juventude
Centro Acadêmico da PUC-SP divulga manifesto
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Da redação, 24/2/2006


O Centro Acadêmico Benevides Paixão, que representa os cursos de Jornalismo, Multimeios e Artes do Corpo da PUC-SP, divulgou nesta sexta (24/2) um manifesto em que expressa posicionamento diante da crise pela qual passa a universidade. O CA acusa a reitoria de “canalizar todos os esforços para sanar uma dívida que não nos pertence”. “Enquanto isso, os alicerces da Universidade que reivindicamos são deixados de lado”, acrescenta. Leia na íntegra.
 

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Manifesto nº1: Crise da PUC-SP

Existe uma crise financeira na nossa Universidade. Tal situação vem há tempos  ameaçando sua excelência acadêmica, democracia interna e autonomia. A crise, tal como seus desdobramentos, dita os rumos de gestão assumidos pela Reitoria, que embora tenha sido eleita democraticamente, caminha sozinha, passando por cima de toda comunidade puquiana.
 
A reitoria trabalha para os bancos, canaliza todos os esforços para sanar uma dívida que não nos pertence. Enquanto isso, os alicerces da Universidade que reivindicamos são deixados de lado. 
 
A dita solução encontrada para a crise, (leia-se : todo dinheiro aos bancos) tem seu preço. E a conta foi arbitrariamente repassada aos três setores que sustentam a PUC-SP:  professores, estudantes e funcionários.  A conta? Listas de demissões massivas de professores e funcionários, apoiadas em critérios pouco claros, superlotação das salas de aula, sobrecarregamento da carga horária dos docentes, cortes de disciplinas em alguns cursos, e cortes laboratoriais, só para começar.
 
Que tipo de gestão é essa que coloca em jogo a excelência acadêmica pela qual a PUC-SP historicamente primou, em prol do saneamento de uma dívida que não é nossa? Ela não se referencia nos que lutam pela PUC e pelo seu modelo diferenciado de universidade ou na sua comunidade. Sua única referência parece ser o mercado e os Bancos. 
 
Agora, não apenas a qualidade de ensino é escancaradamente subjugada a acordos monetários, como atropela-se todos os paradigmas democráticos para que tal meta seja alcançada.
 
Referimo-nos à intervenção vertical da Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, em sua diretoria executiva que implica na cassação dos direitos de voz e voto de toda comunidade, nesse momento, submetida à Igreja Católica.

Isso atropela todas as estâncias democráticas da universidade, incluindo o Consun, que tem representantes diretamente eleitos pelos departamentos e setores. E mesmo nesse momento a Reitora Maura Verás recusa-se a se posicionar contra a intervenção.
 
Dessa forma, enquanto entidade representativa dos estudantes, viemos a público manifestar a nossa insatisfação e posição de combate imediato frente a essa situação.

Esforços não serão medidos para que a comunidade puquiana reaveja sua autonomia, para que a democracia e excelência  acadêmica deixem de ser colocadas em xeque e para que os professores e funcionários sejam readmitidos, com todos seus direitos garantidos nessa universidade, tradicional de lutas.
 
Chamamos toda a sociedade a somar forças nessa luta, que certamente não é só nossa e tampouco diz respeito apenas à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Trata-se de um problema de âmbito nacional, o qual é nosso dever combater e construir alternativas. Dentre elas a luta por um modelo de universidade pública e de qualidade para todos. A PUC não pode ser mais uma instituição a se render ao modelo mercantil que é imposto pela atual sociedade. Nas palavras de um professor demitido “muita gente já lutou e sofreu para construir a PUC”. Não nos venderemos para Banco e Igreja.
 
Nenhum dinheiro aos bancos e todo o respeito à comunidade.

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