| opinião
G-8 a Caminho da Conferência de São Petersburgo: Desafios, Possibilidades, Responsabilidade ------------------------------------------
Propomos a parceiros concentrarmos nos três temas sérios e atuais – a segurança energética global, a luta contra as doenças contagiosas e a educação. Estas prioridades visam atingir o objetivo que é compreensível, conforme queremos crer, para todos os nossos parceiros, – aumentar a qualidade e o nível de vida das pessoas, tanto da geração atual como das futuras. * *
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Temos a intenção de procurar decididamente alcançar o objetivo de que durante a Presidência da Rússia seja possível não só elaborar atitudes básicas visando superar os problemas correntes neste domínio, mas também definir a nossa política concertada para a perspectiva. A instabilidade nos mercados de produtos hidrocarbônicos está a criar hoje uma ameaça real para o fornecimento global da energia. Nomeadamente, aumenta a discrepância entre a procura e a oferta. É evidente o crescimento do consumo dos recursos energéticos nos países da Ásia. Tal situação resulta não só das “oscilações“ da conjuntura econômica, mas também de uma série de outras causas que se situam na área da política e da segurança. Para “equilibrar” a situação neste domínio é necessário que toda a comunidade internacional trabalhe em coordenação. O ponto
de partida desta nova atitude dos países líderes mundiais
deverá ser o reconhecimento do fato de, já que o ramo energético
tornou-se global, a segurança energética é indivisível.
O destino energético comum significa a responsabilidade comum, os
riscos e as vantagens comuns.
Neste contexto a Rússia pronuncia-se a favor de uma conjugação mais estreita de esforços do “G-8” e de toda a comunidade internacional com vista a dominar tecnologias de inovação. Isso poderia constituir a primeira etapa na criação de uma base tecnológica para o abastecimento da energia para a humanidade do futuro, quando acabar em termos gerais o potencial energético na sua forma atual. A elaboração de uma atitude sistêmica em relação ao aumento da eficiência energética do desenvolvimento econômico e social também servirá para a segurança energética global. Os passos importantes nesta direção foram feitos pelo “G-8” no ano passado em Gleaneagles. Trata-se, antes de mais, da aprovação do Plano de Ação que visa incentivar as inovações, a poupança da energia e a proteção do meio ambiente. Consideramos ter a importância de princípio que sejam envolvidos nas iniciativas do “G-8” e, nomeadamente, na implementação do documento aprovado em Gleaneagles, os países que não fazem parte do “G-8”, especialmente os estados que estão em vias de rápido crescimento e industrialização. No entendimento
da maioria, a segurança energética está principalmente
ligada aos interesses dos países industriais desenvolvidos. Todavia
não se deve esquecer que atualmente cerca de 2 mil milhões
de pessoas no nosso planeta não recebem serviços energéticos
modernos. E muitos nem sequer têm possibilidade de utilizar energia
elétrica. Eles são, de fato, privados de acesso a muitos
bens e frutos da civilização.
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A Rússia tem a intenção de propor dinamizar o trabalho nesta vertente. Inclusive aprovar um plano operacional de ação do “G-8” na luta contra a “gripe das aves” e na prevenção de uma nova pandemia da gripe humana. Em geral, o “G-8” não pode e não deve estar fora de problemas de tão grande escala como a luta contra as doenças infecciosas. A diferença existente nos níveis do desenvolvimento dos sistemas de saúde pública, bem como as possibilidades financeiras e o potencial científico desiguais na área da luta contra epidemias estão na base da distribuição desigual de recursos globais destinados à luta contra as infecções. Propagando-se
com uma intensidade diferente em diversas regiões do mundo, as doenças
contagiosas mostram de forma clara, como um indicador, os problemas sociais
e econômicos, reforçam a desigualdade social, contribuem para
a discriminação. Deste modo, é extremamente grave
o problema das pessoas infectadas com o vírus HIV e outras doenças
perigosas, os quais de fato tornam-se excluídos e, além da
sua doença, enfrentam dificuldades de adaptação à
vida plena na sociedade.
A causa de muitas doenças em massa está também nas tais chamadas crises humanitárias, ligadas nomeadamente a conflitos militares. Um dos seus resultados é que cresce consideravelmente a ameaça de surgimento de focos epidemiológicos. Estou convicto que o “G-8” tem condições para consolidar os esforços internacionais na solução de situações de emergência semelhantes, dar um forte impulso à interação multilateral neste domínio. E, com certeza, é necessário que o “G-8” continue também no futuro a contribuir para o incremento do potencial científico, unir os recursos intelectuais e materiais da comunidade internacional para a criação de novas vacinas seguras, de meios promissores de diagnóstico de alta precisão de doenças infecciosas, de realização de programas de prevenção e esclarecimento. * *
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O acesso ao espaço de informação global muda de raiz as próprias metodologias de ensino. Passa-se à formação contínua. Estão a formar-se as condições prévias para a formação de um espaço educativo comum. Está claro que essas tendências ganham força em primeiro lugar nos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo em muitos estados e regiões continua a agravar-se o problema de acessibilidade mesmo do ensino primário. Vemos isso como uma verdadeira “catástrofe humanitária”, como uma séria ameaça para a comunidade mundial. É que a iliteracia em massa é o meio que alimenta os ideólogos da cisão intercivilizacional, da propaganda da xenofobia, do extremismo étnico e religioso. No final das contas – das atividades terroristas internacionais. Em vista disso, é importante formular uma atitude mais ampla e sistêmica para com a educação tanto nos países em desenvolvimento como no mundo em geral. Nomeadamente, para resolver com sucesso o problema de emprego, o termo “educação” talvez deveria incluir não só a preparação geral, mas também técnica e profissional, abrangendo todos os níveis de ensino – do primário até o superior. Nas condições de uma crescente mobilidade da população do nosso planeta e de um aumento constante dos processos migratórios ganha especial importância o problema da “adaptação” num outro meio cultural. É evidente que é a educação que pode assegurar a adaptação social recíproca de diversos grupos culturais, étnicos e confessionais. Por isso é preciso dar especial atenção à modernização de sistemas educativos visando cumprir estas tarefas tento nos países desenvolvidos como nos em vias de desenvolvimento. Muitos países em desenvolvimento sentem sérias dificuldades na implementação de métodos avançados de ensino e das tecnologias de informação. Em vista disso, no domínio da educação, é necessário utilizar uma forma mais produtiva os recursos mais modernos, incluindo Internet e outros novíssimos meios de divulgação da informação e de conhecimentos. Uma conversa frutífera sobre este tema teve lugar em novembro do ano passado na Tunísia no decorrer da segunda etapa do Encontro mundial sobre a sociedade de informação, cujas conclusões estamos a analisar com atenção e temos a intenção de aproveitar. A Rússia está disposta a contribuir para a junção dos esforços da comunidade mundial visando aumentar a qualidade e a compatibilidade dos requerimentos para com o ensino profissional como uma condição-chave para a utilização e a divulgação de inovações. É nos interesses de todos os sujeitos do desenvolvimento econômico global, do mercado internacional de trabalho em geral. A abertura dos institutos de ensino face os requisitos dos setores de alta tecnologia constitui uma condição necessária da competitividade das economias nacionais. * *
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Bem compreendemos que nenhum país-presidente está em condições de dar respostas exaustivas para os problemas do mundo contemporâneo em discussão no “G-8”. Ao mesmo tempo, de Cimeira a Cimeira, em resultado do trabalho coletivo o “G-8” ganha uma visão cada vez mais nítida destes problemas e intenta descobrir atitudes mais eficientes para solucioná-los. A Rússia
está disposta a contribuir ativamente para o maior avanço
neste caminho. A continuidade e a evolução são um
lema da Presidência da Rússia que está a começar.
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