Raízes do subdesenvolvimento
Por Celso Furtado

Editora Record, 220 páginas. Em Raízes do subdesenvolvimento, Celso Furtado ministro do planejamento no governo Jango e autor do clássico Formação econômica do Brasil -explica a teoria global das raízes do subdesenvolvimento. Examina, também, os fatores que agravam e ajudam a perpetuar tal situação. A experiência brasileira é utilizada como cenário para a projeção de dados que permitem estudar minuciosamente questões sobre as quais Celso vem refletindo há anos.

Os ensaios que deram origem a Raízes do subdesenvolvimento foram escritos entre 1964 e 1968. Reordenados, e modificados, para serem apresentados a um público mais amplo, passaram por uma nova leitura para esta edição revisada. Publicado nos Estados Unidos e na França em 1970, na Itália em 1971 e no Japão em 1972, o livro é um marco para o entendimento da dinâmica entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ainda mais atual nesses tempos de globalização.

As relações entre subdesenvolvimento e dependência externa, observada do ângulo dos efeitos do progresso tecnológico, são o ponto de partida de uma linha de reflexão que permitirá aos leitores uma explicação geral para os dois fenômenos.

As inúmeras análises suscitadas por Raízes do subdesenvolvimento desde sua primeira publicação, também pela Editora Civilização Brasileira, em 1973, ajudaram a ver mais claramente muitos dos temas centrais abordados. O quadro esboçado pelos textos reunidos neste livro refere-se particularmente à realidade histórica da segunda metade do último século. A desarticulação do sistema de poder soviético veio confirmar a suspeita de uma fraqueza que refletia a evolução deformada de suas estruturas.

Com relação ao Brasil e à América Latina, a análise guarda sua atualidade. O debate em torno da temática de Raízes do subdesenvolvimento continua a preocupar os meios acadêmicos e políticos em geral, em frente ao fracasso da experiência neoliberal.
 


Simon destaca idéias do economista

Durante a sessão especial destinada a reverenciar a memória de Celso Furtado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) ressaltou que, por ocasião da morte do economista, ocorrida em 20 de novembro do ano passado, manifestaram-se os mais destacados economistas do país e do exterior, integrantes de diversas correntes de pensamento. Segundo Simon, os economistas foram unânimes em destacar a importância do trabalho precursor de Celso Furtado para a compreensão mais exata dos problemas brasileiros e também das mazelas latino-americanas. Da Agência Senado, 2/3/2005..[+]

Cristovam diz que Celso fez o Brasil descobrir o Nordeste

Durante a homenagem prestada pelo Senado a Celso Furtado, o senador Cristovam Buarque (PT-DF) contou que teve a sorte de estudar com o economista e que foi pelo pensamento de Celso Furtado que o Brasil descobriu o Nordeste e que o próprio Nordeste se descobriu. "Celso Furtado fez com que nós do Nordeste pensássemos como nordestinos e fez que o Brasil entendesse as especificidades da região", afirmou. O senador disse ainda que Celso Furtado permitiu que a esquerda brasileira percebesse que poderia lidar com a necessidade de mudanças sócio-econômicas sem ficar presa a padrões importados, vindos de outras realidades. Da Agência Senado, 2/3/2005..[+]

Crivella recomenda política inspirada em Celso Furtado

Na homenagem prestada pelo Senado a Celso Furtado, o senador Marcelo Crivella (PL-RJ) disse que o grande tributo que a Casa poderia prestar a esse economista seria encarnando sua bandeira pela retomada do desenvolvimento em altos índices. Para o parlamentar, essa é a única forma de superar uma crise social que se manifesta no maior desemprego e subemprego já registrado em nossa história, atingindo mais de um quarto da população economicamente ativa.

"Uma política de promoção do pleno emprego, na forma inspirada por Celso Furtado, é o instrumento incontornável de superar essa crise social, que é também uma crise de identidade e de destino a que nos levaram as práticas neoliberais do governo anterior, inexplicavelmente aprofundadas no atual governo, mas que o presidente Lula, com apoio desta Casa e do povo brasileiro, certamente saberá reverter". Da Agência Senado, 2/3/2005..[+]

Suplicy lembra Celso Furtado para falta de recursos

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que, tomando por base os trabalhos deixados por Celso Furtado, que não se pode destinar grandes recursos ao exterior, com destaque para o pagamento dos juros, ao mesmo tempo em que se nega à população, de forma célere, a solução de graves problemas sociais, incluindo educação, habitação e saúde. Da Agência Senado, 2/3/2005..[+]

Economia como ciência social

Mauro Santayana, 27 de novembro, 2004. Celso Furtado, morto no último dia 20, via a economia como uma ciência social, ou seja, política. É difícil encontrar números em seus trabalhos, a não ser os números relativos que expressam as desigualdades..[+]

Furtado critica aperto fiscal do governo Lula

Decano dos economistas brasileiros, o ex-ministro do Planejamento Celso Furtado afirmou ontem que o corte "desmedido" de investimentos públicos do governo com o objetivo de cumprir metas de superávit fiscal "é algo que escapa de qualquer racionalidade". Tais metas, disse, são "impostas por beneficiários de altas taxas de juros"...Folha de S. Paulo, 5/5/2004


Celso Furtado

"Paraibano de Pombal, Celso Furtado esteve entre os primeiros membros da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), criada em 1948. Escreveu "Formação Econômica do Brasil", uma das principais, se não a principal, análises da história econômica brasileira.

Furtado era amigo de Raul Prébisch, fundador da Cepal e economista que criou a "teoria da deterioração dos termos de troca".

A idéia por trás da teoria era simples para quem hoje acompanha as dificuldades dos países que dependem das exportações de commodities: o preço dos produtos básicos tendem sempre a cair em relação aos preços das mercadorias mais sofisticadas.

O resultado: os países que dependem a exportação de commodities sempre enfrentam crises externas por conta da queda do valor das exportações.

A saída para essa armadilha era a diversificação da estrutura produtiva, ou seja, a industrialização, tornando a economia nacional capaz de produzir e exportar bens de maior valor.

A receita de Celso Furtado: planejamento estatal. O economista sugeria, numa época em que a ortodoxia já recomendava as políticas tradicionais de ajuste fiscal e combate à inflação, uma ação mais efetiva do Estado, ao qual caberia o papel de direcionar os recursos e apoiar a diversificação econômica.

O embaixador Ricupero lembrou que, por trás do Plano de Metas, do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), havia os trabalhos de Furtado sobre planejamento da economia brasileira.

Ricupero lembra que, apesar de ter escrito 30 livros, que foram traduzidos para dez línguas, o economista insiste sempre em caracterizar-se como um "intelectual de ação". O secretário-geral da Unctad enfatizou a atuação política do economista.

Foi Furtado o primeiro ministro do Planejamento do Brasil (1962 a 1964), a convite do então presidente João Goulart.

O economista também foi quem criou a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), a primeira agência de desenvolvimento brasileira, cujo objetivo era o de elaborar políticas para a região mais pobre do país".

Texto de Marcelo Billi na Folha de S. Paulo de 16/06/2004

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