violência estatal
Anistia condena política de segurança do Rio de Janeiro
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Lista de casos de violência policial..
Imagem: Ratão Diniz/Observatório de FavelasDo jornal Q!, 28/11/2005


A emoção marcou o encontro de familiares de vítimas de violência policial com o representante da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill, no Conselho de Moradores da Vila do Pinheiro (Comovip), na Favela da Maré, sábado pela manhã. Promovido pela Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência (REDE), o encontro foi dominado por relatos de execuções e mortes causadas por incursões dos blindados da polícia, como o Caveirão. No dia 2 de dezembro, a Anistia lançará um relatório sobre violações dos direitos humanos feitas por policiais no Brasil. “Não se pode acreditar em uma política de segurança baseada em violações”, sintetizou Cahill.

Aprofundando a idéia de tomar o Caveirão como símbolo de abusos, a REDE vai elaborar um dossiê sobre vítimas de violência policial, com relatos de familiares e reportagens publicadas. Os integrantes pretendem realizar um documentário sobre os casos e iniciar um abaixo-assinado propondo suspender o uso do Caveirão nas favelas do Rio de Janeiro. “O documento já existe, mas restrito às comunidades. Vamos extrapolar esse limite. A Anistia Internacional se propôs a coletar assinaturas fora do Brasil e a Justiça Global vai centralizar a coleta”, disse Marcelo Freixo, da ONG Justiça Global.

A reunião terminou com o relato da aposentada Cleonice da Silva Barbosa, 66 anos, de Belford Roxo, mãe do auxiliar de topografia Alberto da Silva Barbosa, 25, morto a tiros no dia 13 de novembro. A família diz que PMs o executaram pensando ser um assaltante. Na verdade, Alberto teria sido levado junto com seu carro por ladrões, que depois fugiram. “Meu filho foi vítima de execução covarde. O pai dele era um bom policial. Meu filho ia pedir ajuda, mas os policiais o mataram com quatro tiros”, contou, chorando.
 
“Olha o que vocês fizeram com meu filho!”

“Meu filho se chamava Carlos Henrique Reis da Silva e tinha 11 anos. Adorava esportes, amava futebol. No dia 3 de julho, por volta das 23h30, voltávamos de uma festa. Éramos cinco num carro: três crianças no banco de trás, com meu filho sentado no meio. Eu estava no banco do carona, meu amigo George dirigia o carro. Estacionamos perto do parque de diversões montado no Salsa e Merengue (favela na Vila do Pinheiro), onde estava acontecendo uma festa junina.

Quando paramos, um carro apareceu do nada, e bateu forte na gente. Fomos jogados pra frente, e nem vi o carro, que fugiu. Ninguém ficou ferido. Mais ou menos um minuto depois, ouvi tiros. Eu disse: “George, fui ferido!” Escureceu tudo, e eu desmaiei. Fiquei uns três minutos desacordado. Quando acordei, gritei pelo meu filho. Vi que ele estava deitado no banco de trás. Saí do carro e chamei, ele não respondeu.

Quando o peguei no colo, só vi os olhos dele, a parte de cima da cabeça tinha sumido. Os miolos estavam espalhados pelo banco. Quando me virei para a rua, vi o Caveirão. Um policial de fuzil na mão vinha na minha direção. Na certa ia me executar. Quando me viu com meu filho no colo, ficou parado. Gritei: “Olha o que vocês fizeram com meu filho!” O policial correu de volta pro Caveirão gritando: “Fizemos m... vamos embora daqui!” Carlos Alberto da Silva, morador da Vila do Pinheiro, Maré


Vítima e assassino

Continua na Delegacia de Proteção à Criança o assassino de Gabriel Mariguetti dos Santos, de 19 anos, morto na noite passada em Laranjeiras. Gabriel conversava com alguns amigos na esquina das ruas Laranjeiras e Pereira da Silva, às 21h30, quando foi abordado pelo rapaz de 16 anos conhecido como Tartaruga Ninja. Logo após o disparo, os amigos da vítima perseguiram o assassino, que acabou preso por policiais que perceberam o tumulto. O rapaz tinha um revólver calibre 38.

O enterro de Gabriel estava marcado para as 16h de hoje, no cemitério São João Batista, em Botafogo. Segundo amigos da vítima, a confusão começou dias atrás, quando o irmão de Gabriel, Felipe Mariguetti dos Santos, de 15 anos, teve um tênis e um discman roubados por “Tartaruga Ninja”. No sábado, Gabriel reconheceu o assaltante do irmão e tentou tomar satisfações, mas o garoto fugiu. No dia seguinte, o ladrão teria atirado em Gabriel.O acusado mora no Morro Santo Amaro, no Catete, e, de acordo com amigos da vítima, costumava assaltar as pessoas que transitavam pelo Largo do Machado. A polícia confirmou que ele foi autuado duas vezes por motivo de roubo. No seu perfil no site de relacionamentos Orkut, ele se mostrava preocupado com a violência e a desigualdade. “Por que matar quando podemos dar a vida? Por que nos separar quando podemos nos unir?, pergunta.
 
 


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