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questão
Quando a falta de bom senso fala mais alto ------------------------------------------
Com isso, a Globo nutre uma falsa esperança de que é possível ganhar prêmios de forma mirabolante e – pior – humilha uma trabalhadora que, por amor aos filhos, se desespera e faz qualquer coisa – até mesmo jogar dardos por dinheiro, ao vivo, para milhões de brasileiros. É o desemprego estrutural, um problema cuja solução é – pelo menos para os astutos produtores do programa de Huck – tentar reafirmar que uma classe poderosa, detentora de grande poder, é “amável” o suficiente para doar migalhas para alguns dos pobres coitados da plebe e, ainda por cima, achar que está fazendo caridade. Prisioneiros da ilusão O comportamento da elite ante a “classe inferior” já passou por muitas mudanças históricas. Com o fim do escravismo legal, por exemplo, os fazendeiros paulistas tiveram de passar por um processo de adaptação ao trabalhador livre. A História do século XX nos ensina que muitos trabalhadores “assalariados” sofreram maus-tratos e raramente viam a cor do dinheiro. O pagamento ao qual tinham direito não passava, por vezes, de uma quantia hipotética, representada por vales - um valor descontado pelas compras que eram obrigados a fazer nos armazéns das fazendas. Muitos imigrantes – trazidos de países como Itália, Japão etc – se endividavam para obter gêneros de primeira necessidade e viam-se obrigados a permanecer na fazenda até saldarem suas dívidas. Nos tempos
atuais, a “prisão” é quase que inteiramente simbólica.
Acorrentados na ilusão dos “prêmios” – que, no caso de algumas
“caridosas” transnacionais de alimentos, são tirados da própria
produção, tal como nos armazéns das fazendas -, milhares
de pessoas que continuam a enviar cartas para tais programas e apostar
semanalmente em lotéricas se configuram como nossos escravos modernos.
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