Coletivos do Complexo do Alemão, no Rio, lançam Manifesto pela Paz

A segunda plenária pública do Alemão ocorreu na segunda-feira (17). Foto: João Lima via rioonwatch.org.br

A segunda plenária pública do Alemão ocorreu na segunda-feira (17). Foto: João Lima via rioonwatch.org.br

Coletivos e indivíduos, grupos comunitários, ONGs, meios de comunicação alternativos, ativistas, jovens, crianças e adultos; moradores do Complexo de Alemão, outras favelas e a cidade formal se reuniram na Praça do Terço, uma praça em Nova Brasília no Complexo do Alemão, na última segunda-feira (17) à noite, para a segunda reunião pública após o protesto da semana anterior e as intensas operações policiais.

Os membros do Ocupa Alemão, que presidiu a reunião pública, distribuiu e leu um manifesto, “Queremos ser feliz e andar tranquilamente na favela em que nascemos”. O manifesto foi escrito coletivamente pelo Ocupa AlemãoRaízes em MovimentoEDUCAPJornal Voz das Comunidades e outros representantes da comunidade e colaboradores.

Ele expressa a demanda para que suas vozes sejam ouvidas e para que os direitos humanos dos moradores do Complexo do Alemão e de outras favelas sejam respeitados. Destaca que “as propostas de ‘paz’ devem ser elaboradas em conjunto com toda a favela. Uma política para a paz não se constrói com um pé na porta, atacando livremente moradores, a paz não se constrói com um caveirão”.

Esta voz coletiva demonstra o crescente movimento denunciando as falhas da política da UPP — as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora — e a construção de alternativas frente à militarização, durante este momento crítico no programa UPP.

Moradores, ativistas e líderes comunitários falam no plenária. Foto: João Lima

Moradores, ativistas e líderes comunitários falam no plenária. Foto: João Lima

Durante a semana passada, o Complexo de Alemão experimentou a intensificação da repressão da polícia militar. No sábado, dia 15, o BOPE entrou na favela para levar a cabo uma operação militar, e desde então vem treinando policiais da UPP nas táticas militares. Na segunda-feira (17) à noite, vários membros da comunidade contaram que sofreram abusos físicos e verbais, humilhações e até ameaças de morte por ter criticado abertamente a política de UPP.

Os planos coletivos de continuar a manter estas reuniões públicas, com o objetivo de aumentar a participação de moradores do Complexo de Alemão e de concretizar as propostas de ações expressam alternativas ao atual modelo de “pacificação”.

A primeira grande ação foi marcada para o dia 21 de abril, com uma intervenção artística chamada: “A gente não quer só polícia”. No meio de tantos episódios de tragédia e violência relacionados com a polícia e a comunidade, este ano, este movimento nascente da sociedade civil apresenta o potencial de quebrar um padrão histórico de políticas de segurança pública desrespeitosas e desumanas em favelas, uma promessa feita, mas não cumprida com o programa UPP.

Atualmente os coletivos do Alemão estão pedindo para outros coletivos, ONGs e instituições que assinem o manifesto e estão pretendendo iniciar um manifesto com assinaturas individuais, em breve. Para ler o manifesto clique aqui.

(Matéria do Rio On Watch)

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