.Agência
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#.ECONOMIA
INTERNACIONAL
Nota
da AEPET sobre o gás da Bolívia
A
Associação dos Engenheiros da Petrobrás, com a autoridade
de ter sido a maior voz que se manifestou, com veemência, contra
o projeto e o contrato do gasoduto Bolívia-Brasil da forma como
foi concebido, vem a público se posicionar sobre a recente atitude
do governo boliviano na nacionalização do gás e demais
instalações petrolíferas naquele país.
Fomos
contra o projeto pelas seguintes razões:
1)
Era danoso para a Petrobrás: a fim de viabilizar o mercado para
as reservas que as multinacionais Enron, Total, Shell (campo de Camisea,
no Peru) haviam descoberto na Bolívia (e Peru), a Petrobrás
foi obrigada a investir no pior projeto de sua história: o do gasoduto
Bolívia-Brasil. Ele tinha economicidade duvidosa, pois a taxa de
retorno, calculada na época por especialistas da empresa, era 10%
ao ano e o custo financeiro 12% a/a.
O contrato,
ainda, continha cláusulas leoninas contra a Petrobrás, entre
elas aquela denominada 'take or pay' que a obrigava a pagar pelo volume
de gás contratado, mesmo que não tivesse demanda para o referido
volume (a Petrobrás chegou a importar 12 milhões de metros
cúbicos por dia e pagar por 24 milhões); a Petrobrás
seria obrigada a bancar o risco cambial já que o gás era
importado em dólar e o preço dele era atrelado ao preço
internacional do petróleo; a Petrobrás seria obrigada a comprar
a energia gerada pelas usinas termoelétricas a serem construídas
(perdeu US$ 2 bilhões pagando energia das três usinas marchant
da Enron, El Passo e Eike Batista, sem que elas gerassem um único
Kilowatt).
Acabou
tendo que comprar as três usinas para estancar a sangria. Finalmente
havia dúvidas se a Bolívia tinha as reservas de gás
apregoadas. A pressão da AEPET gerou a pesquisa da Petrobrás
para comprovar as reservas e ela acabou descobrindo os campos de San Alberto
e San Antonio, cujas reservas se revelaram maiores do que as das multinacionais;
2)
Era ruim para o Brasil: para viabilizar o uso do gás o governo
FHC suspendeu os projetos de hidrelétricas em andamento, desprezando
um potencial de 120% de energia elétrica a ser gerada de forma limpa
e renovável. Iria sujar a matriz energética brasileira e
criar a dependência de um insumo energético externo, comprado
em moeda forte e controlado por transnacionais que só visam lucro.
Além disto, determinou a Petrobrás suspendesse suas pesquisas
em energia renovável como biomassa, eólica, solar e outras.
Foi extinta a Divisão de Fontes Alternativas (DIFEA). Um desastre
estratégico;
3)
Era ruim para a Bolívia: pelo fato de as reservas pertencerem
às multinacionais e o Governo Boliviano deter pouco mais de 10%
delas, o povo boliviano não teria nenhum beneficio com a exploração
da única riqueza que lhe restava. Ao contrário, iria ver
o seu patrimônio ser dilapidado pelas multinacionais, restando-lhe
apenas cerca de 30%, em impostos que seriam usados para pagar dívidas
contraídas com bancos americanos e parte do gasoduto construída
em seu território. O economista americano Jeffrey Sachs fez um plano
para acabar com a inflação boliviana e acabou com a economia
do país. Aliás, o então presidente boliviano,
Sanchez de Lozada, mentor do projeto do gasoduto, junto com FHC falava
espanhol com sotaque americano, o que é significativo.
Todas
essas agressões cometidas contra a Petrobrás e o país
tiveram maciço apoio da mídia brasileira, que também
fez uma campanha insidiosa contra a empresa e o Monopólio Estatal
do Petróleo. Inclusive, durante 25 anos, a Petrobrás foi
obrigada a importar petróleo a US$ 25 por barril e vender a 14 dólares
o barril. Nenhuma censura da mídia sobre isto. Agora ela se
arvora em arauta defensora da Petrobrás e do Brasil. Mas esta mesma
mídia aplaudiu quando o governo Fernando Henrique vendeu 40% das
ações da Petrobrás, em poder do governo, nos EUA,
por cerca de R$ 20 bilhões quando o valor real seria cerca de
US$ 100 bilhões, já que a Lei 9478, a do petróleo,
transferiu a propriedade das reservas da União para as concessionárias.
Esta mídia aplaudiu quando o governo FHC fez uma troca de ativos
com a espanhola Repsol e deu um prejuízo de US$ 2 bilhões
à Petrobras. O STJ, em decisão estranha, derrubou a liminar
do SINDIPETRO-RS subsidiada pela AEPET dando ganho de causa a Repsol, alegando
que a empresa iria perder os investimentos que não fez. Como a empresa
não respeitou a liminar, a decisão foi um beneficio ao infrator.
A mais
recente ameaça que paira sobre a Petrobrás e o país
é o Projeto de Lei 226, do senador Rodolfo Tourinho, coincidentemente,
ex-ministro das Minas e Energia de FHC, o qual, agredindo o direito constitucional
de propriedade, confisca os dutos de óleo e gás da Petrobrás
para entregá-los à ANP que os 'arrendará' para as
transnacionais e, certamente, transferirá boa parte do gasoduto
Bolivia-Brasil para a Shell e British gás, proprietárias
da Comgás, distribuidora de gás paulista, vendida pelo então
genro de FHC, David Zilberstajn, por preços-doação
praticados nas privatizações do governo FHC. Não vimos
uma palavra contrária da mídia;
CONCLUSÃO
Com a
mesma autoridade que temos criticado duramente o governo LULA na questão
energética (leilões de áreas de petróleo e
não investimento em energia renovável); na questão
econômica (juros altos e superávit primário que impedem
o crescimento, não recomposição de perdas salariais);
na questão previdenciária em que se inventa um déficit
inexistente para justificar uma perniciosa reforma (na previdência
pública não existe déficit e sim desvio das verbas
do Pis/Cofins e CSLL, criadas para a previdência, para pagar juros).
Na previdência pública o governo optou por não recolher
suas contribuições para os seus funcionários e pagá-las
em forma de salário. Agora quer dar o calote através de nova
reforma. Também discordamos profundamente do projeto de Lei 4776
que entrega terras da Amazônia para empresas estrangeiras por 40
anos, prorrogáveis, votado e transformado em Lei.
Pois é
com essa mesma autoridade crítica que afirmamos que a atitude do
governo brasileiro em relação ao boliviano está correta.
Há duas razões para essa exacerbação da grande
mídia (controlada pelo capital financeiro internacional como mostra
o escritor americano, John Perkins, em seu livro 'Confissões de
um assassino econômico', editado pela Cultrix):
I)
50% das ações da Petrobrás estão em mãos
de empresas americanas;
II) Os
EUA não querem que lideranças latino-americanas se tornem
paradigmas de nacionalismo e de defesa dos interesses do seu povo. John
Perkins mostra bem isto em seu livro quando explica o assassinato de Omar
Torrijos, que retomou o canal do Panamá, Jayme Roldós, que
nacionalizou o petróleo do Equador, Salvador Allende do Chile, Jacob
Arbens, presidente da Guatemala, que tentava impedir que a Unite Fruit,
do Bush pai, destruísse a Guatemala e outros. Na semana passada
o 'Jornal Nacional' mostrou a secretária Condoleeza Rice vociferando
ameaças de intervenção militar em paises da América
Latina, de cujos recursos naturais não renováveis os EUA
dependem profundamente, mas não querem pagar o justo valor.
A
AEPET considera a soberania um valor inalienável e, portanto, o
presidente da Bolívia tem o dever de defender os interesses do povo
que o elegeu através do único bem mineral que resta ao seu
país tão explorado em suas riquezas no passado. Da mesma
forma achamos que o governo LULA tem dever de defender o patrimônio
da população brasileira que o elegeu. Temos recursos minerais
abundantes, temos o maior volume de água doce do planeta que, junto
com a energia do sol, nos faz o país mais viável do mundo.
TAMBÉM DEFENDEMOS O DIREITO DE AUTODETERMINAÇÃO DOS
POVOS, HOJE TAO DESRESPEITADOS PELO PODER DO IMPÉRIO ANGLO-AMERICANO.
DIRETORIA
E CONSELHO DELIBERATIVO DA AEPET
Rio
de Janeiro, 08 de Maio de 2006
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Fonte:
Associação dos Engenheiros da Petrobrás - AEPET
Fechamento:
14/05/2006 - 22h16
Contatos:
www.aepet.org.br
Imagens:
--
Ref.
http://www.consciencia.net/2006/0514-aepet-bolivia.html
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