May 21 2013

Integração

Talvez não fosse ainda o tempo, pensou, de publicar um novo livro. Talvez o que até agora tenhas escrito, seja como uma espécie de escada que ainda irá subir mais alguns degraus. Muitos degraus, até chegar do outro lado da página, o lugar em que te encontras. Essa manhã sentira, ao se levantar, um certo desânimo, se é que era essa verdadeiramente a sensação. Não sabia o que fazer. Até que pensou nas folhas dos escritos que juntara pensando em montar um novo livro. Então, alegria. Alegria, sim. Veio uma alegria que cobriu todo seu campo interior.

Foi caminhar pelas redondezas do bairro, viu o mar cintilante. Aquilo é magnífico, que espetáculo. Perto do mercado dos pescadores, em Tambaú. Esse cintilar embaixo do sol. Uma maravilha. Andara pelas calçadas do bairro. O ponto de táxis perto do centro turístico. Passou em frente da  padaria e da casa do sertão. Chegou na lotérica, comprou uns bilhetes de loteria, após conversar com um senhor que aguardava a apertura da casa. Seguira de novo na direção do mar, da praia. Aquele cintilar. Pareciam  jóias, brilhantes a brilhar. O mar embaixo do sol.

A igreja de Santo Antônio de Pádua. A galeria Gamela. O Posto de Saúde das Praias. As calçadas por onde já tantas vezes andara. A farmácia, a breve saudação aos balconistas, já conhecidos de tantos anos. Uma sensação de aconchego, de agradecimento. Uma gratidão profunda. A banca de jornais onde comprara cartões postais. As conversas breves com as pessoas que o atenderam nas bancas. O porteiro do prédio e o seu bom dia.

Os vendedores de quinquilharias. Os moradores de rua. A floricultura e as rosas brancas. O churrasquinho. A loja de desenho. Cada lugar tinha suas lembranças. Muitas lembranças, em tão pouco tempo. Qual é o tempo? Quem  sabe alguma coisa sobre o tempo? Percepções visuais, espaciais, te contendo. Tú, contido neste mundo, no mundo invisível superposto ao visível. Religião? poesia? Sem dúvida.


May 20 2013

Mario Vargas Losa

Acabo de assistir à entrevista concedida por Mario Vargas Llosa ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em maio de 2013. Uma verdadeira lição, ou muitas lições, de muitas coisas. De literatura, obviamente, onde o escritor descreve tanto o processo criativo de várias das suas obras, como opina sobre escritores como Borges e Cortázar, García Márquez, etc. Mas também lições que talvez não possam ser transcritas ao papel, porque ficam no terreno do imponderável, das sugestões que a presença de alguém pode nos deixar, sem que necessariamente seja possível trazê-las para o mundo da palavra.

Com tudo, algo pode e até deve ser dito. Lições de esperança. A literatura como um antídoto eficaz contra todos os ideologismos –inclusive os dele próprio–, contra a barbarização da cultura, o seu empobrecimento, a sua banalização. Um corte com chavões sobre a sociedade e a humanidade, que certo militantismo pobre e empobrecedor continua a espalhar, cego sobre sua própria cegueira.

Escutar Vargas Llosa é uma viagem enriquecedora. Uma viagem por algo que agora começa a chegar, que é o que pode nos tornar mais humanos aos humanos: a nossa capacidade de nos entregarmos com tudo a algo, a alguma coisa, a uma causa, a algo pelo qual para nós valha a pena viver ou morrer. Pode ser a literatura, a política, o estético, o cultivo do belo, do erotismo, o que for. Uma razão vital.

Vargas Llosa transpira e transmite enamoramento pela vida. A literatura como extinção das fronteiras, como universalização da humanidade e da cultura, mais além dos nacionalismos. E, temos que dizer, também mais além de qualquer sectarismo, qualquer pretensão de apropriação privada da verdade ou da realidade.


May 14 2013

Tiempo para todo

Un escritor no puede pasarse todo el tiempo escribiendo o leyendo. ¿Por qué no? Sería  muy lindo. Pero terminarías cansándote. Hay que dejar un espacio. Escuchar al mundo, escucharse. Despegarse un poco de los demás, de las circunstancias, de uno mismo. Estos últimos tiempos, me he dedicado bastante a escribir y a leer, dos actividades complementarias.

Pero esto de dejar un espacio, es muy necesario. Hay que dejar un espacio, dejar un lugar, permitir que la vida corra, que las cosas se muevan, que cambien de lugar. Que vos también cambies de lugar, que puedas ir viendo lo que has vivido hasta aquí, de otras formas, de una manera más integrada, más unida. No una cosa por aquí y otra por allá, como un rompecabezas desarmado.

La escritura nos ordena, nos organiza, nos pone en un lugar, o revela el lugar que somos y el lugar en que estamos. Pero hay que dejar que las cosas vayan un poco por sí mismas. O más bien, ver como las cosas andan por sí mismas, sin necesidad de que estemos queriendo empujar el mundo para que dé vueltas. No es para que uno se quede de brazos cruzados, no.

Pero es para que uno se de cuenta de cuándo tiene que actuar y cuándo tiene que quedarse en el molde, como decíamos antes. Te acordás que antes decíamos quedate en el molde. Quedate en el molde. No sé de donde viene la expresión, pero es muy linda. Quedarse en el molde es dejar que las cosas vayan por sí mismas. Es salir de una especie de activismo desenfrenado, que tanto le disgustaba a Paulo Freire. Creer que el mundo depende de lo que yo haga.

El mundo depende de lo que todos y todas hagamos, eso sí (interna y externamente). No hay quien lo niegue. Pero permitirse el reflujo. No creer que siempre el sol va a brillar tan intenso. Hay noches también. Hay lluvia y nublado y todo tiempo, como dice la oración de San Francisco. ¿Te acordás de la oración de San Francisco, donde le agradece a Dios por todo tiempo?


May 14 2013

Tempo

A proximidade da morte abre um espaço. A possibilidade da morte ajeita as coisas de outra forma. Mas temos que deixar que esse toque nos toque. E não é um toque gostoso. A morte próxima suspende todas as coisas. Dias atrás senti a proximidade da morte. Me assustei. Mas os dias foram passando e foi como se essa proximidade nem tivesse acontecido. Foi ficando escondida ou soterrada pelas coisas do dia a dia. Hoje, no entanto, alguma coisa trouxe de volta essa lembrança.

Não como medo, embora confesse que não gosto nada da possibilidade de morrer. Mas como aviso, como um toque, algo que arruma o meu interior de outro jeito. Volta a consciência original, infantil. Parece paradoxal, ou é paradoxal, já que quando crianças, não temos noção da morte. Mas é um regresso da vida primeira. Uma vida sem tempo. Vai tudo tão rápido nos dias de hoje, que o tempo fica como que para atrás. O tempo de vez em quando pede, digamos assim, que esperemos por ele um pouco. Se a gente parar um pouco, se parar um pouco de fazer tantas coisas e projetar tantas coisas e querer estar sempre fazendo algo, o tempo pode vir a nos alcançar.


May 13 2013

Pequeñas trincheras de defensa de la vida y construcción de una nueva humanidad.

Aunque el título pudiera sonar retumbante, su propósito y su contenido es bien sencillo. Se trata de las redes sociales. Espacios de vínculos positivos entre las personas. Lugares donde se cultivan y practican valores humanos como la solidaridad, el respeto a los diferentes, la coexistência pacífica.

Estos espacios existen y deben existir cada vez en mayor número. Son espacios donde se tiende a lo comunitario, son en realidad, pequeñas o no tan pequeñas comunidades, tanto territoriales como a distancia. En los días actuales, son varios los lugares con estas características.

El vecindario, la familia, la escuela, el lugar de trabajo, potencialmente pueden tener estas características. Son lugares donde predomina una sensación de acogimiento, de que somos aceptados o aceptadas. En estos espacios se crean y mantienen sentimentos de pertenecimiento, de unidad, de ayuda mutua.