Atingidos
pela barragem de Acauã exigem desapropriação de terras
para reassentamento
Mais de 200 agricultores dos movimentos sociais ligados à Via Campesina estão em marcha desde sábado, dia 27, e percorrerão quase 200 quilômetros que separam Campina Grande (PB) da capital do estado, João Pessoa. São militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) que exigem mudanças estruturais na política e na economia do país. É primeira vez que no estado está sendo feita uma marcha com este caráter, que também tem por objetivo fortalecer a Via Campesina, organização que congrega os movimentos sociais do campo em todo mundo. A marcha chega a João Pessoa no próximo dia 6, véspera do Dia dos Excluídos, data que em todo Brasil, historicamente, milhares de trabalhadores protestam contra a economia que exclui o povo de terem acesso às condições mínimas de vida. Na capital, os manifestantes querem audiências com o Governo do Estado, para encaminhar as pautas específicas de cada movimento. Os marchantes já caminharam 56 quilômetros e nesta terça (30) passaram por Lagoa Grande, município em que se localiza a barragem de Camará, que estourou em junho do ano passado. Até hoje, a maioria das famílias que tiveram suas casas e lavouras destruídas pela água, ainda não se recuperaram e não dispõe de uma política que restabelece suas condições econômicas. No município, assim como em todos os outros, os militantes debaterão com a população nos colégios e salões comunitários sobre os problemas que assolam o povo brasileiro. Terra aos atingidos Na Paraíba, o MAB exige do governo estadual a imediata desapropriação de terras para reassentamento das 900 famílias que foram atingidas pela barragem de Acauã. Destas, 700 famílias ainda não tiveram nenhum tipo de indenização. E as que receberam estão confinadas em quatro conjuntos habitacionais rurais sem o mínimo de infraestrutura necessária para uma condição de vida decente. Segundo Abel Francisco Andrade, agricultor e dirigente do MAB na região, a situação está insustentável: os camponeses perderam suas casas e terras, as comunidades se desestruturaram e nas novas comunidades à falta de água. Andrade denuncia que antes da barragem, os camponeses tinham terras para produzir e agora as famílias estão passando fome e sede. "Não é possível que uma barragem construída para reservatório de água esteja beneficiando apenas os grandes fazendeiros e criadores de camarão que estão a jusante e que nossas comunidades necessitem de caminhão pipa para receberem água. Além disso, nós repudiamos a política fundiária baseada no banco da terra. Esta política que o governador quer instalar somente nos endividará, queremos o desmantelamento do latifúndio para que possamos plantar novamente", finaliza o coordenador. __________________________________________________________ |