A semana
em Brasília
------------------------------------------
CPI
da Compra de Votos, CPI dos Correios, baixaria da oposição,
o caixa 2 tucano em Minas, Maurício Marinho, Duda Mendonça,
Marcelo Sereno, Daniel Dantas e os fundos de pensão, CPI do Banestado,
PT e o Garotinho, Palocci e o mercado, abordagens da crise, CPI dos Bingos,
'blindagem' da economia, reforma político-eleitoral e as reações,
sugestões e cassações pelo país são
alguns dos temas desta reportagem especial sobre a Crise em Brasília.
Da redação Consciência.Net, 28/8/2005
Delúbio Soares, ex-tesoureiro
do PT, depôs na CPI da Compra de Votos na última quinta (18/8),
com ampla repercussão nos jornais e agências. O JORNAL
DO BRASIL preferiu destacar o fato de Delúbio não ter
entregue nenhum
nome à CPI. "Faz parte da minha integridade não delatar
ninguém", disse Delúbio. O GLOBO puxa a matéria
dizendo que o ex-tesoureiro "acabou
admitindo" que o PT usou recursos das contas de Marcos Valério
para pagar serviços de apoio à campanha presidencial de Lula
no segundo turno de 2002.
O ex-tesoureiro do PT confirmou
também, completa O GLOBO, as informações do
presidente do PL, o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, sobre reunião
em que acertara repasse financeiro ao partido em 2002. Segundo Delúbio,
ele e Valdemar se reuniram no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT-PA).
Na terça 23, foi a vez
do ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmar na CPI do
Mensalão que os R$ 6,5 milhões que recebeu entre fevereiro
de 2003 e janeiro de 2004 das empresas do publicitário Marcos Valério
foram integralmente usados para pagar dívidas da campanha presidencial
de Luiz Inácio Lula da Silva - de quem José Alencar (PL)
foi candidato a vice. "Para as eleições de 2002, involuntariamente,
recebi dinheiro não-oficializado do PT. (...) [O recurso] foi totalmente
gasto na campanha do presidente Lula no segundo turno", disse Valdemar
conforme noticia a FOLHA
da quarta 24.
Baixaria da oposição
Segundo o JB
da sexta (19/8), o presidente da CPI do Mensalão, senador Amir
Lando (PMDB-RO), prometeu encaminhar ao Conselho de Ética da Câmara
representação contra Antonio Carlos Magalhães Neto
(PFL-BA) e Onyx Lorenzoni (PFL-RS) por comentários dos deputados.
Lando ficou irritado ao saber, por meio do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP),
que ACM Neto havia se referido à comissão como ''CPI do Abafão'',
e Lorenzoni teria dito que ela seria um buraco negro.
Contribuindo para o baixo nível
e falta de espírito republicano da oposição, o jornal
O
GLOBO, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo se preocuparam
mais em reproduzir em tudo o que era canto a frase ‘É o batom na
cueca do PT’ do que qualquer outra coisa. Para o impresso
na
edição da sexta (19/8), por exemplo, Delúbio aparentava
"novamente ter tomado algum tipo de calmante". Um parlamentar chegou a
dizer, relata O GLOBO, que ele estaria dopado. Pronto: começou
a gritaria. A irresponsabilidade diante de uma investigação
séria foi, em algum nível, incentivada pela Globo, trabalhando
assim o imaginário popular contra o PT (para fazer afundar mais
do que já está).
Valdemar
Costa Neto aponta para Roberto..
Jefferson
durante CPI da Compra de Votos..
Na
terça 23, novo bate-boca na mesma comissão, desta vez envolvendo
Valdemar Costa Neto. Ao ser questionado sobre a causa do inchaço
do PL, que passou de 26 deputados federais eleitos para 49, o presidente
do partido e ex-deputado perguntou se seria o "mensalão" a razão
do crescimento da bancada do PSDB durante a gestão de Fernando Henrique
Cardoso (1995-2002). De acordo com o jornal FOLHA
DE S. PAULO da quarta 24, o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS)
levantou a questão: "As maiores liberações [de dinheiro
de Marcos Valério] são no início da legislatura, quando
houve um incremento na sua bancada. Como o senhor explica isso?".
Valdemar sacou uma tabela e
respondeu com uma pergunta: "Como o PSDB, que tinha 65 deputados em 1995,
passou para 97 em 1997? Foi com o "mensalão'?" Redecker então
deu uma resposta que, de acordo com o jornal, "arrancou manifestações
de deboche na sala da CPI", onde estavam vários assessores do PL.
"Muitas pessoas naquela oportunidade queriam participar do PSDB e foram
participar. É diferente do seu caso", afirmou, completando: "Peço
que a claque não se manifeste".
CPI dos Correios
"Com o reforço de alguns
tucanos", que teriam "estrategicamente" se ausentado da sessão na
hora da votação, segundo O GLOBO da
sexta (19/8), o governo conseguiu impedir ontem (19/8) que a CPI dos
Correios aprovasse a convocação do doleiro Antonio Oliveira
Claramunt, o Toninho da Barcelona, do presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, e do ex-tesoureiro do PT Paulo Okamoto, que diz ter pagado suposto
empréstimo de R$ 29 mil do PT ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. Dias depois Toninho teria sua convocação aprovada.
A revista CARTA
CAPITAL liberada no domingo 28 (n.357) aponta que a pressa em convocar
o doleiro atende a interesses do PFL, que obteve ajuda do PSDB, e seria
uma forma de desvirtuar as investigações segundo interesses
políticos próprios.
O GLOBO escreve que Toninho
da Barcelona prometera na última terça (16/8) "apresentar
mais detalhes à CPI sobre suas acusações contra petistas,
entre eles o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Mentor
(PT-SP), e Meirelles". Perceba que no texto do diário carioca
as acusações são contra "petistas", fato reafirmado
no "PT-SP", mas Meirelles, que é do PSDB
de Goiás, aparece timidamente, só pelo segundo nome.
Ainda na quinta 18, o JORNAL
DO BRASIL escreve que Toninho da Barcelona
teria dito ao deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) que a abertura das contas
de doleiros brasileiros no MTB Bank, nos Estados Unidos, ''pode derrubar
o governo Lula e jogar lama sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso''.
Mattos: "Ele me disse que, se quebrarem as contas dos doleiros brasileiros
no MTB Bank, derruba esse governo e enlameia o outro".
Delcídio
Amaral e Serraglio, protagonistas..
na CPI dos
Correios, em entrevista coletiva..
Segundo
o JB, o presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS),
disse na quarta 17, no entanto, que vai ''chamar a atenção''
dos integrantes da comissão que foram a São Paulo ouvir o
depoimento de Toninho. Depois de ouvir denúncias sem provas do doleiro,
condenado a 25 anos de prisão, membros da CPI defenderam a convocação
de Márcio Thomaz Bastos e Henrique Meirelles, citados no depoimento.
"Em função de uma conversa querem chamar um ministro? É
uma insensatez isso que está sendo feito. Isso é bisonho,
é bizarro. Daqui a pouco vão pedir para o Bush vir à
CPI", rechaçou o petista.
Na quarta 24, O
GLOBO publica reportagem de Evandro Éboli e Adriana Vasconcelos
afirmando que o ex-presidente do Banco Popular do Brasil, Ivan Guimarães,
"atuou como um dos principais arrecadadores de recursos para a campanha
do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2002". Em
depoimento ontem à CPI dos Correios, continua o jornal, Ivan revelou
que "gerenciou o trabalho de levantar recursos junto a empresários
para os gastos da campanha. Ele contou à CPI que, com o trabalho,
foram arrecadados cerca de R$ 24 milhões, doados por cem empresários.
Os recursos equivalem a 61% do total declarado ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE)".
Perdas e danos
No domingo
28, José Casado publica nova reportagem no diário carioca
agirmando que "está na Presidência da República um
relatório oficial, concluído no último dia 12, com
os resultados apurados em 40 departamentos dos Correios por equipes da
auditoria interna da estatal, Secretaria Federal de Controle Interno, Tribunal
de Contas da União e Controladoria Geral da União". Os auditores,
escreve o repórter do jornal O GLOBO, vasculharam 85,7% dos
contratos executados pela empresa estatal em 2003 e 56,4% dos contratos
realizados durante 2004.
O valor total desses contratos
supera R$ 7 bilhões, "o equivalente a mais de dois terços
do faturamento dos Correios no ano passado ou, ainda, ao orçamento
do maior programa social do governo Lula, o Bolsa Família, que atende
a sete milhões de famílias", comparou a reportagem. O relatório
a que O GLOBO teve acesso expõe, sustenta o jornal, um "quadro muito
pior que o já esboçado nas investigações da
CPI dos Correios: foram constatados 525 tipos de irregularidades consideradas
graves, a maior parte classificada como de 'alto risco' para os cofres
públicos".
Coisas muito sujas e feias
Para piorar o clima de suspeitas,
o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse na sexta
26 que "pessoas próximas ao presidente fizeram 'coisa muito suja,
muito feia' e devem pagar em dobro". Numa crítica à oposição,
destaca O
GLOBO do sábado 27, o ministro afirmou, porém, que
há políticos irresponsáveis propagando a calúnia
e o ódio e que uma minoria planeja o golpe.
Ciro acompanhou Lula na visita
a Quixadá, a 167 quilômetros de Fortaleza, onde teria dito
o seguinte: "Na hora em que muitos políticos irresponsáveis
escalam a calúnia, escalam o ódio, escalam a divisão
do país, para não dizer alguns, minoria, que escalam o golpe,
o crime, a contradição, é muito importante que o povo
brasileiro se coloque de olho muito aberto e coração muito
atento". Sem citar nomes e isentando Lula, o ministro disse que "gente
da confiança do presidente meteu os pés pelas mãos
e fez coisa muito suja e feia".
"Coisas muito graves estão
acontecendo e, na minha opinião - não é a do presidente,
não precisa ser a dele -, ameaçando a democracia brasileira,
ameaçando dividir o nosso povo e a nossa nação pelo
signo do ódio, do radicalismo", destacou a FOLHA.
Ele fez ressalvas, segundo o jornal, sem citar nomes: "Há muita
gente honesta, muita gente boa na imprensa e na política, inclusive
na oposição, que quer apuração, que quer investigação".
Cartões corporativos
O Tribunal de Contas da União
aprovou na quarta 24 uma auditoria nos gastos com cartões da Presidência.
A "falta de transparência" nas despesas pagas com cartões
é o principal motivo apresentado pelo TCU para justificar a auditoria.
"Chama a atenção do TCU", destava a FOLHA
da quinta 25, "sobretudo o volume de saques em dinheiro. O destino
do dinheiro, por ora, é desconhecido". Diz, por exemplo, que "um
único portador dos cartões de crédito da Presidência
foi responsável por gastos de R$ 1,3 milhão entre faturas
e saques em pouco mais de um ano e meio".
O GLOBO publica reportagem
no
sábado 27 que documentos enviados pela Presidência ao
TCU sobre gastos com o cartão de crédito corporativo mostram
que "uma funcionária da Presidência usou pelo menos quatro
notas frias para justificar saques em dinheiro no cartão". As notas
são da empresa FR Comércio Serviço e Representação
Ltda e somam R$ 2.966. As despesas, continua
O GLOBO, são
referentes à compra de cartuchos para impressora, mas a empresa
aparece no registro da Receita Federal como uma companhia da área
de alimentos. No endereço registrado na Receita funciona um pequeno
comércio de alimentos e não há cartuchos de impressora
para venda.
Um detalhe da reportagem é,
no mínimo, questionável do ponto de vista ético: quem
teve acesso aos documentos que possibilitaram a reportagem foi a assessoria
do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O GLOBO vai na cola de
uma "conversa pelo telefone com a assessoria do senador" e revela que "o
dono da FR, Francisco Ramalho, admitiu que não vendeu cartuchos
para a Presidência. Disse que forneceu as notas para uma pessoa chamada
Edmilson, que teria vendido os cartuchos, mas não quis dar mais
informações sobre o vendedor", para depois dar a palavra
para o próprio senador: "É uma amostragem reduzida, mas apresenta
indícios de irregularidades. É preciso investigar".
Uma íntima relação
que gera uma matéria. Questiona-se aqui até que ponto este
tipo de relação não compromete a qualidade da informação,
já que são conhecidas as intenções de um senador
que faz oposição sistemática ao governo e que já
declarou
recentemente que, diante de denúncias envolvendo o publicitário
Duda Mendonça, "só resta ao Congresso começar a discutir
o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva"...
A Assessoria Especial da Casa
Civil da Presidência da República havia divulgado na quinta
25 nota
de esclarecimento sobre o uso dos Cartões de Pagamento do Governo
Federal. A nota esclarece que não há sigilo envolvendo informações
referentes aos gastos com esses cartões e que por determinação
legal, todos os gastos com os cartões, extratos ou notas fiscais
referentes a eles "sempre estiveram, e estão, à disposição
do Tribunal de Contas da União e de órgãos de controle
interno". O Cartão de Pagamento do Governo Federal, explica a nota,
foi instituído em 2001 e utilizado a partir de agosto de 2002, "por
servidores públicos que exercem a função de agentes
supridores (ecônomos). Estes servidores não têm vinculação
exclusiva com nenhuma autoridade e os cartões nunca são usados
para gastos de natureza pessoal".
Viva o Super-Serra!
Na mesma semana em que reserva
dezenas de páginas e editoriais para atacar a administração
federal, o jornal FOLHA
DE S. PAULO publica reportagem afirmando "a administração
José Serra (PSDB) apresentou ontem (24/8) as linhas básicas
de um projeto anticorrupção que deseja implantar na Prefeitura
de São Paulo". Os 16 tópicos, diz a FOLHA, constam
de uma portaria publicada no "Diário Oficial" e focam a ação
na área de fiscalização das subprefeituras, responsável
pelos principais casos de corrupção na cidade. Diz ainda
que as propostas foram "elogiadas
por especialistas" - três na verdade, sendo que um deles "criticou
a prefeitura por não ter dado prosseguimento à eleição
do conselho de representantes - que fiscalizaria os subprefeitos".
Várias análises
de mídia, algumas publicadas no site Observatório
da Imprensa, mostram que a FOLHA privilegia constantemente
José Serra em suas matérias. O próprio jornal publicou
no domingo 28 pesquisa entre leitores que concluiu que "a maioria dos
assinantes [da FOLHA] não deseja o impeachment de
Lula, mas não votaria no presidente num segundo turno contra um
tucano". A pesquisa serve, na verdade, para tentar convencer que a cabertura
do jornal está sendo bem feita, já que "82% de seus leitores
a aprovam" e "apenas 4% a reprovam". A imagem que a FOLHA tenta
passar ao público fica clara na seguinte sentença sobre a
tal pesquisa: "Para a maioria, ela é imparcial (55%), completa (78%)
e séria (82%)". Registra-se que, com todas as nossas críticas,
esta revista se utiliza bastante das citações do jornal paulista,
apesar de seu anti-petismo declarado (e desnecessário).
O caixa 2 tucano em Minas
No sábado
27, a FOLHA informa que Cláudio Mourão, ex-tesoureiro
da campanha do hoje presidente nacional do PSDB Eduardo Azeredo ao governo
de Minas Gerais em 1998, assumiu a responsabilidade do caixa dois naquele
pleito e isentou de envolvimento o senador Azeredo, que tentava se reeleger,
e o candidato a vice, o empresário Clésio Andrade - na época
filiado ao PFL e atual vice-governador de Minas pelo PL. Mas a versão
de Mourão, dada à revista "Veja", que divulgou trechos na
internet, tem contradições e poderão ser esclarecidas
pela CPI dos Correios, que já o convocou. Mourão foi secretário
de Administração e Recursos Humanos da gestão Azeredo
(95-98). O caixa dois tucano teve a participação do publicitário
Marcos Valério.
Maurício Marinho
Após discutir com o Ministério
Público Federal (MPF) a possibilidade de se beneficiar da delação
premiada, o ex-chefe da divisão de Contratação dos
Correios Maurício Marinho, flagrado recebendo propina de R$ 3 mil
em nome do PTB, decidiu dar detalhes do esquema de corrupção
montado na estatal, informa O
GLOBO da sexta 26. Em depoimentos sigilosos, transcritos em 82
páginas, Marinho acusa Hassam Gebrim, ex-presidente da estatal ligado
ao PSDB, de ter fechado entre 2001 e 2002 contratos superfaturados com
a Skymaster, responsável pelo correio aéreo noturno. Marinho
confirmou ainda ter participado ativamente do esquema de corrupção
montado na estatal para beneficiar empresas em licitações
em troca de doações para partidos. A reportagem é
de Adriana
Vasconcelos.
Marinho
em depoimento na CPMI dos Correios..
Em
um conjunto de depoimentos ao MPF entre 29 de junho e 19 de julho, destaca
a FOLHA
no mesmo dia, Marinho teria mudado a versão que apresentara
à CPI dos Correios e contou, segundo o jornal, ter recebido "aproximadamente"
R$ 20 mil entre setembro de 2004 e abril deste ano de quatro empresas de
materiais gráficos - Polycart, Incomir, ELC/ Starlock e Multiforma
-, "parte menor do que foi repassado diretamente a superiores". A parte
maior do dinheiro teria ido ao PTB, partido presidido então pelo
deputado Roberto Jefferson.
Marinho contou que Marcus Vinícius
de Vasconcelos Ferreira "era os olhos e os ouvidos do deputado Roberto
Jefferson (PTB-RJ)" nos Correios. Segundo Marinho, participavam diretamente
do esquema o ex-diretor de Administração Antônio Osório,
seu assessor Fernando Godoy, ambos indicados pelo PTB, e o ex-diretor comercial
Carlos Eduardo Fioravanti, da cota do PMDB. Marinho confessa em seu depoimento
que teria recebido aproximadamente R$ 20 mil entre setembro de 2004 e abril
de 2005 para favorecer empresas de consignação de produtos
e de materiais gráficos, conforme noticioa o jornal O
GLOBO da quinta 25.
Na edição 356
(24/8), a revista CARTA
CAPITAL publicou extensa entrevista com Marinho onde ele detalha
minuciosamente o funcionamento de um esquema de corrupção
em uma estatal, citando o exemplo que conhecia.
A Empresa Brasileira de Correios
e Telégrafos (ECT) soltou
nota na sexta 26 afirmando que a "empresa e os seus 108 mil empregados,
conscientes da postura de seriedade e de correção com que
sempre nortearam os seus atos, acreditam que está chegando a hora
da verdade, onde acusações genéricas deverão
ser elucidadas e, sobretudo, se culpados houver, que sejam devidamente
responsabilizados".
Duda Mendonça
O publicitário Duda Mendonça
está se complicando cada vez mais com esta história de ‘offshore’,
nova palavra do vocabulário "nacional". O jornal O GLOBO
da sexta
19 informa que a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério
da Justiça já tem o levantamento de 21 empresas e bancos
que fizeram depósitos na conta da Dusseldorf, "a empresa offshore
que pertence ao publicitário Duda Mendonça, na agência
de Miami do Bank of Boston International". O resultado do trabalho, diz
o diário carioca, é uma teia de bancos e empresas dentro
e fora do Brasil, que está sendo investigada pela CPI dos Correios.
O sigilo bancário das empresas de Duda Mendonça foram quebrados
por duas CPIs - Correios e Compra de Votos - na quinta 25.
Marcelo Sereno
A FOLHA da quarta 24
repercute o depoimento na CPI dos Bingos do ex-assessor do ex-ministro
da Casa Civil José Dirceu, Marcelo Sereno, escrevendo que o empresário
Marcos Valério Fernandes de Souza e Sereno se reuniram no Palácio
do Planalto para tratar de campanhas eleitorais. Os encontros, segundo
Sereno, ocorreram "no fim de 2003 e início de 2004", quando ele
era chefe da assessoria especial do ministro. "Duas ou três vezes,
ele [Valério] foi me procurar no Palácio do Planalto e eu
conversei sobre campanha eleitoral [do Rio de Janeiro]. Ele queria que
a empresa de marketing dele ganhasse mais fácil [contas de campanhas]",
disse Sereno segundo
a FOLHA.
De acordo com o JORNAL
DO BRASIL do mesmo dia, o senador Leonel Pavan (PSDB-SC) tratou
então de confirmar com Sereno se ele realmente tratava de campanhas
do PT no Palácio do Planalto, ''na hora de trabalho, onde era pago
com dinheiro público'', no que respondeu Sereno: "Eu me arrependo
e isso foi uma das razões de eu ter deixado o cargo".
Fundos de pensão
A CPI dos Correios aprovou na
quinta (25/8) a quebra dos sigilos bancários de sete fundos de pensão
especificamente de dados referentes aos investimentos nos bancos BMG e
Rural, informa
a FOLHA ONLINE. Os parlamentares aprovaram também a quebra
dos sigilos bancário, fiscal e telefônico das empresas Duda
Mendonça e Associados e CEP Comunicação e Estratégia
Política, e de Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes
da Silveira. Com a quebra dos sigilos, continua a FOLHA, os congressistas
querem averiguar se os fundos Previ, Real Grandeza, Postalis, Centrus,
Serpros, Portus, Eletros realizaram algum investimento nos Bancos Rural
e BMG como um forma de recompensa pelos empréstimos concedidos pelas
instituições às empresas de Marcos Valério
Fernandes de Souza e depois repassados ao PT.
Na terça, 23
de agosto, a FOLHA mostrou que o deputado Alberto Fraga (PFL-DF)
usou texto do advogado do grupo Opportunity Luis Octavio da Motta Veiga
para solicitar ao Tribunal de Contas da União a suspensão
do acordo entre os fundos de pensão e o Citigroup. Na semana passada,
o TCU acatou o pedido. O Opportunity é o maior interessado no fim
do pacto firmado entre os três grandes fundos de pensão (Previ,
Funcef e Petros) e o Citigroup, pelo qual as fundações de
previdência e a instituição financeira americana tiraram
o banco de Daniel Dantas do comando da Brasil Telecom. A reportagem
é de Leonardo Souza e Kennedy Alencar.
Segundo a edição
do jornal na quinta 25, uma mega auditoria feita no fundo de pensão
Nucleos (dos empregados das empresas estatais da área nuclear) apontou
"30 indícios de irregularidades na entidade já no governo
Lula". A FOLHA
teve acesso ao relatório confidencial da auditoria. "Nove auditores
cedidos pelas estatais Eletronuclear, Nuclep e INB (Indústrias Nucleares
do Brasil) e pela Petrobras participaram da empreitada. O Ministério
das Minas e Energia determinou a abertura de inquérito administrativo",
registra o jornal.
Daniel Dantas espalha o medo, mas é
convocado
Assessores do presidente Lula
e parlamentares da CPI dos Correios acreditam que o banqueiro Daniel Dantas
- dono do Grupo Opportunity - pode implodir alguns partidos políticos,
envolvendo também o PFL e o PSDB com a corrupção que
assola o PT, informa o JORNAL
DO BRASIL do domingo 21. O possível envolvimento de outras
siglas seria um dos principais motivos para a não convocação
do banqueiro à CPI dos Correios, na avaliação do deputado
Pompeo de Mattos (PDT-RS), autor do requerimento: "O senhor Daniel Dantas
é da intimidade do PSDB e do PFL. Nesse esquema de corrupção,
o PT está envolvido, mas a corrupção não nasceu
com o PT". O parlamentar considera ''inexplicável'' a CPI dos Correios
não ter chamado Dantas para depor.
O JORNAL DO BRASIL, um
dos poucos jornais nacionais diários da mídia impressa que
cobre com afinco Daniel Dantas - sabe-se lá porque -, destacou na
sexta 26 que o banqueiro "terá de dar explicações
no Congresso" sobre a suposta compra de votos de parlamentares. É
que as CPIs dos Correios e do Mensalão aprovaram na quinta 25 requerimentos
convocando Dantas para depor. Na CPI dos Correios, foi quebrado o sigilo
bancário, fiscal e telefônico, dos últimos cinco anos,
da Telemig Celular e da Amazônia Celular, nas quais o Opportunity
tem participação. O primeiro depoimento de Dantas foi marcado
para o dia 14 de setembro, na CPI dos Correios. O articulista Mauro
Santayana classificou a convocação como "o passo mais
sério em direção ao conhecimento do que vem ocorrendo
no Brasil, nestes últimos 10 anos".
A revista CARTA
CAPITAL tem denunciado semanalmente Dantas, a quem acusa de estar
na origem de boa parte da crise. No número 357 da revista, liberado
no domingo 28, lembra que, juntas, Telemig Celular e Amazônia Celular
depositaram mais de R$ 150 milhões nas contas das agências
DNA e SMPB, de Marcos Valério. Análises preliminares de técnicos
da CPI, escreve a revista, indicam que uma parte substancial dos depósitos
não corresponde a serviços de publicidade. A revista também
alerta que o PFL trabalha a favor de Dantas. Sustenta que a leganda, com
auxílio do PSDB, forçou para que Dantas comparecesse à
comissão antes da chegada da movimentação financeira
das empresas de telefonia.
Sobreposição de trabalhos
O jornal O GLOBO tem
criticado a "duplicidade
nas investigações" promovidas pelas CPIs do Mensalão
e dos Correios. Lembra, entre outros dados, que as duas CPIs aprovaram
no mesmo dia (25/8) a quebra do sigilo bancário das empresas de
Duda Mendonça e que, juntamente com a CPI dos Bingos, convocaram
também na quinta 25 o doleiro Antonio Oliveira Claramunt, conhecido
como Toninho da Barcelona. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio
Amaral (PT-MS), argumenta que há um "equívoco por parte de
outras comissões". Delcídio
avalia que a comissão dos Correios investiga a "origem dos recursos
do empresário Marcos Valério, que poderiam ter abastecido
o suposto esquema de mesadas a parlamentares, enquanto a da Compra de Votos
deve apurar o destino desses recursos".
Delcídio também
criticou convocações como a de Toninho da Barcelona: "A CPI
dos Correios tem um foco claro que são os Correios e a movimentação
financeira do senhor Marcos Valério, focada nas origens. E nós
estamos vendo requerimentos sendo aprovados em outras CPIs que estão
ligados às origens". O relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) também
dá seu palpite: "O procedimento mais indicado é reunir os
três presidentes das comissões para delimitar atribuições.
Se não houver entendimento, é preciso que o Renan defina
até onde cabe o quê e a quem".
Delcídio apareceu na
RADIOBRÁS
na sexta 26 dando sua alfinetada: "Acho que algumas pessoas têm,
efetivamente, interesse em que transformemos tudo em uma grande desordem.
E aí ninguém vai ser punido". A CPI Correios havia anunciado
na sexta 19 que dividiu os trabalhos em duas subcomissões para
ouvir os depoimentos. Uma envolve a estatal e a outra é relacionada
às empresas de Marcos Valério, leia
aqui nosso especial sobre o careca mais famoso do Brasil (aquele no
qual não conseguimos nos livrar nem no café da manhã).
O senador reaparece n'O
GLOBO do sábado 27 afirmando que não há possibilidade
de os trabalhos da comissão acabarem em pizza. Ele afirmou, continua
o jornal, que falar em pizza é "conversa para boi dormir", pois
além de a CPI estar sendo acompanhada pelos meios de comunicação,
a sociedade não aceitaria esse final. "Não existe, a população
não admite, não aceita e não há político
minimamente racional que vá admitir uma coisa dessas (...) Ou alguém
acredita que a população não vai julgar as pessoas
por um trabalho omisso, se isso vier a ocorrer na CPI dos Correios?" Já
a CPI da Compra de Votos, ao que nos parece, continua pouco objetiva e
sem rumos definidos.
A agência do governo destacou
na sexta 26 que o Congresso Nacional possui, atualmente, 11
CPIs em andamento e explica a diferença
regimental para a criação de uma Comissão Parlamentar
de Inquérito na Câmara dos Deputados, no Senado e no caso
das CPIs mistas.
CPI do Banestado: relator em suspeita
Sob risco de cassação
por ter recebido R$ 120 mil em cheques de empresa de Marcos Valério,
o deputado federal José Mentor (PT-SP) atuou para blindar, acusou
a FOLHA
DE S. PAULO no domingo 21, na relatoria da CPI do Banestado, pelo
menos sete linhas de investigação que atingiriam interesses
do PT e do governo federal. No cargo-chave da comissão, Mentor não
convocou para depor nem incluiu na lista dos indiciados donos e diretores
do Banco Rural, o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP), o ex-dono da
Transbrasil Antônio Cipriani, o presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, o doleiro Toninho da Barcelona e o empresário de ônibus
Ronan Maria Pinto, além de deixar de investigar operações
no MTB Bank que comprometeriam Duda Mendonça, marqueteiro da campanha
de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Mais na reportagem de Rubens
Valente e Marta Salomon.
PT poupa casal Garotinho
A CPI dos Bingos mudou de idéia
e cancelou ontem a convocação da governadora Rosinha Garotinho
e do marido dela, o secretário de Governo do Estado do Rio, Anthony
Garotinho. O requerimento para que os dois prestassem depoimento, de autoria
do senador Tião Viana (PT-AC), havia sido aprovado há duas
semanas, informou o jornal O
GLOBO na sexta 26. Foi o próprio Tião Viana que pediu
o cancelamento da convocação. "O PMDB me procurou, disse
que havia clima de diálogo político sobre as pessoas que
deveriam ser ouvidas e pediu para eu retirar o requerimento", explicou.
Viana disse ter aceitado o argumento dos peemedebistas Ney Suassuna (PB)
e Sérgio Cabral (RJ), que alegaram não haver motivos suficientes
para a convocação de Rosinha e Garotinho. O casal seria ouvido
sobre supostas doações de campanha feitas por empresas interessadas
em prestar serviços à Loterj. Com isso, a ex-governadora
Benedita da Silva (PT) também foi poupada.
Viva Palocci! Viva o mercado!
Depois de ser posto contra a
parede diante de uma denúncia do advogado e ex-assessor Rogério
Tadeu Buratti, durante sua administração em Ribeirão
Preto, o ministro Antonio Palocci decidiu se defender e negar tudo. Diz
que fica. Já na sexta 19, o ministério da Fazenda soltou
nota afirmando que "Palocci nega com veemência a veracidade da
informação de que recebeu recursos da empresa Leão&Leão
quando exercia o cargo de prefeito do município de Ribeirão
Preto".
A entrevista coletiva desta
domingo (21/8), como a esquerda previra, não serviria para isso.
Era muito mais para deixar claro que a política econômica
não será alterada. Nisso, os neoliberais do PT, do PFL e
do PSDB - que lideraram tal "escola" de pensamento econômico no Brasil
durante os últimos doze anos - estão mais unidos do que nunca.
A imprensa não fica atrás:
já no domingo
21, observa o crítico de mídia da FOLHA na segunda
22, Nelson de Sá, Palocci era em todas as mídias um homem
"Seguro, calmo, tranqüilo, firme, sensato, muito elegante" (?).
Direita poupa Palocci
O senador
Romeu Tuma pediu no sábado 20, no Jornal Nacional, um "aprofundamento"
das investigações - bem diferente do que ocorreu com José
Dirceu, quando a oposição fez de tudo para envolvê-lo
(e até hoje o faz).
O deputado José Carlos Aleluia
(PFL-BA) disse no
domingo (21/8) que Palocci falou "com segurança, mostrou tranqüilidade
e não atacou diretamente Buratti. (...) Ele [Palocci] disse o que
o mercado queria saber: não vai haver alteração na
política econômica. E ele continuará no ministério".
O líder do PSDB no Senado,
Arthur
Virgílio, disse que o ministro "foi bem" e "preparou a abertura
suave dos mercados amanhã (...) Acredito que [Palocci] deva ter
desestressado o sistem afiannceiro. Se ele não fala seria um horror".
É o discurso que acaba atingindo o mais humilde brasileiro. Seu
salário está cada vez menor, está desempregado, seu
bairro é violento - nada disso importa: precisamos nos preocupar
com o "humor" da economia.
Uma colunista
de destaque do jornal FOLHA DE S. PAULO, indo de encontro ao
discurso da direita, afirmou que "o ministro da Fazenda cresceu, enfrentou,
foi firme e convincente", chamando-o de "estadidta" e "líder" e
o comparando-o ao presidente Lula (entre outros), segundo ela um "mero
governante e político".
"Negou categoricamente a versão
de (...)", por exemplo, é uma expressão que você usa
quando quer supor (e trata-se de uma decisão pessoal) que alguém
é culpado. Já para Lula, trata-se provavelmente de "eximir
de suas responsabilidades"...
Esquerda pede isonomia no tratamento
A esquerda questionou a boa
repercussão da mídia empresarial. Luciana Genro (PSOL-RS)
deu pistas sobre a contradição: "Ele deu as mesmas desculpas
esfarrapadas usadas por [José] Dirceu [ex-ministro da Casa Civil].
Os mesmos indícios [de corrupção] que serviram para
afastar Dirceu do governo não são aplicados agora no caso
de Palocci", disse na Folha.
Diz ainda que Palocci é "o fiador da política econômica
do governo Lula junto às elites financeiras". Ivan Valente (PT-SP):
"Ficou palavra contra palavra. A palavra de Palocci contra a de Buratti.
Enquanto não houver novas provas, será difícil acusar
o ministro. (...) O setor financeiro tem muita empatia pelo ministro e
isso ajuda na manutenção da estabilidade política".
O mais importante para os conservadores
está dito, como na manchete d'O
GLOBO da quarta 24: "Lula reafirma que não muda política
econômica". Segundo Lula, que ignora os números, para não
"prejudicar a população mais pobre". Na Globo, o economista-chefe
da federação dos bancos sustenta
que "o ponto mais importante [foi mostrar] que a política é
do governo, não do Palocci".
O clima de euforia na imprensa
beira o absurdo, como na matéria do JB
da segunda 22: "Ministro Palocci vacina a economia". O texto: "As declarações
de Palocci se apoiaram em dois eixos principais, ambos com o nítido
propósito de acalmar o mercado: primeiro, o ministro se dispôs
a esclarecer todas as acusações já feitas e eventuais
fatos novos; segundo, mesmo que deixe o cargo, a política da Fazenda
não será mudada, e a economia poderá resistir a turbulências".
Editorial
d'O GLOBO afirma que "o ministro foi claro e convincente", mudando
o tom que geralmente dá a petistas. Preferiu o tratamento respeitoso
que dá a pessoas como Fernando Henrique, Armínio Fraga ou
Pedro Malan.
É como se a corrupção
fosse coisa menor perto do Deus-mercado. E é. Em março de
2003, o economista da USP João Sayad foi categórigo ao disparar,
em artigo na Folha: "O país gasta 9% do PIB com o pagamento de juros,
imprime dinheiro para pagar juros e não tem dinheiro. O que é
corrupção?" A mídia empresarial parece estar em fina
sintonia com os beneficiados disso.
O debate n'O GLOBO, por
exemplo, era o seguinte: manter a taxa de juros (campeões do mundo
em crueldade) ou aumentá-lo? O
jornal escreve: "Palocci disse que ninguém é insubstituível
e que o Brasil tem dado mostras inequívocas de maturidade ao longo
da crise. Por isso, não vê motivos para aumento da taxa de
juros, de 19,75% ao ano, ou do superávit primário para proteger
a economia". Nas páginas de economia e de política do diário,
há alguns anos que não se vê um economista que apresente
alternativa. Registra-se que, volta e meia, lê-se sobre o "esgotamento
do modelo", como se algum dia, em qualquer momento, ele tivesse servido
para o país... De resto, ou você é neoliberal, ou é
neoliberal até a medula. A "escolha" fica por sua conta...
Acusações de Buratti
Rogério
Buratti durante CPI dos Bingos..
Na
sexta
19, o jornal O GLOBO diz que Rogério Buratti decidiu
"abrir a boca" depois de um acordo com o Ministério Público
Estadual, com a tal "delação premiada". "Podemos pedir que
ele seja solto imediatamente. Vai depender do que ele nos trouxer", teria
dito o promotor Aroldo Costa Filho antes de ouvir Buratti, segundo o jornal.
No domingo 21, os jornais repercutiram a revista VEJA, dizendo que
Buratti teria usado o nome de Palocci para fazer contatos com empresários,
"muitas vezes usando a estrutura do próprio Ministério da
Fazenda". Leia n'O
GLOBO e no JB.
O promotor Sebastião Sérgio da Silveira informou ao GLOBO
que ainda
não há documentos que comprovem o envolvimento direto
de Palocci.
Depois da entrevista, os jornais
repercutiram
acusação de Cesar Maia, prefeito do Rio, de que Palocci
teria omitido um contrato de 2002 com a empreiteira Leão Leão,
de R$ 41,6 milhões, para manutenção do aterro sanitário
da cidade. A FOLHA repercutiu a "denúncia" na terça
23, afirmando que "o ministro (...) citou apenas dois contratos ao
se defender das acusações: um assinado em 1999 pelo então
prefeito tucano Luiz Roberto Jábali e que foi considerado irregular
pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), em julho de 2004, e outro emergencial,
já em sua gestão, para coleta de galhos".
Registra-se que César
Maia é prefeito do Rio de Janeiro, uma cidade cheia de problemas,
mas prefere dedicar mais tempo à sua vida de blogueiro, ao que nos
parece, do que qualquer outra coisa. Maia ama o Rio ou o poder?
Já na segunda 22, a assessoria
de imprensa do Ministério da Fazenda divulgou nota respondendo à
acusação de Maia de que Palocci teria "mentido". Segundo
a nota, o contrato omitido "não foi objeto de questionamento" na
entrevista. A nota diz ainda que o contrato assinado pelo antecessor de
Palocci é o que está "sendo objeto de discussão na
Promotoria local". Segundo o Ministério Público Estadual
e a Polícia Civil, sustenta a FOLHA, o inquérito que
apura formação de quadrilha, sonegação fiscal
e lavagem de dinheiro não tem um contrato específico como
alvo, mas o suposto esquema de fraudes em licitações em 16
cidades de São Paulo e Minas Gerais.
A questão é: se
há suspeita de fraudes em 16 prefeituras, por que não dar
o mínimo de isonomia no tratamento às suspeitas?
A FOLHA
do domingo 21, citando supostos "documentos apreendidos na sede da
Leão Leão no ano passado pela Polícia Civil e pelo
Ministério Público Estadual", sustenta a tese de Buratti
de que estaria sendo realizado um "suposto pagamento de propina da empresa
a agentes públicos, incluindo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci".
O documento citado, segundo o jornal, é um "arquivo de computador
denominado 'despesas diversas' encontrado no notebook do ex-presidente
da Leão Ambiental, Wilney Barquete. Protegido por duas senhas de
oito dígitos, o arquivo traz uma contabilidade que se alinha ao
depoimento de Buratti à polícia".
Há referência ao
pagamento de "mensalidades" entre R$ 3.000 e R$ 50 mil, completa a FOLHA,
a cinco cidades (Ribeirão Preto, Araraquara, Sertãozinho,
Matão e Monte Alto), para o Departamento de Estrada de Rodagem e
para uma sigla Conter, não-especificada. Para a Promotoria e a Polícia
Civil, isso é o "mapa do pagamento de propina" que Buratti ajudou
a esclarecer. A empresa Leão Leão e Wilney Barquete não
quiseram comentar o teor dos documentos, finalizou o jornal. O
GLOBO do domingo 28 aponta seis cidades com supostas irregularidades
nos contratos para coleta ou varrição: São Paulo,
Campinas, Araraquara, Franca, São Carlos e Santo André.
Quanto à empreiteira
Leão Leão, Buratti disse na quinta (25/8), durante depoimento
na CPI dos Bingos, que só poderia falar em esquema de corrupção
em contratos de limpeza urbana em quatro cidades: Ribeirão Preto,
Sertãozinho, Matão e Monte Alto.
Na segunda
22, a FOLHA apontou "contradições" entre Buratti
e Palocci quanto a telefonemas entre os dois, o primeiro dizendo que ligou
para o segundo e este, por sua vez, dizendo que tratam-se de "tentativas
de contatos que não prosperaram". Uma novela, para quê? Na
terça
23, escreve que a empreiteira Leão Leão teria recebido
da Prefeitura de Ribeirão Preto, entre 2001 e 2002, um "tratamento
preferencial em relação a outros prestadores de serviço".
Pelo menos R$ 16,87 milhões foram pagos, sustenta a FOLHA,
à empresa em quebra de ordem cronológica, ou seja, ela passou
à frente de outros fornecedores que esperavam pagamentos. Foram
71 notas entre fevereiro de 2001 e dezembro de 2002, segundo levantamento
feito no "Diário Oficial" do município pelo jornal.
Também na terça
23, os integrantes da CPI dos Bingos aprovaram
por unanimidade a convocação, ainda sem data marcada,
do chefe de gabinete do ministério, Juscelino Dourado, que, assim
como Palocci, terio mantido contatos telefônicos com o advogado Rogério
Buratti.
Além dos depoimentos
de Buratti ao Ministério Público e à CPI, a Polícia
Civil de São Paulo fez escutas telefônicas e apreendeu documentos.
O jornal O GLOBO teve acesso a parte deles, revelados na
edição do domingo 28. "O caso mais escandaloso", comenta
o jornal, "é o contrato de R$ 10 bilhões para 20 anos de
São Paulo. A Leão & Leão, da qual Buratti foi
dirigente, queria ficar com a varrição, mas no acordo teria
sido substituída pela Qualix, preterida na coleta do lixo. Venceram
dois consórcios: o Bandeirantes 2 (Queiroz Galvão, Heleno
e Fonseca e Lot) e o São Paulo Limpeza Urbana (Vega, Cavo e SPL).
Os outros ficariam com as emergências e a varrição.
O caso foi julgado ilegal, mas a então prefeita Marta Suplicy (PT)
conseguiu liminar para manter a operação".
A FOLHA
do domingo 28 sugere a corrupção na gestão de
Palocci afirmando que "o ex-prefeito de Ribeirão Preto Gilberto
Maggioni teve um aumento de patrimônio de 60% no primeiro ano de
sua gestão, em 2003, já descontada a inflação
do período". Maggioni, então vice-prefeito, foi o sucessor
de Palocci, para quem Buratti trabalhou como secretário de Governo.
Ele atribui o crescimento de seu patrimônio ao aumento dos negócios
de uma fábrica que possui. "Uma pessoa séria declara o que
tem. Tenho tudo declarado com tranqüilidade e transparência",
afirmou Maggioni em resposta ao jornal.
Jornalistas criticam abordagens
Mauro Malin critica na edição
de 23/8 do Observatório
da Imprensa o que classifica de "jornalismo declaratório: "A
mídia trabalhou bem, em alguns poucos casos, com apuração
própria. Teve a necessária cautela durante boa parte do tempo.
Mas a partir de um determinado momento soltou as rédeas. E, no último
fim de semana, capotou na primeira curva fechada. Entre sexta-feira (19/8)
e domingo todos os grandes veículos caíram no mais irresponsável
jornalismo declaratório. 'Buratti diz, Palocci diz, Lula diz'."
Marcelo Beraba comenta em sua
coluna de crítica interna na FOLHA
DE S. PAULO do domingo 21: "Folha, "Estado de S.Paulo" e "O Globo",
os três jornais que disputam mercado e influência nacional,
deram o mesmo destaque, na edição de quarta-feira, às
acusações de um doleiro preso e condenado a 25 anos de prisão
por evasão de divisas. As manchetes eram parecidas (...) O preso
não apresentou provas, mas garantiu que as revelaria em troca de
uma revisão de pena. (...) Alguns leitores escreveram com questionamentos
que endosso. Os jornais não foram precipitados e, portanto, levianos,
ao aceitarem as acusações sem provas de um condenado?" Na
opinião do jornalista, a pergunta "e se tudo for mentira?" foi substituída
por outra: "e se tudo for verdade?".
Citando um exemplo emblemático,
Beraba sustenta que o jornal para o qual trabalha tem publicado "várias
notas cifradas". São notícias, afirma, sem fonte identificada
e sem provas que apenas insinuam. Algumas são bobagens, outras beiram
a irresponsabilidade. Ele critica a coluna de Mônica
Bergamo da terça 16 que supõe que a primeira-dama da
República, Marisa Letícia, paga suas contas de cabeleireiro
com dinheiro do contribuinte. Diante do desmentido enfático da presidência,
Beraba comenta: "Era de esperar que o jornal se manifestasse. Se a nota
estava correta, deveria reafirmá-la. De preferência, apontando
o dono do cartão de crédito que pagava a conta. Se a nota
estava realmente errada, o certo era admitir o erro e publicar uma correção.
O jornal preferiu o silêncio."
Advogado depõe na CPI dos Bingos
Na sexta 26, os jornais repercutiram
o depoimento de Buratti na CPI dos Bingos no dia anterior. O GLOBO destaca
que o advogado confirmou que "falou diversas vezes com o ministro da
Fazenda, Antonio Palocci, no telefone celular cujo número apareceu
na quebra de sigilo que chegou anteontem à CPI dos Bingos", como
também noticiou FOLHA
ONLINE. A assessoria de Palocci havia informado que, no período
das ligações, o telefone estava com um assessor do ministro,
Ademirson Ariovaldo da Silva. Buratti admitiu que era Ademirson quem atendia,
mas que passava o telefone algumas vezes para Palocci. O mais importante,
no entanto, Buratti negou: apesar de admitir ter falado "várias
vezes" com Palocci, disse que nada conversaram sobre pedir favores ou tratar
de propina.
Em relação à
gestão de Ribeirão Preto, no entanto, disse que "nenhuma
empresa faz uma contribuição, pequena ou grande, sem que
o patrão (o prefeito) saiba. Então, acredito que ele soubesse,
sim. Nunca o vi participar de reunião, mas acredito que soubesse".
Acredita,
mas não tem provas, como ele mesmo admitiu - e não
foi por falta de cobrança. Segundo o presidente da comissão,
senador Efraim Morais (PFL-PI), já foram requisitados ao Ministério
Público, à Polícia Federal e à Polícia
Civil todos os inquéritos sobre o ex-assessor de Palocci e documentos
relacionados às investigações.
A AGÊNCIA
SENADO destaca que Buratti afirmou ser "parte de um jogo",
mas negou ser um "operador do PT". Ele confirmou suas denúncias
de que a empresa coletora de lixo Leão & Leão "contribuía
com R$ 50 mil mensais" para a prefeitura daquela cidade e que quem arrecadava
a quantia era o então secretário da Fazenda, Ralf Barquete,
já falecido. O depoimento do advogado foi apontado
como importante pelo relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Para o senador, Buratti forneceu indícios de que havia um esquema
de arrecadação irregular de financiamento para campanha junto
a casas de bingos e a prefeituras. O relator diz que, por Buratti ter trabalhado
na empresa de coleta de lixo Leão&Leão e, depois, na
prefeitura de Ribeirão Preto, suas denúncias devem ser investigadas.
No domingo 28, em vez do discurso
"não tenho provas", Buratti deu entrevista à FOLHA DE
S. PAULO dizendo que "uma investigação razoável
consegue comprovar que existia um fluxo de saída de dinheiro da
empresa". O caminho para chegar às provas, segundo ele, são
os saques feitos em postos bancários do Bradesco e do Banespa que
funcionavam dentro da Leão Leão. A avaliação
de Buratti, avalia a FOLHA, é de que o seu depoimento fora
um sucesso: "Não recuou um milímetro na acusação
de que o então prefeito Palocci recebera propina, mas não
deixou de qualificar o ministro da Fazenda de íntegro. É
nesse fio de navalha que Buratti caminha".
Ressalta-se a manchete mal-intencionada
da FOLHA
do domingo 28, na interna: "Dá para provar propina a Palocci,
diz Buratti". O jornal tentou a todo custo, durante a última semana,
fazer seu leitor "interpretar" que Buratti acusa Palocci de conhecer o
esquema, mesmo que Buratti não tenha um discurso muito claro quanto
a este ponto.
Na CPI, fez duras
críticas à mídia pela falta de ética, particularmente
no caso envolvendo a própria FOLHA. Segundo Buratti, o repórter
teria levado uma fita que expunha sua vida privada para mostrar a sua ex-mulher.
Ele disse que, após o episódio, um repórter especial
do jornal o teria procurado para pedir desculpas.
Disse aindaque ficou indignado
com uma reportagem da revista ÉPOCA, que atribui o fim de
seu casamento de 16 anos a farras com garotas de programa de Brasília
agenciadas por Jeany Mary Corner: "Que interesse público existe
quando se diz que a farra acabou com o meu casamento? (...) Disseram que
eu larguei minha mulher para ficar com uma ex-prostituta que tinha um caso
com uma autoridade de Brasília. Não é, mas passou
a ser. Mesmo que fosse, as pessoas não têm direito de melhorar
de vida? Peço desculpas a Carla. Está todo mundo dizendo:
'Olha lá a prostituta que namora com o Buratti'." As críticas
foram repercutidas n'O
GLOBO da sexta 26.
Análise:
blindando a economia
e imunizando o modelo excludente
Por Renato
Kress & Gustavo
Barreto, co-editores (...) A simplificação
de esquemas econômicos em metáforas do dia-a-dia, apesar de
ser ferramenta útil à prática da comunicação,
não deveriam ser usadas para ludibriar o leitor. Muito menos para
"blindar" a economia e "imunizar" um modelo perverso que o brasileiro decidiu
abandonar (mas não o presidente), como indicado nas urnas em 2002.
Leia
aqui!
Análise: Não é o lixo,
estúpido!*
Por Gustavo
Barreto, co-editor. Por que a esquerda
não gosta de Antonio Palocci Filho? Trata-se de problemas com sua
gestão à frente da prefeitura de Ribeirão Preto, por
conta de um suposto esquema de beneficiamento para uma empresa de lixo,
ou com o modo como conduz a política econômica? Se achamos
que esta é um problema maior que aquela, por que então disparar
contra os contratos de lixo e dizer que ele é corrupto para sanar
nossa "raiva" pela manutenção do modelo? (...) Leia
aqui!
Reforma político-eleitoral
A Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na quinta 18 o projeto que realiza
mudanças emergenciais na lei eleitoral. O texto segue direto para
votação na Câmara, a não ser que haja um recurso
pedindo a sua análise pelos senadores em plenário. Tal possibilidade
é considerada remota, afirma o JB
da sexta 19, uma vez que os partidos aliados ao Planalto e de oposição
fecharam acordo pela realização da mini-reforma eleitoral,
como resposta à crise que assola o governo e a classe política
em geral.
O projeto tem como objetivos
reduzir o custo das campanhas, garantir transparência em relação
a receitas e despesas e tornar mais rigorosas as penas. "A grande conquista
é a tentativa de acabar com o caixa dois", disse o líder
do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
O GLOBO da sexta 19 e
o JORNAL NACIONAL da quinta 18 chamaram de "polêmica"
a medida que visa proibir a divulgação de pesquisas eleitorais
15 dias antes do pleito, sem explicar o porquê da classificação,
já que a justificativa não foi contestada por ninguém
da oposição - talvez só pelo próprio JN,
ao chamá-la de polêmica. O impresso dá o seu recado,
por meio de manchetes: em uma, afirma que "Executivos
consideram Lula inexperiente". Na outra, destaca que "Alckmin
admite disputar a Presidência em 2006".
Na quinta
25, a Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou o projeto da Comissão
Especial da Reforma Política que aumenta para dois anos o prazo
mínimo de filiação dos candidatos, em caso de mudança
de partido. Atualmente, o prazo é de apenas um ano. Para os candidatos
que estiverem na primeira filiação partidária, o prazo
continua sendo de um ano.
Reações e sugestões
O presidente da CNBB, dom Geraldo
Majella Agnelo, disse no sábado 20 que, se a corrupção
não for combatida com rigor, vai chegar um momento em que todos
os problemas serão resolvidos com o pagamento de propina. "Como
os cupins, a corrupção destrói tudo. Se não
for combatida, acabará servindo de modelo, fazendo o país
chegar a um ponto onde tudo somente se resolverá através
do pagamento de propina", disse ao GLOBO.
O presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Nelson Jobim, sugeriu
na sexta 19 a redução das despesas de campanha. "Quem tem
despesas vai encontrar formas de financiá-las", sustentou. Para
ele, permitir despesas amplas com uma redução de fontes significa
empurrar o cidadão para a ilegalidade.
O presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), ministro Carlos Velloso, defendeu também na sexta
19 a criação de incentivos
fiscais como forma de combater a doação ilegal em campanhas
eleitorais, o chamado caixa 2. "O doador vai se sentir estimulado a declarar
o quanto ele doou", argumentou o ministro. Segundo ele, essa seria uma
forma mais eficiente de combater o caixa 2 do que a fixação
de teto para doações, como prevê o projeto aprovado
ontem pela Comissão de Constituição e Justiça
do Senado.
Cassações
"Um clima de desconfiança,
pressões e chantagens domina o Congresso", afirma O
GLOBO do domingo 21. Deputados com mandatos em xeque, por envolvimento
no escândalo do mensalão, mandam recados ao governo, a aliados
e a adversários. Parte das mensagens tem sido endereçada
à Presidência da República. O governo admite e reage:
"O governo não tem o que temer e não vai entrar nesse jogo.
A ordem do presidente Lula é apurar tudo", diz o ministro das Relações
Institucionais, Jaques Wagner. O deputado José Janene (PR) parece
ser o mais irritado. "Eu vou, mas carrego mais 26 do partido, inclusive
você", teria dito Janene a Severino Cavalcanti, do PP. Segundo o
jornal, o deputado José Dirceu se sentia "abandonado" pelo jornal
e cobrou "solidariedade".
Na matéria "Foro
privilegiado a serviço da impunidade", o jornal O GLOBO
do domingo 21 criticou a quantidade de processos que correm no Supremo
Tribunal Federal, conseqüência da "Lei 10.628 — sancionada pelo
presidente Fernando Henrique Cardoso e que estendeu o foro privilegiado
para o julgamento de crimes de improbidade administrativa, inclusive no
caso de ex-autoridades". O STF deverá, escreve o diário,
ser o palco de todas as investigações que estão sendo
realizadas no país envolvendo parlamentares, ministros e ex-ministros.
O jornal informa ainda que duas entidades — a Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação Nacional
dos Membros do Ministério Público (Conamp) — entraram com
ações diretas de inconstitucionalidade no STF para tentar
derrubar a lei, mas ainda não há prazo para julgamento.
Na sexta
26, o JORNAL DO BRASIL noticiou uma "manobra" do deputado
Roberto Jefferson (PTB-RJ). Segundo o JB, Jefferson "aposta no fim dos
prazos regimentais do Conselho de Ética" para tentar "enterrar pelo
menos um dos dois processos que correm na Casa contra ele". Na quinta 25,
informa o JB, a ausência de um representante de Jefferson acabou
adiando a votação do relatório do deputado Jairo Carneiro
(PFL-BA), a favor da cassação de Jefferson. A alegação
da defesa é de que não houve um comunicado oficial pedindo
a presença de um representante legal ou mesmo do próprio
deputado investigado à sessão de leitura do relatório,
versão que foi contestada pelo presidente do Conselho, Ricardo Izar
(SP), que por sinal é do mesmo partido de Jefferson. Matéria
de Renata
Moura.
Izar, por sinal, disse na sexta
26, registrou
a FOLHA, estar sofrendo ameaças devido aos processos
de cassação de mandato que o Conselho analisa. Afirmou que
"tem gente agindo para evitar certas cassações", Izar deu
a entender que as ameaças partem de colegas sob o risco de perder
o mandato devido ao envolvimento nos recentes escândalos de corrupção.
Sem citar nomes, disse que "tem gente querendo que os processos demorem
o máximo possível". Ele explicou que, com o recesso de dezembro,
chegamos ao ano eleitoral, em 2006, quando "o pessoal começa a faltar,
não dá número (quórum para as reuniões),
e com isso acabou a legislatura". É mole?
Já o presidente do PL
e ex-deputado Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato em 1º
de agosto por estar envolvido no suposto esquema de financiamento de deputados
ou de campanhas eleitorais - ainda não se sabe -, vai receber R$
5.542 de aposentadoria por mês, de acordo com a assessoria de imprensa
da Câmara. A decisão é foi publicada na quinta 25 no
Diário Oficial da União. Informou o JORNAL
DO BRASIL na sexta 26. Ele compareceu ao Conselho de Ética
na quarta 24, onde deu tumultuado depoimento, em parte por conta da aparição
espalhafatosa da sua ex-mulher, Maria Cristina Mendes Caldeira. O depoente
não apresentou muitas novidades.
Valdemar mudou a versão
que contou na terça 23 à CPI do Mensalão sobre a origem
do dinheiro que recebeu de Delúbio Soares em 2002. À CPI,
Valdemar havia dito que 80% do dinheiro eram da SMPB, agência do
empresário Marcos Valério Fernandes, e que desconhecia a
origem dos 20% restantes, pagos em dinheiro. Na quarta, o presidente do
PL afirmou que todo o dinheiro foi da SMPB. Ele repetiu que o mensalão
é uma história inventada por Roberto Jefferson.
A FOLHA,
no domingo 28, fez uma provocação ao ex-ministro
e deputado federal José Dirceu (PT-SP): citando diagnóstico
do próprio Dirceu, escreveu que a divulgação dos nomes
dos 18 deputados passíveis de cassação produziu um
efeito imediato de auto-preservação e eles estão atuando
fortemente nos bastidores para se salvar. "O próprio Dirceu é
um deles", sentencia a FOLHA, citando o petista: "Quem articulou
a defesa foi o [Osmar] Serraglio [relator da CPI dos Correios]. Ao divulgar
o nome dos cassáveis, ele fez a turma se mexer", teria dito Dirceu
numa conversa informal na quinta 25, durante cafezinho da Câmara.
Na sua versão, são os acusados que mais trabalham por um
"acordão".
O jornal continua: "Dirceu não
disse, mas uma das formas de 'trabalho' é a chantagem. Parlamentares
dizem que o líder do PP, José Janene, por exemplo, ameaça
'contar tudo o que sabe', inclusive do correligionário Severino
Cavalcanti (PP-PE), presidente da Câmara e responsável por
mandar os processos ao Conselho de Ética". Uma das "chantagens"
seria a entrada do banqueiro Daniel Dantas (Opportunity), que é
ligado ao PFL. "Na visão governista, isso pode ajudar a reduzir
o ânimo investigativo das oposições", acusou o jornal.
O JORNAL
DO BRASIL do domingo 28 alerta que os parlamentares, "pressionados
por indicações políticas, relações de
amizade e até processos criminais", falam em ''constrangimento''
para julgar seus pares. Cita, entre outros, o caso da deputada Ann Pontes
(PMDB-PA). Reconhecido pela capacidade de influenciar seus pares, o deputado
Jader Barbalho é presidente do diretório paraense por onde
Ann se elegeu. "Ele tem forte relação com o ex-líder
do partido na Câmara, José Borba. Foi Jader quem ajudou Borba,
há dois meses, a redigir uma nota justificando um saque na agência
do Banco Rural. O ex-líder do PMDB é um dos parlamentares
que podem parar no Conselho e seu julgamento pode causar constrangimento
a Ann", escreve o JB. A parlamentar rebate: "É evidente que as relações
políticas poderão ter algum tipo de influência. Mas
temos de lembrar que, ao sermos indicados para o Conselho, temos um mandato
e uma responsabilidade". Matéria de Paulo
de Tarso Lyra.
Desencanto
O escândalo do mensalão,
escreve o JB do domingo 21, parece um quebra-cabeças em que
as peças podem estar se encaixando ou não, dependendo de
quem analisa o jogo. O jornal torna público que, entre a segunda
15 e a sexta 19, o Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), em parceria
com o próprio jornal, realizou
um levantamento, ouvindo 803 eleitores em todo o Estado do Rio e constatou
que a crise gerou um desencanto e uma frustração generalizadas
entre os eleitores fluminenses. A maioria dos consultados, afirmam, foi
flagrada em vários níveis de recusa radical, quando confrontados
com o atual quadro político: alguns fazem questão de votar
em candidatos de primeira viagem. Outros vão anular o voto e há
uma minoria que votará em branco. Essas três categorias de
eleitores somam 62,9% dos entrevistados.
Na visão da revista Consciência.Net,
essa pode não ser a melhor saída, já que os chamados
"votos de protesto" são, em algum nível, votos de avestruz:
é o cara que mete a cabeça na terra e finge que não
é com ele. Votar nulo é, de certa forma, esquecer que há
atribuições importantes delegadas às respectivas casas
legislativas do nosso país. Mais importante, no entanto, seria a
reorganização da sociedade civil em torno de pontos específicos
- mudança de rumos na política econômica, combate à
corrupção, mais verbas para a infância e adolescência,
reforma urbana e agrária, entre outros. Tal como estamos observando
no exemplo de diversos países da América Latina, com manifestações
efetivamente populares, lideradas principalmente por indígenas e
camponeses.
É preciso ter fé no setor
público. Digo, boa-fé
Está na Câmara
um projeto
estranhíssimo - o PL
5307/05, do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) - que muda a Lei de Improbidade
Administrativa. Propicia, por exemplo, "ao agente público de boa-fé"
(sic) a oportunidade de "corrigir a tempo o ato viciado", evitando com
isso incorrer em alguma sanção. Funciona assim: evidenciada
a "inexistência de má-fé por parte do agente público"
(sic), o Ministério Público poderá, desde que antes
do ajuizamento de ação, expedir recomendação
para que ele "corrija seu ato ou faça termo de ajustamento de conduta
nesse sentido", condicionado ao ressarcimento de prejuízos causados
ao erário, se existirem. É mole?
Paim não aceita generalização
de corrupção às prefeituras petistas
Ao discursar em Plenário,
na segunda 22, o senador Paulo Paim (PT-RS) se disse incomodado com a tentativa
de parlamentares da oposição de estender as denúncias
de corrupção envolvendo prefeitos de seu partido no interior
de São Paulo a todas as prefeituras administradas pelo PT no Brasil.
"Confesso que fico incomodado no
Plenário quando vejo que alguns, felizmente uma minoria, generalizam,
como se todas as prefeituras do PT tivessem problemas de corrupção;
como se todos os parlamentares do PT estivessem envolvidos em corrupção,
dando a impressão de que o PT em seu conjunto é corrupto".
Ele defendeu o partido dizendo que "se 0,001% de parlamentares ou mesmo
dirigentes do PT, cometeram erros ou foram desonestos, esses terão
que responder. Serão punidos com certeza absoluta pelo Congresso,
pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público".
//
Edição de 28/8/2005.
Brasil
| Busca no site | Principal.—.Consciência.Net
Publicidade
.
|