ensaio dos leitores
Paradigma de quê?
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Por Juliano Vieira Lopes, junho de 2006


O conceito de paradigma - modelo; padrão – seria aquele no qual todos deveriam se apoiar, para aí então tirar suas próprias opiniões, mas o fato é que nem sempre este pressuposto pode ser aceito, já que às vezes o tal sonhado paradigma nos é imposto, ou quase sempre somos forçados a crer em tal fato.

O que se argumenta é que este paradigma seria o perfeito para todos, independente de qualquer coisa, ou seja, Estado, cultura ou religião, e assim por diante. O fato dos Estados Unidos tentarem impor o seu modo de vida já é um caso extremamente errôneo, ou seja, cultura e modo de vida são diferentes em todos os Estados, e tentar embasar este processo na pressuposta globalização é uma grande falácia, uma vez que a mesma, assim como o paradigma, nos é imposta.

O que quero expor é que: quem foi que disse que a “democracia” estado-unidense é um paradigma, que todos os povos devem segui-la? Quem foi que abstraiu que aquilo é um país de fato democrático? Os exemplaristas, com Clinton? Ou os vindicadistas, com Bush I e II?

Transferindo este fato para um processo dialético, suponhamos que eles sejam o indivíduo e o resto do mundo a totalidade. Então, onde está o paradigma de democracia? Uma vez que, ao mesmo tempo em que eles são “democratas” como indivíduo; enquanto totalidade são opressores, ou seja, ao querer impor o seu modelo “democrático” à totalidade; por serem a única potência, eles tiram a democracia da totalidade, fazendo assim a mesma, em tese, adotar aquele modelo. Eles tiram então o poder de escolha dos demais Estados, principalmente dos periféricos.

A desculpa por ser um país “democrático”, embasado pelo seu sistema político-econômico, leia-se liberal, em nada os difere de um país que vive em extrema ditadura, pois assim como este sistema, aquele, de uma certa forma, também é uma ditadura. Ou seja, o que se discute é que para viver nesta “democracia”, o indivíduo é o único responsável pelo seu bem estar, e o Estado só estaria ali para “gerenciar” este processo, garantindo assim o processo de acumulação capitalista, em detrimento do processo democrático, já que o Estado passa a ser então burguês, em última instância.

Quando se diz em detrimento do processo democrático, entenda-se que o mesmo é falho devido à proteção à classe capitalista em contrapartida à proletária, ou seja, em última instância a classe operária é oprimida pela ação “democrática” do poder estatal, que não consegue engendrar o processo democrático de fato. O que leva continuamente o trabalhador e ser explorado, gerando assim a mais-valia, para a acumulação capitalista.

O país ‘Estados Unidos’ como indivíduo não pode ser paradigma de democracia para a totalidade, pois dentro de seu próprio sistema há opressão e massacre contínuo de seus gentis, e dos que lá chegam para realizarem o tão sonhado “American dream”. O holocausto estado-unidense sobre os índios - Deus salve o General Custer -, os latinos - “Lost Angeles”, agora tem um prefeito latino, depois de várias décadas - e os negros, é tão ou pior tanto quanto dos nazi-fascistas, da 2a Guerra Mundial, sobre o povo da terra prometida.

Sendo assim, a democracia no Estado supracitado não existe de fato e tão pouco serve de paradigma para as demais nações da totalidade, pois se há um modelo ou padrão a ser seguido, o mesmo ainda não existe e quiçá possa ser “criado” por alguém algum dia. Ou melhor, creio que este modelo deva ser desenvolvido de acordo com as peculiaridades de cada Estado-Nação, sem que haja, de fato, abuso de poder, tanto por parte do indivíduo quanto da totalidade. E desta forma, fica a pergunta então: “Eles são paradigma de quê”? Pensem...
 
 

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Texto enviado em 27/6/2006 à redação Consciência.Net e publicado no mesmo dia. E-mail do autor: ceteris77@yahoo.com.br

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