_____________________ QUESTÃO
AGRÁRIA # 24/05/2007
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Dentre as pessoas sob custódia, dezessete sequer chegaram a ser indiciadas, isto é, foram presas e mantidas na cadeia sem qualquer acusação formal. Outras duas pessoas, Luciana Miranda e Francisco Lima, foram acusadas de resistir à prisão, apesar de terem sido pegos pelas costas e jogados dentro de um carro da Polícia Rodoviária Federal ontem (23/05). Eles vão responder às acusações em liberdade. A Direção Estadual do MST atribuiu a libertação às entidades, parlamentares e movimentos "que pressionaram politicamente demonstrando sua indignação contra a truculência e ilegalidade cometida contra os lutadores e lutadoras do Povo, enviando Moções de Apoio e fazendo Vigília na Delegacia". Barracos destruídos Os Sem Terra foram presos dentro do acampamento Maria Crioula, localizado às margens da rodovia BR 393, e levados para a 88ª Delegacia de Barra Mansa, de onde foram transferidos para Volta Redonda. Eles tiveram as barracas, onde moram desde 15 de abril, quando ocuparam a área, revirados. Foram apreendidos facões e foices usados na lavoura. Alguns dos barracos foram destruídos. As prisões aconteceram quase uma hora depois do grupo desobstruir a BR 393, conforme haviam negociado com policiais. A via esteve bloqueada por cerca de uma hora, a partir das 10h, por aproximadamente 60 manifestantes como parte da jornada Nem um Direito a Menos, que protestou contra a política econômica, contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e pela Reforma Agrária e a garantia dos direitos sociais. Durante toda a tarde, advogados e dirigentes do MST tentaram libertar os presos, mas o delegado não informou sequer os motivos para a prisão. Ainda nesta madrugada, integrantes da Rede Nacional de Advogados Populares, da qual Francisco participa, apresentaram pedido de Habeas corpus no plantão da Justiça Federal, com base nas ilegalidades cometidas durante a prisão e na ausência de justificativa ou acusação formal. As prisões
se enquadram em um preocupante movimento de criminalização
dos movimentos sociais, que acontece em todo país. Cada vez mais,
as Polícias e a Justiça têm tratado manifestações
políticas e grupos da sociedade organizada como agentes criminosos.
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