Análises econômicas
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..Arquivo 2002-2005


OMC: Passos Virtuais, Perigos Reais

A reunião ministerial da OMC em Hong Kong se encerrou com um acerto cosmético que tenta sinalizar aos governos e a opinião pública que a OMC não está em crise institucional e que a Rodada Doha (ainda) não fracassou. O documento a que chegaram os ministros, entretanto, é um documento fundamentalmente vazio, onde decisões aparentes, como a data para o fim de subsídios às exportações agrícolas, é relativizada pela necessidade de se chegar a um acordo de modalidades como condição à sua implementação. (...) Nota da Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (REBRIP), 19/12/2005.

Um relatório "fake"

O relatório da CPI dos Correios sobre os fundos de pensão - divulgado pelo deputado federal ACM Neto (PFL-BA)- é mais um "fake" nessa longa lista de manipulações que vem corroendo a Comissão Parlamentar de Inquérito e a cobertura. É como os dólares de Cuba, episódio do qual o único elemento cubano foi uma garrafa de bebida recebida pelo emérito "mula" Vladimir Poleto. Por Luís Nassif, na Folha de S. Paulo, 9/12/2005

A essência feminina no mundo dos negócios

A visão que a mulher tem do mundo dos negócios é só dela e são os princípios femininos que determinam esta visão. Absolutamente única, e que difere da cultura dominante, essencialmente masculina, criando assim uma nova leitura da realidade e do cotidiano. Leia a análise de Rosa Alegria na revista Idéias & Pessoas, em agosto de 2005.

A força da visão ideológica neoliberal

Muitas vezes, a crítica de que o governo Lula perdeu o controle do gasto público não se sustenta à luz da realidade. Basta fazer a simples comparação entre o conjunto de despesas dos dois últimos anos do governo FHC com os dois primeiros da atual administração. Por Marcio Pochmann, 20/4/2005

Contrapeso ao “FMI doméstico”

Não deu outra: logo após o anúncio de que o Brasil não irá renovar o acordo com o FMI, a equipe econômica movimentou-se para elevar a meta de superávit fiscal primário. Mas o instinto de sobrevivência de Lula, que não pretende perder o emprego em 2006, certamente o impedirá de cair neste canto da sereia. Por Paulo Nogueira Batista Jr., 7/4/42005

O cooperativismo como alternativa

(...) é importante o debate? Sem sombra de dúvidas, sim. Entretanto, onde não há ação, onde não há intervenção positiva, o debate acaba por se tornar um enfadonho “conto de fadas”. Fica-se sempre com a sensação que muito se fala e pouco se faz. Neste cenário, surge o sistema cooperativista como forma de aliar prática à teoria. Tal sistema, porém, no que diz respeito ao nosso país, encontra-se em uma encruzilhada. O caminho a ser escolhido irá definir os rumos que esse tipo de empreendimento, de caráter social e econômico, poderá tomar, sem os percalços atuais. Por Daniel Augusto Maddalena, 3/4/2005

A diferença que faz ter um presidente

A lição da Argentina virou um exemplo e ganha o aplauso do mundo. Por que Kirchner fez e Lula não faz? Esta é a diferença que faz um país ter um presidente, que toma "Vitamina C", e outro apenas um mestre-de-cerimônias. Por.Sebastião Nery, 7/3/2005.

Segunda opinião

Depois de passar oito anos criticando a política econômica do governo anterior o governo Lula não só abraçou a mesma política como apalpou-lhe a bunda, com uma familiaridade que ninguém imaginava. Uma das primeiras coisas que o Palocci disse depois de ser empossado como o novo Malan foi que dobraria o superávit primário, justamente aquele ralo pelo qual, segundo o discurso antigo, sumia o dinheiro do “social”. O resto da política econômica também foi mantido, em alguns casos com maior rigor. Por Luis Fernando Verissimo, 6/3/2005

EUA-Rússia
As críticas americanas e a resposta da Rússia

No encontro entre Vladimir Putin e George Bush, a ser realizado a 24 de fevereiro em Bratislava, na Rússia, um dos temas em foco será a cooperação económica entre os dois países. A atuação do empresariado russo no mercado americano desperta particular interesse, tendo os maiores consórcios da Rússia feito nos últimos tempos importantes aquisições de ativos na América. Por Vladimir Simonov, observador político da RIA "Novosti", fevereiro de 2005

"Ajuda" externa
O Banco Mundial na África

Jeffrey Sachs, professor na Universidade Harvard, foi o arquiteto da “terapia de choque” aplicada na década de 80 pelo ministro da Economia boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada, o Goni, que derrubou a hiperinflação e, de quebra, destruiu a economia formal do país baseada na mineração. Goni presidiria a Bolívia entre 1993 e 1997 e, novamente, de 2002 até revolta popular de outubro de 2003, quando renunciou e fugiu para os EUA. Sachs qualificou Goni como “um gênio” e “uma figura política brilhante”. A Bolívia reinventada pelos experimentos ultraliberais da dupla dinâmica é um caldeirão de turbulência política e exclusão social, no qual 70% da população vive abaixo da linha de pobreza. Por Demétrio Magnoli, 21/2/2005, no Clube Mundo

Carlos Lessa
As elites que enganam Lula

Em entrevista exclusiva ao Bafafá, o professor Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES tece duras críticas à política econômica do governo Lula. Segundo Lessa, o presidente insiste em políticas monetárias e financeiras suicidas, que constituem "um verdadeiro Tsunami, que destrói as esperanças". Lessa, finalmente, revela quem são as elites que enganam o presidente. "São as elites financeiras nacionais e internacionais. São as únicas que ganham neste quadro de estagnação da economia, com esta taxa de juros devastadora. O que elas fazem com seus lucros? Aplicam no mercado financeiro. Só elas ganham, todos os demais perdem. Veja a evolução dos lucros do sistema bancário brasileiro". Em fevereiro de 2005

Os povos são credores: Dívidas sociais e ecológicas são a prioridade

Entre 9 e 11 de novembro de 2004 realizamos uma Oficina Internacional sobre a Auditoria das Dívidas, em Brasília. Éramos ativistas das Redes Jubileu Sul Brasil e Américas, professores universitários, religiosos e trabalhadores de vários campos, além de congressistas brasileiros. A campanha brasileira pela auditoria da dívida externa, lançada durante o Tribunal Internacional das Dívidas, em 1999, no Rio de Janeiro, tornou-se tema do primeiro Plebiscito Popular realizado em 2000, em todo o território nacional pela Campanha Jubileu 2000-Brasil. Por Marcos Arruda, janeiro de 2005

Auditoria da Dívida Externa

A Dívida Pública é o centro dos problemas nacionais. A maioria dos recursos públicos tem sido destinados ao pagamento dos juros escorchantes dessa questionável dívida, impossibilitando a realização de investimentos promotores de crescimento econômico ou o desenvolvimento das políticas sociais. As conseqüências são graves para toda a sociedade. Por Maria Lucia Fatorelli Carneiro, janeiro de 2005

FMI: A submissão de Lula

Nos últimos 20 anos o Brasil tem sido o mais importante devedor do Fundo Monetário Internacional. O Brasil recebeu empréstimos no valor total de US$ 58 bilhões, ou seja, cerca de 1/4 do valor total dos empréstimos concedidos pelo Fundo aos seus 14 principais clientes. Por Reinaldo Gonçalves, janeiro de 2005

Dívida social e ajuste fiscal

Até quando vamos continuar pagando a conta do banquete dos outros? Até quando a realização da auditoria da dívida externa vai ser adiada? Afinal, desde 1988 ela está prevista na Constituição brasileira. Temos o direito de saber para onde está indo o dinheiro público. Por Sandra Quintela, janeiro de 2005

Sobre a Construção e Encontros Solidários

A dívida ecológica é um dado real dessa história, que em grande parte pode ser quantificado (apesar de que não querermos cair na armadilha de buscar a sua monetarização). Sem o seu enfrentamento político será impossível buscar um futuro sustentável para a humanidade. Por José Augusto Pádua, janeiro de 2005

A ilusão americana

Em conseqüência desses persistentes déficits correntes, os Estados Unidos tornaram-se o maior devedor do planeta. O seu passivo externo líquido chegou a cerca de 30% do PIB em 2004 e poderá alcançar mais de 40% do PIB em 2008 e 2009, segundo projeções do FMI. Por Paulo Nogueira Batista Jr., 7 de janeiro, 2005

Uma nova safra recorde de equívocos

Normalmente associamos a destruição da floresta amazônica à ação dos madeireiros e das mineradoras. Embora seja historicamente verdade, isto está mudando. Mudando para pior. O vilão de agora, muito mais competente, é o agronegócio; Deveríamos iniciar as discussões sobre este modelo econômico escorado na exportação de produtos primários, com destaque para minério, carne e grãos. É necessário questionar a quem serve este modelo neocolonial e a quem beneficia. Por Henrique Cortez, da Agência Carta Maior, janeiro de 2005

O conto do risco

SÃO PAULO. Informa Kennedy Alencar (Folha, domingo) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está feliz da vida com o fato de o risco-país ter caído abaixo de 400 pontos. Bobagem (do presidente). Supor que o risco-país meça efetivamente a capacidade de o país honrar suas dívidas eqüivale a acreditar em duende. Por Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo, 21/12/2004

Crise na monocultura da soja

Avizinha-se uma grave crise na monocultura da soja. Insumos em alta, preços em baixa, maior oferta que consumo e migração de consumidores. A combinação destes quatro fatores é nitroglicerina pura nas projeções e nas ambições do setor. Por Frei Sérgio Antônio Görgen, outubro de 2004.

Kirchner é a boa notícia

A última boa surpresa do fim de 2004 veio de Buenos Aires. O presidente Néstor Kirchner prevaleceu sobre o terrorismo financeiro. Os credores de uma dívida de US$ 102 bilhões começaram a engolir a negociação do primeiro calote do século XXI. Kirchner oferece 25 centavos por cada dólar devido aos maganos da dolarização do presidente Carlos Menem, quindim do FMI, da banca e de um consórcio de larápios locais. Por Elio Gaspari, do jornal O Globo, 2 de janeiro, 2004.

"Para onde caminhamos?"

A indagação é do economista Celso Furtado, no último artigo escrito para o Jornal do Brasil, em 10/11, 10 dias antes de sua morte.

Aves de rapina e vampiros sociais

Sebastião Nery, 20 de dezembro, 2004. Por que os jornalões não lembram que apenas 1% de aumento nos juros corresponde exatamente aos R$ 4 bilhões que iriam para o aumento do salário mínimo? E 2% dos últimos aumentos de juros pagariam as contas todas.

A falácia do superávit primário

É fundamental desmistificar as justificativas oficiais e os comentários econômicos da mídia sobre a necessidade de contingenciamento do orçamento fiscal ou da geração de superávits primários incompatíveis com a recuperação do crescimento. Da Sociedade Brasileira de Economia Política, junho de 2004..[+]

Napoleão, sorte e rotina

Paulo Nogueira Batista Jr, 9 de dezembro, 2004. Como o conservadorismo da política econômica tem apoio maciço da mídia, certos dados recebem pouca atenção. Por exemplo: raramente se comenta que o ritmo de crescimento do Brasil em 2004 é inferior ao de outros "emergentes", como China, Índia, Argentina, Rússia, Malásia e Turquia.

A macroeconomia e a macrosociedde

Leonardo Boff, 6 de dezembro, 2004. Há um mal-estar inegável dentro e fora do Governo referente à opção macroeconômica assumida pelo Presidente Lula. Confrontam-se dois olhares conflitantes, cada qual com sua lógica e seu discurso coerente.

Os mitos da política econômica

Quando a economia atinge 3% ou 4% de crescimento, já se julga que é o máximo, que se está crescendo muito, que se vai gerar inflação e consumo. Essa lógica é infernal. Quando aumentamos os juros, cresce a dívida pública e, certamente, haverá ajustes fiscais ainda maiores. Ou seja, mais sacrifícios para a população brasileira. Esse modelo é insustentável (...) Por Ivan Valente, 30 de novembro, 2004

Economia como ciência social

Mauro Santayana, 27 de novembro, 2004. Celso Furtado, morto no último dia 20, via a economia como uma ciência social, ou seja, política. É difícil encontrar números em seus trabalhos, a não ser os números relativos que expressam as desigualdades.

Nenhuma derrota é definitiva

Paulo Nogueira Batista Jr., 25 de novembro, 2004. Nascido em Pombal, no sertão paraibano, Celso Furtado confirmou esplendidamente a célebre frase de Euclides. Em texto de 1972, "Aventuras de um economista brasileiro", ele recorre à sua dura experiência de criança e adolescente, no interior do Nordeste, para explicar a formação em seu espírito de certos elementos invariantes, de algumas "idéias-força" das quais dificilmente poderia libertar-se sem correr o risco de desestruturar a sua personalidade.

Baixas

Luis Fernando Verissimo, 25 de novembro, 2004. Ninguém é insensível ao custo social da opção pela austeridade, mas aceitar a sua inevitabilidade é aderir à ética peculiar do mercado financeiro, que exclui todas as outras. Como os objetivos do modelo, em tese, são claros, a retórica com que o defendem é convincente e não há alternativa viável, ainda mais depois que a própria esquerda brasileira ao chegar ao poder declarou que não era de esquerda, a aritmética é — como decidiu a maioria do PT na sua última reunião — tolerável.

Águias monetaristas

Gustavo Barreto, 18 de novembro, 2004. É, por baixo, a terceira vez que eu leio uma notícia com o título "Nova alta de juros desagrada tanto trabalhadores quanto empresários". A notícia acima, é claro, não é lá muito confiável. É um daqueles jornais que fazem campanha contra Carlos Lessa quase que diariamente, por um suposto "fraco desempenho do BNDES" e por suas polêmicas, que o maluco do Lessa insiste em chamar pelo nome (debate).

Uma boa briga no mundo da soja

Vem aí uma boa negociação, a dos produtores de soja do Rio Grande do Sul com a Monsanto. A empresa resolveu cobrar R$ 1,20 por cada saca de 60 quilos colhida de soja fortalecida pela sua tecnologia Round-Up. Um aumento de 100% sobre o valor cobrado na última safra. De Campinas, 1 de novembro, 2004.

O novo golpe

Depois da nota do Exército sobre Wlado Herzog, um novo golpe veio à tona no país, materializado pelo Copom em sua decisão de elevar os juros em 0,5 ponto percentual, para 16,75%. Hoje, a luta brasileira pelos ideais republicanos não deve mirar mais os quartéis, mas o bunker do Banco Central. Por Flávio Aguiar, 23/10/2004

Que pacote é esse?

Gustavo Barreto, 2 de outubro, 2004. Até o fim de setembro, o governo executou, em média, apenas 15,2% dos investimentos previstos no Orçamento de 2004, deu no jornal. Exemplos: Ministério dos Transportes (11,8%), Ministério das Cidades (16,8%) e Integração Nacional (19,7%). (O Globo, 2/10). No mesmo dia: "Governo conclui pacote para ativar a economia".

Chega! Vamos falar de futebol

Nelson Breve, 26 de setembro, 2004. Dizer que o superávit maior vai ser usado para pagar dívida é uma ignorância tão grave quanto desconhecer que o goleiro não pode pegar a bola com a mão fora da área.

O segundo Roberto Marinho

Sebastião Nery, 22 de setembro, 2004. Lula descobre o óbvio. Descobriu a fome como cruzada política. Lançou o Fome Zero na ONU, em Nova York. Bush não foi. A fome de Bush é de guerra. (...) O que é inacreditável é ele não perceber a flagrante contradição de defender uma causa justa lá fora e aqui no Brasil ser serviçal e cúmplice de uma política econômica que fomenta a fome que diz combater.

Quanto pagam e quanto ganham

Sebastião Nery, 21 de setembro, 2004. (...) Grave é o presidente da República e o ministro da Fazenda passarem um mês mendigando a Henrique Meirelles e seus homens de ouro, diretores do Banco Central, para não subirem os juros, e o poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu, o dono do PT, avisar que não havia razão nenhuma para os juros subirem, e mesmo assim os juros subiram.

"Conosco ninguém podemos"

Carlos Chagas, 10 de setembro, 2004. Os chineses fazem beicinho para importar nosso frango e nossa soja? Lig-lig-lé para eles, vamos botar as penosas na panela dos pobres enquanto o grão servirá para engordar o gado, quem sabe proporcionando um bife por semana para cada trabalhador aqui dos trópicos, mesmo em detrimento dos antigos camaradas das estepes.

Plano Real – Dez anos de saqueio

Adriano Benayon, 3 de setembro, 2004. Ao título acima, poder-se-ia acrescentar “dez anos de mentiras”, o recurso empregado para saquear o patrimônio do País e para manietar seu potencial de desenvolvimento.

Notícias esparsas mas correlatas

Milton Temer, 24 de agosto, 2004. Estamos aí cantando loas a uma retomada de crescimento previsível, em função de péssimos resultados anteriores, sem nos darmos conta, uma vez mais, do que se passa com a vizinha Argentina, em seus confrontos ininterruptos com o FMI.

A panacéia do crescimento

Pe. Alfredo J. Gonçalves, 19 de agosto, 2004. A retomada do crescimento é, hoje, um fato inquestionável. Praticamente todos os setores da economia apresentam sinais consistentes e generalizados de recuperação. Ninguém, em sã consciência, pode negar a evidência dos índices apresentados com certa regularidade nas últimas semanas. Claro que temos aí dados positivos a serem registrados. O que não podemos é fazer disso uma espécie de panacéia para todos os males.

Flagrante de promiscuidade no BC

José Paulo Kupfer, 5 de agosto, 2004. Os últimos dias foram pontilhados de notícias escandalosas na área econômica. Não, não se está falando aqui das denúncias de sonegação fiscal que perseguem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nem das acusações de operações ilegais com dólares, que atormentam o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb.

Nosso café com leite

Verissimo, 5 de agosto, 2004. Aparentemente as leis da física são mais flexíveis do que a ortodoxia do bordel.

Acordo entre União Européia e Mercosul: modernas quinquilharias

Renata Lins, ecnomista do PACS, julho de 2004. A luta empreendida pela sociedade civil contra o Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA), por mais importante que seja, não deve obscurecer os perigos que rondam novos acordos negociados em paralelo a este. Particularmente, o acordo entre União Européia (UE) e Mercosul, cujas negociações prosseguem a portas fechadas.

Crítica à economia neoliberal

Leda Maria Paulani,julho de 2004. A Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) é uma sociedade civil sem fins lucrativos que nasceu, há 8 anos, graças à determinação e esforço de um grupo de professores de Economia de várias regiões do país que, percebendo a ofensiva ímpar da ortodoxia, não só na condução prática da política econômica mas também no mundo acadêmico, buscou por isso constituir um espaço alternativo de discussão onde tivessem voz todos aqueles que não aceitam a mistificação do discurso convencional.

Massacre tucano

Mauro Braga, 5 de julho, 2004. O Brasil é, sem dúvida, um estranho país. Comemora o décimo aniversário do Plano Real, como se estivéssemos no melhor dos mundos.

A geração do Real

Luis Nassif, 2 de julho, 2004. O real não era um programa de crescimento, mas de estabilização. Os pais do Real não tinham outra especialidade que não a do combate à inflação inercial.

Raciocínio binário

Fernando Rodrigues, 30 de junho, 2004. Há um frenesi no governo por conta do recorde atrás de recorde nas exportações do país. O boletim "Em Questão", produzido pela Presidência da República e apelidado rapidamente em Brasília de "Pravda petista", anunciou com júbilo que "há um crescimento muito acima da média" da exportação brasileira "nos lugares por onde passou a comitiva brasileira" com Lula.

Quem são as penas de aluguel?

Clóvis Rossi, 30 de junho, 2004. O vice-presidente José Alencar e o ministro Ciro Gomes fizeram gravíssimas acusações que, suspeito, ninguém vai cobrar. Refiro-me à suposta (ou real) censura que ambos estariam sofrendo por conta da crítica aos juros altos ou por, segundo Ciro, pensar "alternativas que não sejam essa ortodoxia imposta por esse modelo econômico".

Leitores de bula

Clóvis Rossi, 27 de junho, 2004. No início do governo Lula, no ano passado, um dos principais auxiliares do ministro Antonio Palocci mostrou-se extasiado, em Davos, por reunir-se com o que ele próprio chamava de "livros-texto" (de economia, obviamente).

A economia segue ladeira abaixo

Lauro Veiga Filho, 24 de junho, 2004. Desde os últimos meses do ano passado, embora a economia ainda derrapasse no desemprego elevado e nos salários achatados, já parecia com certa nitidez que a atividade econômica não tenderia a repetir, no começo de 2004, os péssimos resultados observados na primeira metade de 2003. Até por um “efeito banguela”, como um carro que desce a ribanceira em ponto morto, e tende a manter uma certa velocidade na subida até ser barrado pela inércia.

‘Le pescocê’

Luis Fernando Verissimo, 20 de junho, 2004. O economismo neoclássico sofreu alguns abalos nos últimos anos, com a deserção ou a autocrítica de alguns dos seus luminares, mas nem toda a evidência acumulada de que o domínio do seu pensamento único só aumentou a desigualdade e a miséria no mundo impede que ele continue a ser chamado de “pescocê”.

Prostíbulos fiscais

Emir Sader, 20 de junho, 2004. A reunião da Unctad no Brasil recolocou o tema da taxação dos movimentos de capitais dos chamados ''paraísos fiscais''. O aparentemente interminável processo de Paulo Maluf reatualiza permanentemente o tema. Parece um fenômeno menor, particular, uma aberração, porém, como dizia Brecht, no exagero se deduz a essência de um sistema.

"Mercado" sério?

Helio Fernandes, 12 de maio, 2004. Anteontem, segunda-feira, a Bovespa-Las Vegas caiu 5,46%. No mesmo final do dia, rádios e televisões "retumbavam de quebrada em quebrada": o medo do aumento dos juros nos EUA fez a bolsa despencar. Ontem, terça, os jornalões vieram na mesma linha. Aqui mesmo, ontem, escrevendo logicamente na tarde da véspera, denunciei a manobra na contramão de tudo o que os jornalões diziam. Mostrei que era venda em massa, para derrubar as ações e recomprar.

Plano C
Paulo Metri, 12 de maio, 2004. Os economistas que refutam qualquer plano soberano que priorize o desenvolvimento e a distribuição de renda no país estão presos a uma visão política que só permite a ele utilizar os conceitos técnicos liberais. Plagiando a frase sobre a guerra e os generais, a economia é muito importante para ser deixada só para os economistas.

Ajuste fiscal e humilhação
Milton Temer, 5 de maio, 2004. O FMI manda técnicos de segunda linha para sabatinar a equipe econômica. Humilhação? Não, para os que auferem altos lucros na especulação do ''mercado'' ou recebem em dólar por conferências, onde defendem ajuste fiscal ainda mais duro. Mas, sim, para quem vive de salário mediano ou baixo, e é obrigado a pagar plano de saúde e mensalidades astronômicas, no ensino privado, por conta do desmonte ''modernizador'' do Estado. Pior, ainda, para quem sequer salário recebe, exatamente por conseqüência do desemprego gerado pelo referido ajuste fiscal rigoroso.

Os inúteis compromissos de campanha
Helio Fernandes, 3 de maio, 2004. Lula prometeu salário mínimo de 480 em 4 anos. Se ficar 8, chegará a 450.

Charge (29/4): Usa pra isca!

O presidente está impaciente

Paulo Nogueira Batista Jr., 28 de abril, 2004. A situação social não será substancialmente alterada sem mudanças na política macroeconômica. Esperemos que haja coragem para implementá-las. Caso contrário, os assessores presidenciais que se preparem...

O que os mercados querem de nós, afinal

Marco Aurélio Weissheimer, 26 de abril, 2004. O Brasil continua acumulando superávits primários acima do que é exigido pelo FMI. No entanto, os mercados começam a perder a confiança no governo, diz The Economist. O que, afinal, os mercados querem do Brasil?

Números e idiotia

Clóvis Rossi, 23 de abril, 2004. Os números do FMI (Fundo Monetário Internacional) a respeito do crescimento da economia mundial neste ano apontam com toda a clareza para o absoluto fracasso da política econômica.

Palocci em Comandatuba

Paulo Nogueira Batista Jr., 21 de abril, 2004. Antonio Palocci tem sido um alvo recorrente desta coluna. Lamento. Nada tenho contra o nosso ministro da Fazenda. Gostaria muito de poder apóia-lo. Mas Palocci não ajuda.

Incentivo para quem?

Altamiro Borges alerta: novas vantagens oferecidas pelo governo brasileiro a montadoras de automóveis não ajudarão a combater o desemprego. Em 31 de março, 2004.

Unidade, só a partir das bases
Carlos Chagas, 16 de março, 2004

Entre uma música e outra
Gustavo Barreto, 12 de março, 2004. O furor das notícias que extrapolam o limite dos nexos que deduzimos diariamente faz com que não vejamos os absurdos ditos à luz do dia.

Agenda perdida
Léo Lince, 11 de março, 2004. Caiu como uma bomba o relatório do IBGE sobre o desempenho da economia brasileira no primeiro ano do governo Lula.

Por que perdemos a Ambev
Economista Reinaldo Gonçalves sustenta: venda da “multinacional verde-amarela” revela falta de política econômica e submissão à lógica dos mercados mundiais. Em 5 de março, 2004.

O perigo do crescimento eterno
Gazeta Mercantil, 5 de março, 2004. Com o lançamento de "Ecoeconomia - Uma Nova Abordagem", Hugo Penteado deu à discussão ambiental no Brasil um novo patamar ao basear toda sua argumentação na crítica do modelo de desenvolvimento dos grandes países: "Não há crescimento econômico sem total desfiguração dos ecossistemas e sem estar colocando toda a vida na Terra, inclusive a dos homens, em total perigo".

Fadiga e arrogância
João Sayad, 01.mar.2004. O país gasta 9% do PIB com o pagamento de juros, imprime dinheiro para pagar juros e não tem dinheiro. O que é corrupção?

'Spread' ou a farra especulativa
Emir Sader, 22 de fevereiro, 2004. Os dicionários de economia esclarecem que spread é a diferença entre o quanto os bancos pagam e o quanto recebem; em outras palavras, o lucro dos bancos. Nenhum investimento permite ganhar tanto, em prazo tão curto, com tanta liquidez e pouco ou nada de imposto - recordemos que investimentos estrangeiros na Bovespa não pagam imposto, ao contrário da cesta básica, de livros etc.

O dilema de Tostines
Rodrigo de Almeida, 22 de fevereiro, 2004. O Brasil enfrenta hoje o dilema de Tostines. No modelo que criou para si, não pode reduzir os juros porque não tem investimento na expansão da produção. E não há investimento na expansão da produção porque não baixa os juros.

Brasil é uma lavanderia de dinheiro ilegal
Brasil de Fato, 19 de fevereiro, 2004. BC acoberta sonegadores, abre caminho para fraudes e remessas ilegais de dólares; já a Receita, parcela dívidas a perder de vista.

Buenos Aires, verão e rebeldia
Outras Palavras, 18 de fevereiro, 2004. Sob pressão do FMI, o governo argentino promete resistir, e sustenta a proposta de uma redução de 75% em sua dívida pública. O Brasil continuará a assistir à disputa de braços cruzados?

Batendo cabeça
Mauro Braga, 18 de fevereiro, 2004. Em seu pronunciamento na abertura dos trabalhos da sessão legislativa, João Paulo Cunha criticou o superávit, afirmando que algo precisa ser feito para que o País não gaste mais tantos recursos apenas para pagar juros, sem ao menos reduzir a relação dívida/PIB.

Estratégias discursivas do poder monetário
Walnice Nogueira Galvão, 17 de fevereiro, 2004. A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central, faz o leitor cair de costas. São páginas e páginas de impenetrável economês, visando a que o leitor não perceba que a inflação aumentou e deve continuar aumentando: conclusão que se encontra embutida na própria ata.

O CDES ouve, mas não é ouvido
Elio Gaspari, 15 de fevereiro, 2004. Saia justa de alto nível na última reunião do Conselho de Desenvolvimento Social com dois doutores da ekipekonômica.

Insensibilidade ecológica ou ignorância econômica?
Gustavo Barreto, 14 de fevereiro, 2004

A retórica do caos
Luís Nassif, 13 de fevereiro, 2004. O brasil é vítima de dois fenômenos políticos invencíveis. O primeiro, a síndrome de Allende. Como conseqüência, a submissão à retórica do terror econômico. É isso o que explica o fato espantoso de uma ata do Copom ter colocado o governo de joelhos.

Escandalosa remessa de lucros e dividendos
Brasil de Fato, 12 de fevereiro, 2004. Na última década, o Brasil entrou em um processo vertiginoso de liquidação do patrimônio público, privatizando quase uma centena de empresas estatais, em muitos casos, compradas por grupos transnacionais em condições ultrafavorecidas.

Alma partida?
Paulo Nogueira Batista Jr., 12 de fevereiro, 2004. 

A Esquerda "Neoclássica"
Henrique Rattner, fevereiro de 2004

A nova lista da fritura
Carlos Chagas, 12 de fevereiro, 2004. As emendas coletivas e individuais de deputados e senadores revelam as grandes supressões: R$ 940 milhões vão sumir do Ministério dos Transportes; R$ 800 milhões, do Ministério da Saúde; 628, do Ministério das Cidades; e 603 milhões do Ministério da Integração Nacional.

Um plano, pelo amor de Deus
Clóvis Rossi, 7 de fevereiro, 2004. O Brasil não tem plano nenhum. Tem um receituário de manual que, em todos os países emergentes em que foi aplicado, ou fracassou redondamente, ou mostrou-se escandalosamente insuficiente para aquilo que é fundamental em qualquer política econômica: crescimento, emprego e renda.

Modelo de BC
Luís Nassif, 6 de fevereiro, 2004. Um dos mais extraordinários sofismas criados por esse pensamento econômico de manual é considerar o déficit fiscal primário (excluídos os juros) como indicador do desempenho fiscal brasileiro.

A herança de Pinochet
Emir Sader, 6 de fevereiro, 2004. Sucessivos governos do Chile podem servir de exemplo a não ser seguido pelo Brasil em matéria de política econômica neoliberal.

Fases da lua financeira
José Paulo Kupfer, 5 de fevereiro, 2004. Sempre que, no Brasil, uma turbulência se instala nos mercados financeiros, a razão essencial das sacolejadas é que o espectro do fantasma de um calote voltou a rondar a cena econômica. É uma dúvida que funciona em vaivém, como as marés.

Barbeiragem e ortodoxia
Luís Nassif, 5 de fevereiro, 2004. Nos últimos dias, caiu a ficha da opinião pública sobre os estragos provocados pela imprudência do Banco Central no manejo da política monetária em 2003.

Falta é vergonha
Sebastião Nery, 4 de fevereiro, 2004. A taxa de juros elevou a dívida pública (interna, sem contar a externa) de R$ 516,5 bilhões em 99 para R$ 563 bilhões em 2000, R$ 661 bilhões em 2001, R$ 881 bilhões em 2002 e R$ 913 bilhões em 2003: desde 99, a dívida pública subiu R$ 396,5 bilhões.

Curiosa retórica palaciana
Gustavo Barreto, 4 de fevereiro, 2004. Está faltando alguém levantar a mão.

Quem mandou acreditar?
Milton Temer, 4 de fevereiro, 2004. O ''mercado'' entrou em parafuso desde a semana passada. E com ele, todos os analistas encantados com a continuidade da política macroeconômica tucana ao longo do primeiro ano do governo Lula.

Os números e o poste
Carlos Chagas, 4 de fevereiro, 2004. Sexta-feira os jornais publicaram, certamente por um cochilo do Banco Central, que em 2003 o Brasil pagou R$ 147 bilhões de juros de nossas dívidas. No barato, US$ 50 bilhões.

O Banco Central dos fora-da-lei
Outras Palavras, 4 de fevereiro, 2004. Um texto de Raimundo Pereira, baseado no trabalho de duas Procuradoras da República revela: há dez anos o BC age, na surdina, para favorecer o sistema financeiro. Agora, quer mais "autonomia"...

Radicais por um dia
Gustavo Barreto, 4 de fevereiro, 2004. Toda vez que te chamarem de radical, olhe em volta.

O motel dos banqueiros
Sebastião Nery, 3 de fevereiro, 2004

Autonomia do BC - uma "inquietação acadêmica"
Paulo Nogueira Batista Jr., 3 de fevereiro, 2004. Não se sustenta a versão simplória, propagada por defensores da autonomia, de que o que está em jogo é apenas permitir que o Banco Central tenha total segurança para alcançar, por meios “técnicos”, as metas de inflação fixadas pelo governo.

Punks
João Sayad, 2 de fevereiro, 2004

Paul Singer teme manutenção da fuga de capitais
Agência Carta Maior, 31 de janeiro, 2004. Economista defende adoção de controle de capitais para evitar alta do dólar, que pressionaria a inflação e poderia provocar elevação da taxa de juros no Brasil.

Novo partido de esquerda. Há espaço?
Milton Temer, 28 de janeiro, 2004

Falência da lei
Mauro Braga, 26 de janeiro, 2004. Para atender a uma exigência expressa do Fundo Monetário Internacional, reforçada pelo lobby montado pela Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) e conduzido pelo presidente do Banco Central em pessoa, Henrique Meirelles, um dos itens da pauta da convocação extra do Congresso é a reforma da Lei de Falências.

Na contramão da realidade
Helio Fernandes, 23 e 24 de janeiro, 2004. O mundo reduz juros com medo da inflação, o Brasil "inventa".

Reações no PT
Mauro Braga, 23 de janeiro, 2004. O deputado Ivan Valente (PT-SP) fez ontem um violento discurso da tribuna da Câmara, criticando a gestão do banqueiro multinacional Henrique Meirelles à frente do Banco Central.

Perspectivas de 2004 e depois
Aldo Ferrer, 23 de janeiro, 2004. Diversos acontecimentos permitiram recuperar a governabilidade da economia argentina. Eles incluem a modificação dos preços relativos favoráveis à substituição de importações e as exportações, a pesificação do sistema monetário, que restabeleceu a capacidade do Banco Central de fazer política monetária, o superávit do orçamento, o extraordinário superávit no balanço comercial e a mudança da natureza da dívida.

Reviravolta na política econômica
José Paulo Kupfer, 8 de janeiro, 2004. Se realmente soubessem prever os eventos econômicos, os economistas da banda que não desgruda o olho das contas externas teriam guardado umas garrafas de champanha para estourá-las no início da noite de terça-feira, quando o presidente do BC anunciou um mecanismo sistemático de intervenção no mercado cambial.

Sobre a euforia dos mercados
Marco Aurélio Weissheimer, 6 de janeiro, 2004. Nos primeiros dias de 2004, euforia e otimismo são as palavras mais utilizadas pela mídia para descrever as expectativas dos mercados com o desempenho da economia brasileira. Companheira inseparável da melancolia, segundo Freud, essa euforia é uma velha conhecida dos brasileiros.

A "subversão" de Cuba e da Venezuela
Emir Sader, 6 de janeiro, 2004. O privilégio ao social e o intercâmbio sem bases mercantis são vistos por Washington como exemplos intoleráveis a outros países da América Latina.

Ano Novo
João Sayad, 5 de janeiro, 2004. Somos geocêntricos e egocêntricos. Bem-aventurado quem pensa que tudo começou no lugar e no dia em que nasceu, pois para ele, todo dia é um dia novo. Mas o desgraçado carrega consigo a culpa de todos os pecados do mundo.

O ano do (des)emprego
José Paulo Kupfer, 3 de janeiro, 2004. Quando uma economia não anda bem das pernas, os economistas – esses seres que adoram discutir o secundário – se estapeiam para decidir se o estado em que ela se encontra é de recessão ou de depressão. (..) A economia está em recessão quando seu vizinho perdeu o emprego. E que está em depressão quando quem perdeu o emprego foi você.

Volta ao trabalho
Mauro Santayana, 2 de janeiro, 2004. A receita dos economistas modernos para colocar ordem nas finanças públicas é uma só: a do arrocho. Resume-se em cobrar o máximo de impostos e gastar o mínimo com os serviços do Estado, sobretudo aqueles considerados “sociais”’.

Assim o Brasil não cresce
José Paulo Kupfer, 1 de janeiro, 2004. Além da estagnação econômica e do conseqüente alto índice de desemprego, do excessivo endividamento do setor público e da vulnerabilidade externa, a economia brasileira sofre com a má qualidade do debate das alternativas de superação de seus problemas.
 

2003

Feliz 2011
José Paulo Kupfer, 26 de dezembro, 2003. Enquanto todo o esforço do ajuste fiscal produzirá este ano uma economia de algo como R$ 60 bilhões, as despesas com juros, em torno de 10% do PIB, devem superar R$ 150 bilhões. Ou seja, todo o cantado e decantado esforço fiscal, em 2003, só deu para cobrir 40% do que o governo vai ter de transferir de renda para os detentores dos títulos representativos da dívida pública.

(...) o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, avisou, recentemente, que o superávit primário de 4,25% do PIB deve ficar por uns dez anos e que o ajuste fiscal ainda está longe. É só um pouquinho de paciência. Livre das amarras dos desequilíbrios nas contas públicas, os brasileiros que sobreviverem poderão comemorar, com consistência, um sólido e feliz 2011.

O governo Lula tem muitos problemas
Mas nada que se compare com "dívidas" e juros. Por Helio Fernandes, 19 de dezembro, 2003.

Até quando, companheiro?
Fábio Konder Comparato, 8 de dezembro, 2003. Alguém, de boa ou de má-fé, pouco importa, passou-lhe a idéia de que seria possível reduzir a miséria do nosso povo com a simples aplicação de políticas sociais, sem alterar em nada a política econômica anterior.

A economia brasileira em 2003: mais do mesmo
Jurandyr O. Negrão: Os custos incorridos para segurar o dólar e a inflação. Não foram baixos: a economia ficou estagnada; o desemprego voltou a subir; e o poder de compra dos trabalhadores sofreu nova queda - muito expressiva -, da ordem de 8% (pela estimativa do Seade) a 15% (de acordo com o IBGE).

Os espíritos do Hospício Imperial voltaram!
Estudantes defendem a independência intelectual de Maria da Conceição Tavares frente aos ataques de técnico do Banco Mundial. Os espíritos do Hospício Imperial voltaram! Manifesto de dezembro de 2003

Observatório da Cidadania defende controle de capitais
Nelson Breve, 3 de dezembro, 2003. Relatório que será apresentado nesta quinta no Senado traça um panorama do primeiro ano de governo petista e considera que a saída da armadilha montada pela radicalização da política econômica ortodoxa é restringir a entrada do capital especulativo e a evasão de divisas dos investidores residentes.


"Apesar das projeções em contrário, Meirelles vê crescimento do País. Só pode ser delirium-tremens econômico". [Jésus Rocha, dezembro de 2003]

Palocci defende arrocho nos gastos sociais
Jorge Pereira Filho e Bruno Fiuza, Brasil de Fato, dezembro de 2003. Um estudo elaborado pelo Ministério da Fazenda está conseguindo unir vozes dissonantes do governo e da sociedade, que não concordam com a orientação econômica da gestão Lula. O documento é uma coletânea de análises e conceitos defendidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial.

Lula retoma a rédea
Mauro Braga, 29 de novembro, 2003. Palocci começa a perder prestígio no governo. Meirelles nunca teve.

O Sol e a peneira
José Luís Fiori, 27 de novembro, 2003. Os países mais fracos só conseguirão defender os interesses do seu capitalismo e de sua população se forem capazes de construir suas próprias estratégias comerciais, junto com políticas macroeconômicas adequadas ao seu nível de desenvolvimento e aos seus objetivos nacionais.

O Brasil ou o mercado?
Outras Palavras, 27 de novembro, 2003. Embora mantenha sua aposta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a esperança de que “sempre há uma chance de as coisas mudarem”, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo vem apontando equívocos em quase um ano de mandato petista. Uma questão central, cuidadosamente jogada para debaixo do tapete, afirma ele, é a ausência de controle sobre a especulação financeira.

A fome e o mito da vontade política
Marco Aurélio Weissheimer, 26 de novembro, 2003. Políticas públicas (...) que custam dinheiro, não geram lucro e, portanto, pouco interessam ao “mercado”, a não ser quando um determinado governo resolve ter “vontade política” e começa a produzir menos superávit primário para pagamento de juros da dívida e mais políticas públicas. Aí, o mercado fica “estressado” e começa a expressar a sua “vontade política”.

Robert Zoellick e "Sangue Sábio"
Toni Solo, 20 de novembro, 2003. O fracasso das negociações de Cancun neste ano provavelmente selaram a tampa do caixão sobre qualquer compromisso sério dos EUA em fazer com que a OMC funcionasse, enquanto o regime Bush ocupar a Casa Branca.

Queremos descobrir o que a dívida esconde
Jubileu Brasil, 17 de novembro de 2003. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, descartou uma auditoria da dívida com a frase: "Não sei o que descobriríamos com ela". Nós, brasileiros, também não sabemos. Por isso, consideramos imprescindível sua realização, como prega a Constituição e promete o Programa de Governo do PT, divulgado em 2002.

"Renovar com o FMI: Para Quê?".[14.11]

Com ressalvas, ONGs da Europa apóiam Brasil na OMC

Marcel Gomes, Agência Carta Maior, 13 de novembro, 2003. Organizações não-governamentais (ONGs) reunidas no II Fórum Social Europeu prometeram apoio para que o Brasil suporte a forte pressão dos Estados Unidos em favor de uma ampla liberalização comercial. Leia aqui

Diretor de Cambridge ataca juros e defende moratória

Rodrigo Savazoni, Agência Carta Maior, 13 de novembro, 2003. Durante seminário em Brasília, o economista Ha Joon Chang disse que existe alternativa ao neoliberalismo – é preciso ter vontade política para adotá-la. Chang lembrou que os países desenvolvidos fizeram o que hoje condenam nos países em desenvolvimento. Leia aqui

Cinco Dúvidas Sobre o Ajuste Fiscal
Franklin Serrano, Desemprego Zero, novembro de 2003. O objetivo destas notas é propor o início de um debate sobre a questão do ajuste fiscal atualmente em curso na economia brasileira.Tentaremos questionar as bases para o surpreendente consenso entre economistas e políticos das mais diversas procedências sobre a inevitabilidade (ou ao menos desejabilidade) deste ajuste. Leia aqui

Economista da Sorbonne fala de globalização predatória

Agência Carta Maior, novembro de 2003. Em Elogio da Globalização, René Passet descreve os objetivos da globalização predatória, que oferece o planeta à avidez da vigorosa ciranda financeira mundial. Leia aqui

Enquanto ainda é tempo

Ivan Valente, 11 de novembro, 2003. O sucesso da política de severo ajuste fiscal e monetário é o fracasso da nação. É a tristeza de comemorar o Dia do Professor sem derrubar os vetos de FHC ao Plano Nacional de Educação, apontando no sentido de menos verbas para o setor. É a perplexidade de ver o movimento de saúde recorrer à Justiça para garantir que verbas vinculadas não sejam utilizadas para outros fins. Leia aqui

Caracóis de bom governo

Emir Sader, 9 de novembro, 2003. Na entrada do ano, há 10 anos, o México se preparava para ''chegar à modernidade''. O clima era o de repúdio das suas profundas tradições, para abrir-se para o american way of life, que chegaria plenamente ao país através da adesão ao Nafta. Leia aqui

Políticas do FMI só agravam a crise do Brasil
Brasil de Fato, 6 de outubro, 2003. Reinaldo Gonçalves, economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Cesar Benjamim, estudioso dos problemas econômicos e sociais brasileiros e coordenador do movimento Consulta Popular, analisam o acordo. Leia aqui

Governo do PT decide prorrogar acordo com o FMI; aperto continua
Agência Carta Maior, 5 de novembro, 2003. Metas fiscais são mantidas, apesar dos apelos e contestações de parte dos técnicos e parlamentares governistas. País terá US$ 14 bilhões em 2004 para enfrentar eventuais turbulências, mas manutenção do aperto pode prejudicar crescimento. Leia aqui

Impasse a caminho da OMC?
Marina Chakina, RIA "Novosti", 23 de outubro, 2003. As negociações da Rússia sobre o ingresso na OMC entraram num impasse. Ao regressar a 9 de Outubro da última ronda de negociações com os representantes da União Europeia, o ministro do Desenvolvimento Económico e Comércio da Rússia, Guerman Gref, anunciou que as partes por pouco não interromperam os contactos por um ano inteiro. Leia mais

Congresso vira palco de manifestações de apoio ao Itamaraty.[22.10]

O Brasil no mundo: o debate da política externa

José Luís Fiori, 19 de outubro, 2003. Não há dúvida que as principais disputas que se anunciam e acumulam no horizonte girarão em torno das divergências econômicas entre os Estados Unidos e o Brasil, em particular nas negociações da OMC, FMI e Alca.

Lula e Kirchner assinam Consenso de Buenos Aires.[16.10]

Consenso de Buenos Aires é crítica à desigualdade
Emir Sader, Agência Carta Maior, 16 de outubro, 2003. Análise de versão preliminar do acordo que Brasil e Argentina assinam nesta quinta (16) mostra foco na crítica da desigualdade imposta pela globalização e na afirmação estratégica do papel do Mercosul. Leia mais

Ausência de projetos nacionais prejudica bloco, diz economista.[15.10]

Brasil ajuda países do Sul a ressurgir na cena política mundial.[19.09]

Fracasso bem-sucedido
Fátima Mello, Agência Carta Maior, 17 de setembro, 2003. Os países pobres podem comemorar o empate na Reunião da OMC, em Cancún. O Brasil foi bem, mas vale o alerta: há a necessidade de revisão de algumas prioridades defendidas pelo país nas negociações comerciais internacionais. Leia mais

Fracassa reunião de Cancún; movimentos sociais comemoram.[15.09]

EUA e União Européia batem e alisam para dividir G-22 na OMC
Laura Cassano e Verena Glass, Agência Carta Maior, 10 de setembro, 2003. Na campanha norte-americana e européia contra as propostas para a agricultura do G-22, o grupo de países em desenvolvimento encabeçado pelo Brasil, valem ameaças e promessas para desarticular o bloco. Com isso fica cada vez mais distante o principal objetivo desses países: o fim nos EUA e na UE dos subsídios agrícolas. Leia mais

Kirchner estica a corda com o FMI e ganha apoio interno
Marco Aurélio Weissheimer, Agência Carta Maior, 10 de setembro, 2003. Argentina e Fundo Monetário Internacional não chegam a acordo e dívida de US$ 2,9 bilhões não é paga no prazo previsto. Presidente Kirchner não aceita aumento de tarifas de serviços públicos privatizados e maior arrocho fiscal. População sai às ruas em protesto contra o FMI. Leia mais

Corrupção e intimidação definem regras da OMC, diz livro

BBC Brasil, 2 de setembro, 2003. As regras que governam a economia global estão sendo feitas em um clima de medo, corrupção e intimidação, de acordo com um livro lançado em Londres nesta terça-feira. Leia aqui

As Multinacionais do Crime

Wálter Fanganiello Maierovitch, julho de 2003. No campo do narcotráfico, as atividades de distribuição e venda encontram-se terceirizadas, ou seja, quadrilhas e bandos atuam, preservando-se as organizações maiores, transnacionais.

Comércio internacional, FMI e Banco Mundial

Julho 2003. Stephen Byers, ministro do Comércio e da Indústria britânico até o ano passado: "[...] Eu acreditava que os países em desenvolvimento deviam abraçar a liberalização do comércio. [...]Hoje, acredito que esta visão é errada. Desde que deixei o ministério há um ano, tive a oportunidade de observar com meus próprios olhos as conseqüências desta política comercial"..[+]

O modelo nafta

Cabe-me fazer, ainda que rápida e superficialmente, uma digressão, uma exposição dos aspectos fundamentais de uma experiência assemelhada de integração que se desenvolve na América do Norte. Vamos pinçar alguns aspectos mais importantes sobre a experiência do Nafta, que traz semelhanças e dessemelhanças relativamente ao modelo do Mercosul e, sobretudo, ao modelo da Comunidade Européia. Por Hermes Marcelo Huck no DHNET.

A trágica experiência do Nafta

Se existe um consenso acerca da bombástica proposta dos EUA de criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) é de que ela será uma extensão de outro tratado económico já em vigor: o Nafta (North American Free Trade Agreement). As negociações entre Estados Unidos, Canadá e México para a implantação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte foram concluídas em Dezembro de 1992. Ratificado um ano depois pelos parlamentos dos três países, o Nafta passou a vingar de facto em Janeiro de 1994. Por Altamiro Borges, 19/7/2002..[+]
 


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