| crônica
Estamos prontos ------------------------------------------
Já temos um começo de produção importante. Já conhecemos a tecnologia. Com os investimentos das sedentas potências industriais, nossa capacidade de transformar vegetal em energia se multiplicará. E mais: ao contrário do combustível fóssil, o biocombustível não acaba. Seremos os árabes do mundo por muito mais tempo. E reproduziremos, aqui, o poder e o fausto do Médio Oriente, com os dólares que nos inundarão. Afinal, se eles construíram uma civilização feita de dólar no deserto, por que não construiremos uma igual aqui, onde tudo cresce tão rápido? De certa maneira, estamos nos condicionando para isso há muito tempo. Finalmente entendemos o comportamento da nossa elite, que sempre levou vida de sheikes do petróleo sem o petróleo. Não são insensíveis e fúteis, são visionários, foram pioneiros. Estavam treinando para o nosso futuro árabe. Construiu-se aqui a sociedade mais desigual do mundo como uma emulação informal da desigualdade institucionalizada do Oriente, onde o contraste entre a massa miserável e o potentado é tradição, não má-formação. Estávamos sendo meio orientais, inconscientemente nos preparando para tomar o lugar deles. Até nossa corrupção, nos seus exageros, tem um pouco dessa premonição de um dia sermos emires do biocombustível, com sua inferição de que no Brasil dinheiro nasce na terra. Com a
China precisando de cada vez mais combustível e os americanos cada
vez mais incapazes de largar o vício da gasolina barata, o petróleo
não dura até o fim do século. Então será
a nossa vez. Temos a matéria-prima para substituir o petróleo,
temos a terra, temos a técnica, temos os sheikes e temos a atitude.
Estamos prontos.
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