opinião
Um coração roubado
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Por Petrônio Souza Gonçalves, 3/9/2006


Nero, o megalomaníaco, corrompeu tudo, menos a arte. Lula, depois de ficar de fogo em Brasília, corrompeu tudo, até a arte, a nossa ingênua e desamparada arte brasileira.

Wagner Tiso, o maestro pouco modesto, foi em seu bolso alvejado e teve seu coração de estudante comprado, por meia dúzia de jabás institucionalizados. José de Abreu, aquele genial ator que se orgulha de ser amigo do ex-ministro e dublê de ator José Dirceu, agora encara o novo papel de ser o bobo da corte de um novo e desmoralizado governo, que é capaz de tudo, até de ser paródia de si mesmo.

 Afinando o coro dos mensalões culturais ensaiado pela batuta de três pontas do maestro Wagner, o ator de várias facetas Paulo Betti beija a mão do novo mecenas e reza a novena do mau caratismo petista e populista, de que política se faz sujando as mãos. Meu Deus, o revolucionário Lamarca lutou de mãos limpas contra um governo sujo, que tentou, de todas as formas, sepultar a arte; a nossa música, o nosso teatro, o nosso pensamento, a nossa esperança. O legado artístico de Paulo Betti não merecia esta punhalada nas costas, esta vendida traição.

O mundo artístico brasileiro que sempre se balizou pela coerência e pela eterna vigilância dos nossos frustrantes governos, não merecia ouvir uma canção tão desafinada, tão grotesca, entoada por estes nobres homens da arte. Para sabermos exatamente quanto vale cada decepção desta, é só contabilizarmos quanto que cada um desses novos petistas ganharam do governo Federal para implementarem os seus projetos culturais. E nós que criticamos tanto a Regina Duarte... Isso, sem lembramos das colloridas e estigmatizas Cláudia Raia, Marília Pêra e Ipojuca Pontes. A verdade é que estamos assistindo aos piores capítulos da nossa pobre vida nacional... Seria até cômico, se não fosse tão trágico.

O que se vê é que o primitivismo cultural de Lula começa, pouco a pouco, a selecionar seus novos atores para ensaiarem juntos a tragédia política e cultural brasileira, tudo financiado pela verba mensal das nossas estatais. Meu Deus, onde esta barafunda vai parar?

Enquanto isso, sigo em busca daquela coisa que um dia Wagner Tiso disse estar aqui do nosso lado, dentro do nosso peito e bem mais perto que pensamos... Mas como já se passaram muitos anos, perdi os meus sonhos e o meu sorriso de menino, agora carrego no peito apenas um pote até aqui de mágoas...
 

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Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Contato: belooriente@cidademais.com.br

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