João, por Pompilio Diniz
Tua mulher mal vestida,

Apenas pede comida,
já conformada com a vida
que leva no barracão.

Isso não é nada João,
Infeliz é o teu patrão

Que mora em um palacete,
todo ornado de tapete
e dando a esposa bracelete
que vale mais que um milhão.

Teu filho pede um calçado,
de couro rude e barato
sem luxo e nem aparato,
pros pés que sangram no chão!

Isso não é nada João,
Infeliz é o teu patrão.

Que uma fortuna constrói
para o seu filho, um playboy
e o transviado destrói
tudo o que lhe chega às mãos.

Tua filha pequenina
Tão raquítica e franzina
na falta da vitamina,
apenas lhe pede pão.

Isso não é nada João,
Infeliz é o teu patrão.

Que pr'a filha debutante
dá colares de brilhante
e vestido a cada instante
para cada recepção.

A sirene quando apita
a tua fome se agita
e tu catas na marmita
o teu minguado feijão.

Isso não é nada João,
Infeliz é o teu patrão.

Comendo faisão dourado
bebendo vinho rosado
e saindo da mesa enfastiado
com medo da congestão.

O teu dinheiro não sobra
o preço de tudo dobra,
por causa da manobra
do truste do tubarão.

Isso não é nada João,
Infeliz é o teu patrão.

Que nos bancos estrangeiros
põe os bilhões de reais
roubados dos brasileiros
no processo da inflação.

Isso não é nada João,
Infeliz é o teu patrão.

Porque um dia, os oprimidos
hão de lutar destemidos
e todos os Joãos unidos
a Pátria libertarão.

E neste dia João,
o que será do teu patrão!?

Fonte: http://www.chineloneles.com.br/


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