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O Oriente Médio ou onde escondemos o que nos irrita nos outros ------------------------------------------ A ação pela paz mais eficiente é aquela feita na mente, muito maior do que a racionalidade instrumental. Apenas com uma mudança de percepção o Oriente Médio se transformará. É necessária uma nova educação em Israel e na Palestina, pois a situação está relacionada com o patriarcalismo das três religiões abrahâmicas envolvidas: Judaísmo, Islamismo e Cristianismo. É por isto que recomendo um complexo de ações educacionais e terapêuticas que, inclusive, revalorizem o aspecto feminino da divindade no imaginário do Oriente Médio. A origem desta crise — dela também tratei no livro Diálogo entre as Civilizações: a Experiência Brasileira, que organizei para a ONU como resposta ao 11/09 (www.unicrio.org.br; biblioteca) — é o impulso ocidental para criar um self racional que se quer autônomo e que estabelece um estranhamento em relação ao que passa a ser percebido como “outro”, seja no plano psíquico, sexual, social, cultural, político e econômico. É assim que o Oriente Médio, ainda hoje, é a emblemática tragédia de um padrão mental baseado na separação “irreconciliável” entre cultura e natureza, sujeito e objeto, princípio masculino e princípio feminino, homem e mulher, mente e matéria, eu e o “outro”, ricos e pobres, brancos e negros, “civilizados” e indígenas, israelenses e palestinos. É no sentido desta transformação que acaba de ser publicado em Washington meu artigo The Sustainable Theory of Communication: A New Epistemological Perspective for Solidarity and Sustainability in the Essentially Patriarchal and Emblematic Crisis of the Western Mindset. Solidarity & Sustainability, Washington, ano 02 no.07. Para que
essa transformação ocorra é vital a presença
junto aos que negociam, de especialistas em resolução de
conflitos (com formação terapêutica) para ajudar a
dissolver o fluxo de ressentimentos, soberba e vingança, quando
o mal é entendido como uma exterioridade absoluta: o “outro” é
que é o culpado.
Sua solução está sendo construída na grande emergência do feminino em nossa cultura, dos valores de solidariedade, amor, amizade, interdependência, responsabilidade, sustentabilidade, das inteligências emocional e espiritual. Mas para isto é obrigatório entregar-se. E, sem dúvida, isto implica na experiência que tem o nome de dor. Pois precisamos rever nossas posições mais arraigadas, parar de estranhar nos outros os horrores que temos dentro de nós (e que, por ventura, muito trabalho e disciplina não atualizamos). Enfim
amadurecer e descobrir aonde escondemos os comportamentos que nos irritam
no outro, acolhê-lo em sua dificuldade, ajudá-lo a lembrar
como neutralizar a tendência destrutiva, a abrir-se também
na generosidade e no amor (a base da biologia e do social, concordando
com Humberto Maturana), para só então poder abraçá-lo.
Incluí-lo.
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