.Agência
__________________________________________________________
Editoria:
DIREITOS HUMANOS / PE
Ação
de genocídio: Jovens negros são torturados e mortos por policiais
militares em Pernambuco
“Foram
parados porque pensaram que eram bandidos. Essa é a expressão
utilizada pelos jovens agredidos por policiais militares de Pernambuco,
em madrugada de carnaval. A prática de “defesa social” foi abordar
grupos de jovens negros, colocá-los em camburão, espancá-los
e jogá-los na maré (...)” A nota é do Observatório
Negro, em março de 2006
Foram
parados porque pensaram que eram bandidos. Essa é a expressão
utilizada pelos jovens agredidos por policiais militares de Pernambuco,
em madrugada de carnaval. A prática de “defesa social” foi abordar
grupos de jovens negros, colocá-los em camburão, espancá-los
e jogá-los na maré. Fariam isso silenciosamente diante da
apatia pública, se Diogo, 15, e Zinael, 17, não tivessem
morrido em decorrência da agressão e se tornado um triste
exemplo do genocídio cometido contra o povo negro no Brasil.
Os jovens
agredidos são negros, andavam em grupos e foram “confundidos com
bandidos”. Por isso, atacados pela Polícia Militar. Essa lógica
assassina da cultura repressiva brasileira – negro é bandido, logo
deve ser morto – demonstra duas premissas do policiamento em nosso país:
a naturalização do extermínio e a criminalização
do negro, que, pela construção racista de estereótipos
e estigmas raciais, é abordado, humilhado, espancado e em grande
número, como dois desses jovens pernambucanos, assassinados.
A juventude
masculina negra é o principal grupo vulnerável à violência
urbana e policial, representando a maioria das vítimas de tortura
e de homicídio, assim como é o segmento feminino negro o
principal grupo vulnerável à impunidade da violência
sexista, traduzida na omissão estatal quanto à defesa social
das mulheres negras vítimas de violência doméstica,
bem como na omissão quanto à saúde pública,
em que são as mulheres jovens negras as maiores atingidas pela ausência
de políticas de direitos sexuais e reprodutivos. Sendo traçado
um diagnóstico concreto, em que o quesito raça/cor delineie
os números reais dessas várias formas de violência
racial, teremos a comprovação daquilo que sempre denunciou
o movimento negro: vivemos sob um verdadeiro genocídio contra o
povo negro brasileiro, de acordo mesmo com o conceito da Convenção
da Assembléia da ONU. É justamente por isso que tantas pessoas
e instituições resistem à implementação
do quesito raça/cor nos serviços públicos de segurança,
saúde, educação, dentre outros.
Ainda
mais, tal lógica assassina, diante dos estigmas raciais que querem
criminalizar o negro, associa o genocídio à justificação
de outra violação de direitos humanos: a ação
de extermínio contra a parcela da população excluída
em conflito com a lei.
No início
de fevereiro deste ano, o chefe da Polícia Civil/PE, Aníbal
Moura, criticou as entidades de direitos humanos porque estas solicitaram
informações sobre um suposto linchamento popular que culminou
na morte de um rapaz – negro – que participara de um assalto e do homicídio
de um policial. Levado quase desacordado à prisão, não
resistiu ao espancamento e morreu sob a tutela do Estado. Questionada a
ação da polícia, Aníbal Moura declarou publicamente
que as entidades estavam defendendo bandidos, assumindo este, no mínimo,
uma defesa implícita da justiça pelas próprias mãos.
Não
nos surpreenderemos se a ação dos policiais pernambucanos
nesse carnaval, que atacou dezenas de jovens negros nos vários dias
de folia, por julgarem-nos bandidos, espancando-os e resultando em assassinato,
tenha sido uma decorrência do fundamento de impunidade em que essa
declaração consiste. A ofensa do chefe da Polícia
Civil/PE contra as entidades de Direitos Humanos, por estas quererem conhecer
das condições de morte de um jovem que cometera um crime
e que estava sob a guarda de agentes da segurança pública,
é uma ofensa ao devido processo legal, à Constituição
Federal, ao suposto e idealizado Estado Democrático de Direito que
nunca foi realmente constituído em terras brasileiras.
Temos,
portanto, o desafio de reconhecer que estamos em plena operação
de um Estado com elementos ditatoriais, em que há um grupo vulnerável
bem definido para a ação de extermínio, de genocídio,
de repressão policial e de exclusão socioeconômica:
a população negra, com especificidade à sua juventude
e às mulheres, continua, desde quinhentos anos atrás, a ser
oprimida por um Estado segregador, desigual e violador de direitos humanos
em todas as suas dimensões.
Igualdade
Racial começa com o direito à vida: basta de genocídio
do povo negro brasileiro. Exigimos a completa apuração do
fato e a devida responsabilização dos criminosos que, com
a farda da Polícia Militar, atentaram contra a juventude negra pernambucana
nesse carnaval.
Recife,
03 de março de 2006
Observatório
Negro
__________________________________________________________
Fonte:
Observatório Negro - ONEG
Fechamento:
09/03/2006 - 21h20
Contatos:
--
Imagens:
--
Ref.
http://www.consciencia.net/2006/0309-pe-dh.html
__________________________________________________________
Lembre-se
que você tem quatro opções de participação:
(I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação;
(IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar, responda solicitando.
Publicidade
.
__________________________________________________________
www.consciencia.net/agencia
|