Carta de princípios
contra a construção do Guggenheim Rio
Através deste manifesto,
aponto algumas importantes razões para a inviabilização
da construção do Museu Guggenheim Rio, e consequentemente
outras prioridades para aplicação de U$ 200 milhões
de dólares:
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A escolha entre Salvador, Recife
e Rio de Janeiro camuflou a questão principal, através de
um falso ufanismo. A cidade do Rio de Janeiro tem questões mais
urgentes e de caráter dorsal a serem tratadas: segurança,
saúde e educação;
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O Rio apresenta um quadro degradado
com relação a sua saúde sanitária. A cidade
precisa em caráter emergencial de uma reforma, através de
um programa de reestruturação de instalações
e de despoluição de suas águas; cartão postal
da cidade;
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A cidade possui Museus de boa
qualidade, como MAM e MNBA, apenas para citar dois, em estado de penúria
e abandono. Não cabe aqui a discussão de serem de esfera
municipal ou federal. Por estarem na região metropolitana, mereceriam
um estudo de caso e plano estratégico para o seu pleno funcionamento;
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As diferenças entre as
cidades de Bilbao (Espanha) que abriga outra sede do Guggenheim, e o Rio
de Janeiro, auxiliam na compreensão da questão:
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Bilbao, que perdeu sua condição
de soberania na construção naval para os países asiáticos,
mas ainda se posiciona como cidade industrial, precisava implementar o
turismo. Criou-se um grande Plano Diretor que prevê uma série
de obras – Museu, Aeroporto, Biblioteca entre outras, com grandes nomes
da arquitetura mundial para desenvolver este turismo;
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O Rio, ao contrário,
com vocação natural para o turismo, de alcance mundial, não
consegue usufruir desta condição pelo simples fato de não
oferecer infra-estrutura adequada, que incluam segurança para o
turista e geração de empregos a partir dele. Não será
o Museu Guggenheim fator desequilibrador desta condição;
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A revitalização
do Cais do Porto pode se dar a partir de outras construções
e possibilidades. Os cursos de Arquitetura da cidade apontam, em Trabalhos
Finais de Graduação, diversos e excelentes caminhos para
aquela área;
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A história conta que
a Arquitetura sempre foi um excelente instrumento para afirmação
de poder. Em variados momentos, grandes civilizações apontaram
nesta direção. Só que, neste momento, as prioridades
da cidade são tantas, que os líderes políticos têm
que abrir mão de suas “políticas megalomaníacas” para
investir no que é realmente necessário para o Rio.
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Por fim, a escolha de um arquiteto
estrangeiro, Jean Nouvel, não é criticada, pois as questões
apontadas acima superam qualquer outra. Mas, se tivéssemos as condições
ideais – segurança, saúde e educação – caberia
a pergunta: Por que não um concurso internacional? Seria uma grande
oportunidade escolhermos um projeto de qualidade.
Maria Clara Amado
Martins
Arquiteta
Professora da Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo
Universidade Federal do
Rio de Janeiro
Consciência.Net