| Economia repete padrão do regime
militar
O governo brasileiro está
reproduzindo no campo um modelo econômico reciclado do período
militar. A avaliação é do economista Guilherme Delgado,
um dos principais intelectuais que elaboraram, em 2003, o Plano Nacional
de Reforma Agrária (PNRA), coordenado pelo advogado Plínio
de Arruda Sampaio. As propostas do plano foram levadas como sugestões
para as políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA). Para Delgado, o modelo atual de crescimento não traz desenvolvimento,
pois concentra renda, terra e gera exclusão. O economista avalia
que a ausência de políticas públicas massivas pela
reforma agrária esconde a face perversa do agronegócio brasileiro,
um modelo que se aproveita da acumulação financeira a partir
do latifúndio improdutivo. Do
Brasil de
Fato, 30/12/2004..[+]
Vera Malaguti: A violência é
fruto do superavit
Crimes
com violência e mortes na cidade do Rio de Janeiro, em torno de tráfico
de drogas e assaltos, têm sido noticiados com freqüência
na imprensa internacional. A professora de Criminologia da Universidade
Cândido Mendes e fundadora - junto com seu marido, o advogado Nilo
Batista - do Instituto Carioca de Criminologia conhece o assunto na prática.
Vera trabalhou na administração da Segurança Pública
do governo Brizola e atualmente é secretária geral do Instituto
Carioca de Criminologia e coordenadora do mestrado em Direito Penal na
Universidade Cândido Mendes - com ênfase em criminologia, que
Vera chama de criminologia crítica, ou seja, crítica do sistema
penal. Para Vera, o problema não é só de polícia
contra bandido. Existe outro "gerador de violência": o superavit
primário. Do
Brasil de Fato, 30/12/2004..[+]
A extinção
dos dissídios coletivos
João José Sady.
O
fantasma que tirava o sono dos trabalhadores, durante muitos anos, era
a inflação que corria desenfreada. Essa presença inquietante
fez com que, durante anos, as entidades sindicais dedicassem o melhor de
seu tempo a correr atrás dos grandes prejuízos gerados por
esse problema. Num belo dia, entretanto, veio a festa neoliberal de Fernando
Henrique Cardoso. As pessoas pareciam ter despertado de um pesadelo e a
inflação havia sumido. O sindicalismo ficou até um
tanto perdido, sem fantasmas a perseguir e buscando reinventar a si mesmo.
O que ficou oculto sob as cores daquela suposta manhã radiosa é
que o confisco da renda real dos trabalhadores havia mudado de lugar. Do
Brasil
de Fato, 30/12/2004..[+]
"Para onde caminhamos?"
A indagação é
do economista Celso Furtado, no último artigo escrito para o Jornal
do Brasil, em 10/11, 10 dias antes de sua morte.[+]
Reinaldo Gonçalves:
“Lula está deixando o Brasil cada vez mais dependente”
Em entrevista,
o economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Reinaldo
Gonçalves faz um balanço do desenvolvimento do país
em 2004. “Estamos frente a duas mediocridades, a do governo e a da oposição.
São dois desastres de liderança, de projeto e de política",
afirma Gonçalves..—.Correio
da Cidadania, dez/2004
Argentina dá a volta
por cima e desafia analistas
Quando a economia da Argentina
entrou em colapso em dezembro de 2001 foi um desassossego. Na ocasião,
o cenário econômico mundial se viu invadido por uma série
de previsões sombrias sobre o futuro do país. Do New
York Times, dezembro de 2004..[+]
Para
Lula, país não necessita de novo acordo com o FMI
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil
não necessita de um novo acordo com o FMI agora, mas não
descartou um pacto no futuro. "O Brasil está num momento tão
tranqüilo que não precisa de acordo. Não usamos nenhum
recurso do FMI até agora e não estamos precisando, mas não
vamos usar de bravata e dizer que não vamos precisar (no futuro)",
disse o presidente durante café da manhã oferecido aos jornalistas.
O atual acordo com o Fundo termina neste ano e será rediscutido
em março ou abril de 2005. (Por Natuza Nery, da REUTERS,
23/12)
Economia
solidária no discurso e na prática
Para a
edição de 2005, a organização do Fórum
Social Mundial quer que a economia popular solidária (EPS) não
se faça presente apenas como tema de debates, mas também
nas práticas econômicas e sociais inseridas no funcionamento
do próprio Fórum. "Queremos colocar em prática o que
antes ficava só na teoria", explica Aldair Barcelos, coordenador
do Grupo de Trabalho de Economia Solidária do Fórum..—.Brasil
de Fato, 23/12
Risco
soberania
Frase
do jornalista Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo (21/12), sobre a
torcida do presidente Lula no índice de risco-Brasil, produzido
por um banco dos Estados Unidos: "Dar alto valor a medições
desse tipo parece coisa de escravo que fica esperando a palavra do dono
para saber se vai ou não para o tronco"..—.Hamilton
Octavio de Souza, Brasil
de Fato, 23/12
O Brasil
possível de Carlos Lessa
Um mês
após sua demissão, o ex-presidente do BNDES descreve os planos
que procurou levar adiante, explica por que eles entraram em choque com
a política econômica e alerta: o FMI e as ilusões de
Lula podem fazer o Brasil quebrar “como a Argentina”.—.Outras
Palavras, 22/12
Alta
e baixa do petróleo
Dias atrás,
quando o preço internacional do petróleo chegou aos US$ 54,
não houve quem discordasse da necessidade de a Petrobras elevar
o preço dos combustíveis. Mesmo sabendo que produzimos 94%
do petróleo que consumimos, muito mais barato do que lá fora,
precisamos curvar-nos à globalização e aceitar as
regras estabelecidas para o planeta inteiro. Trata-se, é claro,
de uma forma de participarmos do financiamento da Guerra no Iraque e adjacências,
mas, paciência.
O que
não dá para entender é que agora, quando o barril
do petróleo voltou aos US$ 40, fazem todos ouvidos moucos e não
se pensa num reajuste para baixo. Dizem os tecnocratas ser imprescindível
compensar os prejuízos, porque nos meses que antecederam as eleições
o governo proibiu reajuste. É verdade que não adiantou tanto
assim, tendo em vista as derrotas do PT em Porto Alegre, Florianópolis,
Curitiba, São Paulo e Rio, as capitais onde mais se consome gasolina
e óleo diesel. Carlos Chagas na Tribuna
da Imprensa de 13/12
Tamancada
O senador e ex-ministro da Educação
Cristóvam Buarque (PT-DF) criticou duramente o governo Lula no Seminário
Nacional Darcy Ribeiro de Socialistas e Trabalhistas, promovido pelo PDT
e o PPS. "O crescimento que houver não vai empregar o analfabeto.
É necessário quebrar essa lógica e dar acesso a todos
os brasileiros aos bens e serviços", cobrou..—.Mauro
Braga, Tribuna
da Imprensa, 11/12
PDT: o petróleo é
nosso
O PDT persegue os ideais de
Brizola ao entrar na Justiça contestando o fim do monopólio
estatal na exploração do petróleo brasileiro. O partido
ingressou no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta
de Inconstitucionalidade (Adin) contra o artigo 26 da Lei 9.478/97, uma
"afronta à Constituição Federal", que retira da União
a titularidade do petróleo extraído e transfere o monopólio
para a empresa concessionária..—.Marcio
G., Tribuna
da Imprensa, 11/12
Economia
Solidária
Evento
debate novo modelo de economia e fala da importância da formação
de redes solidárias de cooperação.—.Setor3,
10/12
Fórum da Reforma Agrária
quer alimentação e agricultura fora da OMC
Declaração final
do 1º Fórum Mundial sobre a Reforma Agrária, encerrado
quarta (8/12) em Valência, reafirma o acesso à terra como
direito de toda a humanidade e defende a retirada das questões relativas
à alimentação e à agricultura das negociações
na Organização Mundial do Comércio. Maurício
Thuswohl, da Agência Carta Maior, 9/12..[+]
Movimentos sociais de moradia
e habitação rejeitam financiamentos do FMI
Mesmo com a intenção
do Fundo Monetário Internacional (FMI) de excluir os investimentos
em moradia e em saneamento básico do conceito de dívida externa,
os movimentos sociais de moradia e habitação rejeitaram os
financiamento provenientes do fundo. Os principais motivos alegados pelos
representantes dos movimentos são que o fato de que dinheiro do
FMI é caro, e que o Brasil tem recursos suficientes para suprir
a demanda da moradia popular..—.Agência
Brasil, 28/11
• O
ovo está caro, Lula
Agricultura para exportação
tem de ser secundária, exigem militantes do campo
Documento final da I Conferência
Nacional de Terra e Água, que reúne 10 mil militantes camponeses
em Brasília, coloca mudança na política macroeconômica
como condição para transformar realidade social..—.Agência
Carta Maior, 25/11
Pequenos agricultores criticam
modelo que prioriza o agronegócio
Durante a Conferência
Nacional Terra e Água, realizada em Brasília, os pequenos
agricultores criticaram a hegemonia do agronegócio no país.
Segundo o coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Romário
Rossetto, o agronegócio gera 5% dos empregos no Brasil, enquanto
a maioria, 84% deles, é gerado pela agricultura familiar. O agronegócio
desemprega pelo uso de altas tecnologias, substituindo a mão-de-obra
familiar. Rossetto acrescenta que o problema da posse da terra no Brasil
não está só no desenvolvimento agrário mas
na política econômica do governo federal.—.Agência
Brasil, 24/11
Oficina
Internacional da Auditoria das Dívidas divulga carta final
"Contribuições
para incentivar a realização de auditorias frente a ilegitimidade
da dívida externa" é o título do documento final divulgado
pela Oficina Internacional da Auditoria das Dívidas, que aconteceu
em Brasilia, entre 9 e 11 de novembro último. A Adital divulga o
documento na íntegra..—.Adital,
24/11
Lula
intolerante: ‘Não mexo na economia’
Lula defende
Palocci de queixas de petistas: "Eu não mexo na política
econômica. Não tem volta. O caminho está tomado e ponto
final. Não adianta inventar. Os resultados são positivos
e estamos colhendo os frutos, que devem aparecer em 2005. É importante
que todo o governo e o partido tenham unidade de ação e discurso
afinado. Quem pensa em contestar o rumo da economia não terá
espaço comigo para discutir isso".—.O
Globo, 24/11
Salvação?
O Ministério
do Desenvolvimento Social está bolando uma porta de saída
para os brasileiros que dependem do Bolsa-Família. Trata-se de um
programa de microcrédito para as pessoas iniciarem numa atividade
que gere renda. Serão usados R$ 350 milhões de um extinto
Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social, parado há 13 anos..—.Informe
do Dia, 22/11
Corpo
de Celso Furtado é enterrado no Rio
O corpo
do economista Celso Furtado foi enterrado neste domingo (21), às
12h, no Mausoléu dos Imortais da Academia Brasileira de Letras,
no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio.
O caixão com o corpo do economista chegou ao cemitério em
um caminhão do Corpo de Bombeiros e sob a guarda de honra formada
por cadetes da Academia da Polícia Militar do Rio de Janeiro..—.Folha
Online, 21/11
| E nada mudou
Manifesto dos economistas:
Por
uma política econômica voltada para um projeto nacional de
desenvolvimento, com prioridade para a geração de empregos
e a redução das desigualdades sociais. Em novembro de 2004..[+] |
|
Patrus diz que modelo neoliberal
aumenta miséria
O ministro do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, disse que existe no Brasil
e no mundo uma dívida social muito alta. "Nós deixamos, geração
após geração, que a pobreza, a miséria e a
exclusão social chegassem a esses níveis que estamos vendo.
E considero que essa tragédia social aumentou nos últimos
30 anos com a hegemonia do chamado modelo neoliberal, com uma prevalência
forte do capital sobre as exigências superiores do direito à
vida, da dignidade humana, e a prevalência do capital sobre o trabalho
e os direitos sociais", afirmou..—.Agência
Brasil, 11/11
PCdoB de Aldo propõe
mudanças na economia
O PCdoB, partido do ministro
da Coordenação Política, Aldo Rebelo, aprovou documento
no qual sugere “alterações significativas na política
macroeconômica”. O documento, aprovado pelo comitê central,
que se reuniu no fim de semana em São Paulo, diz que a atual política
econômica “não garante um desenvolvimento sustentado e continuado,
taxas elevadas de crescimento econômico e nem a diminuição
da vulnerabilidade externa de que o Brasil precisa”. O PCdoB afirma que
o êxito do governo e a reeleição do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva dependem de mudanças na política
econômica..—.O
Globo, 9/11
MP sobre presidente do BC
é inconstitucional
Medida é considerada
inconstitucional pelo procurador-geral da República, Cláudio
Fontelles. MP foi editada pelo governo em agosto deste ano e concede foro
privilegiado ao presidente do BC.—.Agência
Brasil, 8/11
Economia estável num
país desigual
Estudo do IBGE mostra que a
produção de riqueza no país não foi capaz de
resolver os problemas sociais nos últimos dez anos. Embora tenha
conseguido vencer a inflação de 1994 para cá, o Brasil
mantém uma concentração de renda muito alta..—.Correio
Braziliense, 5/11
MPF denuncia mais seis empresas
no esquema de fraude na Fazenda
O Ministério Público
Federal denunciou ontem mais seis empresas envolvidas no esquema de fraude
da Procuradoria da Fazenda Nacional na Paraíba. O esquema foi responsável,
de 1995 a 1999, pelo rombo de aproximadamente R$ 112 milhões aos
cofres da União. As denúncias foram encaminhadas à
Justiça Federal. Juntas, as empresas denunciadas ontem foram responsáveis
pelo prejuízo de R$ 4.913,698,77. No total, o Ministério
Público Federal já responsabilizou vinte e duas empresas,
das 88 envolvidas no escândalo da Fazenda. Nas denúncias encaminhadas
ontem constam as empresas Guarabira Aves Ltda - Guaraves, Distribuidora
Nacional de Alimentos Ltda - DNA, J.C. Rocha Comércio de Materiais
de Construção Ltda, Dimen-sional Construções
Ltda, Construtora Luza Ltda e Radical Engenharia Ltda..—.Jornal
da Paraíba (PB), 5/11
Novas formas de resistência
ao neoliberalismo
Mais dois anos de política
econômica sob as bênçãos do Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Brasil continuará sendo uma “Suicíndia”:
os ricos vivendo como se estivessem na Suíça, e os pobres,
na Índia. É o que diz o sociólogo Michael Löwy,
em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato..—.Brasil
de Fato, 4/11
Neoliberalismo empobrece
africanos
Especialista congolês
analisa interferência destrutiva de modelos econômicos ocidentais.—.Brasil
de Fato, 4/11
Herança
da privatização
Esqueleto
de R$ 25 bilhões nas costas do BNDES
Desde
1993, governo se endivida para capitalizar o setor elétrico. Apesar
de ter se desfeito de seu patrimônio, o poder público continua
tendo de bancar os investimentos. Carteira de créditos do BNDES
na área chega a R$ 25 bilhões. Pendência trabalhista
da Centrais Elétricas do Pará expõe detalhes da desastrada
privatização do setor..—.Agência
Carta Maior, 25/10
Para ativistas, planos da
Europa para AL são os mesmos dos EUA
Acordos de livre-comércio
bi e multilaterais entre a União Européia e países
da América Latina, já em vigência com México
e Chile, e em discussão com Mercosul, Comunidade Andina e América
Central, visam criar uma nova "Alca latino-européia", alertam ativistas
no Fórum Social Europeu 2004..—.Agência
Carta Maior, 18/10
Liminar suspende
efeitos de leilão do petróleo
Liminar
que faz parte da Ação Popular ajuizada pela Associação
dos Engenheiros da Petrobras contra a União, a ANP e seu diretor
anula os atos relativos à sexta rodada de licitação
de áreas petrolíferas, ocorrida em outubro passado. De acordo
com o documento, fica suspensa a efetivação dos contratos
fechados no leilão..—.Agência
Carta Maior, 8/10/2004
Economista vê novo ciclo de endividamento
e defende idéia
Com conjuntura favorável,
as empresas brasileiras voltaram a captar recursos no exterior. Carlos
Eduardo Carvalho diagnostica um novo ciclo de endividamento, e diz que
o controle de capitais aumentaria a margem de manobra do governo em caso
de turbulências..—.Agência
Carta Maior, 29/9/2004
o discurso.
E a prática?
Lula critica o papel de “devedores perpétuos”
dos países da periferia
Este é um bom momento
para repensar as opções feitas pelo Brasil e que foram responsáveis
pela nossa inserção dentro do sistema mundial, porque o Brasil
foi, até hoje, um dos casos exemplares de aplicação
e aceitação da doutrina do livre-cambismo que esteve por
trás de todos aqueles grandes “tratados comerciais”, assinados no
século XIX. Por José Luís Fiori, 27/9/2004..[+]
Chega! Vamos falar de futebol
Na sociedade do espetáculo,
as mentiras são reproduzidas até tornarem-se postulados.
Por ignorância ou para agradar a clientela, compram-se versões
oficiais por atacado e despejam-se, no varejo da opinião pública,
certezas absolutas, que ignoram o contraditório, desqualificam os
interlocutores e interditam o debate.
Os juros sempre sobem porque
tinham de subir, o superávit sempre aumenta porque tinha de aumentar,
o câmbio flutua porque tem de flutuar, o fluxo de capitais é
livre porque tem de ser assim e o país não cresce mais porque
não pode crescer sem descontrolar a inflação. As coisas
são assim porque esse é o sinal esperado pelo mercado, que
nunca pode ser contrariado, nunca pode ser enfrentado, nunca pode ser questionado..—.Nelson
Breve, Agência
Carta Maior, 24/9
Serys exalta luta
de empresária contra Microsoft e TBA
A senadora
Serys Slhessarenko (PT-MT) exaltou o papel exercido pela empresária
Lisane Bufquin na denúncia de crime contra a concorrência
que motivou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
a aplicar multas sobre a empresa norte-americana Microsoft e sobre a brasileira
TBA Informática, respectivamente, de 10% e 7% sobre o faturamento
de ambas em 1997..—.Agência
Senado, 24/9
Reunião do FMI com
entidades foi monólogo do fatalismo
Há duas semanas, o diretor
geral do FMI, o espanhol Rodrigo Rato, esteve no Brasil. Em Brasília,
teve um encontro com integrantes de organizações da sociedade
civil, que ele próprio convidou. Estavam lá entidades como
a Ordem dos Advogados do Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil, num grupo que totalizava 17 pessoas.
O motivo alegado para o insólito
encontro era uma suposta vontade do diretor do Fundo em conhecer a realidade
brasileira mais de perto. Sandra Quintela, da Rede Brasil, entregou a Rato
uma carta com críticas à política recomendada pelo
FMI a países que lhe pedem socorro. Mas, em vez de ouvir sobre nossa
realidade, Rato preferiu despejar seu fatalismo econômico num monólogo
que decepcionou os participantes..—.FASE,
17/9
CUT propõe debate
amplo sobre economia
A Central Única dos Trabalhadores
propôs um entendimento nacional, entre empresários, trabalhadores
e governo, para manter o crescimento econômico sustentável
do Brasil..—.Brasil
de Fato, 16/9
A decisão do Copom
e “as perguntas de um trabalhador que lê”
De nada adiantou o coro uníssono
de lideranças de trabalhadores, empresários, destacadas autoridades
do governo da República e renomados economistas contra o aumento
dos juros. (..) Esse quadro surreal de uma nação quase inteira
se opor a uma medida que provoca recessão, desemprego, aumento do
endividamento e, mesmo assim prevalecer, lembra um poema conhecido de Bertolt
Brecht, "Perguntas de um trabalhador que lê"..—.Diário
Vermelho, 16/9
Dirceu: não sou um
robô
Presidente Lula pede que juros
sejam discutidos apenas na área econômica, mas ministro da
Casa Civil desobedece e critica possível aumento da taxa básica
na reunião de amanhã do Copom: ‘Sou um cidadão. Tenho
opinião. Eu obedeço. Mas não sou um robô’, justificou.
Segundo o ministro, não existem hoje pressões inflacionárias,
como alega o BC..—.O
Globo, Folha,
Correio,
14/9
Alencar critica regime de
juros atual, que estaria impedindo crescimento
Para o vice-presidente, o atual
regime monetário inibe o crescimento da economia e acaba acarretando
uma transferência de renda do setor produtivo para o setor financeiro..—.O
Globo, 14/9
Palocci diz que política
monetária não mudará
Combate à inflação
ainda é prioridade para o governo e BC pode aumentar os juros básicos
se for necessário.—.O
Globo, 14/9
Olívio: só
acordo mundial garante metas sociais
Na Espanha, o ministro das Cidades
defendeu neste domingo junto à ONU a proposta de que os recursos
aplicados em moradia e saneamento não devem ser considerados como
um endividamento do país.—.Agência
Brasil, 12/9
Na China
Conta a "Veja" que "um pessoal
da pesada está desembarcando na China em busca de entender melhor
o país: André Lara Rezende, Pérsio Arida e Pedro Moreira
Sales; Arminio Fraga, convidado, recusou". A China, há muito tempo
crescendo a mais de 10%, devia, por prudência, barrá-los na
alfândega. Tirando o Moreira Salles, essa gente pegou o Brasil crescendo
mais de 5% com Itamar Franco e jogou no chão com 2% nos oito anos
do desastre de Fernando Henrique e -0,2% com Lula em 2003..—.Sebastião
Nery, Tribuna
da Imprensa, 11/9
Lula: ‘Coisas acontecem e
nem ficamos sabendo’
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva reclamou ontem da falta de comunicação dentro
do governo e dos problemas que isso vem provocando. "Às vezes no
governo as coisas acontecem e a gente nem fica sabendo. É como na
casa da gente, em que um filho da gente faz alguma coisa e a gente só
fica sabendo depois", disse Lula, na solenidade de 60 anos de fundação
da metalúrgica Cobrasma, em Osasco..—.O
Globo, 4/9
Stédile critica política
econômica de Lula
O coordenador nacional do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile,
afirmou ontem que "o povo brasileiro não tem o que comemorar no
7 de Setembro". Ele participou de entrevista coletiva em que foram anunciados
objetivos e atividades das manifestações do Grito dos Excluídos,
que ocorre no dia 7 de setembro..—.Monitor
Mercantil, 2/9
Brasil deveria triplicar
gasto em saneamento
Declaração foi
feita no programa ''Diálogo Brasil'', transmitido ontem pelas tevês
Nacional e NBr, pelo diretor da Associação das Empresas de
Saneamento Estaduais, Marcos Tadeu Abicalil.—.Agência
Brasil, 2/9
Privatização
eleva gasto com tarifas de 10% para 23%
Em 1994/1995, o brasileiro gastava
entre 10% e 11% da sua renda com pagamento de tarifas. Dez anos depois,
com a privatização dos serviços públicos, esses
gastos consomem 23% da renda do brasileiro. Os dados, que constam de pesquisa
de uma consultoria, foram citados pela economista Marize Farhi, da Universidade
de Campinas (Unicamp), ao observar que os aumentos das tarifas de serviços
públicos privatizados com base no Índice Geral de Preços
(IGP) ameaçam o sistema de preços em geral e dificultam o
fim do arrocho monetário e a diminuição dos juros..—.Monitor
Mercantil, 2/9
Uma voz que não se
cala
Da redação,
29 de agosto, 2004. Uma forma de protesto diante da política
econômica neoliberal, que concentra a riqueza e renda e condena milhões
à exclusão social, e ao mesmo tempo, um espaço de
construção coletiva de alternativas. É assim que Ari
Alberti, integrante da Secretaria Nacional do “Grito dos Excluídos”
e da Pastoral dos Migrantes em São Paulo, define a 10a
edição do evento. Ocorrendo em mais de 2 mil localidades
em todo o Brasil, está sendo esperada para este ano a participação
de 1,5 milhão de pessoas, num só grito: “mudança para
valer o povo faz acontecer”. Leia entrevista exclusiva com Ari Alberti..[+]
Alencar rompe a trégua
O vice-presidente José
Alencar abandonou a trégua que tinha dado ao Banco Central - ele
chegou a elogiar o trabalho da equipe - e ontem atacou novamente os altos
juros praticados no país, ao participar da abertura do 6º Congresso
Nacional de Agribusiness, no Rio..—.Jornal
do Brasil, 27/8
Singer defende legislação
para financiar economia solidária
Proposta foi lançada
no programa exibido ontem à noite, em rede pública de televisão,
pelo secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer.—.Agência
Brasil, 26/8
Cristovam pede desculpas
por ter apoiado o mínimo de R$ 260
O senador Cristovam Buarque
(PT-DF) pediu desculpas da tribuna do Senado à sociedade e aos partidos
de oposição, por ter votado favoravelmente a proposta do
salário mínimo de R$ 260, "acreditando que o governo implementaria
as 12 medidas sociais - choque social - que beneficiariam os mais pobres"..—.Agência
Brasil, Folha
de S. Paulo, 26/8
Abong e Inter-Redes anunciam
afastamento do monitoramento do PPA 2004-2007
Convidadas pela Secretaria Geral
da Presidência para participar de um processo inédito, o monitoramento
e a implementação do Plano Plurianual (PPA) 2004-2007, a
Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais
e a Inter-Redes anunciam o afastamento do processo devido ao não
cumprimento pelo governo da construção dos mecanismos que
possibilitem a participação e controle social. Leia a carta
divulgada pelas instituições sobre o assunto.—.Instituto
Socioambiental, 25/8
Henrique Meirelles ganha
proteção
O governo editou medida provisória
dando ao cargo de presidente do Banco Central, ocupado atualmente por Henrique
Meirelles, status de ministro de Estado, como antecipou o Correio na edição
de domingo. Com isso, o comandante do BC passa a ter foro privilegiado
no STF e demais benefícios concedidos a integrantes do primeiro
escalão..—.Correio
Braziliense, Agência
Brasil, 17/8
Lula
ressalta crescimento, mas não fala em números
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um pronunciamento em cadeia
nacional de rádio e televisão, no qual afirmou que o país
está "finalmente" começando um ciclo de recuperação
e crescimento, após sofrer com "planos mágicos" que prometiam
resolver os problemas..—.Folha
de S. Paulo, 14/8
Lula
reafirma política econômica: "mudar o que?"
"Falam
em mudar a política econômica, mas o que é mudar? É
mudar o superávit primário? Pois nisso eu não vou
mexer", disse Lula, negando a possibilidade de um "plano B" - alternativa
acalentada até por setores do PT e do governo insatisfeitos com
a política econômica do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda)..—.Folha
Online, 13/8
O que
é ética?
Henrique Meirelles, atual presidente
do Banco Central, é ex-empregado do Banco de Boston e possui uma
aposentadoria de 750 mil dólares ao ano, algo em torno de R$ 250
mil por mês. Há algo de errado nisso? Não, segundo
a Comissão
de Ética Pública da Presidência
Uma política nacional
para a economia solidária
Trabalhadores que recuperaram
empresas falidas com um sistema cooperativo de autogestão. Donas
de casa que enfrentaram o desemprego familiar, transformando em pequenos
negócios comunitários habilidades para costura, culinária
ou artesanato. Catadores de lixo que se juntaram em cooperativas aumentando
a produtividade da indústria da reciclagem. Desempregados que se
juntaram e foram à luta como vendedores ambulantes ou prestadores
de serviços. Assentados e pequenos produtores rurais que uniram
forças para dar viabilidade econômica à agricultura
familiar.
Essa economia invisível,
produto de 25 anos da crise social brasileira, pode estar movimentando
hoje cerca de 30% da renda e da força de trabalho nacional. Mapeamento
preliminar da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério
do Trabalho (Senaes) já contabilizou 22 mil empreendimentos sustentados
por bases cooperativas de ajuda mútua, sendo auxiliados por cerca
de 800 entidades sociais, religiosas ou associativas, que funcionam como
catalisadoras do processo de reintegração sócio-econômica..—.Brasil
de Fato, 12/8
Ainda é cedo para
muita euforia
Os indicadores mais recentes
sobre o desempenho da economia brasileira têm sido positivos. Será
que, afinal, o país está retomando o caminho do crescimento
duradouro, ou tudo não passa de mais um soluço, de um vôo
de galinha? Para responder a essas perguntas, Brasil de Fato está
ouvindo economistas, dirigentes sindicais e líderes de movimentos
sociais..—.Brasil
de Fato, 12/8
Economia
Solidária é tema de dois eventos
A economia
solidária é um dos pontos defendidos e propagados pelo Programa
Fome Zero, que vê esse tipo de economia como transformadora da realidade
social. Esta semana dois eventos pautam-se com o mesmo tema com abordagens
distintas: O I Encontro Nacional de Empreendimentos de Economia Solidária
e o I Curso de sementes crioulas (variedades que ainda não foram
modificadas pela biotecnologia ou por outros processos de melhoramento)..—.Adital,
11/8
Diretor
de Política Monetária do Banco Central pede demissão
O diretor
de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota,
pediu demissão do cargo. O anúncio foi feito nesta quarta-feira
pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo Meirelles,
a decisão foi pessoal e não do governo. A demissão
ocorre dias após a publicação de uma reportagem mostrando
que Candiota estaria sendo investigado por sonegação fiscal..—.Rádio
CBN, 28/7
Lula
sugere "boicote" a cartão de crédito para forçar queda
no juro
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que os brasileiros evitem tomar
empréstimos como forma de pressionar pela queda dos juros cobrados
por bancos e administradoras de cartão de crédito. Lula já
criticou em outros momentos os juros adotados pelas instituições
financeiras..—.Folha
Online, O
Globo, 6/7
Palocci
renega de maneira radical seu passado trotskista
(...)
O ministro Palocci tem defendido a “modernização” das relações
de trabalho, a implantação da Alca, o arrocho salarial para
os empregados da iniciativa privada e servidores públicos, o fim
do regime público de previdência, a instituição
dos fundos de pensão, as taxas exorbitantes de juros, a ausência
de correção da tabela do imposto de renda e a eterna proteção
aos mercados e aos seus agentes.
Se ele
fosse trotskista, é evidente que não estaria, como também
não aceitaria estar, sequer no terceiro escalão da equipe
do Executivo. Mas, mesmo não o sendo, não precisava exagerar
na cooptação, tarefa peculiar da deformação
stalinista ao longo do século XX..—.Grijalbo
Fernandes Coutinho, Consultor
Jurídico, 3/7
Ataque conservador
A gestão de Carlos Lessa
no BNDES está mesmo incomodando determinados setores do empresariado.
Na última semana, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
apelou para o presidente Lula intervir no banco estatal para que siga as
orientações do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando
Furlan..—.Hamilton
Octavio de Souza, Brasil
de Fato, 1/7
Alencar e Ciro dizem sofrer
censura por crítica aos juros
Vice não revela origem
da censura; ministro culpa "articulistas alugados"..—.Folha
de S. Paulo, 29/06
Economia solidária
como alternativa ao neoliberalismo
O Seminário Oficina
Internacional Desafios da Economia Solidária diante do Desemprego
e da Pobreza na América Latina acontecerá em Bogotá
nos dias próximos dias 22 e 23 deste mês. Os temas a serem
discutidos no evento preparatório são as causas estruturais,
econômicas e políticas da deterioração humana
na América Latina; o modelo de economia solidária como uma
alternativa diante do neoliberalismo; e a formulação de projetos
para o estabelecimento de redes locais nacionais e internacionais para
o financiamento de projetos solidários de produção
e serviços..—.Adital,
21/06
Trabalho informal: Boa idéia
Uma maneira muito hábil
de incluir na Previdência grande número de trabalhadores informais
é aprovar um projeto permitindo descontar do Imposto de Renda os
gastos com empregados domésticos, desde que estejam com carteira
de trabalho assinada e contribuindo para o INSS. A idéia é
antiga, recentemente foi aventada pelo ministro Jaques Wagner, mas jamais
saiu do papel..—.Mauro
Braga, Tribuna
da Imprensa, 19/06
Vulnerabilidade eterna
“Não há confiança
nas perspectivas de crescimento da economia brasileira e em sua capacidade
de suportar choques externos”. Do economista e professor Paulo Nogueira
Batista Jr., na última edição da revista Teoria e
Debate, da Fundação Perseu Abramo..—.Hamilton
Octavio de Souza, Brasil
de Fato, 17/06
Só pressão
política da população traz desenvolvimento, diz Furtado
O desenvolvimento não
é "fruto de uma evolução automática, mas de
pressões políticas da população". São
essas pressões "que definem o perfil de uma sociedade, e não
o valor dos bens e serviços por ela consumidos ou acumulados". Foi
com essa mensagem, gravada e transmitida para os participantes da Unctad,
que o economista Celso Furtado agradeceu à homenagem que a ONU (Organização
das Nações Unidas) fez a ele na segunda-feira..—.Folha
de S. Paulo, 16/06
Lula propõe Plano
Marshall para nações pobres
Presidente defende injeção
de recursos em nações em desenvolvimento, seguindo modelo
que recuperou a Europa após a Segunda Guerra..—.Folha
de S. Paulo, O
Globo, 15/06
Para brasilianistas, Lula
privilegia mercado
Maioria de 11 acadêmicos
ouvidos acha que resgate da dívida social fica em segundo plano
e que há continuísmo..—.Folha
de S. Paulo, 14/06
Campanha mundial pede reformas
nas instituições internacionais
Apresentada nesta quinta durante
o Fórum da Sociedade Civil, campanha quer as instituições
internacionais sob o controle democrático das Nações
Unidas e dos Direitos Humanos..—.Agência
Brasil, 17/06
Dirceu diz que País
vive momento de esquizofrenia
O ministro da Casa Civil, José
Dirceu, disse nesta terça-feira (8) que o país vive um momento
de esquizofrenia porque, apesar de alcançada a estabilidade de preços,
o crescimento econômico ainda não veio. As declarações
foram feitas um dia depois de o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ter
dito que a economia vem crescendo há quatro trimestres consecutivos..—.JB,
O
Globo, FSP,
Correio,
A
Tarde, 09/06
Para Lula, seguir cartilha
não basta
Em seu discurso na Cúpula
entre América Latina, Caribe e União Européia, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva alertou que, mesmo com os países
latino-americanos, e inclusive o Brasil, seguindo a agenda ditada pelo
mercado financeiro, a miséria se agravou no hemisfério. Um
dia depois do discurso de Lula, uma notícia do governo federal indicou
de que forma o próprio presidente vem seguindo essa orientação
– segundo ele mesmo, geradora de mais miséria.
O Brasil bateu um recorde histórico
de economia de dinheiro público para pagamento da dívida
(superávit primário), deixando de gastar, no mês de
abril, R$ 11,9 bilhões que poderiam ser investidos em saúde,
reforma agrária, educação, habitação.
Ao comentar o resultado das contas públicas, o ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, recomendou que o Brasil continue fazendo superávit
primário por mais dez ou doze anos..—.Brasil
de Fato, 03/06
Para sociólogo, esquerda
brasileira rearticula-se fora dos partidos políticos
A rearticulação
da esquerda brasileira ocorre, atualmente, fora dos partidos políticos.
A afirmação foi feita pelo sociólogo Francisco de
Oliveira à Agência Brasil, logo após proferir palestra
no Seminário sobre Controle de Capitais, realizado neste fim de
semana em São Paulo. O sociólogo disse também que
a luta contra o neoliberalismo volta a ser o ponto de convergência
entre as diferentes forças da esquerda brasileira..—.Agência
Brasil, 30/05
Lula diz que seguir receita
do mercado não reduz pobreza
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou que os países da América Latina, apesar
de terem "feito o dever de casa" pedido pelos mercados financeiros globais,
viram agravadas "as estatísticas da fome, da pobreza, do desemprego
e da desesperança"..—.JB,
O
Globo, FSP,
29/05
Rubens Ricúpero leva
torta no rosto
Uma militante do grupo Confeiteiros
Sem Fronteiras lançou ontem uma torta contra o secretário-geral
da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio
e Desenvolvimento (Unctad), embaixador Rubens Ricúpero, durante
palestra em um auditório da Universidade de Brasília (UnB).
A torta, de chocolate, pegou de raspão no braço do embaixador
e espatifou-se contra a parede. Após limpar a manga da camisa, Ricúpero
continuou sua palestra.
(...) Ricúpero não
perdeu a chance de dar um puxão de orelha nos Confeiteiros. Afirmou
que, provavelmente, os ativistas não sabem que a Unctad, entre todas
as organizações internacionais, é a que tem as posições
mais críticas em relação à globalização
e não é muito popular no Consenso de Washington nem no Fundo
Monetário Internacional (FMI). "Há países que sempre
quiseram acabar com a Unctad, e eles não são os do Sul",
afirmou Ricúpero. "Eles (os Confeiteiros) escolheram o inimigo errado.
O inimigo não está aqui, ele está do outro lado.".—.Tribuna
da Imprensa, 29/05
Brasil corre "muito risco",
afirma Krugman
Economista diz que país
já esteve várias vezes "à beira do precipício"
e que precisa de mais investimentos..—.El
País, 27/05/2004
Heloisa Helena?
Leiam isso: "A política
econômica do governo Lula, baseada no tripé de juros siderais,
tributos escandinavos e o corte indiscriminado de gastos, não produz
o crescimento (sic) e não gera, portanto, receita suficiente para
atender a área social. Ela é que precisa ser mudada" (sic).
Parece frase de quem? Da valente
e coerente senadora Heloisa Helena. E não foi ela. Está em
artigo de José Serra, segunda-feira, na "Folha". Durante oito anos,
como ministro do Planejamento e da Saúde e um dos três mais
poderosos e decisivos do governo tucano (Fernando Henrique, Pedro Malan
e José Serra), Serra ajudou a formular, influenciou, apoiou e participou
dessa mesma política econômica que Fernando Henrique implantou,
Lula continuou e agravou, e agora ele (e com razão) condena.
Paulo Paim?
Leiam também: "É
assustadora a vertiginosa perda de credibilidade do governo e do presidente
Lula. A inércia, a ausência de projetos, a incapacidade de
realizá-los e a manutenção de uma política
econômica recessiva (sic) vêm dilapidando o capital político
do presidente".
Parece de quem? Do autêntico
senador Paulo Paim? Não. É do deputado Alberto Goldman, PSDB
de São Paulo, vice-presidente dos tucanos, que durante oito anos
defendeu essa mesma política econômica, quando praticada pelos
governos Fernando Henrique, e que agora (e com razão) denuncia.
Artur Virgilio?
E essa aqui?: "Por mais que
se esforce, Lula não poderá ser melhor que Fernando Henrique.
Eu sempre disse que um seria a continuação do outro".
Parece do brilhante senador
Artur Virgilio, líder do PSDB no Senado. E não é.
É do ministro da Cultura Gilberto Gil, a canção andarilha
do governo, baiano milagreiro que chupa cana e assovia ao mesmo tempo..—.Sebastião
Nery, Tribuna
da Imprensa, 20/05/2004
As coincidências entre
Lula e Malan
“É isso que é
a ação do Estado, é ação regulatória,
é uma clara definição de suas prioridades de investimento,
é uma preocupação inabalável com a qualidade
e eficiência do gasto público”. Você sabe de quem é
esta frase? Leia
mais
Itamar radicaliza e pede
demissão de Palocci
O embaixador do Brasil na Itália,
o ex-presidente Itamar Franco, pediu ontem a demissão do ministro
da Fazenda, Antonio Palocci , do presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, e toda a equipe econômica. Ao lado do ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, com quem almoçou em Brasília, disse
que se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouvisse as vozes da
rua já “teria mudado esta gente”. Ao criticar a condução
da economia brasileira, o embaixador ainda cobrou audácia de Lula.
Disse que o país não está crescendo e que, desta forma,
o desemprego e as crises sociais vão continuar..—.O
Globo, 12/05/2004
Dados do BC contradizem propaganda
do PT
Ao dizer que juros reais são
os menores dos últimos dez anos, partido usou metodologia que existe
apenas desde 2001..—.Folha
de S. Paulo, 08/05/2004
Só pressão
muda rumos da economia, diz Pochmann
Mais uma vez as urnas é
que podem representar alguma possibilidade de mudança na política
econômica do país, criticada por dar continuidade ao modelo
adotado no governo anterior. Para o economista Márcio Pochmann,
se, de fato, a atual equipe econômica alterar os rumos, não
será por vontade técnica, mas sim por pressão política.
Em entrevista exclusiva ao Brasil
de Fato, Pochmann alerta que a estrutura democrática no país
está sob ameaça, na medida em que a crise social se acelera
e não são criadas as condições para solucionar
tais problemas. “O desempregado, hoje, pode votar. Mas o problema é
que o político que ele elegeu não consegue transformar a
realidade em seu benefício”..—.Brasil
de Fato, 07/05/2004
CVM confirma vazamento de
informações no caso Ambev
Houve vazamento de informações
privilegiadas durante a negociação das cervejarias Ambev
e Interbrew. A afirmação foi feita nesta quinta-feira pelo
presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Luiz
Leonardo Cantidiano, na audiência pública da Comissão
de Defesa do Consumidor para esclarecer denúncias de vazamento de
informações e abuso de poder econômico na união
das fabricantes de cerveja..—.Agência
Câmara, 6/5/2004
Furtado critica aperto fiscal
do governo Lula
Decano dos economistas brasileiros,
o ex-ministro do Planejamento Celso Furtado afirmou ontem que o corte "desmedido"
de investimentos públicos do governo com o objetivo de cumprir metas
de superávit fiscal "é algo que escapa de qualquer racionalidade".
Tais metas, disse, são "impostas por beneficiários de altas
taxas de juros"..[Folha
de S. Paulo, 05.maio.2004]
Conceição e
Furtado criticam política econômica
(...) Presente ao seminário,
a economista e professora emérita da UFRJ Maria da Conceição
Tavares disse que a retomada do desenvolvimento depende dos investimentos
públicos e do controle de fluxo de entrada e saída de capitais,
para reduzir a vulnerabilidade a choques externos. Ao mencionar Paul Volcker,
secretário do Tesouro dos EUA no governo de George Bush pai, criticou
indiretamente a equipe econômica: "Nos EUA, os ortodoxos não
são idiotas como os daqui".
(...) Para ela, o FMI (Fundo
Monetário Internacional) é um "banco obsoleto", porque a
maior parte da dívida dos países emergentes é privada
e seus programas só atendem ao endividamento público..[Jornal
do Brasil, Folha
de S. Paulo, 05.maio.2004]
Lula foi enganado pela equipe
econômica, diz Stédile
Líder do MST prevê
um desastre se o governo do Brasil não alterar economia..[El
País, 05.maio.2004]
Nenhum país deixou
a periferia com políticas liberais, diz vice do BNDES
A história ensina que
o Brasil não está condenado a ser periferia e pode construir
um processo de mundialização baseado na solidariedade, defendeu,
em Porto Alegre, o vice-presidente do BNDES, Darc Costa. Segundo ele, nenhum
país deixou de ser periferia com políticas econômicas
liberais..—.Agência
Carta Maior, 26/4/2004
País precisa de “motor
de arranque” em investimentos federais, diz economista
Superávit primário
acumulado nos três primeiros meses de 2004 atingiu R$ 20,5 bilhões,
o que equivale a 5,41% do PIB. Para o professor da UFRJ Reinaldo Gonçalves,
governo precisa investir metade do que paga em juros da dívida -
cerca de R$ 70 bi por ano - para “consertar” economia..—.Agência
Carta Maior, 26/4/2004
Palocci defende no FMI mais
gastos em infra-estrutura
O ministro da Fazenda, Antônio
Palocci, voltou a defender na reunião do Comitê Financeiro
do Fundo Monetário Internacional (FMI) mudanças no modo como
são computados os gastos com investimentos nas contas que determinam
o déficit ou o superávit do governo..[BBC
Brasil, 25.abr.2004]
Analista do Diap diz que
crise acionou mudança na economia
Antonio Augusto de Queiroz
avalia que ação do PT para preservar José Dirceu fez
Palocci aceitar alteração de rumo para preservar a governabilidade..—.Agência
Carta Maior, 11/04/2004
Palocci: "Esquerdismo é
uma doença infantil"
Líder da revolução
comunista que criou a União Soviética, Lênin inspirou
o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na réplica ao documento
subscrito por 15 parlamentares do PT que pedem "mudanças já"
na economia. '"Esquerdismo é uma doença infantil", definiu,
reprisando o líder russo. Palocci rechaçou a teoria de que
o aumento da inflação traria desenvolvimento: "Nunca vi isso
em lugar nenhum." Lula prometeu aumento salarial aos militares, sem especificar
data ou índice..—.JB;
O
Globo; FSP;
Correio;
09/04/2004
"Condições
favoráveis"
Em almoço com empresários
na Associação Comercial do Rio de Janeiro, Henrique Meirelles
disse segunda-feira que "há muitos anos o Brasil não reunia
condições tão favoráveis para o crescimento
duradouro". Na quinta-feira passada, a conversa era outra. O presidente
do Banco Central reconhecia que no primeiro trimestre a economia só
cresceu a uma taxa anualizada entre 3,2% e 3,5%, num ritmo bem mais lento
do que o verificado no final do ano passado, quando se chegou a 6,1% anualizados".
Fica a dúvida. Se as condições são tão
favoráveis, porque o crescimento é assim inexpressivo?.—.Mauro
Braga, Tribuna
da Imprensa, 07/04/2004
Palocci e o pensamento único
O ministro Antonio Palocci
(Fazenda) disse haver pressões "legítimas" por mudanças
na economia, mas que é preciso existir possibilidade. "O pedido
[de mudanças] vem acompanhado de vontades que são muito legítimas.
A única diferença é combinar a vontade com a possibilidade".
D. Geraldo Majella, presidente da CNBB, disse que a fome e miséria
nunca foram tão visíveis..—.O
Globo, FSP,
19/03/2004
Contra as críticas,
a Lei da Mordaça
Para blindar o Planalto das
críticas de governistas, especialmente em relação
à política econômica, o líder do PMDB no Senado,
Renan Calheiros, propôs uma espécie de lei da mordaça:
a criação de um código de conduta para enquadrar parlamentares
e evitar o "fogo amigo".
A idéia foi encampada
pelo ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo,
e pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante. "A vida estabelece
limites e separa quem é governo de quem é oposição",
filosofou o ministro. Mercadante seguiu o embalo: "Defendo um pacto de
convivência. O Brasil precisa de responsabilidade e, se não
a encontrarmos na oposição, temos de exigir da base do governo."..—.JB;
O
Globo; 17/03/2004
Ministro toma posse e critica
Palocci e Meirelles
Na esteira dos ataques do PT
e do PMDB à política econômica, o presidente do PL,
Valdemar da Costa Neto, defendeu as demissões de Antonio Palocci
(Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central). O PL é o partido
do vice-presidente, José Alencar. "O Palocci tem competência
para ser prefeito de Ribeirão Preto, não ministro da Fazenda",
disse Costa Neto. O presidente Lula defendeu a "qualidade moral, ética
e profissional" de seus ministros..—.FSP;
O
Globo, 16/03/2004
Logo depois de tomar posse ontem,
o ministro dos Transportes e vice-presidente nacional do PL, Alfredo Nascimento,
criticou os juros oficiais no Brasil. "Com as taxas que estão sendo
praticados, você tem problemas para produzir", opinou. Em tom mais
duro o presidente do partido, deputado Valdemar Costa Neto, ainda no Palácio
do Planalto, disse que "o ministro Palocci não tem condições
de tocar a economia do Brasil". As críticas provocaram constrangimentos
no governo e nos líderes parlamentares, que saíram em defesa
do ministro da Fazenda..—.JB;
16/03/2004
Lula rebate críticas
e reafirma política econômica
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou que a política econômica do governo
"certamente merece críticas", mas que não pretende alterá-la.
Lula disse que a inflação está sob controle, que "não
há como a economia não crescer neste ano" e que os juros
viraram o "bode expiatório de todo o problema do governo".
Lula usou a reunião do
CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) de apresentação
da política industrial do governo para rebater críticas do
PT, oposição e de setores do governo. Falando a empresários
e sindicalistas, sugeriu que setores gananciosos são responsáveis
pela alta da inflação..—.FSP,
O
Globo, 12/03/2004
Ministro Wagner critica Palocci
O ministro-chefe da Secretaria
de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, agravou a tenção
no governo ao dizer, ontem, que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci,
não pode exigir silêncio sobre a política econômica.
Wagner considerou "natural" a nota do PT cobrando mudanças. "Se
o Palocci acha que opera melhor sem que ninguém fale, isso é
um desejo dele, mas a vida não é só desejo, não
se vive de sonhos", afirmou..—.OESP;
O
Globo, 10/03/2004
PT cobra mudanças
na política econômica
Para Genoino, não se
trata de mudar a essência da política econômica, nem
de sugerir trocas na equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, mas
sim de fazer "ajustes criativos"..—.O
Globo, 06/03/2004
Mercado inventa mais uma:
"risco" Requião
As medidas de revisão
de contratos de empresas estatais e de concessões de serviços
públicos, levaram à criação da expressão
"risco" Requião, em referência ao governador Roberto Requião
(PMDB)..—.Brasil
de Fato, 26/02/2004
Dia 19/2/2004:
Mailson da Nóbrega, o fenômeno
Fenômeno I
Não existe ninguém
como Mailson da Nóbrega. É único e insubstituível.
Funcionário burocrata do Banco do Brasil, foi fazendo carreira e
acabou nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente José
Sarney, num impensado gesto, que custaria muito caro ao País.
Na gestão de Maílson
(Plano Feijão com Arroz), a inflação bateu todos os
recordes. Chegou a 2.751% ao ano, no final do governo Sarney, com a inigualável
marca de 84,32% no último mês, março de 1990. Mesmo
assim, Maílson vive assediado pela imprensa, como se fosse uma sumidade
econômica.
Fenômeno II
Ontem, na expectativa da decisão
do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom)
sobre os juros, Maílson da Nóbrega deitou cátedra
na "Globonews". Deu um verdadeiro espetáculo, defendendo que a taxa
só caia para 14% no final deste ano, quando o próprio ministro
da Fazenda já defende juros de 11% ou 12%.
Fenômeno III
Como criador e diretor da consultoria
Tendências, Maílson da Nóbrega hoje trabalha para os
banqueiros com uma eficiência que jamais demonstrou no serviço
público. A imprensa deveria ouvi-lo sempre, mas com o objetivo de
que o governo faça exatamente o contrário do que o ex-ministro
preconiza. É a melhor maneira de escolher o caminho certo. Espera-se
que, a partir do mês que vem, o Banco Central e o tal Copom passem
a seguir Maílson ao contrário..[Tribuna
da Imprensa]
Dia 12/2/2004:
Lula faz defesa veemente da política econômica de Palocci
Mesmo evitando citar percentuais,
o presidente deixou claro que o aperto fiscal vai continuar e que as metas
de superávit permanecerão altaspois, segundo afirmou, isso
é necessário para garantir a credibilidade do Brasil interna
e externamente. Lula disse estar certo de que 2004 será um ano "muito
bom" e de crescimento da economia..[O
Globo]
Dia 6/2/2004:
"O mercado está nervoso? Eu não"
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ironizou ontem os boatos de que o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, deixaria o cargo devido a supostas desavenças
na cúpula do governo em relação à política
econômica. "O mercado está nervoso? Eu não estou, estou
calmo", disse o presidente, durante cerimônia de lançamento
do Programa Nacional de Florestas, no Palácio do Planalto..[Jornal
do Brasil]
| Política
monetária não muda, diz Palocci
O ministro
da Fazenda, Antonio Palocci, convocou ontem uma entrevista coletiva para
tentar acalmar o mercado, contestar as crescentes insinuações
de que a política econômica poderia sofrer mudanças
e responder às críticas feitas à decisão do
Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros da economia
em 16,5% ao ano. Diante da onda de pessimismo que se alastrava pelos meios
político e empresarial e dos alertas feitos pelo próprio
BC sobre pressões na inflação, o ministro ressaltou
que a manutenção da Selic é temporária e que
2004 é mesmo o ano do crescimento e do investimento. [4
de fevereiro, 2004; via
O Globo; via
Folha de S. Paulo]
FHC, o profeta
O presidente Fernando Henrique
Cardoso afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
será uma "continuidade" das políticas que iniciou. Essa continuidade,
segundo ele, ocorrerá na política de combate à fome
e à miséria, no cumprimento dos contratos e nos compromissos
assumidos pelo Brasil no atual Governo.
FHC disse que sente "emoção"
em saber que passará a faixa de um líder operário.
Para ele, isso mostra "que há mobilidade social no Brasil" e "que
é uma democracia que não aceita restrições
de quaisquer naturezas, que não tem preconceitos de classe". (Folha
de S. Paulo, 29 de outubro de 2002, pág. 1 e cad. Especial,
pág. 5) |
|
Dia
4/2/2004: Criatividade
Criatividade
I. Para justificar os juros altos e seguir permitindo que os aplicadores
(leia-se, instituições financeiras) continuem dilapidando
a economia do País, Meirelles e sua equipe econômica demonstram
uma criatividade invulgar. Recentemente inventaram um tal "refluxo inflacionário",
expressão desconhecida na economia internacional.
Criatividade
II. Segundo a equipe de Meirelles, o tal "refluxo inflacionário"
ocorreria quando "a capacidade produtiva da indústria estivesse
sendo utilizada ao máximo, em algum momento antes do desejado, fazendo
com que ocorresse escassez de determinados produtos, provocando inflação".
Realmente, é muita criatividade. Antigamente, essa situação
era denominada simplesmente como "inflação de demanda". É
por isso que Meirelles sempre precisa de tradução simultânea.
[Tradução Simultânea, Mauro
Braga, 4 de fevereiro, 2004]
Na direção
econômica, tudo igual
Dia 28/1/2004.
Em resposta às críticas pela manutenção dos
juros, o diretor do Banco Central Afonso Bevilaqua disse ontem no Senado
que a condução da política macroeconômica não
requer ousadia, mas responsabilidade..[O
Globo]
O conto do conto do bolo
Dia 28/1/2004.
O ministro do Planejamento, Guido Mantega, negou ontem pregar o crescimento
antes da distribuição de renda. Mantega atribuiu esta compreensão
a um equívoco de interpretação de suas declarações.
"O crescimento sustentado permitirá a redução da pobreza
de forma concomitante", reforçou..[JB]
De novo, o conto do bolo
Dia 27/1/2004.
"É preciso primeiro crescer, depois distribuir a riqueza" - Uma
das frases mais famosas do deputado Delfim Netto nos tempos de czar da
economia do regime militar foi reeditada ontem, na Índia, pelo ministro
do Planejamento do governo Lula, Guido Mantega. Depois de citar o crescimento
médio de 6% ao ano da economia indiana numa década, com redução
da pobreza absoluta de 46% para 26%, Mantega concluiu: "Precisamos, primeiro,
conseguir estas taxas de crescimento e, segundo, adotar um estilo de crescimento
que distribua essa riqueza."
Delfim defendia quando ministro
dos governos Costa e Silva, Médici e João Figueiredo, tempos
do chamado milagre econômico, ser preciso "fazer crescer o bolo para
depois dividi-lo". O ministro do Planejamento disse ainda que os juros
reais no Brasil, descontada a inflação, podem chegar a um
patamar de 4% "em dois ou três anos"..[JB]
‘Fracassaremos
se formos só guardiões da moeda’, alertou Cristovam em carta
Dia 26/1/2004.
No início de janeiro, o ex-ministro da Educação Cristovam
Buarque enviou uma carta ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação
de Governo, Luiz Gushiken, do chamado núcleo duro do governo, fazendo
duras cobranças por uma maior atuação do governo Lula
na área social. Cristovam criticou o fato de o governo ter priorizado
a política econômica, deixando em segundo plano a política
social. Reforçando as queixas mantidas durante todo o ano passado
e os pedidos de mais verbas para a educação, que tanto desagradaram
ao governo, ele alertou ainda que 2004 exigirá do governo “sair
da confiança para a mudança”. “Fracassaremos se formos apenas
os guardiões da moeda e da economia”, alertou.
Na sua opinião, o governo
deveria priorizar este ano o combate à pobreza, com geração
de emprego e distribuição de renda, “sob pena de ficar numa
situação muito incômoda”. “Até aqui agimos como
se o social e o econômico disputassem. Ministros da área social
reclamando, como se não tivessem responsabilidade com a estabilidade,
e ministros da área econômica controlando os recursos como
se nada tivessem a ver com o social”, alertou Cristovam. [O
Globo]
George Soros: o Brasil está
comportado demais
Dia 24/1/2004.O
megainvestidor George Soros — que costuma provocar reações
no mercado cada vez que se manifesta publicamente — disse ontem que o Brasil
está “muito ortodoxo” na sua política econômica. Para
ele, é hora de baixar mais os juros. A declaração
foi feita menos de 48 horas depois que o Banco Central brasileiro interrompeu
uma trajetória de sete meses de redução das taxas,
mantendo-as em 16,5% ao ano.
— O Brasil tem sido, na minha
opinião, comportado demais. Muito ortodoxo nas suas políticas
monetária e fiscal. Dada a pressão de liquidez mundial (excesso
de liquidez), que está fazendo as taxas de juros caírem,
eu adotaria uma política mais estimulante para obter crescimento
e prevenção contra uma valorização da moeda.
[O
Globo, de DAVOS, Suíça,
aqui]
"Máquina de empregos"
Dia 24/1/2004.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nega-se a comentar a
decisão do Copom de manter inalterada a taxa de juros. Ele se recusa
a recorrer ao que chama de "freadas e arrancadas", como controle de capitais,
congelamento de preços ou moratórias. Pretende criar uma
"máquina de empregos"..[JB]
Otimismo
do mercado camufla crise recessiva
Dia
15/1/2004.
A faxineira da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) Maria Lucia
Silva vive, diariamente, a contradição da economia brasileira.
Enquanto limpa as salas e os painéis luminosos do prédio
onde negócios milionários são fechados, faz malabarismos
para passar o mês com o salário de R$ 350 que recebe da empresa
terceirizada responsável pelo serviço de limpeza.
Maria
Lucia, no entanto, está habituada a ouvir no noticiário noturno
da televisão que a sua situação está prestes
a melhorar. O mercado financeiro está otimista e os números
comprovam. O "risco Brasil " caiu 68% no ano. O índice Bovespa bateu
recorde de valorização, subindo 97,3%. Os títulos
da dívida se valorizaram. (brasil de fato, leia
aqui)
Presidente
critica gestão "perversa" da economia
Dia
14/1/2004.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem talvez a sua mais
dura crítica ao modelo de desenvolvimento econômico adotado
pelo Brasil até 2002, qualificando-o de "modelo perverso que separou
equivocadamente o econômico do social, opôs estabilidade a
crescimento e divorciou responsabilidade e justiça".
Como corolário
natural, o presidente Lula disparou: "Chegou a hora de resgatar e afirmar
de uma vez por todas a primazia do interesse coletivo e da coisa pública
nas Américas". Engatou: "A estabilidade econômica foi pensada
de costas para a justiça social. Ficamos sem as duas".
Mas o
discurso não combina com o fato de que o presidente, cuja política
econômica é essencialmente a mesma que vigorou até
2002, acredita estar assentando "os alicerces para o país crescer
com justiça social". (Clovis Rossi, folha) Leia
aqui
FMI
admite novo cálculo para superávit fiscal
Dia
14/1/2004.
O Fundo Monetário Internacional anunciou ontem, pela voz de seu
diretor-gerente, Horst Köhler, que vai retirar dos cálculos
de déficit público os investimentos em infra-estrutura de
empresas públicas, desde que tenham "finalidades comerciais" (ou
seja, visem obter retorno, em vez de fazer investimentos a fundo perdido).
A decisão
atende antiga reivindicação do governo brasileiro, originalmente
lançada durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002):
investimento em infra-estrutura não é necessariamente gasto
público, porque se o poder público constrói, por exemplo,
uma hidrelétrica, gasta dinheiro, gera déficit, mas, com
o tempo, o dinheiro retorna, na forma da cobrança de tarifas. via
Folha; via
OESP
Brasil
lidera ranking mundial de credibilidade
Dia
14/1/2004.
O Brasil está em alta aos olhos do mercado internacional.
Pesquisa
com 1.200 líderes de opinião dos Estados Unidos, Reino Unido,
França, Alemanha, China e Brasil para avaliar como anda a confiança
no País revela que o Brasil encabeça o ranking de credibilidade
nos negócios em geral (60%), seguido pelos Estados Unidos (51%),
China (50%), França (47%), Reino Unido (46%) e Alemanha (27%).
A enquete,
de múltipla escolha, foi realizada pela Edelman, empresa mundial
de consultoria em comunicação, entre o fim de dezembro e
o início deste mês, com executivos de grandes corporações
e acadêmicos, entre 35 e 64 anos de idade e renda anual na faixa
US$ 75 mil. Os dados fazem parte do 5.º Estudo Anual da Edelman sobre
Confiança, que será apresentado no Fórum Econômico
Mundial em Davos, na Suíça, na semana que vem.
Os resultados
da pesquisa são igualmente promissores para o País quando
se avalia a confiança no governo. A enquete revela que 54% dos entrevistados
dizem confiar no governo brasileiro e índice maior só é
registrado pela China (67%). Estados Unidos e Europa, com 48% e 31%, respectivamente,
perdem para o Brasil nesse quesito. Segundo o diretor corporativo da Edelman
do Brasil, Alexandre Alfredo, a combinação desses dois fatores
positivos associado à queda do risco Brasil deverá abrir
as portas do País para o retorno do investimento produtivo. (OESP)
Lula
exige que os ministros criem metas para emprego
Dia
8/1/2004.
Após um ano de baixo crescimento da economia, o governo Lula decidiu
fixar metas setoriais para a criação de emprego em 2004.
A estratégia para este ano foi delineada ontem em uma reunião
de cerca de oito horas do presidente da República com dez de seus
ministros. Também ficou decidido que será dada prioridade
para as áreas de saneamento e habitação, tidas como
as que mais necessitam de investimento.
Segundo
o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, as metas serão estabelecidas
pelos ministérios nos próximos dias, tendo como base números
realistas. "É preciso dizer às pessoas que o Brasil decidiu,
de forma definitiva, ser um país arrumado. O Brasil não vai
fazer arrumação de curto prazo, não vai dar uma ajeitada
na contas em função de uma ou outra eleição."
(O
Globo, pág. 1 e 21)
1,3 milhão
de empregos no campo - Meta de criação de vagas foi oficializada
em reunião da Câmara de Política Econômica, realizada
no Palácio do Planalto. Setor agrícola quer ampliar exportações
e aumentar safra de grãos de 122 bilhões para 129 bilhões
de toneladas, o que vai gerar postos de trabalho este ano. (Correio
Braziliense, pág. 1 e 8)
Sobre
a euforia dos mercados
Dia
6/1/2004. O mercado começa
o ano em euforia, anuncia-se. Segundo o Aurélio, euforia
é uma sensação de perfeito bem-estar, de alegria intensa
e expansiva. Segundo Freud, ela é uma velha companheira da melancolia,
formando um par que caracteriza comportamentos maníaco-depressivos.
Esse padrão de comportamento
é um velho conhecido dos brasileiros. Durante o governo Fernando
Henrique Cardoso, a euforia inicial com o Plano Real e o controle da inflação
foi seguida por uma profunda melancolia com os efeitos colaterais de uma
política econômica que estabilizou também a estagnação
econômica do país e aprofundou um quadro já dramático
de desigualdades sociais." (carta maior)
País
pode crescer 4,5% neste ano, avaliam economistas da UFRJ
Dia
3/1/2004.
Os resultados econômicos do País em 2003 foram ambíguos,
mas a economia brasileira tem condições de crescer 4,5% neste
ano, aponta análise do Instituto de Economia (IE) da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apesar da análise crítica
sobre 2003, a previsão de crescimento do IE supera em um ponto a
média projetada pelo mercado, em torno de 3,5%, segundo as mais
recentes sondagens.
O instituto
reconhece que há riscos quanto à recuperação
econômica do País, mas conclui que o mais provável
é que "a retomada do crescimento iniciada no segundo semestre de
2003 tende a ser vigorosa e reafirmada em 2004". O conselho editorial do
boletim do IE é formado pelos economistas Antônio Barros de
Castro, Caio da Silveira, Antônio Licha e Francisco Eduardo Pires
de Souza. (oesp)
Projeto
de autonomia do BC separa a área política do governo da econômica
Dia
2/1/2004. Uma rebelião da base do governo no Congresso ameaça
um ponto chave do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional
(FMI): o que estabelece a aprovação do projeto de autonomia
do Banco Central. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alertado
por parlamentares petistas sobre a possibilidade de conflito entre a área
política e a econômica na questão. [O
Globo]
Rumo a Cancun: organizações
e movimentos sociais brasileiros dizem não aos novos temas na OMC
Nós, um conjunto de movimentos
sociais, ONGs e entidades sindicais brasileiras estamos nos preparando
para estarmos presentes em Cancun, em setembro próximo, por ocasião
da realização da Va Reunião Ministerial da OMC. Em
setembro de 2003..[+]
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