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questão
Lições vivas de um passado que agoniza ------------------------------------------
Uma destas facções decidiu expor seu sentimento antipovo - próprio do velho caudilhismo que tanto prezam – ao interpretar que o patrocínio de uma empresa petrolífera a uma manifestação popular brasileira, oriundo de um desses países que decidiram romper com o atraso secular, sob o foco da nossa tão profunda unidade latino-americana, era apenas “outra demonstração de egolatria” (sic). Como morador de Vila Isabel e, portanto, admirador da cultura popular, não acho justificável responder ao caudilho-barra-editor deste jornal de grande circulação. O povo não é burro de comprar tão desprezível e insensível tese. Não preciso também dizer a alguém que se emocionou com sua origem – ao resgatar, na avenida e na TV, a História comum de gente comum – que a PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana, não é uma “extensão de sua [Hugo Chávez] conta bancária”, porque igualmente ninguém é tão maniqueísta e simplista assim para ‘comprar’ (grifo comprar) tal ignorância e desprezo pela mínima investigação jornalística. Também não precisamos ser gênios para, mais uma vez, identificar o típico editor de grande imprensa que acha seu leitor um burro. (O próprio escreve: “E quantos componentes da escola e entre os 60 mil que lotavam a Marquês de Sapucaí sabem o que significa "revolução bolivariana"?”) Cabe, no entanto, deixar no ar a seguinte pergunta: quanto o referido jornal recebe dos maiores bancos e multinacionais do mundo – que chegam a pagar duas páginas inteiras de anúncios semanalmente - para produzir – atenção, sem conexão entre causa e conseqüência, apenas mera afinidade – editoriais com tal teor? Entristece-me, no entanto, não esta gorda recompensa que a imprensa destrutiva latino-americana recebe dos mais altos representantes do capital especulativo e concentrador de renda. Mesmo os tais “argumentos”, como muitos dos jornalistas populares sabem, agonizam no campo das idéias e estão com seus dias contados. Mas é
exatamente no campo das idéias, dos sonhos, da cultura, que reside
a minha própria agonia. Enquanto um movimento crescente de seres
humanos vibra e canta com as vitórias do sentimento contra a financeirização
da vida; da volta da força dos povos originários contra a
sociedade desalmada que crê no Deus-mercado; da humanização
das relações humanas e até mesmo institucionais contra
o sectarismo e a decadência das práticas e vivências
capitalistas; enfim, enquanto tudo isso acontece, com destaque para as
vibrantes manifestações populares, autênticas, na Bolívia,
na Venezuela e em muitos outros países, temos aqui, entre nossos
caudilhos, o elogio do atraso, a preservar figuras históricas que,
por bem ou por mal, nos fazem aprender muito sobre nosso passado.
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