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2002-2005
OMC:
Passos Virtuais, Perigos Reais
A reunião
ministerial da OMC em Hong Kong se encerrou com um acerto cosmético
que tenta sinalizar aos governos e a opinião pública que
a OMC não está em crise institucional e que a Rodada Doha
(ainda) não fracassou. O documento a que chegaram os ministros,
entretanto, é um documento fundamentalmente vazio, onde decisões
aparentes, como a data para o fim de subsídios às exportações
agrícolas, é relativizada pela necessidade de se chegar a
um acordo de modalidades como condição à sua implementação.
(...) Nota da Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (REBRIP),
19/12/2005.
Um
relatório "fake"
O relatório
da CPI dos Correios sobre os fundos de pensão - divulgado pelo deputado
federal ACM Neto (PFL-BA)- é mais um "fake" nessa longa lista de
manipulações que vem corroendo a Comissão Parlamentar
de Inquérito e a cobertura. É como os dólares de Cuba,
episódio do qual o único elemento cubano foi uma garrafa
de bebida recebida pelo emérito "mula" Vladimir Poleto. Por Luís
Nassif, na Folha de S. Paulo, 9/12/2005
A
essência feminina no mundo dos negócios
A visão
que a mulher tem do mundo dos negócios é só dela e
são os princípios femininos que determinam esta visão.
Absolutamente única, e que difere da cultura dominante, essencialmente
masculina, criando assim uma nova leitura da realidade e do cotidiano.
Leia a análise de Rosa Alegria na revista Idéias
& Pessoas, em agosto de 2005.
A
força da visão ideológica neoliberal
Muitas
vezes, a crítica de que o governo Lula perdeu o controle do gasto
público não se sustenta à luz da realidade. Basta
fazer a simples comparação entre o conjunto de despesas dos
dois últimos anos do governo FHC com os dois primeiros da atual
administração. Por Marcio Pochmann, 20/4/2005
Contrapeso
ao “FMI doméstico”
Não
deu outra: logo após o anúncio de que o Brasil não
irá renovar o acordo com o FMI, a equipe econômica movimentou-se
para elevar a meta de superávit fiscal primário. Mas o instinto
de sobrevivência de Lula, que não pretende perder o emprego
em 2006, certamente o impedirá de cair neste canto da sereia. Por
Paulo
Nogueira Batista Jr., 7/4/42005
O
cooperativismo como alternativa
(...)
é importante o debate? Sem sombra de dúvidas, sim. Entretanto,
onde não há ação, onde não há
intervenção positiva, o debate acaba por se tornar um enfadonho
“conto de fadas”. Fica-se sempre com a sensação que muito
se fala e pouco se faz. Neste cenário, surge o sistema cooperativista
como forma de aliar prática à teoria. Tal sistema, porém,
no que diz respeito ao nosso país, encontra-se em uma encruzilhada.
O caminho a ser escolhido irá definir os rumos que esse tipo de
empreendimento, de caráter social e econômico, poderá
tomar, sem os percalços atuais. Por Daniel Augusto Maddalena,
3/4/2005
A
diferença que faz ter um presidente
A lição
da Argentina virou um exemplo e ganha o aplauso do mundo. Por que Kirchner
fez e Lula não faz? Esta é a diferença que faz um
país ter um presidente, que toma "Vitamina C", e outro apenas um
mestre-de-cerimônias. Por.Sebastião
Nery, 7/3/2005.
Segunda
opinião
Depois
de passar oito anos criticando a política econômica do governo
anterior o governo Lula não só abraçou a mesma política
como apalpou-lhe a bunda, com uma familiaridade que ninguém imaginava.
Uma das primeiras coisas que o Palocci disse depois de ser empossado como
o novo Malan foi que dobraria o superávit primário, justamente
aquele ralo pelo qual, segundo o discurso antigo, sumia o dinheiro do “social”.
O resto da política econômica também foi mantido, em
alguns casos com maior rigor. Por Luis Fernando Verissimo, 6/3/2005
EUA-Rússia
As
críticas americanas e a resposta da Rússia
No encontro entre Vladimir Putin
e George Bush, a ser realizado a 24 de fevereiro em Bratislava, na Rússia,
um dos temas em foco será a cooperação económica
entre os dois países. A atuação do empresariado russo
no mercado americano desperta particular interesse, tendo os maiores consórcios
da Rússia feito nos últimos tempos importantes aquisições
de ativos na América. Por Vladimir Simonov, observador político
da RIA "Novosti", fevereiro de 2005
"Ajuda"
externa
O
Banco Mundial na África
Jeffrey Sachs, professor na
Universidade Harvard, foi o arquiteto da “terapia de choque” aplicada na
década de 80 pelo ministro da Economia boliviano Gonzalo Sánchez
de Lozada, o Goni, que derrubou a hiperinflação e, de quebra,
destruiu a economia formal do país baseada na mineração.
Goni presidiria a Bolívia entre 1993 e 1997 e, novamente, de 2002
até revolta popular de outubro de 2003, quando renunciou e fugiu
para os EUA. Sachs qualificou Goni como “um gênio” e “uma figura
política brilhante”. A Bolívia reinventada pelos experimentos
ultraliberais da dupla dinâmica é um caldeirão de turbulência
política e exclusão social, no qual 70% da população
vive abaixo da linha de pobreza. Por Demétrio Magnoli, 21/2/2005,
no Clube Mundo
Carlos
Lessa
As
elites que enganam Lula
Em entrevista
exclusiva ao Bafafá, o professor Carlos Lessa, ex-presidente
do BNDES tece duras críticas à política econômica
do governo Lula. Segundo Lessa, o presidente insiste em políticas
monetárias e financeiras suicidas, que constituem "um verdadeiro
Tsunami, que destrói as esperanças". Lessa, finalmente, revela
quem são as elites que enganam o presidente. "São as elites
financeiras nacionais e internacionais. São as únicas que
ganham neste quadro de estagnação da economia, com esta taxa
de juros devastadora. O que elas fazem com seus lucros? Aplicam no mercado
financeiro. Só elas ganham, todos os demais perdem. Veja a evolução
dos lucros do sistema bancário brasileiro". Em fevereiro de 2005
Os
povos são credores: Dívidas sociais e ecológicas são
a prioridade
Entre
9 e 11 de novembro de 2004 realizamos uma Oficina Internacional sobre a
Auditoria das Dívidas, em Brasília. Éramos ativistas
das Redes Jubileu Sul Brasil e Américas, professores universitários,
religiosos e trabalhadores de vários campos, além de congressistas
brasileiros. A campanha brasileira pela auditoria da dívida externa,
lançada durante o Tribunal Internacional das Dívidas, em
1999, no Rio de Janeiro, tornou-se tema do primeiro Plebiscito Popular
realizado em 2000, em todo o território nacional pela Campanha Jubileu
2000-Brasil. Por Marcos Arruda, janeiro de 2005
Auditoria
da Dívida Externa
A Dívida
Pública é o centro dos problemas nacionais. A maioria dos
recursos públicos tem sido destinados ao pagamento dos juros escorchantes
dessa questionável dívida, impossibilitando a realização
de investimentos promotores de crescimento econômico ou o desenvolvimento
das políticas sociais. As conseqüências são graves
para toda a sociedade. Por Maria Lucia Fatorelli Carneiro, janeiro
de 2005
FMI:
A submissão de Lula
Nos últimos
20 anos o Brasil tem sido o mais importante devedor do Fundo Monetário
Internacional. O Brasil recebeu empréstimos no valor total de US$
58 bilhões, ou seja, cerca de 1/4 do valor total dos empréstimos
concedidos pelo Fundo aos seus 14 principais clientes. Por Reinaldo
Gonçalves, janeiro de 2005
Dívida
social e ajuste fiscal
Até
quando vamos continuar pagando a conta do banquete dos outros? Até
quando a realização da auditoria da dívida externa
vai ser adiada? Afinal, desde 1988 ela está prevista na Constituição
brasileira. Temos o direito de saber para onde está indo o dinheiro
público. Por Sandra Quintela, janeiro de 2005
Sobre
a Construção e Encontros Solidários
A dívida
ecológica é um dado real dessa história, que em grande
parte pode ser quantificado (apesar de que não querermos cair na
armadilha de buscar a sua monetarização). Sem o seu enfrentamento
político será impossível buscar um futuro sustentável
para a humanidade. Por José Augusto Pádua, janeiro
de 2005
A
ilusão americana
Em conseqüência desses
persistentes déficits correntes, os Estados Unidos tornaram-se o
maior devedor do planeta. O seu passivo externo líquido chegou a
cerca de 30% do PIB em 2004 e poderá alcançar mais de 40%
do PIB em 2008 e 2009, segundo projeções do FMI. Por Paulo
Nogueira Batista Jr., 7 de janeiro, 2005
Uma
nova safra recorde de equívocos
Normalmente associamos a destruição
da floresta amazônica à ação dos madeireiros
e das mineradoras. Embora seja historicamente verdade, isto está
mudando. Mudando para pior. O vilão de agora, muito mais competente,
é o agronegócio; Deveríamos iniciar as discussões
sobre este modelo econômico escorado na exportação
de produtos primários, com destaque para minério, carne e
grãos. É necessário questionar a quem serve este modelo
neocolonial e a quem beneficia. Por Henrique Cortez, da Agência
Carta Maior, janeiro de 2005
O
conto do risco
SÃO PAULO. Informa Kennedy
Alencar (Folha, domingo) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
está feliz da vida com o fato de o risco-país ter caído
abaixo de 400 pontos. Bobagem (do presidente). Supor que o risco-país
meça efetivamente a capacidade de o país honrar suas dívidas
eqüivale a acreditar em duende. Por Clóvis Rossi, na
Folha
de S. Paulo, 21/12/2004
Crise
na monocultura da soja
Avizinha-se
uma grave crise na monocultura da soja. Insumos em alta, preços
em baixa, maior oferta que consumo e migração de consumidores.
A combinação destes quatro fatores é nitroglicerina
pura nas projeções e nas ambições do setor.
Por Frei Sérgio Antônio Görgen, outubro de 2004.
Kirchner
é a boa notícia
A última boa surpresa
do fim de 2004 veio de Buenos Aires. O presidente Néstor Kirchner
prevaleceu sobre o terrorismo financeiro. Os credores de uma dívida
de US$ 102 bilhões começaram a engolir a negociação
do primeiro calote do século XXI. Kirchner oferece 25 centavos por
cada dólar devido aos maganos da dolarização do presidente
Carlos Menem, quindim do FMI, da banca e de um consórcio de larápios
locais. Por Elio Gaspari, do jornal O Globo,
2 de janeiro, 2004.
"Para
onde caminhamos?"
A indagação é
do economista Celso Furtado, no último artigo escrito para o Jornal
do Brasil, em 10/11, 10 dias antes de sua morte.
Aves
de rapina e vampiros sociais
Sebastião
Nery, 20 de dezembro, 2004. Por
que os jornalões não lembram que apenas 1% de aumento nos
juros corresponde exatamente aos R$ 4 bilhões que iriam para o aumento
do salário mínimo? E 2% dos últimos aumentos de juros
pagariam as contas todas.
A
falácia do superávit primário
É fundamental desmistificar
as justificativas oficiais e os comentários econômicos da
mídia sobre a necessidade de contingenciamento do orçamento
fiscal ou da geração de superávits primários
incompatíveis com a recuperação do crescimento. Da
Sociedade Brasileira de Economia Política, junho de 2004..[+]
Napoleão,
sorte e rotina
Paulo
Nogueira Batista Jr, 9 de dezembro, 2004. Como o conservadorismo da
política econômica tem apoio maciço da mídia,
certos dados recebem pouca atenção. Por exemplo: raramente
se comenta que o ritmo de crescimento do Brasil em 2004 é inferior
ao de outros "emergentes", como China, Índia, Argentina, Rússia,
Malásia e Turquia.
A
macroeconomia e a macrosociedde
Leonardo
Boff, 6 de dezembro, 2004. Há um mal-estar inegável dentro
e fora do Governo referente à opção macroeconômica
assumida pelo Presidente Lula. Confrontam-se dois olhares conflitantes,
cada qual com sua lógica e seu discurso coerente.
Os
mitos da política econômica
Quando
a economia atinge 3% ou 4% de crescimento, já se julga que é
o máximo, que se está crescendo muito, que se vai gerar inflação
e consumo. Essa lógica é infernal. Quando aumentamos os juros,
cresce a dívida pública e, certamente, haverá ajustes
fiscais ainda maiores. Ou seja, mais sacrifícios para a população
brasileira. Esse modelo é insustentável (...) Por Ivan
Valente, 30 de novembro, 2004
Economia
como ciência social
Mauro
Santayana, 27 de novembro, 2004. Celso Furtado, morto no último
dia 20, via a economia como uma ciência social, ou seja, política.
É difícil encontrar números em seus trabalhos, a não
ser os números relativos que expressam as desigualdades.
Nenhuma
derrota é definitiva
Paulo Nogueira Batista Jr.,
25 de novembro, 2004. Nascido em Pombal, no sertão paraibano,
Celso Furtado confirmou esplendidamente a célebre frase de Euclides.
Em texto de 1972, "Aventuras de um economista brasileiro", ele recorre
à sua dura experiência de criança e adolescente, no
interior do Nordeste, para explicar a formação em seu espírito
de certos elementos invariantes, de algumas "idéias-força"
das quais dificilmente poderia libertar-se sem correr o risco de desestruturar
a sua personalidade.
Baixas
Luis Fernando Verissimo,
25 de novembro, 2004. Ninguém é insensível ao
custo social da opção pela austeridade, mas aceitar a sua
inevitabilidade é aderir à ética peculiar do mercado
financeiro, que exclui todas as outras. Como os objetivos do modelo, em
tese, são claros, a retórica com que o defendem é
convincente e não há alternativa viável, ainda mais
depois que a própria esquerda brasileira ao chegar ao poder declarou
que não era de esquerda, a aritmética é — como decidiu
a maioria do PT na sua última reunião — tolerável.
Águias
monetaristas
Gustavo
Barreto, 18 de novembro, 2004. É, por baixo, a terceira vez
que eu leio uma notícia com o título "Nova alta de juros
desagrada tanto trabalhadores quanto empresários". A notícia
acima, é claro, não é lá muito confiável.
É um daqueles jornais que fazem campanha contra Carlos Lessa quase
que diariamente, por um suposto "fraco desempenho do BNDES" e por suas
polêmicas, que o maluco do Lessa insiste em chamar pelo nome (debate).
Uma
boa briga no mundo da soja
Vem aí uma boa negociação,
a dos produtores de soja do Rio Grande do Sul com a Monsanto. A empresa
resolveu cobrar R$ 1,20 por cada saca de 60 quilos colhida de soja fortalecida
pela sua tecnologia Round-Up. Um aumento de 100% sobre o valor cobrado
na última safra. De Campinas, 1 de novembro, 2004.
O
novo golpe
Depois da nota do Exército
sobre Wlado Herzog, um novo golpe veio à tona no país, materializado
pelo Copom em sua decisão de elevar os juros em 0,5 ponto percentual,
para 16,75%. Hoje, a luta brasileira pelos ideais republicanos não
deve mirar mais os quartéis, mas o bunker do Banco Central.
Por Flávio Aguiar, 23/10/2004
Que
pacote é esse?
Gustavo
Barreto, 2 de outubro, 2004. Até o fim de setembro, o governo
executou, em média, apenas 15,2% dos investimentos previstos no
Orçamento de 2004, deu no jornal. Exemplos: Ministério dos
Transportes (11,8%), Ministério das Cidades (16,8%) e Integração
Nacional (19,7%). (O Globo, 2/10). No mesmo dia: "Governo conclui
pacote para ativar a economia".
Chega!
Vamos falar de futebol
Nelson Breve, 26 de setembro,
2004. Dizer que o superávit maior vai ser usado para pagar dívida
é uma ignorância tão grave quanto desconhecer que o
goleiro não pode pegar a bola com a mão fora da área.
O
segundo Roberto Marinho
Sebastião
Nery, 22 de setembro, 2004. Lula
descobre o óbvio. Descobriu a fome como cruzada política.
Lançou o Fome Zero na ONU, em Nova York. Bush não foi. A
fome de Bush é de guerra. (...) O que é inacreditável
é ele não perceber a flagrante contradição
de defender uma causa justa lá fora e aqui no Brasil ser serviçal
e cúmplice de uma política econômica que fomenta a
fome que diz combater.
Quanto
pagam e quanto ganham
Sebastião Nery, 21
de setembro, 2004. (...) Grave é o presidente da República
e o ministro da Fazenda passarem um mês mendigando a Henrique Meirelles
e seus homens de ouro, diretores do Banco Central, para não subirem
os juros, e o poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu, o dono
do PT, avisar que não havia razão nenhuma para os juros subirem,
e mesmo assim os juros subiram.
"Conosco
ninguém podemos"
Carlos Chagas, 10 de setembro,
2004. Os chineses fazem beicinho para importar nosso frango e nossa
soja? Lig-lig-lé para eles, vamos botar as penosas na panela dos
pobres enquanto o grão servirá para engordar o gado, quem
sabe proporcionando um bife por semana para cada trabalhador aqui dos trópicos,
mesmo em detrimento dos antigos camaradas das estepes.
Plano
Real – Dez anos de saqueio
Adriano Benayon, 3 de setembro,
2004. Ao título acima, poder-se-ia acrescentar “dez anos de
mentiras”, o recurso empregado para saquear o patrimônio do País
e para manietar seu potencial de desenvolvimento.
Notícias
esparsas mas correlatas
Milton Temer, 24 de agosto,
2004. Estamos aí cantando loas a uma retomada de crescimento
previsível, em função de péssimos resultados
anteriores, sem nos darmos conta, uma vez mais, do que se passa com a vizinha
Argentina, em seus confrontos ininterruptos com o FMI.
A
panacéia do crescimento
Pe. Alfredo J. Gonçalves,
19 de agosto, 2004. A retomada do crescimento é, hoje, um fato
inquestionável. Praticamente todos os setores da economia apresentam
sinais consistentes e generalizados de recuperação. Ninguém,
em sã consciência, pode negar a evidência dos índices
apresentados com certa regularidade nas últimas semanas. Claro que
temos aí dados positivos a serem registrados. O que não podemos
é fazer disso uma espécie de panacéia para todos os
males.
Flagrante
de promiscuidade no BC
José Paulo Kupfer,
5 de agosto, 2004. Os últimos dias foram pontilhados de notícias
escandalosas na área econômica. Não, não se
está falando aqui das denúncias de sonegação
fiscal que perseguem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
nem das acusações de operações ilegais com
dólares, que atormentam o presidente do Banco do Brasil, Cássio
Casseb.
Nosso
café com leite
Verissimo, 5 de agosto, 2004.
Aparentemente
as leis da física são mais flexíveis do que a ortodoxia
do bordel.
Acordo
entre União Européia e Mercosul: modernas quinquilharias
Renata Lins, ecnomista do
PACS,
julho de 2004. A
luta empreendida pela sociedade civil contra o Acordo de Livre Comércio
das Américas (ALCA), por mais importante que seja, não deve
obscurecer os perigos que rondam novos acordos negociados em paralelo a
este. Particularmente, o acordo entre União Européia (UE)
e Mercosul, cujas negociações prosseguem a portas fechadas.
Crítica
à economia neoliberal
Leda Maria Paulani,julho
de 2004. A Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) é
uma sociedade civil sem fins lucrativos que nasceu, há 8 anos, graças
à determinação e esforço de um grupo de professores
de Economia de várias regiões do país que, percebendo
a ofensiva ímpar da ortodoxia, não só na condução
prática da política econômica mas também no
mundo acadêmico, buscou por isso constituir um espaço alternativo
de discussão onde tivessem voz todos aqueles que não aceitam
a mistificação do discurso convencional.
Massacre
tucano
Mauro
Braga, 5 de julho, 2004. O
Brasil é, sem dúvida, um estranho país. Comemora o
décimo aniversário do Plano Real, como se estivéssemos
no melhor dos mundos.
A
geração do Real
Luis Nassif, 2 de julho,
2004. O real não era um programa de crescimento, mas de estabilização.
Os pais do Real não tinham outra especialidade que não a
do combate à inflação inercial.
Raciocínio
binário
Fernando Rodrigues, 30 de
junho, 2004. Há um frenesi no governo por conta do recorde atrás
de recorde nas exportações do país. O boletim "Em
Questão", produzido pela Presidência da República e
apelidado rapidamente em Brasília de "Pravda petista", anunciou
com júbilo que "há um crescimento muito acima da média"
da exportação brasileira "nos lugares por onde passou a comitiva
brasileira" com Lula.
Quem
são as penas de aluguel?
Clóvis Rossi, 30 de
junho, 2004. O vice-presidente José Alencar e o ministro Ciro
Gomes fizeram gravíssimas acusações que, suspeito,
ninguém vai cobrar. Refiro-me à suposta (ou real) censura
que ambos estariam sofrendo por conta da crítica aos juros altos
ou por, segundo Ciro, pensar "alternativas que não sejam essa ortodoxia
imposta por esse modelo econômico".
Leitores
de bula
Clóvis Rossi, 27 de
junho, 2004. No início do governo Lula, no ano passado, um dos
principais auxiliares do ministro Antonio Palocci mostrou-se extasiado,
em Davos, por reunir-se com o que ele próprio chamava de "livros-texto"
(de economia, obviamente).
A
economia segue ladeira abaixo
Lauro Veiga Filho, 24 de
junho, 2004. Desde os últimos meses do ano passado, embora a
economia ainda derrapasse no desemprego elevado e nos salários achatados,
já parecia com certa nitidez que a atividade econômica não
tenderia a repetir, no começo de 2004, os péssimos resultados
observados na primeira metade de 2003. Até por um “efeito banguela”,
como um carro que desce a ribanceira em ponto morto, e tende a manter uma
certa velocidade na subida até ser barrado pela inércia.
‘Le
pescocê’
Luis Fernando Verissimo,
20 de junho, 2004. O economismo neoclássico sofreu alguns abalos
nos últimos anos, com a deserção ou a autocrítica
de alguns dos seus luminares, mas nem toda a evidência acumulada
de que o domínio do seu pensamento único só aumentou
a desigualdade e a miséria no mundo impede que ele continue a ser
chamado de “pescocê”.
Prostíbulos
fiscais
Emir Sader, 20 de junho,
2004. A reunião da Unctad no Brasil recolocou o tema da taxação
dos movimentos de capitais dos chamados ''paraísos fiscais''. O
aparentemente interminável processo de Paulo Maluf reatualiza permanentemente
o tema. Parece um fenômeno menor, particular, uma aberração,
porém, como dizia Brecht, no exagero se deduz a essência de
um sistema.
"Mercado"
sério?
Helio Fernandes, 12 de maio,
2004. Anteontem, segunda-feira, a Bovespa-Las Vegas caiu 5,46%. No
mesmo final do dia, rádios e televisões "retumbavam de quebrada
em quebrada": o medo do aumento dos juros nos EUA fez a bolsa despencar.
Ontem, terça, os jornalões vieram na mesma linha. Aqui mesmo,
ontem, escrevendo logicamente na tarde da véspera, denunciei a manobra
na contramão de tudo o que os jornalões diziam. Mostrei que
era venda em massa, para derrubar as ações e recomprar.
Plano
C
Paulo Metri, 12 de maio,
2004. Os economistas que refutam qualquer plano soberano que priorize
o desenvolvimento e a distribuição de renda no país
estão presos a uma visão política que só permite
a ele utilizar os conceitos técnicos liberais. Plagiando a frase
sobre a guerra e os generais, a economia é muito importante para
ser deixada só para os economistas.
Ajuste
fiscal e humilhação
Milton Temer, 5 de maio,
2004. O FMI manda técnicos de segunda linha para sabatinar a
equipe econômica. Humilhação? Não, para os que
auferem altos lucros na especulação do ''mercado'' ou recebem
em dólar por conferências, onde defendem ajuste fiscal ainda
mais duro. Mas, sim, para quem vive de salário mediano ou baixo,
e é obrigado a pagar plano de saúde e mensalidades astronômicas,
no ensino privado, por conta do desmonte ''modernizador'' do Estado. Pior,
ainda, para quem sequer salário recebe, exatamente por conseqüência
do desemprego gerado pelo referido ajuste fiscal rigoroso.
Os
inúteis compromissos de campanha
Helio Fernandes, 3 de maio,
2004. Lula prometeu salário mínimo de 480 em 4 anos.
Se ficar 8, chegará a 450.
Charge (29/4): Usa
pra isca!
O
presidente está impaciente
Paulo Nogueira Batista Jr.,
28 de abril, 2004. A situação social não será
substancialmente alterada sem mudanças na política macroeconômica.
Esperemos que haja coragem para implementá-las. Caso contrário,
os assessores presidenciais que se preparem...
O
que os mercados querem de nós, afinal
Marco Aurélio Weissheimer,
26 de abril, 2004. O Brasil continua acumulando superávits primários
acima do que é exigido pelo FMI. No entanto, os mercados começam
a perder a confiança no governo, diz The Economist. O que, afinal,
os mercados querem do Brasil?
Números
e idiotia
Clóvis Rossi, 23 de abril,
2004. Os números do FMI (Fundo Monetário Internacional) a
respeito do crescimento da economia mundial neste ano apontam com toda
a clareza para o absoluto fracasso da política econômica.
Palocci
em Comandatuba
Paulo Nogueira Batista Jr.,
21 de abril, 2004. Antonio Palocci tem sido um alvo recorrente desta
coluna. Lamento. Nada tenho contra o nosso ministro da Fazenda. Gostaria
muito de poder apóia-lo. Mas Palocci não ajuda.
Incentivo
para quem?
Altamiro Borges alerta: novas
vantagens oferecidas pelo governo brasileiro a montadoras de automóveis
não ajudarão a combater o desemprego. Em 31 de março,
2004.
Unidade,
só a partir das bases
Carlos Chagas, 16 de março,
2004
Entre
uma música e outra
Gustavo Barreto, 12 de março,
2004. O furor das notícias que extrapolam o limite dos nexos que
deduzimos diariamente faz com que não vejamos os absurdos ditos
à luz do dia.
Agenda
perdida
Léo Lince, 11 de março,
2004. Caiu como uma bomba o relatório do IBGE sobre o desempenho
da economia brasileira no primeiro ano do governo Lula.
Por
que perdemos a Ambev
Economista Reinaldo Gonçalves
sustenta: venda da “multinacional verde-amarela” revela falta de política
econômica e submissão à lógica dos mercados
mundiais. Em 5 de março, 2004.
O
perigo do crescimento eterno
Gazeta
Mercantil, 5 de março, 2004. Com o lançamento de "Ecoeconomia
- Uma Nova Abordagem", Hugo Penteado deu à discussão ambiental
no Brasil um novo patamar ao basear toda sua argumentação
na crítica do modelo de desenvolvimento dos grandes países:
"Não há crescimento econômico sem total desfiguração
dos ecossistemas e sem estar colocando toda a vida na Terra, inclusive
a dos homens, em total perigo".
Fadiga
e arrogância
João Sayad, 01.mar.2004.
O país gasta 9% do PIB com o pagamento de juros, imprime dinheiro
para pagar juros e não tem dinheiro. O que é corrupção?
'Spread'
ou a farra especulativa
Emir Sader, 22 de fevereiro,
2004. Os dicionários de economia esclarecem que spread é
a diferença entre o quanto os bancos pagam e o quanto recebem; em
outras palavras, o lucro dos bancos. Nenhum investimento permite ganhar
tanto, em prazo tão curto, com tanta liquidez e pouco ou nada de
imposto - recordemos que investimentos estrangeiros na Bovespa não
pagam imposto, ao contrário da cesta básica, de livros etc.
O
dilema de Tostines
Rodrigo de Almeida, 22 de fevereiro,
2004. O Brasil enfrenta hoje o dilema de Tostines. No modelo que criou
para si, não pode reduzir os juros porque não tem investimento
na expansão da produção. E não há investimento
na expansão da produção porque não baixa os
juros.
Brasil
é uma lavanderia de dinheiro ilegal
Brasil
de Fato, 19 de fevereiro, 2004. BC acoberta sonegadores, abre caminho
para fraudes e remessas ilegais de dólares; já a Receita,
parcela dívidas a perder de vista.
Buenos
Aires, verão e rebeldia
Outras
Palavras, 18 de fevereiro, 2004. Sob pressão do FMI, o governo
argentino promete resistir, e sustenta a proposta de uma redução
de 75% em sua dívida pública. O Brasil continuará
a assistir à disputa de braços cruzados?
Batendo
cabeça
Mauro Braga, 18
de fevereiro, 2004. Em seu pronunciamento na abertura dos trabalhos
da sessão legislativa, João Paulo Cunha criticou o superávit,
afirmando que algo precisa ser feito para que o País não
gaste mais tantos recursos apenas para pagar juros, sem ao menos reduzir
a relação dívida/PIB.
Estratégias
discursivas do poder monetário
Walnice Nogueira Galvão,
17 de fevereiro, 2004. A ata da última reunião do Copom (Comitê
de Política Monetária), órgão do Banco Central,
faz o leitor cair de costas. São páginas e páginas
de impenetrável economês, visando a que o leitor não
perceba que a inflação aumentou e deve continuar aumentando:
conclusão que se encontra embutida na própria ata.
O
CDES ouve, mas não é ouvido
Elio Gaspari, 15 de fevereiro,
2004. Saia justa de alto nível na última reunião do
Conselho de Desenvolvimento Social com dois doutores da ekipekonômica.
Insensibilidade
ecológica ou ignorância econômica?
Gustavo Barreto, 14 de fevereiro,
2004
A
retórica do caos
Luís Nassif, 13 de fevereiro,
2004. O brasil é vítima de dois fenômenos políticos
invencíveis. O primeiro, a síndrome de Allende. Como conseqüência,
a submissão à retórica do terror econômico.
É isso o que explica o fato espantoso de uma ata do Copom ter colocado
o governo de joelhos.
Escandalosa
remessa de lucros e dividendos
Brasil
de Fato, 12 de fevereiro, 2004. Na última década, o Brasil
entrou em um processo vertiginoso de liquidação do patrimônio
público, privatizando quase uma centena de empresas estatais, em
muitos casos, compradas por grupos transnacionais em condições
ultrafavorecidas.
Alma
partida?
Paulo Nogueira Batista Jr.,
12 de fevereiro, 2004.
A
Esquerda "Neoclássica"
Henrique Rattner, fevereiro
de 2004
A
nova lista da fritura
Carlos Chagas, 12 de fevereiro,
2004. As emendas coletivas e individuais de deputados e senadores revelam
as grandes supressões: R$ 940 milhões vão sumir do
Ministério dos Transportes; R$ 800 milhões, do Ministério
da Saúde; 628, do Ministério das Cidades; e 603 milhões
do Ministério da Integração Nacional.
Um
plano, pelo amor de Deus
Clóvis Rossi, 7 de fevereiro,
2004. O Brasil não tem plano nenhum. Tem um receituário de
manual que, em todos os países emergentes em que foi aplicado, ou
fracassou redondamente, ou mostrou-se escandalosamente insuficiente para
aquilo que é fundamental em qualquer política econômica:
crescimento, emprego e renda.
Modelo
de BC
Luís Nassif, 6 de fevereiro,
2004. Um dos mais extraordinários sofismas criados por esse pensamento
econômico de manual é considerar o déficit fiscal primário
(excluídos os juros) como indicador do desempenho fiscal brasileiro.
A
herança de Pinochet
Emir Sader, 6 de fevereiro,
2004. Sucessivos governos do Chile podem servir de exemplo a não
ser seguido pelo Brasil em matéria de política econômica
neoliberal.
Fases
da lua financeira
José Paulo Kupfer, 5
de fevereiro, 2004. Sempre que, no Brasil, uma turbulência se instala
nos mercados financeiros, a razão essencial das sacolejadas é
que o espectro do fantasma de um calote voltou a rondar a cena econômica.
É uma dúvida que funciona em vaivém, como as marés.
Barbeiragem
e ortodoxia
Luís Nassif, 5 de fevereiro,
2004. Nos últimos dias, caiu a ficha da opinião pública
sobre os estragos provocados pela imprudência do Banco Central no
manejo da política monetária em 2003.
Falta
é vergonha
Sebastião Nery, 4 de
fevereiro, 2004. A taxa de juros elevou a dívida pública
(interna, sem contar a externa) de R$ 516,5 bilhões em 99 para R$
563 bilhões em 2000, R$ 661 bilhões em 2001, R$ 881 bilhões
em 2002 e R$ 913 bilhões em 2003: desde 99, a dívida pública
subiu R$ 396,5 bilhões.
Curiosa
retórica palaciana
Gustavo Barreto, 4 de fevereiro,
2004. Está faltando alguém levantar a mão.
Quem
mandou acreditar?
Milton Temer, 4 de fevereiro,
2004. O ''mercado'' entrou em parafuso desde a semana passada. E com ele,
todos os analistas encantados com a continuidade da política macroeconômica
tucana ao longo do primeiro ano do governo Lula.
Os
números e o poste
Carlos Chagas, 4 de fevereiro,
2004. Sexta-feira os jornais publicaram, certamente por um cochilo do Banco
Central, que em 2003 o Brasil pagou R$ 147 bilhões de juros de nossas
dívidas. No barato, US$ 50 bilhões.
O
Banco Central dos fora-da-lei
Outras
Palavras, 4 de fevereiro, 2004. Um texto de Raimundo Pereira,
baseado no trabalho de duas Procuradoras da República revela: há
dez anos o BC age, na surdina, para favorecer o sistema financeiro. Agora,
quer mais "autonomia"...
Radicais
por um dia
Gustavo Barreto, 4 de fevereiro,
2004. Toda vez que te chamarem de radical, olhe em volta.
O
motel dos banqueiros
Sebastião Nery, 3 de
fevereiro, 2004
Autonomia
do BC - uma "inquietação acadêmica"
Paulo Nogueira Batista Jr.,
3 de fevereiro, 2004. Não se sustenta a versão simplória,
propagada por defensores da autonomia, de que o que está em jogo
é apenas permitir que o Banco Central tenha total segurança
para alcançar, por meios “técnicos”, as metas de inflação
fixadas pelo governo.
Punks
João Sayad, 2 de fevereiro,
2004
Paul
Singer teme manutenção da fuga de capitais
Agência
Carta Maior, 31 de janeiro, 2004. Economista defende adoção
de controle de capitais para evitar alta do dólar, que pressionaria
a inflação e poderia provocar elevação da taxa
de juros no Brasil.
Novo
partido de esquerda. Há espaço?
Milton Temer, 28 de janeiro,
2004
Falência
da lei
Mauro Braga, 26 de janeiro,
2004. Para atender a uma exigência expressa do Fundo Monetário
Internacional, reforçada pelo lobby montado pela Federação
Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) e conduzido
pelo presidente do Banco Central em pessoa, Henrique Meirelles, um dos
itens da pauta da convocação extra do Congresso é
a reforma da Lei de Falências.
Na
contramão da realidade
Helio Fernandes, 23 e 24 de
janeiro, 2004. O mundo reduz juros com medo da inflação,
o Brasil "inventa".
Reações
no PT
Mauro Braga, 23 de janeiro,
2004. O deputado Ivan Valente (PT-SP) fez ontem um violento discurso da
tribuna da Câmara, criticando a gestão do banqueiro multinacional
Henrique Meirelles à frente do Banco Central.
Perspectivas
de 2004 e depois
Aldo
Ferrer, 23 de janeiro, 2004. Diversos acontecimentos permitiram recuperar
a governabilidade da economia argentina. Eles incluem a modificação
dos preços relativos favoráveis à substituição
de importações e as exportações, a pesificação
do sistema monetário, que restabeleceu a capacidade do Banco Central
de fazer política monetária, o superávit do orçamento,
o extraordinário superávit no balanço comercial e
a mudança da natureza da dívida.
Reviravolta
na política econômica
José Paulo Kupfer, 8
de janeiro, 2004. Se realmente soubessem prever os eventos econômicos,
os economistas da banda que não desgruda o olho das contas externas
teriam guardado umas garrafas de champanha para estourá-las no início
da noite de terça-feira, quando o presidente do BC anunciou um mecanismo
sistemático de intervenção no mercado cambial.
Sobre
a euforia dos mercados
Marco Aurélio Weissheimer,
6 de janeiro, 2004. Nos primeiros dias de 2004, euforia e otimismo são
as palavras mais utilizadas pela mídia para descrever as expectativas
dos mercados com o desempenho da economia brasileira. Companheira inseparável
da melancolia, segundo Freud, essa euforia é uma velha conhecida
dos brasileiros.
A
"subversão" de Cuba e da Venezuela
Emir Sader,
6
de janeiro, 2004. O privilégio ao social e o intercâmbio sem
bases mercantis são vistos por Washington como exemplos intoleráveis
a outros países da América Latina.
Ano
Novo
João Sayad, 5 de janeiro,
2004. Somos geocêntricos e egocêntricos. Bem-aventurado quem
pensa que tudo começou no lugar e no dia em que nasceu, pois para
ele, todo dia é um dia novo. Mas o desgraçado carrega consigo
a culpa de todos os pecados do mundo.
O
ano do (des)emprego
José Paulo Kupfer,
3 de janeiro, 2004. Quando uma economia não anda bem das
pernas, os economistas – esses seres que adoram discutir o secundário
– se estapeiam para decidir se o estado em que ela se encontra é
de recessão ou de depressão. (..) A economia está
em recessão quando seu vizinho perdeu o emprego. E que está
em depressão quando quem perdeu o emprego foi você.
Volta
ao trabalho
Mauro Santayana, 2 de janeiro,
2004. A receita dos economistas modernos para colocar ordem nas finanças
públicas é uma só: a do arrocho. Resume-se em cobrar
o máximo de impostos e gastar o mínimo com os serviços
do Estado, sobretudo aqueles considerados “sociais”’.
Assim
o Brasil não cresce
José Paulo Kupfer,
1 de janeiro, 2004. Além da estagnação econômica
e do conseqüente alto índice de desemprego, do excessivo endividamento
do setor público e da vulnerabilidade externa, a economia brasileira
sofre com a má qualidade do debate das alternativas de superação
de seus problemas.
2003
Feliz
2011
José Paulo Kupfer, 26
de dezembro, 2003. Enquanto todo o esforço do ajuste fiscal produzirá
este ano uma economia de algo como R$ 60 bilhões, as despesas com
juros, em torno de 10% do PIB, devem superar R$ 150 bilhões. Ou
seja, todo o cantado e decantado esforço fiscal, em 2003, só
deu para cobrir 40% do que o governo vai ter de transferir de renda para
os detentores dos títulos representativos da dívida pública.
(...) o ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, avisou, recentemente, que o superávit primário
de 4,25% do PIB deve ficar por uns dez anos e que o ajuste fiscal ainda
está longe. É só um pouquinho de paciência.
Livre das amarras dos desequilíbrios nas contas públicas,
os brasileiros que sobreviverem poderão comemorar, com consistência,
um sólido e feliz 2011.
O
governo Lula tem muitos problemas
Mas nada que se compare com
"dívidas" e juros. Por Helio Fernandes, 19 de dezembro, 2003.
Até
quando, companheiro?
Fábio Konder Comparato,
8 de dezembro, 2003. Alguém, de boa ou de má-fé, pouco
importa, passou-lhe a idéia de que seria possível reduzir
a miséria do nosso povo com a simples aplicação de
políticas sociais, sem alterar em nada a política econômica
anterior.
A
economia brasileira em 2003: mais do mesmo
Jurandyr O. Negrão:
Os custos incorridos para segurar o dólar e a inflação.
Não foram baixos: a economia ficou estagnada; o desemprego voltou
a subir; e o poder de compra dos trabalhadores sofreu nova queda - muito
expressiva -, da ordem de 8% (pela estimativa do Seade) a 15% (de acordo
com o IBGE).
Os
espíritos do Hospício Imperial voltaram!
Estudantes defendem a independência
intelectual de Maria da Conceição Tavares frente aos ataques
de técnico do Banco Mundial. Os espíritos do Hospício
Imperial voltaram! Manifesto de dezembro de 2003
Observatório
da Cidadania defende controle de capitais
Nelson Breve, 3 de dezembro,
2003. Relatório que será apresentado nesta quinta no Senado
traça um panorama do primeiro ano de governo petista e considera
que a saída da armadilha montada pela radicalização
da política econômica ortodoxa é restringir a entrada
do capital especulativo e a evasão de divisas dos investidores residentes.
"Apesar
das projeções em contrário, Meirelles vê
crescimento do País. Só pode ser delirium-tremens
econômico". [Jésus Rocha, dezembro de 2003]
Palocci
defende arrocho nos gastos sociais
Jorge Pereira Filho e Bruno
Fiuza,
Brasil
de Fato, dezembro de 2003. Um estudo elaborado pelo Ministério
da Fazenda está conseguindo unir vozes dissonantes do governo e
da sociedade, que não concordam com a orientação econômica
da gestão Lula. O documento é uma coletânea de análises
e conceitos defendidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)
e pelo Banco Mundial.
Lula
retoma a rédea
Mauro Braga,
29 de novembro, 2003. Palocci começa a perder prestígio no
governo. Meirelles nunca teve.
O
Sol e a peneira
José
Luís Fiori, 27 de novembro, 2003. Os países mais fracos
só conseguirão defender os interesses do seu capitalismo
e de sua população se forem capazes de construir suas próprias
estratégias comerciais, junto com políticas macroeconômicas
adequadas ao seu nível de desenvolvimento e aos seus objetivos nacionais.
O
Brasil ou o mercado?
Outras
Palavras, 27 de novembro, 2003. Embora
mantenha sua aposta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a
esperança de que “sempre há uma chance de as coisas mudarem”,
o economista Luiz Gonzaga Belluzzo vem apontando equívocos em quase
um ano de mandato petista. Uma questão central, cuidadosamente jogada
para debaixo do tapete, afirma ele, é a ausência de controle
sobre a especulação financeira.
A
fome e o mito da vontade política
Marco
Aurélio Weissheimer, 26 de novembro, 2003. Políticas públicas
(...) que custam dinheiro, não geram lucro e, portanto, pouco interessam
ao “mercado”, a não ser quando um determinado governo resolve ter
“vontade política” e começa a produzir menos superávit
primário para pagamento de juros da dívida e mais políticas
públicas. Aí, o mercado fica “estressado” e começa
a expressar a sua “vontade política”.
Robert
Zoellick e "Sangue Sábio"
Toni
Solo, 20 de novembro, 2003. O fracasso das negociações
de Cancun neste ano provavelmente selaram a tampa do caixão sobre
qualquer compromisso sério dos EUA em fazer com que a OMC funcionasse,
enquanto o regime Bush ocupar a Casa Branca.
Queremos
descobrir o que a dívida esconde
Jubileu
Brasil, 17 de novembro de 2003. O ministro do Planejamento, Guido Mantega,
descartou uma auditoria da dívida com a frase: "Não sei o
que descobriríamos com ela". Nós, brasileiros, também
não sabemos. Por isso, consideramos imprescindível sua realização,
como prega a Constituição e promete o Programa de Governo
do PT, divulgado em 2002.
"Renovar
com o FMI: Para Quê?".[14.11]
Com
ressalvas, ONGs da Europa apóiam Brasil na OMC
Marcel
Gomes,
Agência
Carta Maior, 13 de novembro, 2003. Organizações não-governamentais
(ONGs) reunidas no II Fórum Social Europeu prometeram apoio para
que o Brasil suporte a forte pressão dos Estados Unidos em favor
de uma ampla liberalização comercial. Leia
aqui
Diretor
de Cambridge ataca juros e defende moratória
Rodrigo
Savazoni,
Agência
Carta Maior, 13 de novembro, 2003. Durante seminário em Brasília,
o economista Ha Joon Chang disse que existe alternativa ao neoliberalismo
– é preciso ter vontade política para adotá-la. Chang
lembrou que os países desenvolvidos fizeram o que hoje condenam
nos países em desenvolvimento. Leia
aqui
Cinco
Dúvidas Sobre o Ajuste Fiscal
Franklin
Serrano,
Desemprego
Zero, novembro de 2003. O objetivo destas notas é propor o início
de um debate sobre a questão do ajuste fiscal atualmente em curso
na economia brasileira.Tentaremos questionar as bases para o surpreendente
consenso entre economistas e políticos das mais diversas procedências
sobre a inevitabilidade (ou ao menos desejabilidade) deste ajuste. Leia
aqui
Economista
da Sorbonne fala de globalização predatória
Agência
Carta Maior, novembro de 2003. Em Elogio da Globalização,
René Passet descreve os objetivos da globalização
predatória, que oferece o planeta à avidez da vigorosa ciranda
financeira mundial. Leia
aqui
Enquanto
ainda é tempo
Ivan Valente,
11 de novembro, 2003. O sucesso da política de severo ajuste
fiscal e monetário é o fracasso da nação. É
a tristeza de comemorar o Dia do Professor sem derrubar os vetos de FHC
ao Plano Nacional de Educação, apontando no sentido de menos
verbas para o setor. É a perplexidade de ver o movimento de saúde
recorrer à Justiça para garantir que verbas vinculadas não
sejam utilizadas para outros fins. Leia
aqui
Caracóis
de bom governo
Emir Sader, 9 de novembro, 2003.
Na
entrada do ano, há 10 anos, o México se preparava para ''chegar
à modernidade''. O clima era o de repúdio das suas profundas
tradições, para abrir-se para o american way of life,
que chegaria plenamente ao país através da adesão
ao Nafta. Leia
aqui
Políticas
do FMI só agravam a crise do Brasil
Brasil
de Fato, 6 de outubro, 2003. Reinaldo Gonçalves, economista
e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Cesar Benjamim,
estudioso dos problemas econômicos e sociais brasileiros e coordenador
do movimento Consulta Popular, analisam o acordo. Leia
aqui
Governo
do PT decide prorrogar acordo com o FMI; aperto continua
Agência
Carta Maior, 5 de novembro, 2003. Metas fiscais são mantidas,
apesar dos apelos e contestações de parte dos técnicos
e parlamentares governistas. País terá US$ 14 bilhões
em 2004 para enfrentar eventuais turbulências, mas manutenção
do aperto pode prejudicar crescimento. Leia
aqui
Impasse
a caminho da OMC?
Marina
Chakina, RIA "Novosti",
23 de outubro, 2003. As negociações da Rússia sobre
o ingresso na OMC entraram num impasse. Ao regressar a 9 de Outubro da
última ronda de negociações com os representantes
da União Europeia, o ministro do Desenvolvimento Económico
e Comércio da Rússia, Guerman Gref, anunciou que as partes
por pouco não interromperam os contactos por um ano inteiro. Leia
mais
Congresso
vira palco de manifestações de apoio ao Itamaraty.[22.10]
O
Brasil no mundo: o debate da política externa
José
Luís Fiori, 19 de outubro, 2003. Não há dúvida
que as principais disputas que se anunciam e acumulam no horizonte girarão
em torno das divergências econômicas entre os Estados Unidos
e o Brasil, em particular nas negociações da OMC, FMI e Alca.
Lula
e Kirchner assinam Consenso de Buenos Aires.[16.10]
Consenso
de Buenos Aires é crítica à desigualdade
Emir
Sader,
Agência
Carta Maior, 16 de outubro, 2003. Análise de versão preliminar
do acordo que Brasil e Argentina assinam nesta quinta (16) mostra foco
na crítica da desigualdade imposta pela globalização
e na afirmação estratégica do papel do Mercosul. Leia
mais
Ausência
de projetos nacionais prejudica bloco, diz economista.[15.10]
Brasil
ajuda países do Sul a ressurgir na cena política mundial.[19.09]
Fracasso
bem-sucedido
Fátima
Mello, Agência
Carta Maior, 17 de setembro, 2003. Os países pobres podem comemorar
o empate na Reunião da OMC, em Cancún. O Brasil foi bem,
mas vale o alerta: há a necessidade de revisão de algumas
prioridades defendidas pelo país nas negociações comerciais
internacionais. Leia
mais
Fracassa
reunião de Cancún; movimentos sociais comemoram.[15.09]
EUA
e União Européia batem e alisam para dividir G-22 na OMC
Laura
Cassano e Verena Glass,
Agência
Carta Maior, 10 de setembro, 2003. Na campanha norte-americana
e européia contra as propostas para a agricultura do G-22, o grupo
de países em desenvolvimento encabeçado pelo Brasil, valem
ameaças e promessas para desarticular o bloco. Com isso fica cada
vez mais distante o principal objetivo desses países: o fim nos
EUA e na UE dos subsídios agrícolas. Leia
mais
Kirchner
estica a corda com o FMI e ganha apoio interno
Marco
Aurélio Weissheimer,
Agência
Carta Maior, 10 de setembro, 2003. Argentina e Fundo Monetário
Internacional não chegam a acordo e dívida de US$ 2,9 bilhões
não é paga no prazo previsto. Presidente Kirchner não
aceita aumento de tarifas de serviços públicos privatizados
e maior arrocho fiscal. População sai às ruas em protesto
contra o FMI. Leia
mais
Corrupção
e intimidação definem regras da OMC, diz livro
BBC
Brasil, 2 de setembro, 2003. As regras que governam a economia
global estão sendo feitas em um clima de medo, corrupção
e intimidação, de acordo com um livro lançado em Londres
nesta terça-feira. Leia
aqui
As
Multinacionais do Crime
Wálter
Fanganiello Maierovitch, julho de 2003. No campo do narcotráfico,
as atividades de distribuição e venda encontram-se terceirizadas,
ou seja, quadrilhas e bandos atuam, preservando-se as organizações
maiores, transnacionais.
Comércio
internacional, FMI e Banco Mundial
Julho
2003. Stephen Byers, ministro do Comércio e da Indústria
britânico até o ano passado: "[...] Eu acreditava que os países
em desenvolvimento deviam abraçar a liberalização
do comércio. [...]Hoje, acredito que esta visão é
errada. Desde que deixei o ministério há um ano, tive a oportunidade
de observar com meus próprios olhos as conseqüências
desta política comercial"..[+]
O
modelo nafta
Cabe-me
fazer, ainda que rápida e superficialmente, uma digressão,
uma exposição dos aspectos fundamentais de uma experiência
assemelhada de integração que se desenvolve na América
do Norte. Vamos pinçar alguns aspectos mais importantes sobre a
experiência do Nafta, que traz semelhanças e dessemelhanças
relativamente ao modelo do Mercosul e, sobretudo, ao modelo da Comunidade
Européia. Por Hermes Marcelo Huck no DHNET.
A
trágica experiência do Nafta
Se existe
um consenso acerca da bombástica proposta dos EUA de criação
da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) é
de que ela será uma extensão de outro tratado económico
já em vigor: o Nafta (North American Free Trade Agreement). As negociações
entre Estados Unidos, Canadá e México para a implantação
do Acordo de Livre Comércio da América do Norte foram concluídas
em Dezembro de 1992. Ratificado um ano depois pelos parlamentos dos três
países, o Nafta passou a vingar de facto em Janeiro de 1994. Por
Altamiro
Borges, 19/7/2002..[+]
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