JORNALISMO
EM QUESTÃO # 01/11/2006
É ignorância,
militância ou crueldade?
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Cabe
a nós, jornalistas, classificar a crueldade A como operação
e a crueldade B como ataques terroristas? Nenhum editor saberá
humanizar a pauta e parar de quantificar vítimas de uma lógica
perversa? Por Gustavo Barreto
.
......................
Que belíssima
cena de destruição
Não
teremos mais problemas com a super população
Veja que uniforme
lindo fizemos pra você
E lembre-se
sempre que Deus está do lado de quem vai vencer
.Legião
Urbana, A canção do senhor da guerra (1992)
......................
You that hide
behind walls
You that hide
behind desks
I just want
you to know
I can see
through your masks
(...) You
play with my world
Like it's
your little toy
You put a
gun in my hand
And you hide
from my eyes
.Bob
Dylan, Masters of war (1961)
A
operação israelense foi motivada por ataques terroristas
palestinos. A frase é de William Bonner, apresentador e editor
do Jornal Nacional, concluindo o vídeo da Reuters divulgado
nesta quarta-feira (TV Globo, 01/11/2006 20h50) sobre o conflito no Oriente
Médio. A cena mostra militantes palestinos armados fugindo das tropas
israelenses que por sua vez não aparecem - e sendo atacados cruelmente
pelas costas. Desesperados, como frangos sendo abatidos. O curto tempo
da matéria obedece à lógica da espetacularização
e comercialização
da guerra.
O que
persistentemente me faz perguntar: é ignorância, militância
ou crueldade jornalística? Será que são tão
burros para não perceber o processo de quantificação
da vida humana e não identificar o jogo de cena dos senhores
da guerra? Não acredito mesmo. O ato cruel de um lado provocado
supostamente por ataques terroristas palestinos informados apenas
pelo exército israelense e que não sabemos, pela matéria,
qual foi é chamado de operação israelense.
Não é um ato cruel, apenas retaliação natural,
já que quem começou foram eles.
Este tipo
de lógica se assemelha muito às brigas infantis que tínhamos
meu irmão e eu lá em casa. Entende-se: crianças que
ainda não desenvolveram a dialética. Então insisto:
é ignorância, militância ou crueldade jornalística?
Cabe a nós, jornalistas, classificar a crueldade A como operação
e a crueldade B como ataques terroristas? Até quando esta
quantificação vai durar?
Nenhum
editor registro: de muitos outros jornais, não só de um
ou outro em particular saberá humanizar a pauta? Nenhum brilhante
jornalista conseguirá parar de repetir como papagaio os mesmos lugares
comuns que incitam a lógica da guerra e da subjugação
de um ou outro povo? Não haverá nenhuma alma que saberá
colocar no mesmo nível um e outro ser humano, independente de sua
religião, origem étnica, cor ou qualquer outra classificação
limitante? Nunca aprenderemos que olho por olho a Humanidade está
cada vez mais cega?
Assusta-me
esta profissão, em que pessoas que têm cada vez mais acesso
à informação e às novas tecnologias estão,
cada vez mais, desprovidas de questionamentos básicos que, lembrando
Groucho Marx,
até mesmo uma criança de três anos faria. Para tentar
fazê-los duas músicas e dois vídeos.
............................................
Masters of war
Ano: 1961
Autor: Bob
Dylan
Vídeo
relacionado: clique
aqui.
Come you
masters of war
You that
build all the guns
You that
build the death planes
You that
build the big bombs
You that
hide behind walls
You that
hide behind desks
I just
want you to know
I can
see through your masks
You that
never done nothin'
But build
to destroy
You play
with my world
Like
it's your little toy
You put
a gun in my hand
And you
hide from my eyes
And you
turn and run farther
When
the fast bullets fly
Like Judas
of old
You lie
and deceive
A world
war can be won
You want
me to believe
But I
see through your eyes
And I
see through your brain
Like
I see through the water
That
runs down my drain
You fasten
the triggers
For the
others to fire
Then
you set back and watch
When
the death count gets higher
You hide
in your mansion
As young
people's blood
Flows
out of their bodies
And is
buried in the mud
You've
thrown the worst fear
That
can ever be hurled
Fear
to bring children
Into
the world
For threatening
my baby
Unborn
and unnamed
You ain't
worth the blood
That
runs in your veins
How much
do I know
To talk
out of turn
You might
say that I'm young
You might
say I'm unlearned
But there's
one thing I know
Though
I'm younger than you
Even
Jesus would never
Forgive
what you do
Let me
ask you one question
Is your
money that good
Will
it buy you forgiveness
Do you
think that it could
I think
you will find
When
your death takes its toll
All the
money you made
Will
never buy back your soul
And I
hope that you die
And your
death'll come soon
I will
follow your casket
In the
pale afternoon
And I'll
watch while you're lowered
Down
to your deathbed
And I'll
stand o'er your grave
'Til
I'm sure that you're dead
............................................
A Canção
do Senhor da Guerra
Ano: 1992
Autor: Renato
Russo / Legião Urbana
Vídeo
relacionado: clique
aqui.
Existe
alguém esperando por você
Quer
comprar a sua juventude
E convencê-lo
a crescer
Mas uma
guerra sem razão
E já
são tantas as crianças com armas na mão
E lhe
explicam novamente que a guerra gera empregos
E aumenta
a produção
Uma guerra
sempre avança a tecnologia
Mesmo
sendo guerra santa, quente, morna ou fria
Pra que
exportar comida
Se as
armas dão mais lucros na exportação ?
Existe
alguém que está contando com você
Pra lutar
no seu lugar
Já
que nessa guerra não é ele quem vai morrer
E quando
longe de casa ferido e com frio
O inimigo
você espera
Ele estará
com outros velhos
Inventando
novos jogos de guerra
Que belíssima
cena de destruição
Não
teremos mais problemas com a super população
Veja
que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se
sempre que Deus está do lado de quem vai vencer
(solo)
Existe
alguém que está contando com você
Pra lutar
no seu lugar
Já
que nessa guerra não é ele quem vai morrer
E quando
longe de casa ferido e com frio
O inimigo
você espera
Ele estará
com outros velhos
Inventando
novos jogos de guerra
Que belíssima
cena de destruição
Não
teremos mais problemas com a super população
Veja
que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se
sempre que Deus está do lado de quem vai vencer
O Senhor
da Guerra não gosta de crianças.
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Gustavo
Barreto é pesquisador da UFRJ e editor de imprensa alternativa.
Contato: consciencia@consciencia.net
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