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QUESTÃO AGRÁRIA # 24/05/2007
MST faz ato contra criminalização dos movimentos sociais em Volta Redonda

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Ocorreu na última quinta-feira (24) uma manifestação contra a criminalização dos movimentos sociais em Volta Redonda, no sul do estado do Rio. Dos 19 integrantes do MST, 17 foram presos e mantidos na cadeia sem qualquer acusação formal. Outras duas pessoas foram acusadas de resistir à prisão, apesar de terem sido pegos pelas costas e jogados dentro de um carro da Polícia Rodoviária Federal. Por Tamara Menezes


Começou às 16h da última quinta-feira (24/5) uma manifestação contra a criminalização dos movimentos sociais em Volta Redonda, no sul do estado do Rio. O ato acontece em frente à Delegacia da Polícia Federal, onde ficaram presos por quase 24h dezenove integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Eles foram libertados por volta das 10h do mesmo dia.

Dentre as pessoas sob custódia, dezessete sequer chegaram a ser indiciadas, isto é, foram presas e mantidas na cadeia sem qualquer acusação formal. Outras duas pessoas, Luciana Miranda e Francisco Lima, foram acusadas de resistir à prisão, apesar de terem sido pegos pelas costas e jogados dentro de um carro da Polícia Rodoviária Federal ontem (23/05). Eles vão responder às acusações em liberdade.

A Direção Estadual do MST atribuiu a libertação às entidades, parlamentares e movimentos "que pressionaram politicamente demonstrando sua indignação contra a truculência e ilegalidade cometida contra os lutadores e lutadoras do Povo, enviando Moções de Apoio e fazendo Vigília na Delegacia".

Barracos destruídos

Os Sem Terra foram presos dentro do acampamento Maria Crioula, localizado às margens da rodovia BR 393, e levados para a 88ª Delegacia de Barra Mansa, de onde foram transferidos para Volta Redonda. Eles tiveram as barracas, onde moram desde 15 de abril, quando ocuparam a área, revirados. Foram apreendidos facões e foices usados na lavoura. Alguns dos barracos foram destruídos.

As prisões aconteceram quase uma hora depois do grupo desobstruir a BR 393, conforme haviam negociado com policiais. A via esteve bloqueada por cerca de uma hora, a partir das 10h, por aproximadamente 60 manifestantes como parte da jornada Nem um Direito a Menos, que protestou contra a política econômica, contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e pela Reforma Agrária e a garantia dos direitos sociais.

Durante toda a tarde, advogados e dirigentes do MST tentaram libertar os presos, mas o delegado não informou sequer os motivos para a prisão. Ainda nesta madrugada, integrantes da Rede Nacional de Advogados Populares, da qual Francisco participa, apresentaram pedido de Habeas corpus no plantão da Justiça Federal, com base nas ilegalidades cometidas durante a prisão e na ausência de justificativa ou acusação formal.

As prisões se enquadram em um preocupante movimento de criminalização dos movimentos sociais, que acontece em todo país. Cada vez mais, as Polícias e a Justiça têm tratado manifestações políticas e grupos da sociedade organizada como agentes criminosos.
 

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