Cada medalha é um milagre

Por em 06/08/2012



É de embrulhar o estômago saber que há brasileiros criticando duramente e, por vezes, de maneira até desrespeitosa, o desempenho de atletas que estão representando o país nas Olimpíadas de Londres. Afinal, além de ser absolutamente descabido desqualificar qualquer um desses profissionais, que simplesmente compõem a elite de suas respectivas modalidades, essas pessoas parecem ignorar o fato de que o Brasil não apoia o esporte do mesmo modo que outros países o fazem.

Por sinal, o que acontece nas Olimpíadas não deixa de ser uma fotografia bastante significativa de nosso país, onde um atleta dificilmente se sustenta sendo apenas um atleta – assim, em vez de treinar mais ou descansar e se alimentar quando não está se exercitando, não raro esses profissionais têm de se desdobrar em outros ofícios para manter sua estabilidade financeira.

Não obstante o evidente potencial desta nação, indiscutivelmente rica em recursos naturais e humanos, a falta de cuidado com o povo – a começar pela criança e o adolescente – e a predominância de políticas de curto prazo inviabilizam, na prática, a execução de projetos que poderiam efetivamente gerar resultados à altura do Brasil.

Exemplos não faltam: na área de educação, as escolas públicas são, em sua maior parte, fracas, com equipamentos sucateados e professores que ganham salários pífios – e mesmo nas universidades seus rendimentos também deixam muito a desejar. Esportes: educação física nas escolas brasileiras é sinônimo de futebol para os meninos e queimado para as meninas. Seria preciso falar mais alguma coisa?

É claro que sempre estaremos torcendo pelo país em qualquer competição internacional. Mas, ao lembrar que os impostos exorbitantes que o cidadão (pobre e de classe média) brasileiro paga ao erário não são, nem de longe, investidos de maneira adequada, até que se torna menos doloroso ver os Brasil em posições discretas no quadro de medalhas das Olimpíadas deste e de outros anos.

Pois isso é bom para que a corja engravatada de Brasília não continue a achar que o país “está podendo” e que, mesmo com a gestão absolutamente ineficiente e corrupta que empreende desde tempos imemoriais, a economia tupiniquim seguirá figurando nas capas de veículos estrangeiros como uma das grandes promessas mundiais.

Não adianta: enquanto a política continuar servindo de trampolim para que espíritos de porco de todos os tipos – dos palhaços (literalmente palhaços) aos cantores de segunda categoria; dos hipócritas “representantes de Deus” aos lobistas do agronegócio; e todos os outros que se apoiam em estapafúrdias ou egoísticas e interesseiras estratégias de marketing para garantir seu “share” neste disputado mercado – engordem suas contas bancárias, o Brasil terá de contar com a sorte e feitos milagrosos para subir ao pódio.

Que, da próxima vez, os críticos se lembrem: cada medalha brasileira é um milagre, não uma obrigação.

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