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Ali Babão e os quarenta ladrões
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Por Petrônio Souza Gonçalves, 18/4/2006


Quem conhece bem a fábula, lembra-se que Ali Babá era um homem simplório, trabalhador, e que quando descobriu a caverna da perdição, aquela que abrigava os tesouros roubados pelos 40 ladrões, tornou-se pior que todos eles. Falseou, mentiu, escondeu-se e matou. Fritou muitos. Tornou-se um ladrão pior que os outros, pois roubava o que era roubado por eles, nunca revelou sua verdadeira identidade para as suas vítimas. Depois, quando já estava rico, foi se negando, enganando a todos, tentando esconder a sua verdadeira história. Tornou-se um babão, um deslumbrado pelo brilho dos cristais e pela solidez do ouro. Nunca mais saiu da mira dos ladrões, que nunca conseguiram o esquecer. Para se proteger, contava com a ajuda providencial da sua criada, daquela que estava sempre pronta para servi-lo, para protegê-lo.

Assim viveu, assim morreu, assim tornou-se história. Tornou-se fábula.

No Brasil das 1001 noites de pesadelos, o PPS acordou assustado do pior deles e gritou alto, em nota divulgada pela imprensa, para todo mundo escutar: "O núcleo central do governo Lula, lideranças do PT e de partidos aliados, além de empresários executivos de estatais e servidores públicos, formaram uma quadrilha criminosa que assaltou o Estado, com o intuito de se perpetuar no poder". "O PPS entende que o impeachment do presidente volta à ordem do dia e se impõe a necessidade de um debate sobre sua utilização, como instrumento de afirmação democrática e respeito às instituições republicanas". "Na verdade, Lula está presente em todo o processo como o comandante maior de um governo corrupto".

"No presidencialismo, a responsabilidade pelos atos políticos e administrativos é do presidente da República. Cabe, portanto, a Lula responder pela ação criminosa praticada dentro do aparelho estatal. Até porque a quadrilha era formada pelos seus principais ministros e por dirigentes nacionais em seus partidos. É impossível excluir o presidente".

Bom, o que sabemos é que de burrico em burrico as nossas riquezas foram sendo surrupiadas madrugada adentro. O que não cabia nas malas foi até levado em cuecas... Nunca saberemos realmente o que foi feito dentro da caverna das grandes riquezas. Até agora, os 40 ladrões já foram identificados pela Justiça e abatidos pela opinião pública. O Ali Babá dessa história, os ladrões sabem bem que é. Falta agora agarrá-lo e confiscar todas as riquezas surrupiadas por eles durante as madrugadas.

Não sei por que fui me lembrar agora da célebre frase que diz “que a vida imita a arte, mais do que a arte à vida”!
 

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Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. Email: belooriente@cidademais.com.br

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