memória popular
Favela da Maré
terá museu
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Acervo
mostra comunidade, que já foi formada por palafitas. Por Beatriz
Coelho Sila, da Agência Estado, reproduzido no Jornal do Commercio
(RJ), em 6/5/2006
A
favela da Maré ganhou um museu para contar sua história.
A instituição fica numa antiga fábrica de peças
de navio, na entrada da comunidade. A maior parte do acervo foi doada pelos
próprios moradores. São fotos, santos, documentos, objetos
do cotidiano.
Há
fotos antigas do local, desde as feitas no século 19 e início
do século passado por Marc Ferrez e Augusto Malta, na época
em que só viviam lá pescadores, ao início da favelização,
nos anos 40. A inauguração oficial do museu será nesta
segunda-feira, às 10 horas, com presença do ministro da Cultura,
Gilberto Gil.
“A semente
desse museu é a Rede Memória, que começou com os moradores
contando suas histórias em vídeo VHS. Essas fitas ficarão
à disposição do público e serão acrescidas
de novos depoimentos”, conta o historiador Luiz Antônio Oliveira,
coordenador do museu. “Mas tudo começou com o Centro de Estudos
e Ações Sociais da Maré (Ceasm), que tinha foco na
educação. Aos poucos, concluímos que era importante
resgatar o passado. Antes de criar o museu, juntamos os depoimentos e os
documentos e fizemos exposições itinerantes com excelente
repercussão”.
Segundo
Oliveira, não é possível precisar o marco inicial,
pois os primeiros moradores, operários da construção
da Avenida Brasil e do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), já encontraram gente morando lá. O desenho da exposição
é do cenógrafo Marcelo Pinto Vieira, cujos avós vieram
para o local nesta época. Ele construiu uma palafita no centro do
galpão e, em volta, fotos e objetos do cotidiano dos moradores vão
contando a história.
| “Há
canoas, imagens de São Pedro e utensílios domésticos”,
adianta Marcelo. “Dividimos a narrativa em períodos, que vão
de quando aqui era um arquipélago só com pescadores, até
o futuro, quando desejamos que todas as crianças tenham escola e
a violência não seja a principal notícia que sai da
Maré”. A favela tem, segundo o Censo 2000, 132 mil habitantes, divididos
em sub-regiões, como o Morro do Timbau, Vila do João, Baixa
do Sapateiro etc.
Até
os anos 80 era uma palafita, mas o governo federal aterrou o local e substituiu
as casas de madeira por outras de tijolo. “Os moradores se uniram e evitaram
remoções. Chegaram a enfrentar o então ministro Mário
Andreazza para permanecerem aqui”, conta Oliveira. |
| não
é possível precisar o marco inicial, pois os primeiros moradores,
operários da construção da Avenida Brasil e do campus
da UFRJ, já encontraram gente morando lá |
|
|
.“Hoje
nossa principal preocupação é com a educação.
Temos 16 escolas (uma de Ensino Médio), mas o principal problema
é a evasão escolar. Nossa outra meta é romper a barreira
da universidade pública. Nosso cursos pré-vestibulares têm
cerca de 240 alunos e o índice de aprovação no vestibular
é de 25%. O Museu é um complemento de todo esse esforço.”
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Saiba mais:
O Jornal "O Cidadão", maior jornal popular da Maré, é
a leitura indicado sobre temas desta comunidade. Contato: jornalmares@bol.com.br
ou jornaldamare@yahoo.com.br
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