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Editoria: QUESTÃO AGRÁRIA


MST cobra do Governo compromissos acertados durante a Marcha Nacional

Três meses e meio após ter assumido compromissos concretos durante a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, em maio deste ano, o governo dá respostas em ritmo lento ao MST. Várias lideranças dos sem-terra estiveram quinta (1/9) de volta à Brasília para reuniões com o presidente do Incra, Rolf Hackbart, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto
 

Três meses e meio após ter assumido compromissos concretos durante a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, que saiu de Goiânia dia 2 e chegou a Brasília 17 de maio, o governo dá respostas em ritmo lento ao MST. Várias lideranças do MST estiveram quinta-feira (1/9) de volta à Brasília para reuniões com o presidente do Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto.

Entre os sete pontos acordados com o governo em maio, destacam-se três: o cumprimento da meta de 115 mil assentados até o fim do ano, a revisão dos índices de produtividade e a reestruturação do Incra.

Em relação à meta de 115 mil famílias assentadas, o MST foi informado pelo Incra que seriam assentadas apenas 12.087 famílias ligadas ao movimento. "O compromisso do governo havia sido de assentar todas as 115 mil dando prioridade para as famílias acampadas e dentre elas as do MST, mas a previsão é muito fraca, quase 10% da meta", critica Valdir Miserovicz, da coordenação nacional do Movimento. Das 12 mil prometidas, apenas cerca de quatro mil já foram assentadas e seis estados ainda não foram atendidos: MA, MT, MS, PB, RN e DF.

Até agora, o governo vem fazendo regularização fundiária e não desapropriação de terras para beneficiar famílias acampadas e ligadas aos movimentos sociais.

Outro ponto importante é a alteração dos índices que medem produtividade das terras rurais, cujos critérios datam de 1970. Os critérios estão, portanto, defasados e não possibilitam que áreas improdutivas sejam convertidas para assentamentos.

O governo informa que, embora a proposta tenha sido feita pelo próprio MDA, os acordos ficam paralisados no Planalto em razão da ação do ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, que também precisa assinar a norma de revisão dos índices de produtividades.

O movimento propõe também a contratação de 1.300 pessoas por meio de concurso, como forma de reestruturar e melhorar a estrutura do Incra. O MST já avalia uma reação para pressionar pela pauta acordada.

Conheça a pauta dos sete pontos acordada com o governo:

1) Cumprimento das metas do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) em
2005:

a) O governo reafirma seu compromisso com as metas do II PNRA: 115 mil
famílias assentadas em 2005 e 400 mil assentadas até o final de 2006.
b) Envio ao Congresso Nacional, de projeto de lei de suplementação
orçamentária com os recursos necessários para cumprir a meta.

2) Revisão dos índices de produtividade.

3) Reestruturação e fortalecimento do Incra:

a) O Ministério do Planejamento autorizou a contratação de 137 servidores já
aprovados em concurso, principalmente agrônomos.
b) Autorizar a realização, ainda em 2005, de novo concurso para o Incra, com
abertura de 1.300 vagas.
c) Nova estrutura organizacional do Incra.

4) Priorizar, na seleção para os assentamentos, observadas as demais condições legais, as/os trabalhadoras/es em acampamentos mais antigos.

5) Assegurar uma cesta básica mensal para todas as famílias acampadas.

6) Descontingenciar os recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - Pronera.

7) Mais qualidade para os assentamentos - acesso ao crédito pelos assentados.

a) Reajustar o teto de financiamento do Pronaf A de R$ 15 mil para R$ 18 mil (1,15% ao ano, carência de até 5 anos, 10 anos de prazo para pagar, desconto de 46% para pagamentos em dia).
b) Aumento de um para três dos créditos de custeio aos assentados (juros de 2% e rebate de R$ 200,00 para pagamentos em dia), no valor de até R$ 3 mil cada, sendo os dois primeiros com risco da União e o terceiro com garantia de compra da produção.
c) Instituir um Crédito de Recuperação de Assentamentos, no valor de até R$ 6 mil por família (1% de juros, carência de até três anos e até 10 anos de prazo para pagar), com disponibilidade de recursos fixada a cada Plano Safra.
d) Assegurar a disponibilidade de R$ 100 milhões para acesso exclusivo dos assentados ao Pronaf Agroindústria (até R$ 18 mil por família, 3% de juros para pagamentos em dia, até três anos de carência e 8 anos para pagar) através de fundo de aval ou outro instrumento de garantia.e) Instituir, além do atual crédito de instalação/fomento de R$ 2,4 mil, um segundo recurso de fomento aos assentados, no ano seguinte, no mesmo valor.
e) Aumentar de R$ 1 mil para R$ 1, 5 mil os recursos para construção de cisternas no semi-árido.

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Fonte: Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST
Fechamento: 05/09/2005 - 23h00
Contatos: Nina e/ou Maria - Assessoria de Imprensa do MST - (61) 3322-5035
Ref. http://www.consciencia.net/agencia/2005/0509-mst.html

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