LIBERDADE
DE IMPRENSA # 02/11/2006
Intelectuais lançam
manifesto contra a condenação de Emir Sader
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Será
que o nível de hipocrisia da grande imprensa permitirá que
haja cobertura séria sobre condenação despropositada
do professor Emir Sader por “crime de opinião”? Da redação
“(...)
pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída
(...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação
de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo
mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito
horas, a ser individualizada em posterior fase de execução
(...) considerando que o querelante valeu-se da condição
de professor de universidade pública deste Estado para praticar
o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente
violou dever para com a Administração Pública, motivo
pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda
do cargo ou função pública e determino a comunicação
ao respectivo órgão público em que estiver lotado
e condenado, ao trânsito em julgado”.
O texto,
de autoria do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara
Criminal de São Paulo, é uma condenação ao
fato do professor Emir Sader ter exercido a liberdade de imprensa, ao responder
ao senador racista Jorge Bornhausen (PFL-SC), que se referiu ao PT como
uma “raça que deve ficar extinta por 30 anos”. Nada mais elementar:
racista, por se referir à raça petista e resgatar
um conceito preconceituoso e cada vez mais anacrônico.
Um manifesto
encabeçado por Antonio Candido e assinado por inúmeros intelectuais
dá nome aos bois: “(...) Numa total inversão de valores,
o que se quer com uma condenação como essa é impedir
o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar
e criminalizar o pensamento crítico (...) Ao impor a pena de prisão
e a perda do emprego conquistado por concurso público, é
um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças”.
Leia o
manifesto na íntegra, publicado originalmente no site da Agência
Carta Maior, e notícias a respeito, logo abaixo:
............................................
Manifesto
em solidariedade a Emir Sader
A sentença
do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal
de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria
no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um
despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor
dos agredidos em réu.
O senador
moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação
em virtude de artigo
publicado no site Carta Maior, no qual Emir Sader reagiu às
declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça
que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua sentença, o juiz condena
o sociólogo "à pena de um ano de detenção,
em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva
de direitos, consistente em prestação de serviços
à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um
ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada
em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: “(...)
considerando que o querelante valeu-se da condição de professor
de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como
expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever
para com a Administração Pública, motivo pelo qual
aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo
ou função pública e determino a comunicação
ao respectivo órgão público em que estiver lotado
e condenado, ao trânsito em julgado”.
Numa total
inversão de valores, o que se quer com uma condenação
como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação
que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É
também uma ameaça à autonomia universitária
que assegura que essa instituição é um espaço
público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e
a perda do emprego conquistado por concurso público, é um
recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças.
Nós,
abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.
Os
que desejarem assinar, favor enviar e-mail para solidariedadeaemirsader@hotmail.com
Vejam
que já assinou clicando aqui.
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Saiba mais:
CARTA MAIOR.#.01/11/2006
Emir Sader é
condenado em processo movido por Bornhausen; cabe recurso
11ª
Vara Criminal de São Paulo condena colunista a um ano de prestação
de serviços à comunidade e à perda de seu cargo de
professor na Uerj por ter chamado senador de 'racista'. Por Marcel
Gomes.
CARTA MAIOR.#.01/11/2006
Sobre a liberdade
de imprensa
No dia
em que a grande imprensa saiu em defesa da Veja, Emir Sader foi condenado
por crime de opinião. Quem chama Lula de “bêbado” e “mentiroso”
e defende a extinção da raça da esquerda está
exercendo a liberdade de imprensa. Quem responde a tais xingamentos é
condenado. De que liberdade estamos falando? Por Marco
Aurélio Weissheimer.
EMIR SADER.#.28/08/2005
O ódio de
classe da burguesia brasileira
"A gente
vai se ver livre desta raça (sic), por, pelo menos, 30 anos", disse
o senador Jorge Bornhausen (PFL). Ele merece processo por discriminação,
embora no seu meio - de fascistas e banqueiros - é usual referir-se
ao povo dessa maneira - são "negros", "pobres", "sujos", "brutos".
Por Emir
Sader.
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