra a vocês, mas sejam precavidos e anotem o número do socorro da Linha Vermelha: 2584-4245.
Veja mais telefones úteis na seção Serviços.
[Colaborou João de Séllos, 05.03]

Endividado porém moderno
Um belo dia me deu vontade de comprar tudo do bom e do melhor pra minha casa, modernizar tudo, desde a batedeira até a escova de dentes que passou a ser elétrica. Comprei geladeira nova, aparelho de som, DVD, Home Theater, até a persiana eu agora controlo por controle remoto, uma beleza. Minha filha, minha mulher e meus familiares ficaram muito satisfeitos com aquilo tudo. Passou algum tempo e alguns credores vieram me cobrar algumas dívidas, afinal tive que assumir alguns compromissos com terceiros por todas aquelas novidades que melhoraram tanto a minha casa. Venderam todos aqueles bens em leilão, infelizmente o dinheiro do leilão foi muito pequeno e não era suficiente para pagar, então os credores pediram alguma garantia que o pagamento da dívida seria feito. Então vi a única coisa que podia dar como garantia, a minha casa e o que ainda tinha dentro dela... então falei a eles: "Enquanto eu não puder pagar, os senhores podem entrar na minha casa quando quiserem e fazer o que bem entenderem com o que tenho aqui dentro". Enquanto isso minha dívida crescia, acabei virando motorista dos credores, minha mulher virou doméstica da casa e minha filha, a faxineira..continua>

Nos tornamos empregados dos credores dentro de nossa própria casa. Mas era excelente porque os credores que estavam na minha casa sempre renovavam tudo do meu lar... mas minha dívida continuava crescendo e nós passamos a ser meros empregados dos tais credores... realmente, minha casa nunca esteve tão boa.

Esses credores moravam na parte norte do bairro, eram minoria no bairro, pois a maioria estava devendo a eles. Aos poucos descobri que os bens que eu achava que eram de última geração que eles mandavam para minha casa, como celulares etc, eram os que já não tinham utilidade em suas casas, eram obsoletos, mas deixavam os outros pobres moradores muito felizes. Com o passar do tempo, o pequeno grupo de moradores da parte norte do bairro ficava cada vez mais rico, com casas cada vez mais belas e sofisticadas, enquanto os moradores de outras partes dependiam cada vez mais dos que residiam no norte, pois eram empregados deles e não tinham como pagar suas dívidas e para continuar recebendo os tais utensílios através de seus credores, tinham que ceder cada vez mais garantias a eles. Qualquer semelhança é mera coincidência.
[Saulo, Rio de Janeiro/RJ, 08/02]

“O que é um assaltante de banco diante de um banco?”
Alguém que depositou R$ 100,00 (Cem Reais) na Poupança num banco, no dia 1º de julho de 1994 (data de lançamento do real), tem hoje R$374,00 (Trezentos Setenta e Quatro Reais). Se esse mesmo alguém tivesse sacado R$100,00 (Cem Reais) no Cheque Especial, na mesma data, teria hoje uma divida de R$139.259,00 (Cento e Trinta e Nove Mil e Duzentos Cinqüenta e Nove Reais), no mesmo banco. Ou seja: Com R$ 100,00 do Cheque Especial, você fica devendo 9 (Nove) Carros Populares, e com o da poupança, consegue comprar apenas 4 (Quatro) Pneus. Não é à toa que o Bradesco teve quase R$2.000.000.000,00 (Dois Bilhões de Reais) de lucro líquido somente no 1º semestre, seguido de perto do Itaú etc... Dá para comprar um outro Banco por semestre! E os Juros Exorbitantes dos cartões de crédito? VISA 10,40 % ao Mês e MASTER 11,40 % poupança 0,79% ao mês. Vamos protestar, passando para frente via Internet a contestação dessa situação insustentável de desequilíbrio econômico, antes que seja tarde... Acorda Brasil! Tenha cultura e educação e saiba em quem votar.
[Kadu, 31.01]

O massacre da Serra elétrica
Eu acho engraçado a posição do José Serra. Um político na minúcia da palavra. Sempre de olho em pesquisas eleitorais, iniciou a campanha prometendo pensões e aposentadorias a todos os idosos, independentemente de terem contribuído ao INSS. Isso porque dados estatísticos apontavam para o fato de ser a principal preocupação dos brasileiros o medo de envelhecer sem gozar de qualquer tipo de assistência. Quando pipocou a questão da segurança pública, mudou imediatamente sua plataforma política, como fizeram todos os outros, à exceção de Antony Garotinho que já tratava do assunto antes que virasse prioridade federal.

Bom. Creio que se o Brasil for pentacampeão da Copa do Mundo, a segurança pública irá para as cucuias na prioridade de Serra e falará em alto e bom tom da necessidade de se incentivar o esporte. Serra demonstra ser um "maria-vai-com-as-outras", que muda seus objetivos de campanha à medida que os ventos da imprensa sopram para este ou aquele assunto... Será que um homem assim está preparado para assumir os problemas do Brasil? Eles não se restringem a este ou àquele assunto de repercussão imediata... FHC, por exemplo, escreveu e não leu. Deixou a energia elétrica às cucuias e o pau comeu!
[Sérgio Torquato, Brasília/DF, 29/01]

Falta de consciência sobre os transgênicos
Estou estarrecido com o que li sobre os transgênicos na página Consciência.Net. Embora não tenha conhecimento técnico para dizer se os transgênicos prejudicam a natureza, tenho competência para discorrer de maneira clara sobre as terríveis conseqüências políticas, geopolíticas e econômicas de sua adoção pelo Brasil. Sementes de plantas transgênicas não se reproduzem. Os agricultores são obrigados a comprar sempre dos fabricantes de sementes modificadas. São reféns das multinacionais de transgênicos. Países inteiros ficam dependentes de sementes produzidas pelos países dominantes. Não há dúvida quanto ao uso de pressões do tipo ‘ou negociam com o FMI em nossos termos ou vocês vão passar fome ano que vem’. Transgênicos nunca!
[Marcos, São Paulo/SP, 13.01]


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