| américa latina
Pelas sendas de Evo ------------------------------------------
Essas mobilizações contribuíram decisivamente para o esgotamento do modelo neoliberal, depois de suas promessas não cumpridas e o aumento da desigualdade, da miséria e da exclusão social. Governos que tentaram manter esse modelo caíram, sucessivamente, um após o outro. A Bolívia, o Equador e a Argentina foram os países em que os movimentos sociais mais conseguiram derrubar governos que teimaram em manter e reproduzir políticas neoliberais. No Equador, os movimentos indígenas protagonizaram mobilizações nacionais que levaram à renuncia de três presidentes da República. Numa das vezes, apoiaram um candidato que havia se comprometido com suas causas Lucio Gutierrez , mas que, tão logo fora eleito, e ainda antes de tomar posse, foi a Washington e se comprometeu com medidas radicalmente opostas às de sua campanha. Esse golpe se refletiu duramente na Conaie, a Confederação de movimentos indígenas. Mas ela soube se recuperar a tempo de, unida a outros movimentos sociais urbanos, derrubar Gutierrez. Mais recentemente esses movimentos lograram inviabilizar a assinatura do Tratado de Livre Comércio que o vice-presidente de Gutierrez, Alfredo Palácios, depois de breve período progressista, estava para assinar com o governo dos EUA. As mobilizações populares impediram esse ato, reivindicando uma consulta nacional sobre o tema, assim como a expulsão da empresa norte-americana Occidental e a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Como reflexo dessas mobilizações, a assinatura ficou postergada e o governo de Palácios decidiu expulsar a empresa de petróleo norte-americana, que havia repassado a outras empresas, ilegalmente, as concessões que dispunha. Como resposta imediata, Washington retirou a proposta de Tratado de Livre Comércio, consumando-se assim uma importante vitória dos movimentos sociais equatorianos. Com a
proximidade das eleições presidenciais, em outubro, desta
vez a Conaie e o movimento político Pachakutik resolveram não
delegar mais sua representação política, e lançaram
a candidatura de seu mais importante dirigente político Luis Macas
à presidência da República. Sua plataforma recolhe
exatamente as reivindicações históricas do povo equatoriano
convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte,
supressão definitiva da possibilidade de assinatura do TLC, nacionalização
dos recursos naturais do país, além da expulsão definitiva
da empresa Occidental.
Com posições
como as da Conaie e do Pachakutik no Equador, e da CTA na Argentina, na
direção da que tomaram os movimentos sociais bolivianos e
o MAS, a luta por um projeto hegemonia alternativo, por um projeto pós-neoliberal,
ganha novos contornos, agora protagonizados diretamente pelas forças
sociais que lideraram a luta de resistência ao neoliberalismo. Agora,
na hora de formular e colocar em prática as alternativas de governo,
cabe a essas mesmas forças, com suas traduções no
plano político, desempenhar o papel fundamental.
------------------------------------------
|