| LEITORES #
30/08/2006
A guerra hiper-real ------------------------------------------
Agosto. Inglaterra. Foram levadas em custódia vinte e quatro pessoas acusadas de elaborar um plano audacioso para explodir aviões. Pânico nos aeroportos internacionais. A denúncia coloca em risco toda a tranqüilidade dos psicoburgueses do primeiro mundo que, tão distantes do conflito no Oriente Médio, levam suas vidas de forma segura, alicerçados pelas estruturas que o neoliberalismo garante. Acirramento dos programas de controle de informação por parte dos aliados norte-americanos. Em tempos de “alerta laranja”, troca-se privacidade por “segurança”. Nos dias que se seguiram, foi firmada uma trégua entre o Hezbollah e Israel, rompida por Israel à mesma época em que integrantes da milícia libanesa declaram ter se arrependido do seqüestro dos soldados, gerador do conflito. Não terá sido isso um pretexto, um teste para um conflito com o Irã, assim como foi a guerra civil espanhola para os nazistas em 36? Só com a Al Qaeda o governo Bush teve a legitimidade que as eleições não garantiram. Em cinco anos, após dois conflitos de médio porte, Afeganistão e Iraque, Bin Laden e Saddam Hussein ainda são os maiores cabos eleitorais de Bush, e que dá a esse mesmo governo uma reeleição e a carta branca pra agir de forma a negar todo o histórico de liberdade dos direitos do cidadão de que o povo americano tanto se orgulha. Há enfim um motivo pelo qual se pode devassar informações privadas em qualquer parte do planeta, acordos são firmados pela pressão originada nas tensões que ocasionalmente as fitas contendo ameaças dos líderes da Al Qaeda geram. São investidos bilhões de dólares em tecnologia de espionagem, até chegarmos aos atuais RFID (sistema de identificação por radiofreqüência), chips acoplados aos passaportes e aos bilhetes de viagem, aos livros da biblioteca e aos cartões de crédito. Sem falar do lucro das corporações da indústria bélica que se torna absurdo com a renovação do arsenal a cada conflito. O investimento em propaganda ideológica cresce assustadoramente. Quantas informações falsas serão lançadas à mídia para justificar essa espécie de duplo vínculo? Terrorismo é o desperdício dos recursos naturais deste planeta. É a má distribuição dos recursos sociais, a desorientação chamada de informação generalizada. É o abuso para com a população civil vindo dos órgãos de controle, pelos programas de governo feitos com a intenção de arrochar economias de populações inteiras como pano de fundo de um totalitarismo mercantil. Há um sinal de alerta laranja no ar. Será eu ou será você que estamos sendo enganados? Os que
destroem e matam aos milhares, esses trabalham do mesmo lado.
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