| nova consciência
I Encontro de Educação para a Vida ------------------------------------------
Com a proposta de discutir a “base filosófica e prática de uma ciência nova alicerçada no autoconhecimento e no reconhecimento de que a vida é a expressão máxima das energias criadoras e, portanto, fonte geradora de saúde e bem estar”, o I Encontro de Educação para a Vida marca uma nova página nas vidas daqueles que tiveram a oportunidade de assistir – no distante e bucólico bairro de Jacarepaguá, no Instituto Juliano Moreira e ex-sede do hospital psiquiátrico – o diálogo de personalidades mundialmente conhecidas por seus pensamentos transformadores e por suas ações de conscientização e redescoberta daquilo que consideramos vida. O cuidado para com os seres vivos, a Terra e todo o ambiente que nos vemos envoltos permeou todas as apresentações nos dois dias do encontro. A visão antropocêntrica, tão comum em nosso dia-a-dia, não foi sequer lembrada nesses dois dias de prática, vivência e aprendizado. A tranqüilidade proporcionada pela localização alheia aos distúrbios da cidade em movimento permitiu que os conferencistas nos introduzissem em seus conhecimentos e históricos de cuidado, amor e ligação com a Natureza. Leonardo Boff, David Crow, Ana Primavesi e Nina Rosa Jacob deixaram plantadas nas terras distantes de Jacarepaguá, as sementes de um novo conceito, ou mesmo cultura, em saúde a ser pesquisado e desenvolvido pela Fiocruz. Leonardo
Boff
Esta visão que engloba, sem generalizar, a existência sob uma perspectiva complexa e que interliga toda a diversidades de seres com seus respectivos habitat e com o todo, é hoje alvo de infindáveis pesquisas ligadas à física quântica, astrofísica, biologia, fisiologia, química e etc. A ciência, que tanto nos separou da totalidade e da crença em forças invisíveis e em princípio inexplicáveis, hoje nos possibilita rever tais conceitos sob a ótica da universalidade, possibilitando assim a criação de uma cultura voltada a interesses menos subordinados e restritos. As condições em que se encontram, atualmente, nosso sistema vivo urgem modificações de pensamento e inclusive de sentimento. Para Boff o momento de cuidarmos da vida e de nós mesmos não pode ser deixado para amanhã, para as próximas gerações que talvez nem tenham a oportunidade de vir como nós viemos. Para Boff é hora de renascimento para a humanidade já nascida. David Crow
Percebendo que a poluição ambiental e a destruição dos ermos bosques onde se encontram as plantas da medicina oriental colocam em risco a continuação de tais práticas medicinais ancestrais, David buscou encontrar alternativas ao tratamento de seus pacientes. Sendo cada vez mais valorizados pela grande demanda, os medicamentos herbáreos, produzidos através de técnicas e cuidados milenares, começaram a impossibilitar grande parte dos tratamentos de Crow, e foi assim que ele iniciou seus ‘Learning Gardens’. Há cinco anos, Crow iniciou uma democratização de seus tratamentos, ensinando a seus clientes a plantar, colher e fabricar seus próprios medicamentos. Uma pequena revolução já ensinada pelo Buda da medicina, entendido por Crow em seus estudos no Himalaia. A experiência de plantar e colher seu próprio jardim fez Crow perceber que as pessoas envolvidas iniciam um processo de mudança comportamental e também de pensamento, voltando-se a entender à grandiosidade do Reino Vegetal como também do planeta como um todo. As experiências de Crow multiplicaram-se por todo os Estados Unidos, onde dezenas de unidades estão em funcionamento em escolas, parques, propriedades particulares e muitas delas em centros urbanos. Neste ponto Crow demonstrou sua preocupação para quando uma possível escassez de energia impossibiltar a obtenção de alimentos, já que dependemos de alimentos trazidos de locais extremamente distantes. Junto ao trabalho na sociedade norte-americana, Crow desenvolve a restauração de comunidades em todo o planeta. Reabilitando, ensinando e assim desenvolvendo economias auto-sustentáveis e ambientalmente saudáveis, através da produção de óleos essenciais extraídos de plantas muitas vezes em risco de extinção pelos mais diversos cantos, entre todos os continentes. Esse trabalho andarilho, árduo e muitas vezes solitário para Crow é gratificante, quando projetado em dimensões cósmicas como a criação de uma cultura espiritual, fruto de uma sociedade sadia em seus corpos, em seu ambiente e em sua consciência. A doença, segundo Crow, é resultado da carência e dos excessos, a carência tanto pode ser de nutrientes quanto de afeto, e assim são os excessos. E a saúde do homem é resultado de si e de todo o meio em que se encontra, portanto um planeta doente é resultado do homem e vice-versa. As apresentações
do dia 12 estarão na próxima edição.
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