| • Na
opinião do jurista Fábio Konder Comparato, iniciativas como
mover uma ação de inconstitucionalidade contra a lei
que estabelece o sigilo e ações individuais para o
acesso a documentos específicos podem contribuir para revelar dados
importantes da história do país e criar o ambiente
de um movimento nacional pela abertura dos arquivos. Matéria
de Bia Barbosa na
Agência
Carta Maior, em 18/4/2006.
• O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 5.584/05,
em 18 de novembro de 2005, fixando a data-limite de 31 de dezembro
de 2005, para tornar públicos os documentos produzidos durante
o regime militar e que se encontram mantidos em sigilo sob a guarda da
Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Entretanto,
segundo o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, conforme a Lei nº
11.111/05, assinada pelo atual presidente, em 05 de maio deste ano, todos
os documentos que resultem em ameaça "à soberania, à
integridade territorial ou às relações exteriores"
continuarão
sob sigilo. Dentre eles se encontram todos os relacionados à
Guerrilha
do Araguaia. Matéria na Agência
ADITAL em 24/11/2005.
• O ato
em homenagem ao militante Flavio Carvalho Molina, morto aos 24 anos
em sessão de tortura no Doi-Codi de São Paulo, em 1971, dia
10 de outubro, na Alerj, serviu também como protesto contra a
decisão do governo de não abrir os arquivos da ditadura,
o que dificulta ainda mais a identificação dos mortos e desaparecidos.
O ato foi realizado pelos deputados Alessandro Molon e Heloneida Studart,
pelo vereador Eliomar Coelho e o Grupo Tortura Nunca Mais no dia
em que a família recebeu os restos mortais do militante. O funeral
de Molina foi realizado no dia seguinte, 34 anos após sua morte.
"Não podemos esperar
mais 34 anos para que os outros militantes sejam encontrados, essa luta
dura uma vida inteira. Estamos prestando uma homenagem a ele e a todos
os mortos do Governo Militar. Basta abrir os arquivos da ditadura para
descobrir como, quando e onde foram enterrados os militantes políticos",
defendeu a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, Elizabeth Silveira.
Cláudio Molina, irmão do militante, defendeu ainda pressa
em tirar do papel o projeto de coletar sangue dos familiares dos desaparecidos
políticos, lembrando que a maioria deles tem idade avançada
e que a iniciativa não for rápida parte da história
do país vai se perder. (22/10/2005)
• O camponês
Abel Honorato de Jesus, 61, quer receber da União um ressarcimento
pecuniário pelos serviços que prestou ao Exército
durante a guerrilha do Araguaia. Pleiteia indenização ou
aposentadoria. Em sua primeira entrevista à imprensa, Abel de
Jesus disse à Folha que foi preso pelo Exército
em 1971 e só escapou da tortura porque concordou em guiar os militares
na busca dos guerrilheiros embrenhados nas matas do sul do Pará.
Para cobrar o que acredita ser um direito, Abelin, como o franzino ex-guia
é conhecido, pretende contar com o aval de um antigo chefe, o major
Sebastião Curió, hoje prefeito de Curionópolis
(PA). Curió comandou operações de inteligência
na região da guerrilha. As informações produzidas
por suas equipes sustentaram, entre 1973 e 1974, a fase mais violenta
do combate aos comunistas do PC do B que se instalaram no sul do Pará.
O saldo oficial de militantes desaparecidos é de 61. Informações
da Folha
de S. Paulo em 2/5/2005
• Até
o final da semana, a Comissão de Anistia vai dispor de uma central
de informações para agilizar a prestação
de serviços aos anistiandos. A central vai funcionar das 8 horas
às 18 horas, no andar térreo do edifício anexo do
Ministério da Justiça. A Comissão de Anistia é
responsável pela análise dos pedidos de indenização
formulados por pessoas que estavam vivas no período de 18 de setembro
de 1946 a 5 de outubro de 1988 e que foram impedidas de exercer atividades
econômicas por motivação exclusivamente política.
Informações da Agência
Brasil em 17/1/2005
• "A recusa
dos recentes governos em abrir os arquivos dos horrores praticados durante
o regime militar contra os então dissidentes funda-se, na verdade,
em outras razões, bem conhecidas de todos. É a proteção
ignominiosa dos torturadores, assassinos, estupradores e todos os que
lhes deram apoio, nos mais diversos órgãos do Estado,
muitos dos quais estão vivos ainda hoje, a gozar de escandalosa
impunidade. É, ainda, o indigno temor de enfrentar uma revolta no
oficialato das Forças Armadas, adestrado tradicionalmente a defender
a corporação militar acima de tudo." Fábio Konder
Comparato, na Folha
de S. Paulo de 26/12/2004
Arquivos da ditadura são
queimados na Bahia
Documentos produzidos por órgãos
de informação da Aeronáutica, da Marinha, do Exército
e de outras instituições ligadas à repressão
foram incinerados na Base Aérea de Salvador. Foi o que mostrou ontem
reportagem do “Fantástico”, da Rede Globo. O programa exibiu 78
fragmentos de fichas, prontuários e relatórios produzidos
ou recebidos pela Base Aérea. Os papéis datam de 1964, quando
instalou-se a ditadura militar no Brasil, até 1994, época
em que o país já vivia em regime democrático. De O
GLOBO, 13/12/2004..[+]
Araguaia: STF livra várias
autoridades de depor
O governo conseguiu ganhar tempo
para cumprir a ordem judicial de abertura dos arquivos da Guerrilha do
Araguaia. O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF),
concedeu ontem salvo-conduto e livrou várias autoridades do governo,
entre elas os ministros da Defesa, José Alencar, e da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, do compromisso de comparecer a uma reunião
convocada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região
na qual seriam discutidas estratégias para a abertura dos arquivos
da Guerrilha do Araguaia.
A realização da
encontro está prevista na decisão tomada no dia 6 pelo TRF.
Além de Alencar e Thomaz Bastos, deveriam participar da reunião
o advogado-geral da União, Álvaro Augusto Ribeiro Costa,
os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica,
o secretário especial de direitos humanos, Nilmário Miranda,
e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin),
Mauro de Lima e Silva. No pedido de habeas-corpus protocolado na quinta-feira
no STF, a Advocacia Geral da União (AGU) reafirma que o governo
pretende cumprir a determinação judicial para que sejam abertos
os arquivos desde que perante a instância competente que, segundo
a AGU, é a Justiça Federal de 1ª Instância.
O pedido de habeas-corpus também
sustentou que as autoridades estavam sofrendo um constrangimento ilegal
decorrente da decisão do TRF. A AGU argumentou que a decisão
deve ser executada na Justiça de 1ª Instância e não
no TRF. Também foi alegado o fato de que se a reunião não
fosse realizada até o dia 15 as autoridades estariam sujeitas, conforme
a decisão, a busca e apreensão, multa e responsabilidade
criminal. Ao conceder a liminar pedida no habeas-corpus, Barbosa concordou
com os argumentos da AGU. Segundo o ministro, a competência para
executar a decisão é do juiz que decidiu a causa em 1º
grau. Segundo ele, o caso era de liminar em virtude das medidas coercitivas
previstas na decisão do TRF, como a busca e apreensão. Na
decisão, Barbosa afirmou que concedia salvo-conduto para que as
autoridades se abstenham de comparecer ou submeter-se à audiência
estabelecida na decisão do TRF.
"Não se está julgando
o mérito da abertura dos arquivos relativos à Guerrilha do
Araguaia. A liminar visa apenas evitar a execução de decisão
sob forma não prevista em lei, sobretudo tendo em vista as medidas
coercitivas anunciadas na decisão atacada", explicou Barbosa. Além
da realização da audiência para traçar as estratégias
de divulgação dos arquivos da Guerrilha do Araguaia, o TRF
determinou que o governo informe onde foram enterrados os corpos dos guerrilheiros
desaparecidos, providenciando o translado e o enterro dos restos mortais.
Da
Tribuna da Imprensa, 11/12/2004.
• No dia
11/12/2004, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que o governo
abrirá os arquivos secretos da época do regime militar, mas
ressaltou que documentos
que tratarem de “segurança de Estado” serão mantidos em sigilo.
Ele citou como exemplo papéis sobre a política externa do
país, mas assegurou que esses casos serão raríssimos.
Dirceu confirmou que vai coordenar a Comissão de Averiguação
e Análise de Informações Sigilosas. O grupo foi criado
por medida provisória e vai analisar se os arquivos devem ser abertos
ou não.
• No dia
29/11/2004, o novo presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos
Políticos, o advogado Augustino Veit, defende como solução
para resolver a polêmica sobre a abertura dos arquivos a aprovação
de um projeto da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) que tramita na Câmara
desde o ano passado. A proposta
revoga o decreto assinado pelo então presidente Fernando Henrique,
no fim de 2002, que ampliou os prazos de sigilo obrigatório
para informações e documentos reservados.
• No dia
27/11/2004, a Agência Brasil, do Governo Federal, anunciou que uma
comissão
avaliará mecanismos para abertura de arquivos da ditadura
militar. Segundo a nota, a Comissão Especial da Câmara dos
Deputados, que trata do assunto, vai analisar os quatro projetos que tramitam
sobre o tema e apresentar estudo sobre os procedimentos a serem adotados
sobre o futuro dos arquivos sigilosos.
• No dia
25/11/2004, o sociólogo Emir Sader escreveu na Agência Carta
Maior o artigo O
exemplo que não seguimos: "Em um país da América
do Sul, o principal comandante do Exército assumiu oficialmente,
em público, as barbaridades cometidas pelo Estado durante recente
ditadura militar. Enquanto isso, no Brasil..."
• No dia
18/11/2004, O ministro da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Nilmário
Miranda, disse que não pretende dificultar abertura dos arquivos.
Ao apresentar o novo presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos
Políticos, o ministro afirmou que povo brasileiro tem direito a
ter as informações e que isso faz
parte da democracia.
• No dia
17/11/2004, o Correio Braziliense informou que o ministro da Justiça,
Márcio
Thomaz Bastos, confirmou ontem que o governo vai abrir os arquivos da ditadura
militar, mas ressaltou que a decisão está sob responsabilidade
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ‘Isso tem que ser feito
dentro de um processo que não cause traumas e sustos’, explicou.
• Os jornais
do dia 16/11/2004 falaram sobre o pedido de demissão do presidente
da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos da Presidência,
João
Luiz Pinaud. Ele acusou
o secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, de conivência
com a opinião das Forças Armadas sobre a abertura dos arquivos
da ditadura. ‘O ministro aceita os argumentos militares. Eu não’,
afirmou, ao anunciar sua saída.
• O jornal
O GLOBO de 15/11/2004 traz a notícia de que José
Genoino quer mudar a lei de indenização a anistiados.
Ex- guerrilheiro, o presidente nacional do PT, defendeu que o governo e
o Congresso trabalhem para aprovar um projeto para acabar com as distorções
da lei de indenização a vítimas da ditadura militar.
Ele disse que conversou há dois meses sobre o assunto com o ministro
da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que concordou com a necessidade
de mudar pontos da lei como as indenizações milionárias
para os perseguidos da resistência militar que ainda estão
vivos.
• O colunista
Ancelmo Gois escreveu em O GLOBO de 13/11: Rosinha encomendou ao jornalista
Milton Coelho da Graça um livro sobre Vladimir Herzog para ser
distribuído entre os alunos da rede pública. A idéia
é permitir que a nova geração conheça um pouco
da história do jornalista morto pela ditadura.
•
No
dia 30 de agosto de 2004, o Ato Anistia, 25 Anos Depois. "Pela revogação
do decreto 4553/03", pediam os participantes. Promovido pelo mandato
do vereador Eliomar Coelho (PT-RJ) e pelo grupo Tortura Nunca Mais, o ato
reuniu cerca de 300 pessoas na sede da ABI, no Rio, entre ex-presos políticos,
banidos e exilados, seus familiares, militantes de esquerda e público
em geral. Ao final do evento, foi aprovada moção
pedindo a revogação do decreto 4553/03, que veda
o acesso aos documentos sobre a repressão política exercida
pelo governo militar. Reproduzimos aqui o texto da moção.
Traição e extermínio.
Relatório secreto mostra que a ditadura militar e a CIA conseguiram
cooptar dirigentes comunistas: a intenção era matar os líderes
do PCB..—.Revista
IstoÉ, 31/3/2004
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