_____________________

OPINIÃO # 13/07/2006
O que falta ao Lula

------------------------------------------
Por Petrônio Souza Gonçalves


Vô Chiquinho, político e comerciante na nossa Belo Oriente - desses que não se fazem mais, do alto dos seus 84 anos, sempre falava aos netos tentando passar um pouco de sua honra, da sua sabedoria, do seu exemplo de vida. Entre o balcão da sua loja e a rua, um belo dia ensolarado, que vai longe na memória, chamou os netos em fila e começo a filosofar sobre as coisas deste mundo. Ouvia a tudo atentamente, menino entre meninos, quando finalizando as divagações, falou com convicção:

- Na vida, meninos; o homem tem que ser honrado, trabalhador, estudado, amar a família, não ter vícios e sempre pensar no futuro. E para que cada um de vocês seja um grande homem, é preciso seguir três caminhos: o primeiro deles e ser honesto; o segundo, estudar muito, estudar a vida toda; e o terceiro é trabalhar e trabalhar, de dia e de noite, trabalhar até a hora da morte.

Assim foi, assim viveu, assim nos ensinou.
Lula, o nosso presidente, não seguiu nenhum dos três caminhos. É, na verdade, a negação de todos eles. Aposentou-se sabe-se lá quando. Estudou sabe-se lá onde, e se é honesto mesmo, o Lulinha Junior não teria enriquecido tão moço, e sobre o Paulo Okamoto não pesaria tantas especulações... Se meu avô estivesse vivo, talvez não falaria com tanta convicção sobre os seus valores. Ou, até mesmo, poderia ser questionado por um de seus netos, ponderando que o nosso presidente da República nunca fez nada disso e no entanto é o homem mais poderoso do Brasil. Talvez, com sua simplicidade, depois de sua fala professoral, diria, cabisbaixo e vencidos, a todos nós: "ó temporas, ó mores". E silenciaria, para todo sempre.

O problema é que as nossas referências maiores, nossos representantes, silenciaram em nós a vontade de acreditar na força do trabalho e em todas as benesses que advém dela. No pensamento humano e em todo o esforço desprendido em anos de aprendizado e retidão. Na certeza de que a honestidade enobrece o homem, mas o empobrece na saga do dia-a-dia, de conquistar o quinhão que lhe falta.   

Hoje nós partilhamos o quinhão da negação aos grandes ideais humanos, aos grande ideais da família humana, aos grande ideais de construir uma Nação com homens, trabalho e livros.

Não é por acaso que Lula é hoje o nosso presidente, pois ele encarna tudo aquilo que nos cerca. Ele é o fiel representante do Brasil que comungamos nas ruas e que, aos poucos, toma conta das nossas casas, dos nossos corações. Ele representa este país rendido, vencido pelos ladravazes que sustentam o governo das aparências. Lula é exatamente o Brasil, a nossa Seleção de Futebol, aquela que tinha todas as condições de ser a melhor do mundo e se afundou em todas as suas fraquezas, embriagou-se com as suas debilidades. É um país somado em seus fracassos, não dinamizado pelas suas potencializadas. Há um primitivismo cultural e moral reinante no Brasil. Há um primitivismo encarnado em Lula.

Sonhamos o país que deveria ser e vivemos no país que é. Entre os dois, há um verdadeiro Lula de distância. 
 

------------------------------------------
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Contato: belooriente@cidademais.com.br
------------------------------------------
Visite também:
Opinião
......:: Petrônio S. Gonçalves
—>.Busca no site
—>.Agência Consciência.Net
—>.Café da Manhã
—>.Cartas
—>.Mapa da revista
—>.Principal

Publicidade

.

------------------------------------------
Consciência.Net