| reportagem especial
A Monocultura Midiática ------------------------------------------
Não só os movimentos campesinos são ameaçados pela produção de monoculturas como eucalipto, soja, cana-de-açúcar e a agropecuária. As comunidades indígenas são literalmente expulsas de suas terras quando se estabelece a grilagem e a corrupção dos meios de fiscalização, em qualquer parte do território Brasileiro. A monocultura é uma típica política colonialista que impede o desenvolvimento de trabalhadores, como camponeses familiares autônomos, ao impor um alto custo de produção com retorno econômico de alto risco. Não pense que camponeses existem somente no interior do país. Não pense que os índios estão restritos às florestas. Enquanto os hectares destinados à monocultura se expandem com apoio do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, todas estas pessoas são empurradas para as cidades na esperança de uma melhor condição de vida. A história é antiga. Desde a 'Revolução Verde', o processo agroindustrial moderno, propagandeado intensivamente dos anos 70 em diante, encheu as cidades de todo o planeta. Não acredite que o processo era necessário. A agricultura familiar ainda é responsável por 70% dos alimentos que o brasileiro tem no prato. A duras penas, as famílias camponesas brasileiras resistem, com as mãos sujas de terra e os dedos calejados. Elas não possuem os mesmos mecanismos de incentivo direcionados à monocultura de larga escala. Eucalyptus globulus, uma árvore imperialista Neste
caso, o problema está no eucalipto, não somente na monocultura.
A espécie é nativa da Austrália e sua expansão
é controlada por vorazes coalas que apenas se alimentam de suas
folhas. O eucalipto tem a característica de sugar rios, nascentes
e lençóis; a plantação exclusiva de eucalipto,
sem o controle biológico de coalas, representa a desertificação
do território e a árvore acaba reinando soberana.
Plantando armas Por mais
que nos façam crer que o crescimento do país só acontecerá
com a agricultura intensiva, o modelo agroindustrial, que retira a subsistência
das famílias rurais, é a base da economia de guerra que países
como os EUA necessitam para se manter. A quantidade de insumos químicos
despejados nos países em desenvolvimento, a maquinaria moderna e
o uso intensivo de energia para produção de alimentos foram
as estratégias de arrecadação de verba e a maneira
de controlar a economia desses países.
A sociedade do petróleo está com seus dias contados. Esta mesma indústria investindo na biodiversidade é conseqüência do fim deste capítulo. O que não muda no enredo é o pensamento de dominação de pessoas sobre outras pessoas. A industrialização da vida está criando e utilizando este mesmo procedimento para impedir que 70% de nossa alimentação seja produzido por pessoas que não conferem 100% do lucro a uma dúzia de acionistas. Para eles a resistência de 70% de um mercado é uma parcela muito grande. Então vale a pena brigar por ela. Uns com a pá e outros com tratores. Ao invadirem o laboratório destruindo as sementes, as trabalhadoras rurais expressaram seu repúdio ao modelo econômico que lhes têm roubado o sustento e a própria vida. No entanto, a ação das Sem Terra tem sido veiculada pelos telejornais como a grande imprensa fazia no início do século XX: um caso de polícia. Essas
observações são óbvias para qualquer jornalista
agrário que tenha dois neurônios e uma ligação
entre eles. Entretanto, parece que na redação dos telejornais
diários a preocupação com a ética e a vida
não estão presentes, e sim os valores do agrobusiness.
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