curitiba 2006
“Não queremos
representantes, queremos o direito a falar”
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Comunidade
indígena ganha palavra durante plenária da COP8 sobre acesso
e repartição de benefícios. Por Paula Batista, de
Curitiba, para a Revista Consciência.Net em março de 2006
A
Noruega, país que desde a MOP tem deixado claras suas intenções
de preservar o país livre de OGMs, durante a tarde de ontem (21/3),
na discussão oficial do Grupo de Trabalho II sobre acesso e repartição
de benefícios, exigiu das Partes que a comunidade indígena
representativa pudesse se pronunciar.
Diante
desse pedido, e do apoio de Cote D'Ivoire e Equador, o presidente da mesa
cedeu a palavra à representante que disse: "As comunidades locais
e indígenas se preocupam com a proteção dos seus conhecimentos
tradicionais e seus produtos, criados a partir da sustentabilidade do que
a natureza lhes oferece. Não é porque não nos posicionamos
até agora, que não nos preocupemos com isso. Ao contrário,
nós estamos 'gritando' e não estamos sendo ouvidos. Nós
achamos que é preciso que nós mesmos nos representemos, e
não a comunidade técnica, porque eles não conhecem
nossa realidade, nosso dia-a-dia, por isso não podem decidir por
nós, sobre a nossa biodiversidade, nossas águas, flora e
fauna".
| Após
esse pronunciamento, as Partes também apoiaram a postura da Noruega
em estabelecer um órgão inter-governamental de negociação,
como indício de convergência entre as posições
dos países em vias de desenvolvimento e desenvolvidos.
Outras
entidades como a Organização Mundial para a Agricultura e
Alimentação (FAO), a União Internacional para a proteção
de novas variedades vegetais (UPOV – sigla em inglês), Organização
Mundial da Propriedade Intelectual, Grupo Consultivo sobre Investigação
Internacional Agrícola e a Universidade das Nações
Unidas também colocaram suas posições sobre a criação
desse regime internacional proposto pela Noruega. |
| “nós
[povos indígenas] estamos 'gritando' e não estamos sendo
ouvidos. Nós achamos que é preciso que nós mesmos
nos representemos, e não a comunidade técnica, porque eles
não conhecem nossa realidade” |
|
|
.A
China pediu que se aumentem as condições de participação
dos países em desenvolvimento para participar dessas negociações,
levando o Equador a pedir espaço para uma participação
eqüitativa do país. A União Européia, ao final
do encontro, se posicionou a favor da participação efetiva
da comunidade indígena nas discussões oficiais da Convenção
sobre a Biodiversidade, levando Camarões a dizer que essa participação
deve ser, então, equilibrada entre as regiões onde eles vivem.
Argentina levantou polêmica afirmando que a participação
indígena deve estar restrita às discussões nacionais.
Ao final,
para assegurar o reconhecimento dos direitos indígenas e financiamento
claramente destinado à sua participação, no GT sobre
acesso a recursos genéticos e participação de benefícios,
a Nigéria, Tuvali, a FIIDB e a Coalisão Florestal Mundial
solicitaram o firmamento das propostas de participação e
o reconhecimento internacional dos direitos humanos e indígenas.
Para
"quebrar" o clima tenso...
Durante
a reunião, com o clima tenso e, para motivar mais países
a se pronunciar, o presidente da mesa do GT-II fez o seguinte convite:
"Gostaria de dar espaço para que o Brasil se pronuncie sobre os
assuntos aqui levantados". A resposta da representante brasileira: "Agradecemos
Senhor Presidente, mas gostaríamos de ouvir mais sobre a posição
dos outros países".
Presidente:
"O Brasil se recusou a mergulhar na minha água. Alguém mais
gostaria de pular na minha piscina? E dar uma voltinha? Prometo que não
vou morder!" A África levanta a placa para falar e o presidente
diz: "A África é corajosa e prova que a água da minha
piscina é inofensiva".
E o Brasil?
Bem, o Brasil ficou com medo de pular na piscina...
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