_____________________ BRASIL # 18/11/2006
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A Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em sua análise do Estudo de Impacto Ambiental, não observa ou não quer observar a área de abrangência do empreendimento - área de abrangência: 71 mil hectares de Cerrado leste maranhense e da transição Cerrado-Semi-árido que transitam por dentro dos territórios de oito cidades: Urbano Santos, Belágua, São Benedito do Rio Preto, Anapurus, Mata Roma microrregião de Chapadinha; Santa Quitéria, Santana do Maranhão e São Bernardo microrregião do Baixo Parnaíba. Essas cidades que escorregam, que se deixam drenar e evaporar o dreno das bacias hidrográficas dos rios Munim, Preto, Parnaíba e Preguiças. As cidades se espreguiçando airosamente em cada beira de brejo, em cada beira de igarapé e em cada beira de rio; elas não se espreguiçam na beira de monoculturas de soja e de eucalipto e na beira de baterias de carvoaria. Num dia de extremo calor, daqueles que a pessoa mal consegue pensar, os moradores das cidades das microrregiões de Chapadinha e do Baixo Parnaíba convergiriam para as beiras de brejo, igarapé e rio: o escrivão do cartório de São Bernardo escolta, com os seus lábios de senhor de idade, barcos que transportam passageiros e mercadorias pelo rio Buriti, contudo com a vazão do rio diminuindo esses barcos encalham na memória do próprio escrivão; na famosa marcha em defesa do Baixo Parnaíba, do dia 04 de maio de 2005, mais de 500 cavaleiros andantes se refrescaram na beira de um brejo, depois de acenarem para e debocharem de um efetivo policial que guarnecia plantações de soja, por menos de meia hora porque não havia mais tempo para se espreguiçarem e porque o mundo do agronegócio no Cerrado leste maranhense cismava sobre as suas intenções. Sem enxame de pessoas para se espreguiçarem nas beiras dos cursos de água, ficou mais fácil para que o agronegócio se banqueteasse nestas beiras. As cidades não se espreguiçam nas beiras das monoculturas e das carvoarias porque as matas nativas foram desmatadas e as nascentes dos cursos de água foram aterradas e porque estas beiras e hectares e mais hectares de mata nativa foram compradas ou arrendadas por grandes interesses econômicos e políticos que nem de longe querem a presença das populações agro-extrativistas do Cerrado e do Semi-árido em suas propriedades se espreguiçando. Por si só, as dimensões geográfica, econômica, social e ambiental do empreendimento de reflorestamento que a Margusa sonha erguer no Cerrado leste maranhense para aplacar sua fome de energia de 540 mil metros cúbicos ao ano de carvão vegetal para produzir 200 mil t/ano de ferro gusa descambariam para inúmeros e intensos debates da empresa com a Secretaria de Meio Ambiente do estado do Maranhão, com as ONGs e com as comunidades residentes nas cidades e nas regiões próximas ao empreendimento. Entretanto, as grandes empresas ojerizam processos ditos democráticos e que demandam tempo e dinheiro, dinheiro que sai dos seus caixas para complementações de estudos ambientais e dinheiro que não entra porque o empreendimento ainda não funciona. Estudando
os diagnósticos e os mapas contidos no Estudo de Impacto Ambiental
da Margusa, empresa do grupo Gerdau, sediada em Rosário, e deles
surrupiando o recôndito, eis o que surge: Um empreendimento de 71
mil hectares alta concentração fundiária entre
áreas de reflorestamento, que chegam a 42 mil hectares, reserva
legal e obras de infra-estrutura plantios de sete mil hectares a cada
ano de 2006-2011 - Urbano Santos e Santa Quitéria as duas cidades
com mais áreas afetadas a pavimentação de rotas
de energia das áreas de plantio e das carvoarias em direção
à sede da Margusa e os técnicos da Secretaria de Meio Ambiente
dourando a pílula e priorizando uma única audiência
pública na cidade de Urbano Santos.
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