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RODADA DE DOHA # 27/01/2007
O que mais em nome dos pobres?

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ActionAid alerta para riscos da retomada de Doha


Paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, que vai até domingo (28/1) em Davos, na Suíça, são realizadas rodadas da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), mais uma das tentativas da retomada da Rodada de Doha. Organizações não governamentais que lutam por justiça no comércio temem que o Brasil, como líder do G20, ceda à proposta hoje em discussão de abrir o mercado de bens industriais dos países em desenvolvimento tendo como contrapartida o maior acesso a produtos agrícolas desses países nos mercados dos países ricos.

No caso brasileiro, tal rumo é duplamente perigoso. No setor urbano, é provável que haja um impacto do aumento de desemprego em setores como o automotivo, por exemplo. No setor rural, a ameaça é ainda mais grave porque o principal produto agrícola brasileiro é a soja. Números da expansão da fronteira agrícola dessa commodity em direção à Amazônia levam a crer que haverá uma destruição ambiental ainda mais intensa nessa região, cuja contrapartida é a aceleração do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Segundo um estudo apoiado pela ActionAid, uma das ONGs que acompanham de perto as negociações no âmbito da OMC, a soja representa 40% do total plantado com grãos no Brasil, ocupando 22.2 milhões de hectares, uma área cinco vezes e meia maior do que Holanda. Em regiões do cerrado e da Amazônia Legal a área de expansão da soja cresceu mais de 300%, entre o período de 1995 e 2003. Além disso, mais de ¾ da produção brasileira são exportados e se destinam a alimentar frango e boi nos países compradores.

A ActionAid acredita que os prejuízos com as retomada de Doha serão nas áreas econômica, social e ambiental: “O resultado desse processo será fatalmente o de enriquecimento de um pequeno grupo de grandes produtores rurais e de meia dúzia de grandes empresas nacionais e internacionais que exploram a soja ao custo da ampliação da vulnerabilidade ambiental e do empobrecimento de uma parcela significativa da população rural que depende dos recursos naturais dessas regiões para sobreviver”, analisa Celso Marcatto, coordenador de segurança alimentar da ActionAid Brasil.

“Se o Brasil deseja realmente falar em nome dos paises pobres nas negociações da Rodada de Doha na OMC deve defender a adoção de mecanismos como salvaguardas especiais e produtos especiais desenhados para proteger os meios de vida das populações pobres do comércio injusto. Não tem sentido falar em nome dos pobres e liderar uma negociação para fazer dos países ricos mais ricos e dos pobres mais pobres”, alerta Marcatto.
 

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Fonte: ActionAid Brasil. Celso Marcatto, coordenador de Segurança Alimentar da ActionAid Brasil, está disponível para entrevistas.
Fechamento: 27/01/2007 - 21h30
Contatos: Lilia Giannotti (assessora de imprensa) - (21) 8754.4547 / lilia@dagemacomunicacao.com.br / http://www.dagemacomunicacao.com.br/
Ref. http://www.consciencia.net/2007/0128-doha.html

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