Economia..Retórica & Ação Política: Arquivo 2003-2004
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Economia repete padrão do regime militar

O governo brasileiro está reproduzindo no campo um modelo econômico reciclado do período militar. A avaliação é do economista Guilherme Delgado, um dos principais intelectuais que elaboraram, em 2003, o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), coordenado pelo advogado Plínio de Arruda Sampaio. As propostas do plano foram levadas como sugestões para as políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Para Delgado, o modelo atual de crescimento não traz desenvolvimento, pois concentra renda, terra e gera exclusão. O economista avalia que a ausência de políticas públicas massivas pela reforma agrária esconde a face perversa do agronegócio brasileiro, um modelo que se aproveita da acumulação financeira a partir do latifúndio improdutivo. Do Brasil de Fato, 30/12/2004..[+]

Vera Malaguti: A violência é fruto do superavit

Crimes com violência e mortes na cidade do Rio de Janeiro, em torno de tráfico de drogas e assaltos, têm sido noticiados com freqüência na imprensa internacional. A professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes e fundadora - junto com seu marido, o advogado Nilo Batista - do Instituto Carioca de Criminologia conhece o assunto na prática. Vera trabalhou na administração da Segurança Pública do governo Brizola e atualmente é secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia e coordenadora do mestrado em Direito Penal na Universidade Cândido Mendes - com ênfase em criminologia, que Vera chama de criminologia crítica, ou seja, crítica do sistema penal. Para Vera, o problema não é só de polícia contra bandido. Existe outro "gerador de violência": o superavit primário. Do Brasil de Fato, 30/12/2004..[+]

A extinção dos dissídios coletivos 

João José Sady. O fantasma que tirava o sono dos trabalhadores, durante muitos anos, era a inflação que corria desenfreada. Essa presença inquietante fez com que, durante anos, as entidades sindicais dedicassem o melhor de seu tempo a correr atrás dos grandes prejuízos gerados por esse problema. Num belo dia, entretanto, veio a festa neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. As pessoas pareciam ter despertado de um pesadelo e a inflação havia sumido. O sindicalismo ficou até um tanto perdido, sem fantasmas a perseguir e buscando reinventar a si mesmo. O que ficou oculto sob as cores daquela suposta manhã radiosa é que o confisco da renda real dos trabalhadores havia mudado de lugar. Do Brasil de Fato, 30/12/2004..[+]

"Para onde caminhamos?"

A indagação é do economista Celso Furtado, no último artigo escrito para o Jornal do Brasil, em 10/11, 10 dias antes de sua morte.[+]

Reinaldo Gonçalves: “Lula está deixando o Brasil cada vez mais dependente”

Em entrevista, o economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Reinaldo Gonçalves faz um balanço do desenvolvimento do país em 2004. “Estamos frente a duas mediocridades, a do governo e a da oposição. São dois desastres de liderança, de projeto e de política", afirma Gonçalves...Correio da Cidadania, dez/2004

Argentina dá a volta por cima e desafia analistas

Quando a economia da Argentina entrou em colapso em dezembro de 2001 foi um desassossego. Na ocasião, o cenário econômico mundial se viu invadido por uma série de previsões sombrias sobre o futuro do país. Do New York Times, dezembro de 2004..[+]

Para Lula, país não necessita de novo acordo com o FMI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil não necessita de um novo acordo com o FMI agora, mas não descartou um pacto no futuro. "O Brasil está num momento tão tranqüilo que não precisa de acordo. Não usamos nenhum recurso do FMI até agora e não estamos precisando, mas não vamos usar de bravata e dizer que não vamos precisar (no futuro)", disse o presidente durante café da manhã oferecido aos jornalistas. O atual acordo com o Fundo termina neste ano e será rediscutido em março ou abril de 2005. (Por Natuza Nery, da REUTERS, 23/12)

Economia solidária no discurso e na prática

Para a edição de 2005, a organização do Fórum Social Mundial quer que a economia popular solidária (EPS) não se faça presente apenas como tema de debates, mas também nas práticas econômicas e sociais inseridas no funcionamento do próprio Fórum. "Queremos colocar em prática o que antes ficava só na teoria", explica Aldair Barcelos, coordenador do Grupo de Trabalho de Economia Solidária do Fórum...Brasil de Fato, 23/12

Risco soberania

Frase do jornalista Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo (21/12), sobre a torcida do presidente Lula no índice de risco-Brasil, produzido por um banco dos Estados Unidos: "Dar alto valor a medições desse tipo parece coisa de escravo que fica esperando a palavra do dono para saber se vai ou não para o tronco"...Hamilton Octavio de Souza, Brasil de Fato, 23/12

O Brasil possível de Carlos Lessa

Um mês após sua demissão, o ex-presidente do BNDES descreve os planos que procurou levar adiante, explica por que eles entraram em choque com a política econômica e alerta: o FMI e as ilusões de Lula podem fazer o Brasil quebrar “como a Argentina”..Outras Palavras, 22/12

Alta e baixa do petróleo

Dias atrás, quando o preço internacional do petróleo chegou aos US$ 54, não houve quem discordasse da necessidade de a Petrobras elevar o preço dos combustíveis. Mesmo sabendo que produzimos 94% do petróleo que consumimos, muito mais barato do que lá fora, precisamos curvar-nos à globalização e aceitar as regras estabelecidas para o planeta inteiro. Trata-se, é claro, de uma forma de participarmos do financiamento da Guerra no Iraque e adjacências, mas, paciência.

O que não dá para entender é que agora, quando o barril do petróleo voltou aos US$ 40, fazem todos ouvidos moucos e não se pensa num reajuste para baixo. Dizem os tecnocratas ser imprescindível compensar os prejuízos, porque nos meses que antecederam as eleições o governo proibiu reajuste. É verdade que não adiantou tanto assim, tendo em vista as derrotas do PT em Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo e Rio, as capitais onde mais se consome gasolina e óleo diesel. Carlos Chagas na Tribuna da Imprensa de 13/12

Tamancada

O senador e ex-ministro da Educação Cristóvam Buarque (PT-DF) criticou duramente o governo Lula no Seminário Nacional Darcy Ribeiro de Socialistas e Trabalhistas, promovido pelo PDT e o PPS. "O crescimento que houver não vai empregar o analfabeto. É necessário quebrar essa lógica e dar acesso a todos os brasileiros aos bens e serviços", cobrou...Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, 11/12

PDT: o petróleo é nosso

O PDT persegue os ideais de Brizola ao entrar na Justiça contestando o fim do monopólio estatal na exploração do petróleo brasileiro. O partido ingressou no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o artigo 26 da Lei 9.478/97, uma "afronta à Constituição Federal", que retira da União a titularidade do petróleo extraído e transfere o monopólio para a empresa concessionária...Marcio G., Tribuna da Imprensa, 11/12

Economia Solidária

Evento debate novo modelo de economia e fala da importância da formação de redes solidárias de cooperação..Setor3, 10/12

Fórum da Reforma Agrária quer alimentação e agricultura fora da OMC

Declaração final do 1º Fórum Mundial sobre a Reforma Agrária, encerrado quarta (8/12) em Valência, reafirma o acesso à terra como direito de toda a humanidade e defende a retirada das questões relativas à alimentação e à agricultura das negociações na Organização Mundial do Comércio. Maurício Thuswohl, da Agência Carta Maior, 9/12..[+]

Movimentos sociais de moradia e habitação rejeitam financiamentos do FMI 

Mesmo com a intenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) de excluir os investimentos em moradia e em saneamento básico do conceito de dívida externa, os movimentos sociais de moradia e habitação rejeitaram os financiamento provenientes do fundo. Os principais motivos alegados pelos representantes dos movimentos são que o fato de que dinheiro do FMI é caro, e que o Brasil tem recursos suficientes para suprir a demanda da moradia popular...Agência Brasil, 28/11

O ovo está caro, Lula

Agricultura para exportação tem de ser secundária, exigem militantes do campo

Documento final da I Conferência Nacional de Terra e Água, que reúne 10 mil militantes camponeses em Brasília, coloca mudança na política macroeconômica como condição para transformar realidade social...Agência Carta Maior, 25/11

Pequenos agricultores criticam modelo que prioriza o agronegócio

Durante a Conferência Nacional Terra e Água, realizada em Brasília, os pequenos agricultores criticaram a hegemonia do agronegócio no país. Segundo o coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Romário Rossetto, o agronegócio gera 5% dos empregos no Brasil, enquanto a maioria, 84% deles, é gerado pela agricultura familiar. O agronegócio desemprega pelo uso de altas tecnologias, substituindo a mão-de-obra familiar. Rossetto acrescenta que o problema da posse da terra no Brasil não está só no desenvolvimento agrário mas na política econômica do governo federal..Agência Brasil, 24/11

Oficina Internacional da Auditoria das Dívidas divulga carta final

"Contribuições para incentivar a realização de auditorias frente a ilegitimidade da dívida externa" é o título do documento final divulgado pela Oficina Internacional da Auditoria das Dívidas, que aconteceu em Brasilia, entre 9 e 11 de novembro último. A Adital divulga o documento na íntegra...Adital, 24/11

Lula intolerante: ‘Não mexo na economia’

Lula defende Palocci de queixas de petistas: "Eu não mexo na política econômica. Não tem volta. O caminho está tomado e ponto final. Não adianta inventar. Os resultados são positivos e estamos colhendo os frutos, que devem aparecer em 2005. É importante que todo o governo e o partido tenham unidade de ação e discurso afinado. Quem pensa em contestar o rumo da economia não terá espaço comigo para discutir isso"..O Globo, 24/11

Salvação?

O Ministério do Desenvolvimento Social está bolando uma porta de saída para os brasileiros que dependem do Bolsa-Família. Trata-se de um programa de microcrédito para as pessoas iniciarem numa atividade que gere renda. Serão usados R$ 350 milhões de um extinto Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social, parado há 13 anos...Informe do Dia, 22/11

Corpo de Celso Furtado é enterrado no Rio

O corpo do economista Celso Furtado foi enterrado neste domingo (21), às 12h, no Mausoléu dos Imortais da Academia Brasileira de Letras, no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio. O caixão com o corpo do economista chegou ao cemitério em um caminhão do Corpo de Bombeiros e sob a guarda de honra formada por cadetes da Academia da Polícia Militar do Rio de Janeiro...Folha Online, 21/11
 

E nada mudou

Manifesto dos economistas: Por uma política econômica voltada para um projeto nacional de desenvolvimento, com prioridade para a geração de empregos e a redução das desigualdades sociais. Em novembro de 2004..[+]

Patrus diz que modelo neoliberal aumenta miséria

O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, disse que existe no Brasil e no mundo uma dívida social muito alta. "Nós deixamos, geração após geração, que a pobreza, a miséria e a exclusão social chegassem a esses níveis que estamos vendo. E considero que essa tragédia social aumentou nos últimos 30 anos com a hegemonia do chamado modelo neoliberal, com uma prevalência forte do capital sobre as exigências superiores do direito à vida, da dignidade humana, e a prevalência do capital sobre o trabalho e os direitos sociais", afirmou...Agência Brasil, 11/11

PCdoB de Aldo propõe mudanças na economia

O PCdoB, partido do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, aprovou documento no qual sugere “alterações significativas na política macroeconômica”. O documento, aprovado pelo comitê central, que se reuniu no fim de semana em São Paulo, diz que a atual política econômica “não garante um desenvolvimento sustentado e continuado, taxas elevadas de crescimento econômico e nem a diminuição da vulnerabilidade externa de que o Brasil precisa”. O PCdoB afirma que o êxito do governo e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dependem de mudanças na política econômica...O Globo, 9/11

MP sobre presidente do BC é inconstitucional

Medida é considerada inconstitucional pelo procurador-geral da República, Cláudio Fontelles. MP foi editada pelo governo em agosto deste ano e concede foro privilegiado ao presidente do BC..Agência Brasil, 8/11

Economia estável num país desigual

Estudo do IBGE mostra que a produção de riqueza no país não foi capaz de resolver os problemas sociais nos últimos dez anos. Embora tenha conseguido vencer a inflação de 1994 para cá, o Brasil mantém uma concentração de renda muito alta...Correio Braziliense, 5/11

MPF denuncia mais seis empresas no esquema de fraude na Fazenda

O Ministério Público Federal denunciou ontem mais seis empresas envolvidas no esquema de fraude da Procuradoria da Fazenda Nacional na Paraíba. O esquema foi responsável, de 1995 a 1999, pelo rombo de aproximadamente R$ 112 milhões aos cofres da União. As denúncias foram encaminhadas à Justiça Federal. Juntas, as empresas denunciadas ontem foram responsáveis pelo prejuízo de R$ 4.913,698,77. No total, o Ministério Público Federal já responsabilizou vinte e duas empresas, das 88 envolvidas no escândalo da Fazenda. Nas denúncias encaminhadas ontem constam as empresas Guarabira Aves Ltda - Guaraves, Distribuidora Nacional de Alimentos Ltda - DNA, J.C. Rocha Comércio de Materiais de Construção Ltda, Dimen-sional Construções Ltda, Construtora Luza Ltda e Radical Engenharia Ltda...Jornal da Paraíba (PB), 5/11

Novas formas de resistência ao neoliberalismo

Mais dois anos de política econômica sob as bênçãos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Brasil continuará sendo uma “Suicíndia”: os ricos vivendo como se estivessem na Suíça, e os pobres, na Índia. É o que diz o sociólogo Michael Löwy, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato...Brasil de Fato, 4/11

Neoliberalismo empobrece africanos

Especialista congolês analisa interferência destrutiva de modelos econômicos ocidentais..Brasil de Fato, 4/11

Herança da privatização
Esqueleto de R$ 25 bilhões nas costas do BNDES

Desde 1993, governo se endivida para capitalizar o setor elétrico. Apesar de ter se desfeito de seu patrimônio, o poder público continua tendo de bancar os investimentos. Carteira de créditos do BNDES na área chega a R$ 25 bilhões. Pendência trabalhista da Centrais Elétricas do Pará expõe detalhes da desastrada privatização do setor...Agência Carta Maior, 25/10

Para ativistas, planos da Europa para AL são os mesmos dos EUA

Acordos de livre-comércio bi e multilaterais entre a União Européia e países da América Latina, já em vigência com México e Chile, e em discussão com Mercosul, Comunidade Andina e América Central, visam criar uma nova "Alca latino-européia", alertam ativistas no Fórum Social Europeu 2004...Agência Carta Maior, 18/10

Liminar suspende efeitos de leilão do petróleo

Liminar que faz parte da Ação Popular ajuizada pela Associação dos Engenheiros da Petrobras contra a União, a ANP e seu diretor anula os atos relativos à sexta rodada de licitação de áreas petrolíferas, ocorrida em outubro passado. De acordo com o documento, fica suspensa a efetivação dos contratos fechados no leilão...Agência Carta Maior, 8/10/2004

Economista vê novo ciclo de endividamento e defende idéia

Com conjuntura favorável, as empresas brasileiras voltaram a captar recursos no exterior. Carlos Eduardo Carvalho diagnostica um novo ciclo de endividamento, e diz que o controle de capitais aumentaria a margem de manobra do governo em caso de turbulências...Agência Carta Maior, 29/9/2004

o discurso. E a prática?
Lula critica o papel de “devedores perpétuos” dos países da periferia

Este é um bom momento para repensar as opções feitas pelo Brasil e que foram responsáveis pela nossa inserção dentro do sistema mundial, porque o Brasil foi, até hoje, um dos casos exemplares de aplicação e aceitação da doutrina do livre-cambismo que esteve por trás de todos aqueles grandes “tratados comerciais”, assinados no século XIX. Por José Luís Fiori, 27/9/2004..[+]

Chega! Vamos falar de futebol

Na sociedade do espetáculo, as mentiras são reproduzidas até tornarem-se postulados. Por ignorância ou para agradar a clientela, compram-se versões oficiais por atacado e despejam-se, no varejo da opinião pública, certezas absolutas, que ignoram o contraditório, desqualificam os interlocutores e interditam o debate.

Os juros sempre sobem porque tinham de subir, o superávit sempre aumenta porque tinha de aumentar, o câmbio flutua porque tem de flutuar, o fluxo de capitais é livre porque tem de ser assim e o país não cresce mais porque não pode crescer sem descontrolar a inflação. As coisas são assim porque esse é o sinal esperado pelo mercado, que nunca pode ser contrariado, nunca pode ser enfrentado, nunca pode ser questionado...Nelson Breve, Agência Carta Maior, 24/9

Serys exalta luta de empresária contra Microsoft e TBA

A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) exaltou o papel exercido pela empresária Lisane Bufquin na denúncia de crime contra a concorrência que motivou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a aplicar multas sobre a empresa norte-americana Microsoft e sobre a brasileira TBA Informática, respectivamente, de 10% e 7% sobre o faturamento de ambas em 1997...Agência Senado, 24/9

Reunião do FMI com entidades foi monólogo do fatalismo

Há duas semanas, o diretor geral do FMI, o espanhol Rodrigo Rato, esteve no Brasil. Em Brasília, teve um encontro com integrantes de organizações da sociedade civil, que ele próprio convidou. Estavam lá entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, num grupo que totalizava 17 pessoas.

O motivo alegado para o insólito encontro era uma suposta vontade do diretor do Fundo em conhecer a realidade brasileira mais de perto. Sandra Quintela, da Rede Brasil, entregou a Rato uma carta com críticas à política recomendada pelo FMI a países que lhe pedem socorro. Mas, em vez de ouvir sobre nossa realidade, Rato preferiu despejar seu fatalismo econômico num monólogo que decepcionou os participantes...FASE, 17/9

CUT propõe debate amplo sobre economia

A Central Única dos Trabalhadores propôs um entendimento nacional, entre empresários, trabalhadores e governo, para manter o crescimento econômico sustentável do Brasil...Brasil de Fato, 16/9

A decisão do Copom e “as perguntas de um trabalhador que lê”

De nada adiantou o coro uníssono de lideranças de trabalhadores, empresários, destacadas autoridades do governo da República e renomados economistas contra o aumento dos juros. (..) Esse quadro surreal de uma nação quase inteira se opor a uma medida que provoca recessão, desemprego, aumento do endividamento e, mesmo assim prevalecer, lembra um poema conhecido de Bertolt Brecht, "Perguntas de um trabalhador que lê"...Diário Vermelho, 16/9

Dirceu: não sou um robô

Presidente Lula pede que juros sejam discutidos apenas na área econômica, mas ministro da Casa Civil desobedece e critica possível aumento da taxa básica na reunião de amanhã do Copom: ‘Sou um cidadão. Tenho opinião. Eu obedeço. Mas não sou um robô’, justificou. Segundo o ministro, não existem hoje pressões inflacionárias, como alega o BC...O Globo, Folha, Correio, 14/9

Alencar critica regime de juros atual, que estaria impedindo crescimento

Para o vice-presidente, o atual regime monetário inibe o crescimento da economia e acaba acarretando uma transferência de renda do setor produtivo para o setor financeiro...O Globo, 14/9

Palocci diz que política monetária não mudará

Combate à inflação ainda é prioridade para o governo e BC pode aumentar os juros básicos se for necessário..O Globo, 14/9

Olívio: só acordo mundial garante metas sociais

Na Espanha, o ministro das Cidades defendeu neste domingo junto à ONU a proposta de que os recursos aplicados em moradia e saneamento não devem ser considerados como um endividamento do país..Agência Brasil, 12/9

Na China

Conta a "Veja" que "um pessoal da pesada está desembarcando na China em busca de entender melhor o país: André Lara Rezende, Pérsio Arida e Pedro Moreira Sales; Arminio Fraga, convidado, recusou". A China, há muito tempo crescendo a mais de 10%, devia, por prudência, barrá-los na alfândega. Tirando o Moreira Salles, essa gente pegou o Brasil crescendo mais de 5% com Itamar Franco e jogou no chão com 2% nos oito anos do desastre de Fernando Henrique e -0,2% com Lula em 2003...Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa, 11/9

Lula: ‘Coisas acontecem e nem ficamos sabendo’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem da falta de comunicação dentro do governo e dos problemas que isso vem provocando. "Às vezes no governo as coisas acontecem e a gente nem fica sabendo. É como na casa da gente, em que um filho da gente faz alguma coisa e a gente só fica sabendo depois", disse Lula, na solenidade de 60 anos de fundação da metalúrgica Cobrasma, em Osasco...O Globo, 4/9

Stédile critica política econômica de Lula

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, afirmou ontem que "o povo brasileiro não tem o que comemorar no 7 de Setembro". Ele participou de entrevista coletiva em que foram anunciados objetivos e atividades das manifestações do Grito dos Excluídos, que ocorre no dia 7 de setembro...Monitor Mercantil, 2/9

Brasil deveria triplicar gasto em saneamento

Declaração foi feita no programa ''Diálogo Brasil'', transmitido ontem pelas tevês Nacional e NBr, pelo diretor da Associação das Empresas de Saneamento Estaduais, Marcos Tadeu Abicalil..Agência Brasil, 2/9

Privatização eleva gasto com tarifas de 10% para 23% 

Em 1994/1995, o brasileiro gastava entre 10% e 11% da sua renda com pagamento de tarifas. Dez anos depois, com a privatização dos serviços públicos, esses gastos consomem 23% da renda do brasileiro. Os dados, que constam de pesquisa de uma consultoria, foram citados pela economista Marize Farhi, da Universidade de Campinas (Unicamp), ao observar que os aumentos das tarifas de serviços públicos privatizados com base no Índice Geral de Preços (IGP) ameaçam o sistema de preços em geral e dificultam o fim do arrocho monetário e a diminuição dos juros...Monitor Mercantil, 2/9

Uma voz que não se cala

Da redação, 29 de agosto, 2004. Uma forma de protesto diante da política econômica neoliberal, que concentra a riqueza e renda e condena milhões à exclusão social, e ao mesmo tempo, um espaço de construção coletiva de alternativas. É assim que Ari Alberti, integrante da Secretaria Nacional do “Grito dos Excluídos” e da Pastoral dos Migrantes em São Paulo, define a 10a edição do evento. Ocorrendo em mais de 2 mil localidades em todo o Brasil, está sendo esperada para este ano a participação de 1,5 milhão de pessoas, num só grito: “mudança para valer o povo faz acontecer”. Leia entrevista exclusiva com Ari Alberti..[+]

Alencar rompe a trégua

O vice-presidente José Alencar abandonou a trégua que tinha dado ao Banco Central - ele chegou a elogiar o trabalho da equipe - e ontem atacou novamente os altos juros praticados no país, ao participar da abertura do 6º Congresso Nacional de Agribusiness, no Rio...Jornal do Brasil, 27/8

Singer defende legislação para financiar economia solidária

Proposta foi lançada no programa exibido ontem à noite, em rede pública de televisão, pelo secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer..Agência Brasil, 26/8

Cristovam pede desculpas por ter apoiado o mínimo de R$ 260

O senador Cristovam Buarque (PT-DF) pediu desculpas da tribuna do Senado à sociedade e aos partidos de oposição, por ter votado favoravelmente a proposta do salário mínimo de R$ 260, "acreditando que o governo implementaria as 12 medidas sociais - choque social - que beneficiariam os mais pobres"...Agência Brasil, Folha de S. Paulo, 26/8

Abong e Inter-Redes anunciam afastamento do monitoramento do PPA 2004-2007

Convidadas pela Secretaria Geral da Presidência para participar de um processo inédito, o monitoramento e a implementação do Plano Plurianual (PPA) 2004-2007, a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais e a Inter-Redes anunciam o afastamento do processo devido ao não cumprimento pelo governo da construção dos mecanismos que possibilitem a participação e controle social. Leia a carta divulgada pelas instituições sobre o assunto..Instituto Socioambiental, 25/8

Henrique Meirelles ganha proteção

O governo editou medida provisória dando ao cargo de presidente do Banco Central, ocupado atualmente por Henrique Meirelles, status de ministro de Estado, como antecipou o Correio na edição de domingo. Com isso, o comandante do BC passa a ter foro privilegiado no STF e demais benefícios concedidos a integrantes do primeiro escalão...Correio Braziliense, Agência Brasil, 17/8

Lula ressalta crescimento, mas não fala em números

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, no qual afirmou que o país está "finalmente" começando um ciclo de recuperação e crescimento, após sofrer com "planos mágicos" que prometiam resolver os problemas...Folha de S. Paulo, 14/8

Lula reafirma política econômica: "mudar o que?"

"Falam em mudar a política econômica, mas o que é mudar? É mudar o superávit primário? Pois nisso eu não vou mexer", disse Lula, negando a possibilidade de um "plano B" - alternativa acalentada até por setores do PT e do governo insatisfeitos com a política econômica do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda)...Folha Online, 13/8

O que é ética?

Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central, é ex-empregado do Banco de Boston e possui uma aposentadoria de 750 mil dólares ao ano, algo em torno de R$ 250 mil por mês. Há algo de errado nisso? Não, segundo a Comissão de Ética Pública da Presidência

Uma política nacional para a economia solidária

Trabalhadores que recuperaram empresas falidas com um sistema cooperativo de autogestão. Donas de casa que enfrentaram o desemprego familiar, transformando em pequenos negócios comunitários habilidades para costura, culinária ou artesanato. Catadores de lixo que se juntaram em cooperativas aumentando a produtividade da indústria da reciclagem. Desempregados que se juntaram e foram à luta como vendedores ambulantes ou prestadores de serviços. Assentados e pequenos produtores rurais que uniram forças para dar viabilidade econômica à agricultura familiar.

Essa economia invisível, produto de 25 anos da crise social brasileira, pode estar movimentando hoje cerca de 30% da renda e da força de trabalho nacional. Mapeamento preliminar da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho (Senaes) já contabilizou 22 mil empreendimentos sustentados por bases cooperativas de ajuda mútua, sendo auxiliados por cerca de 800 entidades sociais, religiosas ou associativas, que funcionam como catalisadoras do processo de reintegração sócio-econômica...Brasil de Fato, 12/8

Ainda é cedo para muita euforia

Os indicadores mais recentes sobre o desempenho da economia brasileira têm sido positivos. Será que, afinal, o país está retomando o caminho do crescimento duradouro, ou tudo não passa de mais um soluço, de um vôo de galinha? Para responder a essas perguntas, Brasil de Fato está ouvindo economistas, dirigentes sindicais e líderes de movimentos sociais...Brasil de Fato, 12/8

Economia Solidária é tema de dois eventos

A economia solidária é um dos pontos defendidos e propagados pelo Programa Fome Zero, que vê esse tipo de economia como transformadora da realidade social. Esta semana dois eventos pautam-se com o mesmo tema com abordagens distintas: O I Encontro Nacional de Empreendimentos de Economia Solidária e o I Curso de sementes crioulas (variedades que ainda não foram modificadas pela biotecnologia ou por outros processos de melhoramento)...Adital, 11/8

Diretor de Política Monetária do Banco Central pede demissão

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, pediu demissão do cargo. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo Meirelles, a decisão foi pessoal e não do governo. A demissão ocorre dias após a publicação de uma reportagem mostrando que Candiota estaria sendo investigado por sonegação fiscal...Rádio CBN, 28/7

Lula sugere "boicote" a cartão de crédito para forçar queda no juro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que os brasileiros evitem tomar empréstimos como forma de pressionar pela queda dos juros cobrados por bancos e administradoras de cartão de crédito. Lula já criticou em outros momentos os juros adotados pelas instituições financeiras...Folha Online, O Globo, 6/7

Palocci renega de maneira radical seu passado trotskista

(...) O ministro Palocci tem defendido a “modernização” das relações de trabalho, a implantação da Alca, o arrocho salarial para os empregados da iniciativa privada e servidores públicos, o fim do regime público de previdência, a instituição dos fundos de pensão, as taxas exorbitantes de juros, a ausência de correção da tabela do imposto de renda e a eterna proteção aos mercados e aos seus agentes.

Se ele fosse trotskista, é evidente que não estaria, como também não aceitaria estar, sequer no terceiro escalão da equipe do Executivo. Mas, mesmo não o sendo, não precisava exagerar na cooptação, tarefa peculiar da deformação stalinista ao longo do século XX...Grijalbo Fernandes Coutinho, Consultor Jurídico, 3/7

Ataque conservador
A gestão de Carlos Lessa no BNDES está mesmo incomodando determinados setores do empresariado. Na última semana, editorial do jornal O Estado de S. Paulo apelou para o presidente Lula intervir no banco estatal para que siga as orientações do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan...Hamilton Octavio de Souza, Brasil de Fato, 1/7

Alencar e Ciro dizem sofrer censura por crítica aos juros

Vice não revela origem da censura; ministro culpa "articulistas alugados"...Folha de S. Paulo, 29/06

Economia solidária como alternativa ao neoliberalismo
O Seminário Oficina Internacional Desafios da Economia Solidária diante do Desemprego e da Pobreza na América Latina acontecerá em Bogotá nos dias próximos dias 22 e 23 deste mês. Os temas a serem discutidos no evento preparatório são as causas estruturais, econômicas e políticas da deterioração humana na América Latina; o modelo de economia solidária como uma alternativa diante do neoliberalismo; e a formulação de projetos para o estabelecimento de redes locais nacionais e internacionais para o financiamento de projetos solidários de produção e serviços...Adital, 21/06

Trabalho informal: Boa idéia
Uma maneira muito hábil de incluir na Previdência grande número de trabalhadores informais é aprovar um projeto permitindo descontar do Imposto de Renda os gastos com empregados domésticos, desde que estejam com carteira de trabalho assinada e contribuindo para o INSS. A idéia é antiga, recentemente foi aventada pelo ministro Jaques Wagner, mas jamais saiu do papel...Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, 19/06

Vulnerabilidade eterna
“Não há confiança nas perspectivas de crescimento da economia brasileira e em sua capacidade de suportar choques externos”. Do economista e professor Paulo Nogueira Batista Jr., na última edição da revista Teoria e Debate, da Fundação Perseu Abramo...Hamilton Octavio de Souza, Brasil de Fato, 17/06

Só pressão política da população traz desenvolvimento, diz Furtado
O desenvolvimento não é "fruto de uma evolução automática, mas de pressões políticas da população". São essas pressões "que definem o perfil de uma sociedade, e não o valor dos bens e serviços por ela consumidos ou acumulados". Foi com essa mensagem, gravada e transmitida para os participantes da Unctad, que o economista Celso Furtado agradeceu à homenagem que a ONU (Organização das Nações Unidas) fez a ele na segunda-feira...Folha de S. Paulo, 16/06

Lula propõe Plano Marshall para nações pobres
Presidente defende injeção de recursos em nações em desenvolvimento, seguindo modelo que recuperou a Europa após a Segunda Guerra...Folha de S. Paulo, O Globo, 15/06

Para brasilianistas, Lula privilegia mercado

Maioria de 11 acadêmicos ouvidos acha que resgate da dívida social fica em segundo plano e que há continuísmo...Folha de S. Paulo, 14/06

Campanha mundial pede reformas nas instituições internacionais
Apresentada nesta quinta durante o Fórum da Sociedade Civil, campanha quer as instituições internacionais sob o controle democrático das Nações Unidas e dos Direitos Humanos...Agência Brasil, 17/06

Dirceu diz que País vive momento de esquizofrenia
O ministro da Casa Civil, José Dirceu, disse nesta terça-feira (8) que o país vive um momento de esquizofrenia porque, apesar de alcançada a estabilidade de preços, o crescimento econômico ainda não veio. As declarações foram feitas um dia depois de o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ter dito que a economia vem crescendo há quatro trimestres consecutivos...JB, O Globo, FSP, Correio, A Tarde, 09/06

Para Lula, seguir cartilha não basta
Em seu discurso na Cúpula entre América Latina, Caribe e União Européia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou que, mesmo com os países latino-americanos, e inclusive o Brasil, seguindo a agenda ditada pelo mercado financeiro, a miséria se agravou no hemisfério. Um dia depois do discurso de Lula, uma notícia do governo federal indicou de que forma o próprio presidente vem seguindo essa orientação – segundo ele mesmo, geradora de mais miséria.

O Brasil bateu um recorde histórico de economia de dinheiro público para pagamento da dívida (superávit primário), deixando de gastar, no mês de abril, R$ 11,9 bilhões que poderiam ser investidos em saúde, reforma agrária, educação, habitação. Ao comentar o resultado das contas públicas, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, recomendou que o Brasil continue fazendo superávit primário por mais dez ou doze anos...Brasil de Fato, 03/06

Para sociólogo, esquerda brasileira rearticula-se fora dos partidos políticos
A rearticulação da esquerda brasileira ocorre, atualmente, fora dos partidos políticos. A afirmação foi feita pelo sociólogo Francisco de Oliveira à Agência Brasil, logo após proferir palestra no Seminário sobre Controle de Capitais, realizado neste fim de semana em São Paulo. O sociólogo disse também que a luta contra o neoliberalismo volta a ser o ponto de convergência entre as diferentes forças da esquerda brasileira...Agência Brasil, 30/05

Lula diz que seguir receita do mercado não reduz pobreza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países da América Latina, apesar de terem "feito o dever de casa" pedido pelos mercados financeiros globais, viram agravadas "as estatísticas da fome, da pobreza, do desemprego e da desesperança"...JB, O Globo, FSP, 29/05

Rubens Ricúpero leva torta no rosto
Uma militante do grupo Confeiteiros Sem Fronteiras lançou ontem uma torta contra o secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), embaixador Rubens Ricúpero, durante palestra em um auditório da Universidade de Brasília (UnB). A torta, de chocolate, pegou de raspão no braço do embaixador e espatifou-se contra a parede. Após limpar a manga da camisa, Ricúpero continuou sua palestra.

(...) Ricúpero não perdeu a chance de dar um puxão de orelha nos Confeiteiros. Afirmou que, provavelmente, os ativistas não sabem que a Unctad, entre todas as organizações internacionais, é a que tem as posições mais críticas em relação à globalização e não é muito popular no Consenso de Washington nem no Fundo Monetário Internacional (FMI). "Há países que sempre quiseram acabar com a Unctad, e eles não são os do Sul", afirmou Ricúpero. "Eles (os Confeiteiros) escolheram o inimigo errado. O inimigo não está aqui, ele está do outro lado."..Tribuna da Imprensa, 29/05

Brasil corre "muito risco", afirma Krugman
Economista diz que país já esteve várias vezes "à beira do precipício" e que precisa de mais investimentos...El País, 27/05/2004

Heloisa Helena?
Leiam isso: "A política econômica do governo Lula, baseada no tripé de juros siderais, tributos escandinavos e o corte indiscriminado de gastos, não produz o crescimento (sic) e não gera, portanto, receita suficiente para atender a área social. Ela é que precisa ser mudada" (sic).

Parece frase de quem? Da valente e coerente senadora Heloisa Helena. E não foi ela. Está em artigo de José Serra, segunda-feira, na "Folha". Durante oito anos, como ministro do Planejamento e da Saúde e um dos três mais poderosos e decisivos do governo tucano (Fernando Henrique, Pedro Malan e José Serra), Serra ajudou a formular, influenciou, apoiou e participou dessa mesma política econômica que Fernando Henrique implantou, Lula continuou e agravou, e agora ele (e com razão) condena.

Paulo Paim?
Leiam também: "É assustadora a vertiginosa perda de credibilidade do governo e do presidente Lula. A inércia, a ausência de projetos, a incapacidade de realizá-los e a manutenção de uma política econômica recessiva (sic) vêm dilapidando o capital político do presidente".

Parece de quem? Do autêntico senador Paulo Paim? Não. É do deputado Alberto Goldman, PSDB de São Paulo, vice-presidente dos tucanos, que durante oito anos defendeu essa mesma política econômica, quando praticada pelos governos Fernando Henrique, e que agora (e com razão) denuncia.

Artur Virgilio?
E essa aqui?: "Por mais que se esforce, Lula não poderá ser melhor que Fernando Henrique. Eu sempre disse que um seria a continuação do outro".

Parece do brilhante senador Artur Virgilio, líder do PSDB no Senado. E não é. É do ministro da Cultura Gilberto Gil, a canção andarilha do governo, baiano milagreiro que chupa cana e assovia ao mesmo tempo...Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa, 20/05/2004

As coincidências entre Lula e Malan
“É isso que é a ação do Estado, é ação regulatória, é uma clara definição de suas prioridades de investimento, é uma preocupação inabalável com a qualidade e eficiência do gasto público”. Você sabe de quem é esta frase? Leia mais

Itamar radicaliza e pede demissão de Palocci
O embaixador do Brasil na Itália, o ex-presidente Itamar Franco, pediu ontem a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci , do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e toda a equipe econômica. Ao lado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, com quem almoçou em Brasília, disse que se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouvisse as vozes da rua já “teria mudado esta gente”. Ao criticar a condução da economia brasileira, o embaixador ainda cobrou audácia de Lula. Disse que o país não está crescendo e que, desta forma, o desemprego e as crises sociais vão continuar...O Globo, 12/05/2004

Dados do BC contradizem propaganda do PT
Ao dizer que juros reais são os menores dos últimos dez anos, partido usou metodologia que existe apenas desde 2001...Folha de S. Paulo, 08/05/2004

Só pressão muda rumos da economia, diz Pochmann
Mais uma vez as urnas é que podem representar alguma possibilidade de mudança na política econômica do país, criticada por dar continuidade ao modelo adotado no governo anterior. Para o economista Márcio Pochmann, se, de fato, a atual equipe econômica alterar os rumos, não será por vontade técnica, mas sim por pressão política.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Pochmann alerta que a estrutura democrática no país está sob ameaça, na medida em que a crise social se acelera e não são criadas as condições para solucionar tais problemas. “O desempregado, hoje, pode votar. Mas o problema é que o político que ele elegeu não consegue transformar a realidade em seu benefício”...Brasil de Fato, 07/05/2004

CVM confirma vazamento de informações no caso Ambev

Houve vazamento de informações privilegiadas durante a negociação das cervejarias Ambev e Interbrew. A afirmação foi feita nesta quinta-feira pelo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Luiz Leonardo Cantidiano, na audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor para esclarecer denúncias de vazamento de informações e abuso de poder econômico na união das fabricantes de cerveja...Agência Câmara, 6/5/2004

Furtado critica aperto fiscal do governo Lula
Decano dos economistas brasileiros, o ex-ministro do Planejamento Celso Furtado afirmou ontem que o corte "desmedido" de investimentos públicos do governo com o objetivo de cumprir metas de superávit fiscal "é algo que escapa de qualquer racionalidade". Tais metas, disse, são "impostas por beneficiários de altas taxas de juros"..[Folha de S. Paulo, 05.maio.2004]

Conceição e Furtado criticam política econômica
(...) Presente ao seminário, a economista e professora emérita da UFRJ Maria da Conceição Tavares disse que a retomada do desenvolvimento depende dos investimentos públicos e do controle de fluxo de entrada e saída de capitais, para reduzir a vulnerabilidade a choques externos. Ao mencionar Paul Volcker, secretário do Tesouro dos EUA no governo de George Bush pai, criticou indiretamente a equipe econômica: "Nos EUA, os ortodoxos não são idiotas como os daqui".

(...) Para ela, o FMI (Fundo Monetário Internacional) é um "banco obsoleto", porque a maior parte da dívida dos países emergentes é privada e seus programas só atendem ao endividamento público..[Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, 05.maio.2004]

Lula foi enganado pela equipe econômica, diz Stédile
Líder do MST prevê um desastre se o governo do Brasil não alterar economia..[El País, 05.maio.2004]

Nenhum país deixou a periferia com políticas liberais, diz vice do BNDES

A história ensina que o Brasil não está condenado a ser periferia e pode construir um processo de mundialização baseado na solidariedade, defendeu, em Porto Alegre, o vice-presidente do BNDES, Darc Costa. Segundo ele, nenhum país deixou de ser periferia com políticas econômicas liberais...Agência Carta Maior, 26/4/2004

País precisa de “motor de arranque” em investimentos federais, diz economista

Superávit primário acumulado nos três primeiros meses de 2004 atingiu R$ 20,5 bilhões, o que equivale a 5,41% do PIB. Para o professor da UFRJ Reinaldo Gonçalves, governo precisa investir metade do que paga em juros da dívida - cerca de R$ 70 bi por ano - para “consertar” economia...Agência Carta Maior, 26/4/2004

Palocci defende no FMI mais gastos em infra-estrutura
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, voltou a defender na reunião do Comitê Financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) mudanças no modo como são computados os gastos com investimentos nas contas que determinam o déficit ou o superávit do governo..[BBC Brasil, 25.abr.2004]

Analista do Diap diz que crise acionou mudança na economia
Antonio Augusto de Queiroz avalia que ação do PT para preservar José Dirceu fez Palocci aceitar alteração de rumo para preservar a governabilidade...Agência Carta Maior, 11/04/2004

Palocci: "Esquerdismo é uma doença infantil"
Líder da revolução comunista que criou a União Soviética, Lênin inspirou o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na réplica ao documento subscrito por 15 parlamentares do PT que pedem "mudanças já" na economia. '"Esquerdismo é uma doença infantil", definiu, reprisando o líder russo. Palocci rechaçou a teoria de que o aumento da inflação traria desenvolvimento: "Nunca vi isso em lugar nenhum." Lula prometeu aumento salarial aos militares, sem especificar data ou índice...JB; O Globo; FSP; Correio; 09/04/2004

"Condições favoráveis"
Em almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro, Henrique Meirelles disse segunda-feira que "há muitos anos o Brasil não reunia condições tão favoráveis para o crescimento duradouro". Na quinta-feira passada, a conversa era outra. O presidente do Banco Central reconhecia que no primeiro trimestre a economia só cresceu a uma taxa anualizada entre 3,2% e 3,5%, num ritmo bem mais lento do que o verificado no final do ano passado, quando se chegou a 6,1% anualizados". Fica a dúvida. Se as condições são tão favoráveis, porque o crescimento é assim inexpressivo?..Mauro Braga, Tribuna da Imprensa, 07/04/2004

Palocci e o pensamento único
O ministro Antonio Palocci (Fazenda) disse haver pressões "legítimas" por mudanças na economia, mas que é preciso existir possibilidade. "O pedido [de mudanças] vem acompanhado de vontades que são muito legítimas. A única diferença é combinar a vontade com a possibilidade". D. Geraldo Majella, presidente da CNBB, disse que a fome e miséria nunca foram tão visíveis...O Globo, FSP, 19/03/2004

Contra as críticas, a Lei da Mordaça
Para blindar o Planalto das críticas de governistas, especialmente em relação à política econômica, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, propôs uma espécie de lei da mordaça: a criação de um código de conduta para enquadrar parlamentares e evitar o "fogo amigo".

A idéia foi encampada pelo ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e pelo líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante. "A vida estabelece limites e separa quem é governo de quem é oposição", filosofou o ministro. Mercadante seguiu o embalo: "Defendo um pacto de convivência. O Brasil precisa de responsabilidade e, se não a encontrarmos na oposição, temos de exigir da base do governo."...JB; O Globo; 17/03/2004

Ministro toma posse e critica Palocci e Meirelles
Na esteira dos ataques do PT e do PMDB à política econômica, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, defendeu as demissões de Antonio Palocci (Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central). O PL é o partido do vice-presidente, José Alencar. "O Palocci tem competência para ser prefeito de Ribeirão Preto, não ministro da Fazenda", disse Costa Neto. O presidente Lula defendeu a "qualidade moral, ética e profissional" de seus ministros...FSP; O Globo, 16/03/2004

Logo depois de tomar posse ontem, o ministro dos Transportes e vice-presidente nacional do PL, Alfredo Nascimento, criticou os juros oficiais no Brasil. "Com as taxas que estão sendo praticados, você tem problemas para produzir", opinou. Em tom mais duro o presidente do partido, deputado Valdemar Costa Neto, ainda no Palácio do Planalto, disse que "o ministro Palocci não tem condições de tocar a economia do Brasil". As críticas provocaram constrangimentos no governo e nos líderes parlamentares, que saíram em defesa do ministro da Fazenda...JB; 16/03/2004

Lula rebate críticas e reafirma política econômica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a política econômica do governo "certamente merece críticas", mas que não pretende alterá-la. Lula disse que a inflação está sob controle, que "não há como a economia não crescer neste ano" e que os juros viraram o "bode expiatório de todo o problema do governo".

Lula usou a reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) de apresentação da política industrial do governo para rebater críticas do PT, oposição e de setores do governo. Falando a empresários e sindicalistas, sugeriu que setores gananciosos são responsáveis pela alta da inflação...FSP, O Globo, 12/03/2004

Ministro Wagner critica Palocci
O ministro-chefe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, agravou a tenção no governo ao dizer, ontem, que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, não pode exigir silêncio sobre a política econômica. Wagner considerou "natural" a nota do PT cobrando mudanças. "Se o Palocci acha que opera melhor sem que ninguém fale, isso é um desejo dele, mas a vida não é só desejo, não se vive de sonhos", afirmou...OESP; O Globo, 10/03/2004

PT cobra mudanças na política econômica
Para Genoino, não se trata de mudar a essência da política econômica, nem de sugerir trocas na equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, mas sim de fazer "ajustes criativos"...O Globo, 06/03/2004

Mercado inventa mais uma: "risco" Requião
As medidas de revisão de contratos de empresas estatais e de concessões de serviços públicos, levaram à criação da expressão "risco" Requião, em referência ao governador Roberto Requião (PMDB)...Brasil de Fato, 26/02/2004

Dia 19/2/2004: Mailson da Nóbrega, o fenômeno

Fenômeno I
Não existe ninguém como Mailson da Nóbrega. É único e insubstituível. Funcionário burocrata do Banco do Brasil, foi fazendo carreira e acabou nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente José Sarney, num impensado gesto, que custaria muito caro ao País.

Na gestão de Maílson (Plano Feijão com Arroz), a inflação bateu todos os recordes. Chegou a 2.751% ao ano, no final do governo Sarney, com a inigualável marca de 84,32% no último mês, março de 1990. Mesmo assim, Maílson vive assediado pela imprensa, como se fosse uma sumidade econômica.

Fenômeno II
Ontem, na expectativa da decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sobre os juros, Maílson da Nóbrega deitou cátedra na "Globonews". Deu um verdadeiro espetáculo, defendendo que a taxa só caia para 14% no final deste ano, quando o próprio ministro da Fazenda já defende juros de 11% ou 12%.

Fenômeno III
Como criador e diretor da consultoria Tendências, Maílson da Nóbrega hoje trabalha para os banqueiros com uma eficiência que jamais demonstrou no serviço público. A imprensa deveria ouvi-lo sempre, mas com o objetivo de que o governo faça exatamente o contrário do que o ex-ministro preconiza. É a melhor maneira de escolher o caminho certo. Espera-se que, a partir do mês que vem, o Banco Central e o tal Copom passem a seguir Maílson ao contrário..[Tribuna da Imprensa]

Dia 12/2/2004: Lula faz defesa veemente da política econômica de Palocci

Mesmo evitando citar percentuais, o presidente deixou claro que o aperto fiscal vai continuar e que as metas de superávit permanecerão altaspois, segundo afirmou, isso é necessário para garantir a credibilidade do Brasil interna e externamente. Lula disse estar certo de que 2004 será um ano "muito bom" e de crescimento da economia..[O Globo]

Dia 6/2/2004: "O mercado está nervoso? Eu não"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou ontem os boatos de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixaria o cargo devido a supostas desavenças na cúpula do governo em relação à política econômica. "O mercado está nervoso? Eu não estou, estou calmo", disse o presidente, durante cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Florestas, no Palácio do Planalto..[Jornal do Brasil]
 
 

Política monetária não muda, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, convocou ontem uma entrevista coletiva para tentar acalmar o mercado, contestar as crescentes insinuações de que a política econômica poderia sofrer mudanças e responder às críticas feitas à decisão do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros da economia em 16,5% ao ano. Diante da onda de pessimismo que se alastrava pelos meios político e empresarial e dos alertas feitos pelo próprio BC sobre pressões na inflação, o ministro ressaltou que a manutenção da Selic é temporária e que 2004 é mesmo o ano do crescimento e do investimento. [4 de fevereiro, 2004; via O Globo; via Folha de S. Paulo]

FHC, o profeta
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será uma "continuidade" das políticas que iniciou. Essa continuidade, segundo ele, ocorrerá na política de combate à fome e à miséria, no cumprimento dos contratos e nos compromissos assumidos pelo Brasil no atual Governo.

FHC disse que sente "emoção" em saber que passará a faixa de um líder operário. Para ele, isso mostra "que há mobilidade social no Brasil" e "que é uma democracia que não aceita restrições de quaisquer naturezas, que não tem preconceitos de classe". (Folha de S. Paulo, 29 de outubro de 2002, pág. 1 e cad. Especial, pág. 5)

Dia 4/2/2004: Criatividade

Criatividade I. Para justificar os juros altos e seguir permitindo que os aplicadores (leia-se, instituições financeiras) continuem dilapidando a economia do País, Meirelles e sua equipe econômica demonstram uma criatividade invulgar. Recentemente inventaram um tal "refluxo inflacionário", expressão desconhecida na economia internacional.

Criatividade II. Segundo a equipe de Meirelles, o tal "refluxo inflacionário" ocorreria quando "a capacidade produtiva da indústria estivesse sendo utilizada ao máximo, em algum momento antes do desejado, fazendo com que ocorresse escassez de determinados produtos, provocando inflação". Realmente, é muita criatividade. Antigamente, essa situação era denominada simplesmente como "inflação de demanda". É por isso que Meirelles sempre precisa de tradução simultânea. [Tradução Simultânea, Mauro Braga, 4 de fevereiro, 2004]

Na direção econômica, tudo igual

Dia 28/1/2004. Em resposta às críticas pela manutenção dos juros, o diretor do Banco Central Afonso Bevilaqua disse ontem no Senado que a condução da política macroeconômica não requer ousadia, mas responsabilidade..[O Globo]

O conto do conto do bolo

Dia 28/1/2004. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, negou ontem pregar o crescimento antes da distribuição de renda. Mantega atribuiu esta compreensão a um equívoco de interpretação de suas declarações. "O crescimento sustentado permitirá a redução da pobreza de forma concomitante", reforçou..[JB]

De novo, o conto do bolo

Dia 27/1/2004. "É preciso primeiro crescer, depois distribuir a riqueza" - Uma das frases mais famosas do deputado Delfim Netto nos tempos de czar da economia do regime militar foi reeditada ontem, na Índia, pelo ministro do Planejamento do governo Lula, Guido Mantega. Depois de citar o crescimento médio de 6% ao ano da economia indiana numa década, com redução da pobreza absoluta de 46% para 26%, Mantega concluiu: "Precisamos, primeiro, conseguir estas taxas de crescimento e, segundo, adotar um estilo de crescimento que distribua essa riqueza."

Delfim defendia quando ministro dos governos Costa e Silva, Médici e João Figueiredo, tempos do chamado milagre econômico, ser preciso "fazer crescer o bolo para depois dividi-lo". O ministro do Planejamento disse ainda que os juros reais no Brasil, descontada a inflação, podem chegar a um patamar de 4% "em dois ou três anos"..[JB]

‘Fracassaremos se formos só guardiões da moeda’, alertou Cristovam em carta

Dia 26/1/2004. No início de janeiro, o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque enviou uma carta ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, do chamado núcleo duro do governo, fazendo duras cobranças por uma maior atuação do governo Lula na área social. Cristovam criticou o fato de o governo ter priorizado a política econômica, deixando em segundo plano a política social. Reforçando as queixas mantidas durante todo o ano passado e os pedidos de mais verbas para a educação, que tanto desagradaram ao governo, ele alertou ainda que 2004 exigirá do governo “sair da confiança para a mudança”. “Fracassaremos se formos apenas os guardiões da moeda e da economia”, alertou.

Na sua opinião, o governo deveria priorizar este ano o combate à pobreza, com geração de emprego e distribuição de renda, “sob pena de ficar numa situação muito incômoda”. “Até aqui agimos como se o social e o econômico disputassem. Ministros da área social reclamando, como se não tivessem responsabilidade com a estabilidade, e ministros da área econômica controlando os recursos como se nada tivessem a ver com o social”, alertou Cristovam. [O Globo]

George Soros: o Brasil está comportado demais

Dia 24/1/2004.O megainvestidor George Soros — que costuma provocar reações no mercado cada vez que se manifesta publicamente — disse ontem que o Brasil está “muito ortodoxo” na sua política econômica. Para ele, é hora de baixar mais os juros. A declaração foi feita menos de 48 horas depois que o Banco Central brasileiro interrompeu uma trajetória de sete meses de redução das taxas, mantendo-as em 16,5% ao ano.

— O Brasil tem sido, na minha opinião, comportado demais. Muito ortodoxo nas suas políticas monetária e fiscal. Dada a pressão de liquidez mundial (excesso de liquidez), que está fazendo as taxas de juros caírem, eu adotaria uma política mais estimulante para obter crescimento e prevenção contra uma valorização da moeda. [O Globo, de DAVOS, Suíça, aqui]

"Máquina de empregos"

Dia 24/1/2004. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nega-se a comentar a decisão do Copom de manter inalterada a taxa de juros. Ele se recusa a recorrer ao que chama de "freadas e arrancadas", como controle de capitais, congelamento de preços ou moratórias. Pretende criar uma "máquina de empregos"..[JB]

Otimismo do mercado camufla crise recessiva

Dia 15/1/2004. A faxineira da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) Maria Lucia Silva vive, diariamente, a contradição da economia brasileira. Enquanto limpa as salas e os painéis luminosos do prédio onde negócios milionários são fechados, faz malabarismos para passar o mês com o salário de R$ 350 que recebe da empresa terceirizada responsável pelo serviço de limpeza.

Maria Lucia, no entanto, está habituada a ouvir no noticiário noturno da televisão que a sua situação está prestes a melhorar. O mercado financeiro está otimista e os números comprovam. O "risco Brasil " caiu 68% no ano. O índice Bovespa bateu recorde de valorização, subindo 97,3%. Os títulos da dívida se valorizaram. (brasil de fato, leia aqui)

Presidente critica gestão "perversa" da economia

Dia 14/1/2004. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem talvez a sua mais dura crítica ao modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo Brasil até 2002, qualificando-o de "modelo perverso que separou equivocadamente o econômico do social, opôs estabilidade a crescimento e divorciou responsabilidade e justiça".

Como corolário natural, o presidente Lula disparou: "Chegou a hora de resgatar e afirmar de uma vez por todas a primazia do interesse coletivo e da coisa pública nas Américas". Engatou: "A estabilidade econômica foi pensada de costas para a justiça social. Ficamos sem as duas".

Mas o discurso não combina com o fato de que o presidente, cuja política econômica é essencialmente a mesma que vigorou até 2002, acredita estar assentando "os alicerces para o país crescer com justiça social". (Clovis Rossi, folha) Leia aqui

FMI admite novo cálculo para superávit fiscal

Dia 14/1/2004. O Fundo Monetário Internacional anunciou ontem, pela voz de seu diretor-gerente, Horst Köhler, que vai retirar dos cálculos de déficit público os investimentos em infra-estrutura de empresas públicas, desde que tenham "finalidades comerciais" (ou seja, visem obter retorno, em vez de fazer investimentos a fundo perdido).

A decisão atende antiga reivindicação do governo brasileiro, originalmente lançada durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002): investimento em infra-estrutura não é necessariamente gasto público, porque se o poder público constrói, por exemplo, uma hidrelétrica, gasta dinheiro, gera déficit, mas, com o tempo, o dinheiro retorna, na forma da cobrança de tarifas. via Folha; via OESP

Brasil lidera ranking mundial de credibilidade

Dia 14/1/2004. O Brasil está em alta aos olhos do mercado internacional. Pesquisa com 1.200 líderes de opinião dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, China e Brasil para avaliar como anda a confiança no País revela que o Brasil encabeça o ranking de credibilidade nos negócios em geral (60%), seguido pelos Estados Unidos (51%), China (50%), França (47%), Reino Unido (46%) e Alemanha (27%).

A enquete, de múltipla escolha, foi realizada pela Edelman, empresa mundial de consultoria em comunicação, entre o fim de dezembro e o início deste mês, com executivos de grandes corporações e acadêmicos, entre 35 e 64 anos de idade e renda anual na faixa US$ 75 mil. Os dados fazem parte do 5.º Estudo Anual da Edelman sobre Confiança, que será apresentado no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na semana que vem.

Os resultados da pesquisa são igualmente promissores para o País quando se avalia a confiança no governo. A enquete revela que 54% dos entrevistados dizem confiar no governo brasileiro e índice maior só é registrado pela China (67%). Estados Unidos e Europa, com 48% e 31%, respectivamente, perdem para o Brasil nesse quesito. Segundo o diretor corporativo da Edelman do Brasil, Alexandre Alfredo, a combinação desses dois fatores positivos associado à queda do risco Brasil deverá abrir as portas do País para o retorno do investimento produtivo. (OESP)

Lula exige que os ministros criem metas para emprego

Dia 8/1/2004. Após um ano de baixo crescimento da economia, o governo Lula decidiu fixar metas setoriais para a criação de emprego em 2004. A estratégia para este ano foi delineada ontem em uma reunião de cerca de oito horas do presidente da República com dez de seus ministros. Também ficou decidido que será dada prioridade para as áreas de saneamento e habitação, tidas como as que mais necessitam de investimento.

Segundo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, as metas serão estabelecidas pelos ministérios nos próximos dias, tendo como base números realistas. "É preciso dizer às pessoas que o Brasil decidiu, de forma definitiva, ser um país arrumado. O Brasil não vai fazer arrumação de curto prazo, não vai dar uma ajeitada na contas em função de uma ou outra eleição." (O Globo, pág. 1 e 21)

1,3 milhão de empregos no campo - Meta de criação de vagas foi oficializada em reunião da Câmara de Política Econômica, realizada no Palácio do Planalto. Setor agrícola quer ampliar exportações e aumentar safra de grãos de 122 bilhões para 129 bilhões de toneladas, o que vai gerar postos de trabalho este ano. (Correio Braziliense, pág. 1 e 8)

Sobre a euforia dos mercados

Dia 6/1/2004. O mercado começa o ano em euforia, anuncia-se. Segundo o Aurélio, euforia é uma sensação de perfeito bem-estar, de alegria intensa e expansiva. Segundo Freud, ela é uma velha companheira da melancolia, formando um par que caracteriza comportamentos maníaco-depressivos.

Esse padrão de comportamento é um velho conhecido dos brasileiros. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a euforia inicial com o Plano Real e o controle da inflação foi seguida por uma profunda melancolia com os efeitos colaterais de uma política econômica que estabilizou também a estagnação econômica do país e aprofundou um quadro já dramático de desigualdades sociais." (carta maior)

País pode crescer 4,5% neste ano, avaliam economistas da UFRJ

Dia 3/1/2004. Os resultados econômicos do País em 2003 foram ambíguos, mas a economia brasileira tem condições de crescer 4,5% neste ano, aponta análise do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apesar da análise crítica sobre 2003, a previsão de crescimento do IE supera em um ponto a média projetada pelo mercado, em torno de 3,5%, segundo as mais recentes sondagens.

O instituto reconhece que há riscos quanto à recuperação econômica do País, mas conclui que o mais provável é que "a retomada do crescimento iniciada no segundo semestre de 2003 tende a ser vigorosa e reafirmada em 2004". O conselho editorial do boletim do IE é formado pelos economistas Antônio Barros de Castro, Caio da Silveira, Antônio Licha e Francisco Eduardo Pires de Souza. (oesp)

Projeto de autonomia do BC separa a área política do governo da econômica

Dia 2/1/2004. Uma rebelião da base do governo no Congresso ameaça um ponto chave do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI): o que estabelece a aprovação do projeto de autonomia do Banco Central. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alertado por parlamentares petistas sobre a possibilidade de conflito entre a área política e a econômica na questão. [O Globo]

Rumo a Cancun: organizações e movimentos sociais brasileiros dizem não aos novos temas na OMC

Nós, um conjunto de movimentos sociais, ONGs e entidades sindicais brasileiras estamos nos preparando para estarmos presentes em Cancun, em setembro próximo, por ocasião da realização da Va Reunião Ministerial da OMC. Em setembro de 2003..[+]


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