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Manifesto
nº1: Crise da PUC-SP
Existe
uma crise financeira na nossa Universidade. Tal situação
vem há tempos ameaçando sua excelência acadêmica,
democracia interna e autonomia. A crise, tal como seus desdobramentos,
dita os rumos de gestão assumidos pela Reitoria, que embora tenha
sido eleita democraticamente, caminha sozinha, passando por cima de toda
comunidade puquiana.
A reitoria
trabalha para os bancos, canaliza todos os esforços para sanar uma
dívida que não nos pertence. Enquanto isso, os alicerces
da Universidade que reivindicamos são deixados de lado.
A dita
solução encontrada para a crise, (leia-se : todo dinheiro
aos bancos) tem seu preço. E a conta foi arbitrariamente repassada
aos três setores que sustentam a PUC-SP: professores, estudantes
e funcionários. A conta? Listas de demissões massivas
de professores e funcionários, apoiadas em critérios pouco
claros, superlotação das salas de aula, sobrecarregamento
da carga horária dos docentes, cortes de disciplinas em alguns cursos,
e cortes laboratoriais, só para começar.
Que tipo
de gestão é essa que coloca em jogo a excelência acadêmica
pela qual a PUC-SP historicamente primou, em prol do saneamento de uma
dívida que não é nossa? Ela não se referencia
nos que lutam pela PUC e pelo seu modelo diferenciado de universidade ou
na sua comunidade. Sua única referência parece ser o mercado
e os Bancos.
Agora,
não apenas a qualidade de ensino é escancaradamente subjugada
a acordos monetários, como atropela-se todos os paradigmas democráticos
para que tal meta seja alcançada.
Referimo-nos
à intervenção vertical da Fundação São
Paulo, mantenedora da PUC-SP, em sua diretoria executiva que implica na
cassação dos direitos de voz e voto de toda comunidade, nesse
momento, submetida à Igreja Católica.
Isso atropela
todas as estâncias democráticas da universidade, incluindo
o Consun, que tem representantes diretamente eleitos pelos departamentos
e setores. E mesmo nesse momento a Reitora Maura Verás recusa-se
a se posicionar contra a intervenção.
Dessa
forma, enquanto entidade representativa dos estudantes, viemos a público
manifestar a nossa insatisfação e posição de
combate imediato frente a essa situação.
Esforços
não serão medidos para que a comunidade puquiana reaveja
sua autonomia, para que a democracia e excelência acadêmica
deixem de ser colocadas em xeque e para que os professores e funcionários
sejam readmitidos, com todos seus direitos garantidos nessa universidade,
tradicional de lutas.
Chamamos
toda a sociedade a somar forças nessa luta, que certamente não
é só nossa e tampouco diz respeito apenas à Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo.
Trata-se
de um problema de âmbito nacional, o qual é nosso dever combater
e construir alternativas. Dentre elas a luta por um modelo de universidade
pública e de qualidade para todos. A PUC não pode ser mais
uma instituição a se render ao modelo mercantil que é
imposto pela atual sociedade. Nas palavras de um professor demitido “muita
gente já lutou e sofreu para construir a PUC”. Não nos venderemos
para Banco e Igreja.
Nenhum
dinheiro aos bancos e todo o respeito à comunidade.
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