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#.CULTURA


Oficina de Caboclinho com Paulinho 7 flexas

Dança dramática na origem ou representação dos primórdios da colonização Lusa, o Caboclinho é dos folguedos mais antigos que existe no Brasil; já no século XVI encantava o padre jesuíta Fernão Cardim. Oficina será neste sábado, dia 11, no Centro do Rio.

Dança dramática na origem ou representação dos primórdios da colonização Lusa, o Caboclinho é dos folguedos mais antigos que existe no Brasil; já no século XVI encantava o padre jesuíta Fernão Cardim. Folguedo elaborado pelo povo de representação da vida indígena que utiliza elementos dos autos jesuítas de catequese, elementos visuais e literários do romantismo indianista e traços da cultura indígena oriundos da música e da dança religiosa, de cultos semi-secretos, somados ainda a elementos da cultura negra.

Era tradição o Mestre e índios declamarem textos decorados. Hoje há apenas vestígios dessa encenação tanto no bailado, quanto nos textos conhecidos em versos conhecidos e sempre repetidos. Musicalmente, as melodias, tonalidades e escalas são de um exotismo oriental muito grande; lembram a musicalidade Hindu, Chinesa, Árabe ou Ameríndia, muito mais do que Européia. A brincadeira encanta pelo som da gaita ágil, que acompanhada de percussão, ao executar variações como o Perré, Baião ou Toque de Guerra encontra a presteza necessária à execução nas pernas e pés dos brincantes.

É coreografia exuberante que mostra ao apito do Mestre passos de dança guerreira. A cada diferente toque o terno (grupo de músicos) composto de bombo, caracaxá (espécie de ganzá), caixa e flauta. Desfilam nas ruas em duas filas fazendo evoluções ao som de arcos que são chamados de preacas.

A exuberância dos Caboclinhos conjuga coreografias com indumentárias ricas em plumas; cabeça, tronco, braços e tornozelos vestem-se de penas coloridas. Na cintura pequenas cabaças ou machadinhas;  na mão, as preacas percutem ao som do terno.

Hoje em dia os Caboclinhos vão às ruas principalmente no período carnavalesco onde tem que se adaptar às regras da Liga Carnavalesca que nem sempre respeita as tradições do brinquedo, incluindo personagens ou exigências alheias à brincadeira.

O Caboclinho 7 flexas é o nome da agremiação, homenagem e símbolo de fé de Seu Zé Alfaiate (fundador da agremiação e pai de Paulinho). É considerado o Caboclinho mais tradicional de Recife, principalmente pela forte marcação dos trupés (pisadas dadas com força marcando o ritmo das evoluções). Paulinho nos conta que é assim que os índios se comunicam.

Os treinos são em frente à sede do grupo e casa de Paulinho e seus irmãos; Seu Zé, mulher, e netos no Bairro de Água Fria subúrbio de Recife todos os domingos, a partir do mês de setembro (segundo última informação que tive). Muitas vezes, estes acontecem em meio a sobras de escamas de peixe deixadas na rua pela feira que no mesmo dia acontece. (Só para sublinhar: a rua é de paralelepípedos e treinamos descalços como se fosse o desfile).

É difícil de discernir o que é casa o que é sede em meio a tantos materiais e adereços que são produzidos sempre e renovados aos poucos, mas todo ano. E é mais bonito ainda de se ver  a força da fé e da devoção; a entrega de Seu Zé Alfaiate que durante todos os anos investe todo seu dinheiro (muitas vezes o que não tem) para botar a brincadeira na rua, mesmo  que (como quase sempre acontece) atrase a subvenção da prefeitura chegando pouquíssimos dias antes do carnaval.

Outro dado muito bonito de se comentar é como sempre, a força da renovação, a tradição mantida pela força familiar. Todos os treinos de subdividem em “das crianças” e “dos adultos”. Indescritível a sensação de poder ver a rua literalmente tomada de diversos caboclinhos se esforçando para fazer o trupé da maneira correta independente de estar chovendo ou não.

Viva Seu Zé Alfaiate e sua Família!
Viva o Caboclinho 7 Flexas!
Viva as crianças!
Viva a brincadeira!
E viva, viva  a Cultura Popular Brasileira!
 

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Texto de Lucio Enrico. Fontes: revista Brincante/Pe e entrevistas e vivência em campo com o Caboclinho.
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Oficina de Caboclinho com Paulinho 7 flexas
Dia 11 de novembro (sábado), das 10 às 12h ou das 14 às 16h.

Condomínio Cultural – Rua Luís de Camões nº 2, Centro do Rio. Referências: próximo ao Largo de São Francisco, ao lado do IFCS –UFRJ.

Contribuição: 15 reais.

Inscrição via e-mail: lucioenrico@hotmail.com

Contato: (21) 9858-2864.

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Fonte: Caboclinho com Paulinho 7 flexas
Fechamento: 05/11/2006 - 17h30
Contatos: lucioenrico@hotmail.com / (21) 9858-2864
Imagens: --
Ref. http://www.consciencia.net/2006/1105-caboclinho.html

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