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O jornalismo premiado ------------------------------------------
Um dos reflexos desse ganho de qualidade está nos livros de reportagem que têm sido publicados recentemente. Eles não são mais apenas uma reunião de material que já saiu na imprensa periódica, mas um produto original. Não só novo como também denso, capaz de servir de referência a outros trabalhos intelectuais. É o que se pode ver pelos livros que receberam o Prêmio Jabuti deste ano, todos de alto nível. Com toda justiça, o primeiro prêmio ficou com Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, que revelaram os arquivos secretos oficiais sobre a guerrilha organizada pelo Partido Comunista do Brasil no que, depois, ficaria conhecido como "Bico do Papagaio", uma área entre o Pará e Goiás (atual Tocantins) marcada pelos conflitos de terra. Além de penetrar nos arquivos das Forças Armadas, até então inacessíveis (cuja existência era negada pelo governo), os dois repórteres conseguiram aduzir suas observações e outras informações obtidas em pesquisa própria, que enriqueceu muito sua reconstituição da guerrilha. O livro foi editado com primor pela Geração Editorial, que se tornou a melhor editora de jornalismo. Mundo de
sombras
Só
lamento não haver lugar para Ministério do silêncio,
o excelente livro de Lucas Figueiredo, de pesquisa tão ou mais sólida
do que os anteriores, enveredando por uma seara pioneira na revelação
do mundo das sombras (e, em geral, da ineficácia) do serviço
secreto brasileiro, velho de 70 anos. No acervo desse serviço há
poucas contribuições realmente positivas para o país,
marcantes. A mais eficiente dessas organizações parece ser
a mais profissional e a que ainda continua menos conhecida de todas: a
do Ministério das Relações Exteriores. Lucas, que
abriu sendas ainda à espera de novas incursões, certamente
continuará a responder às questões que ele mesmo suscitou.
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