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ENTREVISTA # 29/08/2007
Ruídos lingüísticos (com trema, por enquanto)

Para Luiz Carlos Cagliari, da Unesp, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que deverá padronizar o idioma em oito países a partir de 2008, não tem base científica e trará mais transtornos do que benefícios. Por Fábio de Castro, da Agência FAPESP..[+]


A gente somos brasileiros

Gustavo Barreto, 22 de fevereiro, 2004. Eu não vou ficar jogando papo de antropólogo, pode esquecer. Vamos logo para a batalha. É preciso criar estratégias, táticas de guerrilha e planos ambiciosos para expulsar o maior número de palavras inimigas antes que a próxima geração comece a se chamar Michael e Jenniffer.

É o gerundismo, Gente!

Se Adoniran Barbosa compusesse o "Trem das Onze" hoje, na era do telemarketing de manual, a canção ficaria assim (copyright do meu amigo Affonso Brinho): "Não posso estar ficando/Nem mais um minuto com você/Vou estar sentindo muito, amor/Mas não vai estar podendo ser/Moro em Jaçanã/Se eu estiver perdendo este trem/ Que vai estar saindo agora, às 11 horas/Só amanhã de manhã." [Fonte: O Globo, 16/10/2004 - Coluna do Arnaldo Bloch]

Professor Pelé

Luis Fernando Verissimo. James Joyce dizia que o leitor ideal é o leitor com insônia. O que sugere um paradoxo: não adianta ler a noite toda e ficar inteligente se no dia seguinte você parecerá um zonzo por falta de sono. A regra deveria valer para os leitores dos livros de Joyce. Eu consegui ler todo o “Ulysses” (só não me peça para contar) mas decidi que tinha que escolher entre ler “Finnegans Wake” e viver.

OK, boy!

Do IS, 13.12.02. Em sua sessão da 4ª feira, dia 11 de dezembro de 2002, por unanimidade, a Comissão de Educação do Senado aprovou o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo que restringe o uso de estrangeirismos no país, estabelecendo que toda palavra ou expressão escrita em língua estrangeira destinada ao conhecimento público deverá ser estar acompanhada, em letras de igual destaque, do termo ou da expressão correspondente em língua portuguesa. Agora, como recebeu emendas, o projeto de lei volta à Câmara dos Deputados para votação. CERTO, cara!

70 maneiras de escrever errado

Do Correio. Dad Squarisi: Quem fala demais abusa. Não poupa o ouvinte nem as palavras. (...) Autista, o verborrágico se esquece de duas verdades. Uma vem da sabedoria popular. ‘‘Quem fala demais’’, diz a gente sabida, ‘‘dá bom-dia a cavalo.’’

Dicas para escrever bem

Dicas bem humoradas de como escrever bem. Estrangeirismos, por exemplo, que muita gente acha fashion, estão out. As vírgulas, usadas em, todas as, frases, também não é legal.

Redação nota dez

Dad Squarisi: "Escrever é mandar recado. A receita de uma sobremesa é um recado. O convite para a festa de aniversário é um recado. (...) Você escreve uma carta para seu amado. Seu coleguinha manda um bilhete para você. É tudo recado".
 

Sentido duplo na comunicação
Professor Diogo Arrais

Ao retornar de Caldas Novas (uma bela cidade do interior de Goiás), pude perceber uma placa interessante do ponto de vista textual: “Respeite os ciclistas em treinamento.” Maracutaia. Os ciclistas que não estão em treinamento deverão ser desrespeitados? Certamente não é a intenção das autoridades de trânsito. Bato sempre a tecla da objetividade: RESPEITE OS CICLISTAS. Estejam eles em treinamento ou não.

Os concursos públicos estão, cada vez mais, exigindo a Lingüística Textual (aspectos da coerência, coesão, ambigüidade, implícitos etc.). Na placa discutida temos a informação implícita de que apenas os ciclistas em treinamento deverão ser respeitados. Ou seja, podemos INFERIR (fazer inferência sobre; concluir; deduzir – do Latim inferere).

Implícitos interessantes acontecem com as preposições. Fato interessante aconteceu em uma reunião de professores, em que uma professora disse que “ATÉ AQUELA OITAVA SÉRIE ELA PEGARIA.” Podemos inferir, novamente, que a preposição até colocou a própria professora em uma posição não muito agradável; como aquele gol perdido o qual dizemos “ATÉ A MINHA AVÓ FARIA.” Muito cuidado com informações implícitas, pois elas podem gerar maus resultados.

Nunca esquecerei a placa em um cabeleireiro: “CORTO CABELO E PINTO”. Por tais resultados textuais não sou muito adepto de macetes gramaticais, nem da teoria de que comunicou está bem. É óbvia a liberdade do escritor e do falante, mas devemos ter cuidado com discursos ambíguos (dois caminhos), fora da intenção do produtor.

Votos de grandes incômodos de Língua,

Professor Diogo Arrais
www.colunadelingua.kit.net
 

Arquivo | 1991
Wem ay a reforma ortográfika
Jô Soares

  O motivo principal que moveu a reforma ortográfica é a unificação da língua. Vem, a reforma, facilita a comunicação. Já não era sem tempo. Agora, finalmente, vamos poder colocar em dia a correspondência com nossos irmãos de Portugal, Angola, Cabo Verde e São Tome e Príncipe. Tenho certeza de que muita gente não escrevia para os amigos de Lisboa por medo de não ser entendido. Com a reforma, haja selo.
  Voltam a existir no nosso alfabeto o K, o Y e o W, injustamente cassados durante tanto tempo. Que alívio, vou poder chamar qualquer Walter sem sentimento de culpa. Willem, meu amigo holandês, está feliz da vida, se sentindo muito mais brasileiro. Sem falar no Wanderley, que está duplamente feliz, e no Washington, da W/Brasil, que anda dando pulos de alegria. Na televisão, vão repassar todos os filmes de Kirk Douglas e do Danny Kaye.
  Somem alguns acentos, a não ser, é claro, as exceções. Evidentemente, tinham de deixar algumas, senão, não seria regra.
  A única coisa que está me preocupando nessa reforma é que o trema vai sumir. O trema, gente. Esses dois pingos tão importantes que todo mundo usa quando escreve. O quê? Há muito tempo que você não usava trema? Que perigo! Sem o trema, o pingüim vira pinguim, o alcagüete vira alcaguete, e , o mais perigoso de tudo: a lingüiça vira linguiça.
  Como é que a gente vai comer lingüiça sem o trema? Vai estragar. Você chega ao botequim e grita:
  - Seu Lourival, me dá um sanduíche de lingüiça.
  Depois de algum tempo, o dono do botequim, que você conhece há anos, entrega o seu pedido:
  - Seu Lourival, esta lingüiça está estragada.
  - Como assim?
  - Está sem trema.
  - A culpa não é minha, é da reforma.
  - Não interessa. Eu não vou comer uma lingüiça sem trema. Vai me fazer mal.
  - O senhor pode comer tranqüilo.
  - Não posso, porque tranqüilo também não tem mais trema. Vou ter de deixar de freqüentar o seu botequim, uma vez que a sua freqüência não é mais a mesma.
  - O senhor acha?
  - Claro, a sua freqüência não tem mais trema.
  - Bom, então, suspende a lingüiça?
  - Evidente, seu Lourival. Eu sou um homem de princípios. Sempre comi lingüiça com trema, não vou passar a comer sem trema. Eu lá tenho cara de quem come “linguiça”? – você pergunta, indignado, pronunciando “gui” em vez de “güi”.
  - Assim, eu não agüento.
  - Não agüenta com trema ou sem trema?
  Por isso eu imploro, senhores da reforma: cuidem do trema, ou correremos o risco de ver toda a população de língua portuguesa trocando a lingüiça pela salsicha.
 

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Língua Portuguesa
por Cláudio Moreno

A palavra é...
Em coluna diária em NoMínimo, Sérgio Rodrigues comenta palavras e expressões da hora.

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Perceba como o alemão não é uma língua tão difícil

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O português é uma língua muito difícil. Tanto que calça é uma coisa que se bota, e bota é uma coisa que se calça.

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