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Editoria:
CIDADANIA
Reciclagem
de resíduos sólidos gera emprego e renda
Experiências
bem sucedidas de organizações de catadores serão levadas
ao Encontro Internacional do Nordeste do Brasil, de 8 a 10 de março,
em Recife
O Brasil
possui hoje um exército de 200 mil catadores de lixo, homens, mulheres
e crianças que dependem exclusivamente desta atividade para sobreviver.
Deste total, 40 mil freqüentam os ambientes insalubres e totalmente
fora de controle dos chamados lixões, presentes em 65% dos municípios
brasileiros, conforme pesquisas do Ministério das Cidades. Nos centros
urbanos, a grande maioria, ou 88% destes trabalhadores, participam de cooperativas
informais, ou extremamente precárias, segundo levantamento do Movimento
Nacional de Catadores, embora esta atividade seja atualmente uma das que
concentrem maior potencial de absorção de mão-de-obra
não qualificada.
Amparada
na imensa capacidade de inclusão social das cooperativas que reúnem
catadores de materiais recicláveis e, ao mesmo tempo, objetivando
estimular a troca de experiências bem sucedidas de iniciativas de
organização de catadores em diversas cidades do Nordeste
brasileiro, a Fundação AVINA está apoiando o Encontro
Internacional do Nordeste do Brasil - Parcerias para o Combate à
Desigualdade e à Pobreza e para a Promoção do Desenvolvimento
Sustentável, que será realizado entre 8 e 10 de março
no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco,
em Recife.
Durante
o Encontro, que reunirá entidades nacionais e transnacionais e da
sociedade civil para debates sobre a ampliação das experiências
locais de desenvolvimento sustentável nas cadeias produtivas do
mel, do caju, da mandioca, das confecções e dos resíduos
sólidos, a Fundação AVINA e seus líderes parceiros
do Nordeste estarão abordando as atividades estratégicas
imprescindíveis para a organização dos catadores na
região, em especial nos estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande
do Norte. Depois desta reunião regional, a AVINA apoiará
em Brasília, na última semana de março, o inédito
encontro nacional de 750 lideranças eleitas pelos próprios
catadores em recente projeto nacional de capacitação, apoiado
pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome
em 14 estados.
Instrumento
de inclusão social
“Por possuir
um alto grau de materiais recicláveis, o lixo proporciona excelente
capacidade de geração de postos de trabalho, embora seja
uma atividade insalubre e de muito risco pela precariedade com que hoje
é realizada. E emprega trabalhadores que, no mercado formal, teriam
pouquíssimas chances por sua falta de condições de
empregabilidade. Por isso, a Fundação AVINA apóia
a organização destes trabalhadores, como instrumento de inclusão
social”, explica Federico Bellone Pavani, responsável pelo acompanhamento
das parcerias na cadeia de reciclagem da AVINA Brasil no Nordeste.
Recente
estudo do Movimento Nacional de Catadores apresentado ao Governo Federal
indica que o custo de investimento para criação de um posto
de trabalho nesta atividade é baixo, se comparado a outros setores
(R$ 4 mil per capta contra R$ 7 mil para uma micro empresa, por exemplo,
ou 30 mil na indústria da construção). Por isso o
Movimento está propondo ao Governo Federal investir R$ 170
milhões na criação e fortalecimento de cooperativas
de catadores, que gerariam cerca de 40 mil postos de trabalho e um aumento
de renda per capta que iria da situação atual de R$ 60/100
a até R$ 300/450, beneficiando um universo de 175 mil pessoas em
situação de exclusão.
O objetivo
da Fundação AVINA, ao apoiar o Movimento Nacional dos Catadores
e as experiências locais de desenvolvimento sustentável, é
aproximar as empresas de reciclagem das cooperativas de catadores, promovendo
um relacionamento direto e mais ético entre ambas as partes e evitando
a figura do intermediário, que lucra abusivamente com o comércio
do material reciclado, em detrimento dos direitos dos catadores.
“No plano
nacional, nosso objetivo é colaborar para estruturar a cadeia produtiva
da reciclagem, que envolve empresas que trabalham com papel, metal, plástico,
vidro e PET. Queremos que estas empresas ajudem os catadores a melhorar
seu desempenho para que, daqui a 10 anos, tenhamos uma parte significativa
dos materiais recicláveis procedente de empreendimentos de catadores,
e que estes trabalhadores estejam no comando de suas próprias atividades,
com condições de trabalho decentes”, comenta Federico.
Propostas
para o setor
Não
há cifras oficiais mas, atualmente, estima-se que a quantidade de
recicláveis que circula na cadeia produtiva procedentes de cooperativas
de catadores não alcança nem 5% do total. Ou seja, o fluxo
de material e capital da base à ponta da cadeia está quase
inteiramente na mão de intermediários que exploram os catadores
e que atuam à margem da legalidade.
Um bom
exemplo da situação que ele aponta pode ser obtido da análise
do quadro da reciclagem de latas de alumínio no Brasil: 96% em 2004,
taxa considerada a mais alta do mundo mas com paupérrimos benefícios
para os catadores que fizeram a maior parte do trabalho de coletar as latinhas.
“É uma atividade de alto ativo ambiental contra imenso passivo social.
Não se pode responsabilizar, no entanto, uma única empresa
por uma situação como esta, mas, sim, estimular sua articulação
com toda a cadeia em seu setor ou sua região, como por exemplo,
a criação de um fundo de compradores de papel reciclado que
priorize as cooperativas organizadas”, acrescenta.
Experiências
bem sucedidas neste sentido na Região Nordeste estão sendo
realizadas pela Companhia Industrial de Vidros (CIV) e pela From PET, que
aceitaram participar de um comitê com o Movimento Nacional de Catadores
e com as ONGs Pangea (Bahia) e ASPAN (Pernambuco), além da própria
AVINA. A partir deste comitê, estão em andamento programas
de apoio a cooperativas em Garanhuns, Palmares e Salgueiro (PE), João
Pessoa (PB) e Feira de Santa (BA).
Em Pernambuco,
o Movimento Nacional dos Catadores já está bastante articulado,
possuindo uma secretaria executiva e promovendo eventos como feira de reciclagem
e congressos estaduais de catadores, além do Fórum Lixo e
Cidadania, com o objetivo de afastar as crianças do trabalho nos
lixões e de estimular parcerias intersetoriais para dignificar o
importante trabalho realizado pelos catadores.
Encontro
no Nordeste
O Encontro
Internacional do Nordeste do Brasil é uma realização
do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e tem como parceiros
a Fundação AVINA, o ICCO, Unitrabalho, Agência de Desenvolvimento
Solidário da CUT e Fundação Banco do Brasil.
A Fundação
AVINA (www.avina.net) foi fundada em 1994 pelo empresário suíço
Stephan Schmidheiny e atua no Brasil deste 1999. A AVINA associa-se a líderes
da sociedade civil e do empresariado em suas iniciativas para o desenvolvimento
sustentável. A AVINA aspira a uma América Latina integrada,
solidária e democrática, inspirada na sua diversidade e construída
através de uma cidadania que se posiciona globalmente a partir de
seu modelo próprio de desenvolvimento inclusivo sustentável.
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Fonte:
Fundação Avina
Fechamento:
24/02/2006 - 11h20
Contatos:
Celia Abend – (21) 8812-5172 / Maria Teresa Senise - (21) 2541-3524.
Ref.
http://www.consciencia.net/2006/0224-reciclagem.html
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