Crianças sobrevivem do lixão em Altamira, oeste do Pará
Por Christian Emanoel (*)

Durante toda semana passada [notícia de 22.04.02], uma equipe de auditores-fiscais da Delegacia Regional do Trabalho esteve fiscalizando o trabalho infantil no município de Altamira, no oeste do Estado. Os fiscais visitaram o mercado e a feira municipal, orla do cais do porto, empresas de lavagem e lubrificação de carros e lixão do município. Foi nesse último local que a fiscalização encontrou o maior número de crianças e adolescentes.

Segundo os auditores-fiscais Demétrio Medrado e Sandra Damaso, a situação desses meninos e meninas é de extrema miséria. "Eles levam carnes e outros produtos já deteriorados para casa. Muitos estavam misturados com resíduos hospitalares", explica Demétrio. Os menores ficam lá de 5 a 6 horas por dia, convivendo com todo tipo de sujeira.

Na feira e no mercado municipal as crianças e adolescentes trabalham em regime familiar. "São os próprios pais que levam os menores para lá. O pior é quem algumas horas do dia eles convivem com ambiente de prostituição", denuncia Sandra Damaso. No cais do porto as crianças trabalham como engraxates, mas segundo informações de trabalhadores do porto, muitas delas são usadas na venda de drogas.

Os fiscais da DRT também fiscalizaram algumas empresas do mercado formal. Quatro delas foram autuadas por estarem usando mão-de-obra infanto-juvenil. São elas: Posto Lava Jato, Posto Millenium, Ray Lava Jato e Posto Auto-Car. Em todas esses lugares, os menores desenvolviam atividades insalubres e perigosas.

DRT apresentou sugestões para prefeitura de Altamira

Depois de constatar a presença de dezenas de crianças trabalhando no município, os auditores-fiscais da DRT apresentaram sugestões para prefeitura de Altamira.

O prefeito de Altamira, Domigos Juvenil, já recebeu o relatório da DRT-PA.

(*) Assessor de imprensa da DRT

Fonte: Portal Amazônia


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