opinião
E a verba subornou o verbo
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Por Petrônio Souza Gonçalves, 5/5/2006


No princípio era o caos. Depois veio o verbo e a verba. Os homens se afeiçoaram mais à verba que ao verbo, e tudo voltou ao caos original. Ou seja, à ausência dos princípios do verbo, da palavra divinal e de tudo que advém dela. Aqui no Brasil, com seus milhares de anos de atraso e submissão, a verba se fez verbo, bem antes do caos. E com a verba e com o caos, começamos a escrever nossa história desde tempos bem remotos; era o nosso Gênesis.

Agora, durante e depois de tantos governos que preferem o poder do que governar, vemos o caos que se encontra o Brasil, com o banditismo ditando leis nos grandes centros; a Justiça sendo desmoralizada por assassinos e réus confessos; o Congresso sendo palco de selvageria e absolvições aos maiores inimigos da pátria; o governo sendo tomado por 40 ladrões vestidos nas mais finas casacas; as instituições federais sendo usadas para perseguir e punir ao mais modesto trabalhador; e a população se sentido entregue aos donos da pátria dos sanguessugas; dos apátridas; dos parias; dos piratas de gravatas; dos homens menores e piores; dos corruptos e seus exércitos de apaniguados.

Depois das várias verbas e dos mais pirotécnicos verbos, o Brasil hoje se encontra assim: uma terra de ninguém, um país em que se pode tudo, em que todos podem ‘enfiar a mão’ e fazer nos espaços públicos as suas festas privadas, como se tudo que é do povo, fosse de ninguém!

A desmoralização até aqui implantada, operada e sustentada por anos de governos e de omissão, é o que garante o espetáculo do caos que a cada dia se agrava e se alastra Brasil afora, tornando-se a maior peça ensaiada e encenada nos quatro cantos do país continental, aguando dentro de cada um de nós a semente da prostração, da entrega, da desilusão, do medo.

Eles destruíram tudo, todos os nossos sonhos, todas as nossas crenças, acabaram com todas as nossas esperanças, nos deixaram sem rumo, buscando apenas algum sentido para podermos viver dentro deste país sem sonhos e sem  ideais, e que nunca foi verdadeiramente nosso. Que pena!

Enquanto isso, no centro do Planalto Central, alguém se diz feliz e de consciência tranqüila, velando religiosamente, de dia e de noite, o gigante empalhado que adormece em esplendido berço... Há muito tempo!
 

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Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. E-mail: belooriente@cidademais.com.br

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