Cartas de 2002..janeiro a outubro
| Quem
é Loreta Turano? Ler
Bacana
Ensaio sobre o medo
Liturgia da Seca II
Risco País
Juju
Elogios
Carta ao Manhattan Connection
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Era
evidente que Jabor nunca havia tentado entender o que Chomsky diz – e ele
não tentou esconder isso. Mesmo assim, com completa falta de ética
jornalística, ele falou mal de Chomsky. Falar mal sem ler? Peraí,
não dá pra aceitar. Achei que vocês fizeram um dos
piores programas de toda a história do Manhattan Connection, fazendo
um desfavor para os jovens leitores que estão tentando se conscientizar.
Por outro lado, eu nunca faria esta crítica se não tivesse
visto o programa. Mas o Jabor já é carta marcada. Eu tento
tirar coisas boas dele, até consigo raras vezes, mas esta ultrapassou
os limites da alienação política a que ele se submete,
mesmo conhecendo o quadro geral. E claro: não perdeu a chance de
falar mal do PT, obviamente ignorando a diferença básica
entre ‘um partido que possui duas alas’ e ‘um partido que possui duas caras’.
Pro Jabor, é a mesma coisa. Só rindo, como diria Rubem Fonseca.
Caio Blinder erra ao falar que Chomsky está sendo lido por causa de uma ‘necessidade do americano por respostas rápidas’, pois não explica porque apenas agora ele está sendo tão lido, já que sabidamente já escreveu cerca de 40 livros (ou edições de entrevistas no formato de livro) sobre política. Gostaria de saber isso dele no próximo programa ou em resposta por e-mail. Não entro na discussão sobre a questão – que por sinal discordo –, gostaria apenas que ele não fosse tão parcial em suas explicações. O pior de tudo foi falar que ele é ‘simplista’. Existe uma palavra denominada ‘simples’ e outra denominada ‘simplista’. Chomsky precisa falar difícil para explicar as coisas? A linguagem é simples e direta, o que parece bastante óbvio, já que Noam Chomsky é a maior autoridade mundial em termos de neurolingüística. Este é outro fator que demonstra que ninguém na mesa – exceto a Lúcia (talvez), que não falou muito sobre a questão – leu Chomsky. Chomsky disserta sobre os assuntos mais específicos possíveis, como as guerras no Oriente Médio, Somália, Indochina, sistemas políticos, relações de poder, tudo com muita profundidade. Não só dos Estados Unidos. Por essa, posso afirmar sem erro: Caio Blinder ou não leu Chomsky, ou leu com muita má vontade e preconceito. Não vou tentar convencê-los, pois está tudo nos livros. Basta lê-los. Fica a minha crítica
construtiva e a esperança de que possam se redimir no próximo
programa sendo mais imparciais e colocando as coisas que faltaram sobre
Chomsky, falando dos erros como já vi fazerem outras vezes. O conceito
do programa comigo caiu muito. Fica aqui o olhar atento de um telespectador
que não foi amestrado pela mídia.
Armas químicas
Vergonha de ser brasileiro
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governo
a demarcá-las e índios seqüestrando e expulsando brancos
das suas reservas, mostrando à população quem são
os verdadeiros donos da terra e não aceitam ser tratados como cidadãos
de terceira classe. Vimos policiais bandidos sendo presos e expulsos da
corporação, a partir de denúncias apresentadas por
cidadãos comuns. Tudo isso num país onde a maioria da população
vive dentro da faixa de pobreza. É pouco?
Marco de Vito é um exemplo de brasileiro que envergonha seus patrícios. Ao invés de lutar por um Brasil melhor, fugiu para os Estados Unidos, onde, deitado em berço esplêndido, aponta defeitos, sem apresentar soluções. Seu ídolo é um americano, personagem do filme "O Patriota", que arriscou a própria vida e a vida dos seus familiares lutando contra as injustiças, coisa que ele, como oportunista que é, jamais teria coragem de fazer. Imaginem se todos os homens de bem, verdadeiros patriotas, abandonassem o Brasil, ao invés de tentar mudá-lo. Como construiríamos um país do qual nos orgulhar? Quem puniria corruptos, assassinos e bandidos? Os americanos, por acaso? Em suas declarações Marco também afirmou que tudo nos EUA foi lavado com sangue. Mas pelo jeito ele mesmo não deu uma única gota, nem do seu suor, para tentar mudar o que estava errado em nossa sociedade. Quanto sangue esse indivíduo, que tem vergonha de ser brasileiro, acha que precisaria ser derramado, para que as mudanças fossem do seu agrado, ao ponto de convencê-lo a voltar a viver no Brasil? Bom, não precisa responder, senhor Marco. Nós não queremos mais o senhor aqui. O senhor traiu sua pátria e passou para o lado daqueles que exploram seus conterrâneos. Se tivesse sido mais inteligente e menos egoísta, teria percebido que não é qualquer nação do globo que promove mudanças tão substanciais, em tão pouco tempo, sem banhos de sangue e sem precisar sacrificar a vida dos seus filhos. Como se tudo isso não bastasse, esse "novo americano" ainda fez piadinha com a nossa independência. Só esqueceu que nós ainda não somos independentes, pois continuamos sendo explorados pelo país que ele, vergonhosamente, escolheu como pátria. Se a "Solução do Aeroporto" que ele adotou fosse boa, o herói do seu filme predileto teria ido morar, provavelmente, na Inglaterra. E aí? Quem iria lutar e derramar sangue para que esse senhor pudesse viver como vive hoje, num paraíso capitalista? Marco de Vito afirmou ainda em sua carta que não falará com suas filhas a respeito do país onde nasceu. Eu compreendo: se assim fizesse, elas iriam perceber que o pai era um traidor da pátria. Entenderiam também que, para ele, a palavra patriotismo não tem nenhum significado, a não ser nos filmes americanos. Ainda temos inúmeras
batalhas pela frente, até que o Brasil possa ser considerado um
modelo de sociedade que satisfaça a maioria dos brasileiros. Mas,
nesta luta, não vamos precisar de brasileiros como Marco. Indivíduos
como ele não fazem a menor falta. Deveriam ser banidos por Decreto.
De minha parte, prefiro lutar pelo meu país aqui dentro, a sofrer
humilhações num país racista que rejeita brasileiros
e cuja riqueza vem da exploração das nações
menos favorecidas. Eu jamais deixaria de ser cidadão brasileiro
para me tornar um americano falsificado, como fez o ex-brasileiro Marco
de Vito.
Triste país
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| Brasileira?
[Texto comentado ao lado] Tive o desprazer de ler um texto de título Comentários de uma brasileira que mora na Holanda. O texto é exageradamente ufanista e nacionalista. De certo achei desprezível inicialmente, mas fiquei receoso quando percebi que poderia ter grande divulgação, devido ao forte poder de circulação da Internet. Releiam o texto abaixo que vê "grandes avanços" no nosso “Brasilzão”. Parece-me muito com a política dos antigos governantes, que diziam que aqui tudo é grande, como o próprio Brasil. A autora começa o texto destacando os maus hábitos dos europeus nos açougues e restaurantes, por exemplo, onde muitas vezes embrulham comida em jornais. É uma escolha. O que não é uma escolha é a decisão de uma família de ir morar em torno de grandes lixões. A busca é por comida, pois sem comida não há escolha: há desnutrição e morte. A autora ignora este fato. Um pouco depois, a autora fala dos “brasileiros mais esclarecidos” – uma tática para que o leitor se sinta conscientizado. Escreve um texto amador sobre a influência da cultura dos EUA como arma de “destruição” de um povo e diz ainda que “temos uma língua que apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa (...)”. Como assim? Não se parece? Será que ela não entende os portugueses? As considerações neste parágrafo são absurdas, não sei nem por onde começar. Depois divulga dados da Antropos Consulting, que, pelo que vi, deve trabalhar junto com o IBGE. Os dados, tópico a tópico: 1. Em relação à AIDS, é sempre bom lembrar que estamos muito bem na questão do tratamento, pesquisa, novas drogas etc. Como bem avisa David Uip, um dos infectologistas mais respeitados do Brasil e um dos pioneiros no tratamento de pacientes de Aids no país, na parte de prevenção – que ao meu ver é tão importante quanto o tratamento – estamos mal, muito mal. A entrevista do médico está na seção sobre AIDS deste jornal. Além disso, duvida que o Serra vá usar este programa para se eleger? E, com certeza, vai se esquecer que demitiu nove mil agentes sanitários em 99, provocando a maior proliferação de Dengue que o Brasil já viu em toda a sua História. Esquecerá do colapso dos hospitais públicos, sendo todo e qualquer assunto desviado para o sucesso com o programa da AIDS. 2. Sobre o projeto Genoma, isto mostra não só a força do Brasil, que deve ser reconhecida neste caso, mas também a fraqueza dos outros países da América Latina. Pouco ajuda, no entanto, em problemas mais sérios, de calamidade pública. 3. A solidariedade se faz presente no Rio de Janeiro, assim como em todo o Brasil, na medida em que a pobreza co-existe com as classes mais privilegiadas. Solidariedade em demasia demonstra duas coisas: (1) que o povo é, de fato, solidário; (2) que o Estado é incompetente. É dever do Estado, em primeiro lugar, dar assistência à população. Aqui o papel se inverte: o povo é que faz a maior parte do trabalho. Por que o projeto Favela-Bairro funciona em alguns lugares? Projeto social? Besteira. É resultado da pressão da classe média que começa a ocupar o pé do morro e, portanto, precisa morar bem. Você já vê casas com aluguel de R$ 300 a R$ 400 na Rocinha. O pobre pode pagar? Não, obviamente. Quem é pobre mora na Rocinha, quem é rico mora em São Conrado. O lugar é o mesmo, porém duas coisas mudam: o nome e a atenção do Estado. Tomara que a Benedita dê jeito nessa bagunça. Resumindo: onde o Estado atua e entra forte com o social não há grande necessidade de um sentimento solidário. E, mesmo assim, esta determinada pesquisa, na minha opinião, é uma inutilidade pomposa. Basta ver uma das experiências: em qual cidade é maior a ajuda para uma velinha que atravessará a rua. É bonitinho, mas talvez se os direitos da terceira idade fossem respeitados integralmente no Brasil e a verba da previdência fosse usada corretamente, os velhinhos teriam mais força para atravessar a rua. Sem precisar de ajuda. 4. Quem garante que urnas eletrônicas são incondicionalmente boas para uma democracia? Lembre-se da confusão que deu nas eleições do César Maia (RJ) no primeiro mandato. O resultado é mais rápido, sim. E a fraude, mais devagar? Qualquer bom técnico em informática conhece pelo menos cinco formas de se fraudar uma eleição. Há avanço sim, mas com a permanência da corrupção nenhum avanço tecnológico é positivo. 5. "Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina”, cita o texto. É óbvio que somos 40% do mercado, o país tem 170 milhões de habitantes. Procure agora saber o percentual de pessoas, no Brasil, que têm computador. Oito por cento da população. Percebe-se: nada a celebrar. 6. “14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando”, cita o texto. Quem conta isso como vantagem não sabe nada de Brasil. 18 fábricas. Beleza. Quantas nacionais? Se a maioria é gringo, pra onde vai o lucro dessas empresas? Os empregos não pagam as perdas da nossa economia. Sem contar que se deixa de valorizar as médias e pequenas empresas para subsidiar as grandes empresas. Ou seja: o Governo paga para que a Ford, por exemplo, se instale na Bahia. Contar isso como vantagem é desconhecer os fatos, ou pelo menos ignorá-los. 7. “Das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos, 97,3% estão estudando”. Esta é típica de quem assiste Jornal Nacional pela Globocabo e acha que entende de Brasil. Quem fez esta pesquisa? Deve ter sido o IBGE, insisto, o mesmo que acha que o desemprego no Brasil é de 8%, porque pergunta se a pessoa trabalhou na última semana, e se ela vendeu uma bala no ônibus, é considerado trabalho. 97,3% das crianças podem estar inscritas na escola. E ainda com uma ressalva: segundo os "dados oficiais", que são irrefutáveis instrumentos da Verdade, não é mesmo? Não sei o de vocês, mas o meu País continua cheio de crianças morrendo devido à precariedade na estrutura sanitária e vendendo balas no sinal pra ajudar pai de família a comprar comida. É assim que se sustenta um castelo de vento: com estatísticas. 8. “O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês”, cita o texto. Quanto as empresas nacionais ganham com isso? A Nokia é pernambucana? 9. Telefonia fixa. Comparações devem ser feitas com proporção adequada, não com números soltos. 10. Mesma coisa. 11. “O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos”. Só pode ser piada esta vantagem. 1. "Nosso mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano”, cita a autora. Começo a desconfiar que este texto foi redigido por alguém do PFL. A Itália é 29 vezes menor do que o Brasil em território (301.302 km2 contra 8.547.403,5 km2) e, no entanto, tem o PIB mais de duas vezes maior (US$ 1,2 trilhões contra US$ 558 bilhões). Uma rede de supermercado, no Brasil, fatura mais do que todo o mercado editorial do país junto. É, realmente, que motivo de orgulho! E essa, de fato, não é a minha maior preocupação. Preocupo-me com os 90% que não têm o hábito da leitura, seja porque são analfabetos, seja porque não possuem dinheiro para comprar livros ou mesmo porque não têm interesse. Todos são muito ocupados venerando o Kléber, a Tiazinha e seus dirigíveis-ETs ou o Alexandre Frota. 2. “Temos o mais moderno sistema bancário do planeta”, cita o texto. Estes dados não tem base. E se o for, tudo fica mais fácil para o juiz Nicolau e para a família Sarney, entre outros. Grande vantagem. Repito: com corrupção, qualquer forma de avanço tecnológico pode ser um ponto negativo. 3. Tenho uma teoria sobre o sucesso da publicidade no Brasil: há de se ter muita criatividade para viver com dois salários mínimos por mês. Os camelôs que o digam. 4. “Por que não falamos que somos o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?”, cita o texto. Um: de onde ela tirou isso? Dois: dando o benefício da dúvida, não seria este número um indicador direto do aumento da desigualdade e da falta do Estado..continua> |
5.
“Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia
do mundo?”, cita o texto. Maior em quê? Em corrupção?
Em manipulação da imprensa? Ah, não, saquei: em número
de decretos e medidas provisórias, batendo todos os recordes com
Fernando Henrique.
6. “Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados”, cita o texto. Ainda estamos falando de Brasil? Pensei que estivéssemos no país em que um partido da base governista diz: "Se você acusarem minha candidata, não voto as MPs!" O Congresso pune seus próprios membros? Na Holanda (país de onde este infeliz texto veio) tem tevê? E o Cacciola, que foi inocentado, o FHC, o Collor etc?! 7. “Por que não nos lembramos que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?”, cita o texto. Deixa roubar, então, deixa levar nosso dinheiro, deixa criarem uma delegacia de primeiro mundo só para turistas, enquanto o povo continua levando nas costas. Afinal de contas, somos um povo bom por natureza, pacífico e hospitaleiro. Falta a autora abrir um livro de História e aprender com os erros do passado. 8. “Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?” Vamos comemorar a nossa alienação, sambar e deixar que os corruptos governem para sempre. A gente não tá nem aí mesmo, queremos saber é do Romário. Vai ou não pra Copa? A questão que ela deveria ter feito é: Por que nos orgulhamos disso?! Esse e-mail é a nossa desgraça consagrada, nossas derrotas celebradas, a falta de perspectiva diante das tragédias, a aceitação de que o povo tem que ficar no lugar dele, assim, calado. Não sou pessimista e sabe Deus o que tenho feito para melhorar a situação por aqui, mas certamente não vou ficar sambando e fechar os olhos para nossos problemas, dando destaque demasiadamente à porcentagem de maravilhas que temos. Criar mérito por causa das nossas riquezas naturais é burrice. Mérito se dá a alguma realização, a alguém que tenha agido, e até mesmo a uma preservação do que foi encontrado. As nossas belezas naturais sempre estiveram aqui, ninguém as fez, e, na verdade, tudo o que fizemos foi destruir parte dela ao longo da História. Acho que um dos grandes erros
do brasileiro é unir otimismo e alienação, assim como
opor otimismo e realidade. Sei que o Brasil tem qualidades e acredito nele.
Se não acreditasse, não moraria no Brasil, moraria no exterior.
Quem sabe, moraria na Holanda.
O texto na íntegra:
Os
brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil. E realmente
parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem
seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos
enquanto no Brasil se maximizam os negativos.
VEJA!
Os dados são da Antropos Consulting: 1. O Brasil é o
país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras
doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil? 1. Por que não
nos orgulhamos em dizer que nosso mercado editorial de livros é
maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos
a cada ano?
É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques, talvez porque sua verdadeira língua pátria não seja bem entendida. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada Brasil! |
| Carta
aberta ao Presidente Eduardo Duhalde, à direção política
e à burocracia sindical
Vemos com horror o panorama social de nosso país, onde a morte, a fome e o desemprego são os protagonistas do estado de deterioração do sistema político. Os piqueteiros se converteram na pequena chama de esperança que aquece e ilumina muitos de nós. As assembléias de bairro crescem e se aglutinam com todo tipo de problemas, como a intervenção dos dirigentes políticos de esquerda que tentam impedi-las ou impor suas decisões. Do poder se escutam frases como “não nos preocupa o dólar”. Por outro lado, o presidente disse “àquele que depositou dólares, serão devolvidos dólares”, “haverá solidariedade para todos”. O fantoche Duhalde promete seguros-desemprego, cestas básicas, mas nem fala de trabalho digno, disso, nem sombra. Sabemos que a intenção do Fantoche é repartir entre os governadores o dinheiro que lhe chegue da Igreja, da Europa e “o que seu marido lhe dê”, esse é o negócio. Para que os governadores apoiem a gestão de Duhalde, reparte-se a grana e, assim, permitem que continue roubando. Enquanto isso, quando o povo luta, quando faz piquetes, quando fecha as estradas e leva a comida dos supermercados, é acusado de terrorista. E vota-se contra Cuba nas Nações Unidas porque Argentina diz que em Cuba se violam os direitos humanos. E se oferece ao governo da Colômbia treinamento de pilotos de helicópteros para combater a “guerrilha terrorista”. Nós perguntamos: onde está o terrorismo? O terrorismo está no Presidente, nos governadores, nos deputados, nos senadores e nos vereadores que exaurem a república. Cada um deles tem salários mensais que passam de cinco mil dólares, fora os acréscimos para a mulher, a amante, as 5 secretárias, os 25 empregados, as casas de veraneio, 2 ou 3 carros, passagens de avião e contas nas Ilhas Caimán, onde depositam tudo que roubam mensalmente. Por outro lado, os revolucionários, antes os nossos filhos e agora a guerrilha colombiana das FARC, os Sem-Terra brasileiros, os Zapatistas mexicanos entre outros, se colocam a serviço de seus povos para combater a fome, a miséria, o analfabetismo, a falta de proteção à saúde, oferecendo o mais valioso, suas vidas, em defesa de seus povos. Ninguém imagina Tirofijo das FARC, Stedile do MST e Marcos, o comandante zapatista, viajando em limosines ou num Mercedes Benz. Nem podemos imaginá-los nadando numa piscina de um country club ou em Miami. Então, onde está o terrorismo? Nas instituições, nos governos subservientes às multinacionais, aos bancos e ao imperialismo dos EEUU, que consomem tudo como um câncer. Nunca um revolucionário será terrorista porque não quer nada para ele nem para sua família, ele doa tudo. Nossos piqueteiros que fecham as estradas com suas mulheres e seus filhos põem seus corpos valentes para exigir trabalho, não privilégios ou favores. Os deputados e senadores que, junto com os juízes, defendem seus benefícios e salários, não são capazes de defender as causas do povo. A Associação
Mães da Praça de Maio, juntamente com todos que lutam, não
vamos permitir o estado de sítio, nem rondas noturnas de militares
assassinos que, com alguns políticos ladrões, se atrevam
a pensar em implantar um novo governo servil ao EEUU. Combatemos e resistimos
ao terrorismo de Estado. Exigimos a liberdade de todos os presos políticos
e o cancelamento dos processos de todos os lutadores populares. A Associação
Mães da Praça de Maio está decidida a entregar até
a última gota de sangue, até o último suspiro, até
a última batida do nosso coração, que bate ao compasso
do coração dos nossos filhos amados que, onde estejam, continuam
nos iluminando. A vida só vale a vida, mas vale quando alguém
a entrega para que outros comam, para que outros sonhem e, sobretudo, para
unir nossas gargantas exigindo:
Parabéns
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Episódio
ocorrido com um cidadão na Linha Vermelha (RJ)
Domingo à noite, em torno de 18h45, eu estava passando pela Linha Vermelha em direção à rodovia Presid. Dutra quando o motor do meu carro começou a parar. Eu estava entre Duque de Caxias e São João de Meriti (ao lado da favela do Lixão). Como o carro parou de funcionar, fui para o acostamento e imediatamente solicitei o reboque à minha seguradora (Unibanco Seguros). Já havia solicitado o reboque a mais ou menos 15 minutos, quando avistei um sujeito de bicicleta sem camisa vindo em minha direção. Logo imaginei: "Serei assaltada". Não havia muito o que fazer em tal situação: estava sozinha, com um carro que não queria pegar e em um local ao lado de uma favela, ou seja, não podia ir a lugar algum. Então aguardei meu destino. Dito e feito. O cara se aproximou do carro, onde eu estava, colocou o revolver na minha cabeça e mandou que lhe entregasse todo o dinheiro que havia em minha carteira. Diante de tal situação, eu tentei argumentar e não ter uma reação tão passiva porém ele tomou minha carteira, retirou o dinheiro e foi embora de bicicleta. Para o atual Rio de Janeiro, isso é "normal". Dez minutos após, passa uma viatura da polícia e fiz sinal para que a mesma parasse. Ao relatar o que houve, o policial falou apenas que isso era "normal" e que eu deveria chamar o reboque. Eu informei que já havia chamado o reboque da seguradora. Porém o policial disse que esses reboques não entram na linha Vermelha, pois é proibido! Na mesma hora eu liguei para seguradora, contando que já havia sido assaltada e exigia o reboque, e para minha surpresa ela confirmou que não poderia enviar um reboque à Linha Vermelha pois, segundo a seguradora, trata-se de uma "via monitorada (?) e com telefones de 100 em 100 metros (!!!)". Qualquer pessoa que passe por ela hoje em dia sabe muito bem que isso não é realidade. Se houver dois ou três telefones em toda extensão da Linha Vermelha é muito! O policial também não concordava com a impossibilidade de reboques entrarem na via, que é administrada pela DER (Depto. de Estradas e Rodagem). Ele me contou que o DER paga a concessão de reboques exclusivos a 15 companhias distintas, porém dessas 15 que recebem dinheiro somente trabalham na via de três a cinco companhias. Ele contou também que carros que tem problemas de madrugada às vezes esperam de duas a três horas pelo socorro. É um absurdo!!! Você, como cidadão, paga seus impostos, paga por um socorro privado (seguro) e quando necessita não pode utilizá-lo porque só os reboques autorizados trafegam pela Linha Vermelha. O DER alega que ele mesmo lhe fornece esse socorro, só que ele é tardio demais para uma via sem segurança! A instituição deveria oferecer um serviço decente de acordo com as condições reais do local, ou permitir que as pessoas busquem seu próprio socorro. E você fica no meio disso tudo a mercê dos bandidos. Pois além de tudo, a via está com sua iluminação precária, os próprios traficantes quebraram diversas lâmpadas para melhor realizar seu "trabalho". Agindo dessa forma, o DER somente atrapalha e além de tudo coloca nossa integridade física em alto risco. Os policiais, muito gentis, me contaram que estavam passando ali por acaso, pois eles estavam indo em direção a um shopping na via Dutra. Eles perguntaram se o meu celular poderia fazer alguma ligação e eu disse que sim. Logo, eles me informaram o telefone interno da central do DER onde eu poderia solicitar o reboque. Se o policial não estivesse ali, como eu iria saber desse telefone? Então, eu, do meu telefone (pois se não tivesse um estaria ferrada!), liguei e solicitei o reboque ao DER. Os PM's ficaram comigo até a chegada do reboque que após essa última ligação demorou 35 minutos para chegar ao local. 35 minutos para um lugar deserto e perigoso é muito tempo! Divulguem isso, pois esse
descaso não pode continuar. Sei que não fui a primeira e
tampouco serei a última pessoa a passar por isso. Segurança
é dever do estado e temos o direito de ficarmos perplexos com tais
acontecimentos. Espero que isso não ocorra a vocês, mas sejam
precavidos e anotem o número do socorro da Linha Vermelha: 2584-4245.
Endividado porém moderno
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Nos
tornamos empregados dos credores dentro de nossa própria casa. Mas
era excelente porque os credores que estavam na minha casa sempre renovavam
tudo do meu lar... mas minha dívida continuava crescendo e nós
passamos a ser meros empregados dos tais credores... realmente, minha casa
nunca esteve tão boa.
Esses credores moravam na
parte norte do bairro, eram minoria no bairro, pois a maioria estava devendo
a eles. Aos poucos descobri que os bens que eu achava que eram de última
geração que eles mandavam para minha casa, como celulares
etc, eram os que já não tinham utilidade em suas casas, eram
obsoletos, mas deixavam os outros pobres moradores muito felizes. Com o
passar do tempo, o pequeno grupo de moradores da parte norte do bairro
ficava cada vez mais rico, com casas cada vez mais belas e sofisticadas,
enquanto os moradores de outras partes dependiam cada vez mais dos que
residiam no norte, pois eram empregados deles e não tinham como
pagar suas dívidas e para continuar recebendo os tais utensílios
através de seus credores, tinham que ceder cada vez mais garantias
a eles. Qualquer semelhança é mera coincidência.
“O que é um assaltante de banco
diante de um banco?”
O massacre da Serra elétrica
Bom. Creio que se o Brasil
for pentacampeão da Copa do Mundo, a segurança pública
irá para as cucuias na prioridade de Serra e falará em alto
e bom tom da necessidade de se incentivar o esporte. Serra demonstra ser
um "maria-vai-com-as-outras", que muda seus objetivos de campanha à
medida que os ventos da imprensa sopram para este ou aquele assunto...
Será que um homem assim está preparado para assumir os problemas
do Brasil? Eles não se restringem a este ou àquele assunto
de repercussão imediata... FHC, por exemplo, escreveu e não
leu. Deixou a energia elétrica às cucuias e o pau comeu!
Falta de consciência sobre os
transgênicos
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