opinião
Democracia; ainda que tardia
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Por Petrônio Souza Gonçalves, 29/4/2006


São nas grandes democracias consolidadas que conhecemos e compartilhamos, em todos os níveis, o verdadeiro exercício da independência e autonomia entre os poderes. Podemos afirmar que uma democracia é sustentada pela atuação harmoniosa e independente entre os seus poderes, entre as suas instituições. 

Se estamos longe de vivermos e compartilharmos tais benesses de uma verdadeira democracia nestas terras de Cabral, avistamos, ao longe, a postura austera e independente de algumas das nossas instituições, rompendo, de uma certa forma, com um ciclo vicioso e servil seguido ao longo dos anos, sempre atrelado ao poder vigente.

Do alto das faculdades do Tribunal Superior Eleitoral, seu novo presidente, Marco Aurélio Mello, com muita transparência e independência, criticou a forma e a conduta adotadas pelo governo Lula no trato com as instituições federais e com o patrimônio público. Seguindo na mesma trilha inconfidente e democrática, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, apontou exageros, erros e equívocos do novo governo, enquadrando, ainda, com notícia-crime, o mandatário da Pátria por falta de transparência e austeridade na execução do mandato de presidente da República.

É claro que o enquadramento de um presidente da República fragiliza, e muito, a consolidação de uma verdadeira democracia; a idéia e o conceito que temos dela. Mas se é nas grandes noites que se avista o sol generoso da independência, esperamos aprender com os erros e angustias do presente. E que nossas instituições, com sua força, seus protestos, e sua representatividade, sempre atentas e serenas, façam com que os mandatários da Pátria pensem duas vezes mais antes de ignorar os acordos firmados com a sociedade, com o cidadão, com os eleitores.

De tudo isso, de todo este processo em que somos levados por uma onda de denuncismo e corrupção, como se pouco representasse o povo com seus medos e anseios, tiramos o exemplo, aprendemos a lição de que sem consciência cívica não faremos revolução, não construiremos uma grande Nação. Sem a representatividade e a atuação independente das nossas instituições, não comungaremos com o verdadeiro ideal da democracia.

Aos poucos, o país vai começando a conviver com seus desafios. Vai assumindo a responsabilidade de ser uma pátria que acredita e busca a plenitude da democracia, tendo a maturidade política e social de que sua história e feita e escrita no seu dia-a-dia.
 

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Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. E-mail: belooriente@cidademais.com.br

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