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Selo Karmim lança disco em comemoração aos 80 anos de Thiago de Mello ------------------------------------------
Discos de poesia falada são raros por si só. Mas A Criação do Mundo, além de pontuar uma data especial, marca também o retorno do poeta ao disco. Sua última experiência nesta linha ocorrera em 1992. Depois do sexto disco, Thiago lançou o livro De Uma Vez Por Todas, em 1996, e declarou que não mais publicaria livros de poesia. “Não publicarei, mas a poesia não me abandonará”, emendou, em entrevista concedida ao também poeta Fabrício Carpinejar. A promessa não tardou a ser quebrada. Poucos anos depois surge Campo de Milagres, livro que dá ao poeta seu segundo Prêmio Jabuti. O CD A Criação do Mundo é obrigatório para quem gosta de poesia. E, sobretudo, para quem gosta de ouvir poesia. Declamados pelo próprio autor, os poemas ganham sua real dimensão — que em Thiago de Mello é continental, amazônica, grandiosa. Se qualquer tentativa de síntese da obra do poeta irá esbarrar na injustiça da escolha pessoal, a seleção que integra o disco (feita pelo poeta e pela produtora Carminha Guerra) dá uma idéia geral do viés mais engajado de seu testemunho escrito. Inicialmente seriam gravados 20 poemas. A emoção no estúdio acabou levando aos 32. Os destaques são os inéditos Amor Sem Fim (dedicado à sua mãe, Dona Maria), A Lição das Águas (ao filho Manduka) e A Criação do Mundo (interpretado pelo jornalista Armando Nogueira).
Preso e torturado pelo regime militar, exilou-se no Chile. Lá conheceu Pablo Neruda, de quem se tornaria amigo e tradutor. A época de repressão generalizada pela América do Sul acentuou-lhe a revolta poética e seu já apurado senso de justiça. Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida, o livro, rendeu-lhe, em 1975, o Prêmio de Poesia concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e apresentou-lhe internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos. Aos 80 anos, Thiago de Mello é reconhecido, sobretudo nos países latino-americanos, como um dos maiores nomes vivos da poesia de caráter social. Sua obra está repleta de livros engajados, cujos poemas tomam declaradamente o partido dos pobres e dos oprimidos do mundo: Faz Escuro Mas Eu Canto (1968), Os Estatutos do Homem (1973) e Canto do Amor Armado (1975) - só para citar os três trabalhos mais populares e traduzidos de sua bibliografia. Campo de Milagres (1998) trouxe com força a preocupação ecológica em sua poética. “Para
fazer algo em defesa da humanidade é preciso, em primeiro lugar,
que cada um de nós faça alguma coisa por este planeta tão
degradado; a Terra flutua no espaço como um pássaro em extinção”,
declarou o poeta, na ocasião do lançamento do CD, em São
Paulo. Thiago de Mello joga no time dos que Bertold Brecht classificou
de “imprescindíveis”. O CD A Criação do Mundo
celebra o ponto mais alto da carreira de um poeta comprometido com o Brasil
e com a humanidade.
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