.Agência
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Editoria:
QUESTÃO INDÍGENA / RR
Carta
da 35ª Assembléia dos Povos Indígenas do Estado de Roraima
Nós,
lideranças indígenas do Estado de Roraima, reunidas na Assembléia
Geral dos Povos Indígenas, realizada na comunidade indígena
Maturuca, região das Serras, TI Raposa Serra do Sol, nos dias 7
a 10 de fevereiro de 2006, com a presença de 720 lideranças
indígenas (...) nos manifestamos (...)
Nós,
lideranças indígenas do Estado de Roraima, reunidas na Assembléia
Geral dos Povos Indígenas, realizada na comunidade indígena
Maturuca, região das Serras, TI Raposa Serra do Sol, nos dias 7
a 10 de fevereiro de 2006, com a presença de 720 lideranças
indígenas, dos povos Ingaricó, Macuxi, Taurepang, Sapará,
Wapichana, Wai Wai, Yekuna e Yanomami, com solidariedade dos povos nossos
parentes da Coiab (Coordenação da Organizações
Indígenas da Amazônia Brasileira), amigos e convidados de
instituições públicas e não governamentais,
considerando a situação dos Povos Indígenas no Estado
de Roraima, discutidas e reivindicadas, nos manifestamos:
Nossa
Assembléia
Os povos
indígenas vêm conquistando direitos com união, respeito
e muito trabalho. A regularização fundiária das terras
é um avanço na conquista dos direitos, passo para gestão
territorial pelas comunidades indígenas, mas para viver é
preciso ter condições essenciais que assegurem a dignidade
humana. Nossa assembléia vem demonstrar que a conquista de nossos
direitos é sempre em respeito com as leis e ao nosso povo.
Nossos
direitos constitucionais
Vivemos
uma nova fase em Roraima. A Terra Indígena Raposa Serra do Sol foi
homologada em 15 de abril de 2005, e todos nós agradecemos os esforços
de quem compreendeu e trabalhou muito por isso. Porém, os problemas
persistem e o exercício de fato de nossos direitos constitucionais
continuam a depender da implementação de políticas
publicas e deveres institucionais.
Propomos:
1.
Realização de reunião
entre as instituições que compõe o Comitê Gestor,
os órgãos envolvidos na questão indígena e
ambiental: Funai, Incra, Ibama, MMA, ANA, Policia Federal, AGU, Ministério
Publico Federal, juntamente com uma comissão indígena formada
nesta assembléia;
2.
Queremos um representante indígena
no comitê gestor para acompanhar e participar dos trabalhos de todo
processo;
Nossos
territórios indígenas
A Terra
Indígena Raposa Serra do Sol abrange a maior população
indígena no estado de Roraima, e conseqüentemente as maiores
demandas apresentadas nesta assembléia. Aguardamos o cumprimento
do Decreto Homologatório de 15 de abril de 2005, o qual determina
o prazo de 01 (um) ano para retirada dos invasores de nossa terra. Essa
é a nossa prioridade. A permanência dos ocupantes ilegais
no interior da RSS gera disputas sobre a terra com manifestações
de violências contra as comunidades indígenas que defendem
seus direitos, tal como ocorreu no dia 17 de setembro de 2005, quando homens
encapuzados, bêbados tocaram fogo no Centro Indígena de Formação
e Cultura Raposa Serra do Sol, conhecido como Escola do Surumu.
Apesar
de nossas diversas denúncias oficialmente apresentadas, não
houve medidas que coibissem tais crimes. Da mesma forma, no dia 23 de novembro
de 2005, duas casas foram queimadas na Nova Vitória, região
Surumu.
Ate o
momento não houve punição dos que destruíram
as comunidades Jawari, Homologação, Brilho do Sol, os retiros
Tai Tai e Insikiran. Não vimos a prisão dos que seqüestraram
os missionários e invadiram pela primeira vez a Escola Surumu, nem
dos assassinos de Aldo Mota, pelo contrário, enquanto a impunidade
reina, as liminares judiciais são concedidas para retirar indígenas
de suas terras.
As comunidades
indígenas são ameaçadas constantemente e faltam medidas
efetivas que coibam a violência o que dá margem a novas manifestações
de violência.
Ampliação
das Terras Indígenas
As maiorias
das terras na região do Taiano, Amajari e Serra da Lua foram demarcadas
sem a participação das comunidades, com os recursos naturais
fora de seus limites e em pequenas extensões. Os marcos foram fincados
nas beiras dos igarapés, dentro das áreas indígenas,
servindo como argumento dos fazendeiros para impedir a pesca, caça
e extração das palhas dos buritizais. Precisamos de espaço
necessário para criar e tirar nosso sustento, mas somos obrigados
a ultrapassar os limites das terras demarcadas em busca de sobrevivência.
Em todas
as assembléias apresentamos essas demandas e não ouvimos
quaisquer providências ou previsões de solução.
Novamente apresentamos que as comunidades indígenas solicitam a
ampliação das terras indígenas: Serra da Moça/Taiano,
Canauanin, Jabuti, Malacacheta, Manoa-Pium (região Serra da Lua);
Ponta da Serra e Aningal (Amajari).
Recomendamos:
1.
As lideranças pedem agilidade na
demarcação da TI Anaro, região do Amajari, que se
encontra na Funai para se manifestar sobre as contestações
apresentadas desde maio de 2005.
2.
São necessárias providências
também para que seja realizada a retirada dos invasores que já
receberam suas indenizações e ainda permanecem nas terras
indígenas, causando inúmeros conflitos. Solicitamos a reparação
pelos danos causados.
3.
Desintrusão dos invasores da TI
Raposa Serra do Sol até o dia 15 de abril de 2006, em cumprimento
ao Decreto de Homologação da TI Raposa Serra do Sol, por
ser anseio prioritário das lideranças presentes na Assembléia;
4.
Colocar placas de identificações nas terras indígenas;
5.
Acelerar o levantamento das ocupações
existentes na TI RSS, especialmente a Vila Surumu, bem como agilizar as
indenizações;
6.
Agilização do processo demarcatório da TI Anaro/Amajari;
7.
A retirada de todos invasores que se encontram
em terras indígenas;
8.
Retirada das vilas e bares das terras indígenas;
9.
Ampliação da equipe de levantamento fundiário (Funai,
Incra e Ibama).
10.
Cobrar o decisão firmada em ação
judicial para deixar o livre trânsito dos indígenas para a
TI Muriru, com a retirada do cadeado da porteira na fazenda de Urzenir
Rocha;
Proteção
dos Direitos
Em 2005
firmou-se um acordo entre as organizações indígenas,
Policia Federal e Funai, com acompanhamento do Ministério Público
Federal, para que fosse implantado o posto de fiscalização
federal na comunidade indígena Placa. Esse posto de fiscalização
tem a finalidade de inibir o tráfico de drogas, disseminação
de bebida alcoólica, furto de gado, entrada de garimpeiros e novas
invasões nas terras indígenas.
A conquista
de nossos direitos no Estado de Roraima tem sido considerada por grupos
anti-indígenas como empecilho ao desenvolvimento econômico
do Estado e interferência de ONGs internacionais. Essas divulgações
aumentam a discriminação, o preconceito e a intolerância
contra os povos indígenas. Chega em nossa assembléia denúncia
contra um programa da Rádio Roraima AM (meio de comunicação
público), que tem veiculado locuções que tentam gerar
divisão entre indígenas e que caracteriza incentivo à
violência contras nossas comunidades e organização
indígena, fatos estes que merecem ser investigados;
Propomos:
1.
Apoio para que as comunidades e organizações
indígenas possam desenvolver e administrar projetos de vigilância
e fiscalização nas terras indígenas;
2.
Estender o Projeto PPTAl a outras terras
indígenas;
3.
Reativação do posto de fiscalização em Raposa
Serra do Sol, na comunidade indígena Placa;
4.
Punição aos assassinos dos indígenas, tal como do
Aldo da Silva Mota e a tentativa de homicídio de Jocivaldo José
Constantino, na ocasião da destruição da C.I. Jawari;
5.
Que haja punição e condenação
dos danos causados em decorrência dos crimes praticados contras as
comunidades indígenas: destruição do Centro Indígena
de Formação e Cultura RSS, destruição do Jawari,
Homologação e Brilho do Sol, Nova Vitória, e dos retiros
Tai Tai e Insikiran;
6.
Definição de uma política
permanente de vigilância e proteção das terras indígenas,
através de uma atuação conjunta entre os órgãos
governamentais: Ibama, Funai, Polícia Federal e Funasa, garantindo
a participação das organizações e comunidades
indígenas;
7.
Providência jurídica contra a discriminação,
bem como investigar as denúncias contra emissoras de rádio
que propagam a discriminação contra os povos indígenas,
induzindo a prática de violência;
8.
Que seja respeitado o acordo firmado entre
o Incra, Funai e CIR até que seja ampliada a terra indígena
Serra da Moça (Lago da Praia);
Invasão
dos rizicultores
Os arrozeiros
invadiram as terras indígenas Raposa Serra do Sol para a monocultura
do arroz. As invasões são caracterizadas como de má-fé,
porque aconteceram após a identificação da área,
estão prejudicando a saúde dos indígenas e degradando
o meio ambiente. Já denunciamos que nessas lavouras de arroz são
usados agrotóxicos de forma indiscriminada e são lançados
de avião que, dependendo da direção do vento, atingem
diretamente as comunidades Xiriri, Pedra do Sol e São Jorge.
Autoridades
sanitárias ligadas ao Distrito Sanitário Leste de Roraima
suspeitam que duas pessoas já tenham morrido por intoxicação
causada por agrotóxico. Além disso, constata-se o aumento
de doenças diarréicas e de pele, bem como casos de abortos.
Assoreamento dos rios, entulho jogado nos lagos, morte de pássaros
e peixes são outras conseqüências dessa invasão.
Neste
momento os invasores colhem e estão arando terra para um novo plantio
e ampliando as lavouras como parte da estratégia das autoridades
locais para inviabilizar a garantia da terra indígena. Não
houve até o momento o embargo dos licenciamentos ambientais concedido
ilegalmente pela FEMAT, providência que a presidência do Ibama
firmou perante as lideranças indígenas em marco de 2004 em
Brasília. Não aceitamos prorrogar o prazo para retirada dos
invasores, principalmente os rizicultores.
Invasão
garimpeira
Continua
o aumento da invasão garimpeira na TI Yanomami. Até o momento
não houve a desintrusão dos garimpeiros, já comprometida
anos atrás. É preciso que as companhias áreas sejam
advertidas e punidas por levarem invasores, principalmente para realizar
atividades ilegais. O Garimpo flagrantemente já averiguado tem sido
causa de inúmeros problemas sociais, ambientais e de saúde.
É urgente a situação, as autoridades devem agir para
que não se agrave mais as conseqüências.
Da mesma
forma vem ocorrendo no rio Mau, na TI Raposa Serra do Sol, onde garimpeiros
se aproveitam a ausência de fiscalização na área,
para explorar minérios dentro de nossa terra.
Invasão
do Morro do Quiabo
O município
de Pacaraima foi criado de forma inconstitucional, no interior da terra
indígena registrada de São Marcos. A criação
desse município também faz parte da estratégia do
governo local para reduzir as terras indígenas localizadas em Roraima.
A sede municipal veio reforçar um núcleo de invasores que
começa a se expandir sobre o Morro do Quiabo, devastando a floresta.
A comunidade indígena vem perdendo sua terras.
Lixeiras
no interior das terras indígenas
A prefeitura
do município de Cantá vem depositando lixos na c.i. Lage,
TI Tabalascada, região Serra da Lua, para onde está
sendo levado todo lixo das cidades. Problema semelhante acontece com o
lixo produzido em Pacaraima, que é depositado no interior da terra
indígena, contaminando a cabeceira do rio Miang que abastece diversas
aldeias de São Marcos e Raposa Serra do Sol. Da mesma forma, a Prefeitura
de Uiramutã continua a depositar lixos no interior da Comunidade
Indígena Uiramutã, mas precisamente nas erosões que
em tempos de chuvas escorem lixos ao rio Mau.
Pesquisas
em TIs
Temos
notado que vem aumentando o número de pedidos de pesquisas em nossas
terras. Queremos nos manifestar que não aceitamos pressão
para que haja nosso consentimento. Nossa forma de proceder é diferente,
temos nosso próprio tempo, avaliamos coletivamente nossas questões,
por isso, não aceitamos que quaisquer pesquisas aos recursos naturais
sejam feitos sem nossa autorização, queremos antes saber
qual é o beneficio que trará às nossas comunidades,
e os impactos que nossa comunidade poderá sofrer.
Plantação
de acácia para celulose
As plantações
de acácia no entorno das terras indígenas vem causando problemas
em nossas comunidades. As TIs Malacacheta, Tabalascada e Canauanim têm
sido prejudicadas, os poucos igarapés que existem estão secando.
As abelhas criadas nas plantações de acácias têm
atacado indígenas nos seus trabalhos diários, por exemplo,
e não permitem a utilização das palhas dos buritizais.
Hidrelétrica
/ Energia
Preocupa-nos
a divulgação da criação de hidrelétricas
em nossas terras. Políticos investem para implantar hidrelétricas
do Tamanduá e Cotingo. Já nos manifestamos a respeito antes
e queremos reafirmar que não aceitamos as hidrelétricas.
O processo
de eletrificação tem sido realizado sem o consentimento das
comunidades e sem atender outros procedimentos legais. Na terra indígena
Sucuba, já foi construída uma subestação. Na
TI Boqueirão e Raposa Serra do Sol existem postes instalados para
a passagem da rede.
Reivindicamos:
1.
Fiscalização pelo Ibama para evitar a captura de pássaros
dentro das TIs;
2.
Realizar estudo de impacto ambiental das
acácias nos entornos das terras indígenas, causando danos
às comunidades (seca do igarapés e acumulo de enxame de abelhas
nos buritizais), recuperação das áreas de arrozais;
3.
Punição pela degradação
ambiental dentro das TIs;
4.
Não aceitamos a mineração
e construção de hidrelétricas, a exemplo a hidrelétrica
no rio Cotingo;
5.
A agilização para a retirada
dos garimpeiros na TI Yanomami;
6.
Ação para conter a invasão
e desmatamento no Morro do Quiabo, na terra indígena São
Marcos;
7.
Deve haver nova orientação
para o Ibama Roraima atuar de acordo com sua finalidade institucional;
8.
Que seja aprovado projetos de reflorestamento
e recuperação ambiental de áreas degradadas pelo garimpo
ou ação predatória de fazendeiros ou outros invasores;
9.
Que sejam tomadas medidas que resguardem
os conhecimentos tradicionais das comunidades indígenas, inclusive,
agindo com rigorosidade contra os patenteamentos inescrupulosos da sabedoria
ancestral de nossos povos;
10.
São necessárias vistorias ambientais urgentes nas terras
indígenas, sendo essencial que os órgãos competentes
para a questão indígena [Ministério Público
Federal, Polícia Federal, Funai, Funasa, Ibama) juntamente com as
organizações e comunidades indígenas possam participar
deste trabalho;
11.
Paralisação do plantio para a nova safra de arroz irrigado,
cultivado ilegalmente na Raposa Serra do Sol;
12.
Não aceitamos a eletrificação
sem um estudo prévio dos impactos ambientais;
13.
As comunidades deverão ser informadas
e consultadas sobre todos os projetos governamentais e não governamentais
e sua implementação só ocorra com o seu consentimento;
14.
Que haja fiscalização e
controle para evitar o ingresso de garimpeiros na terra Yanomami, e que
seja imediatamente retirados todos os invasores na região do Ajarani;
Nossa
Saúde Indígena diferenciada
É
insegura a situação da saúde indígena. O tratamento
político nas questões de saúde vem prejudicando o
atendimento básico a população indígena. Em
inicio de dezembro de 2005 formamos uma comissão formada pela União,
Funai, Ministério Publico, e lideranças indígenas,
apresentamos medidas urgentes em relatório sobre as prioridades
relacionada a saú de indígenas. Além dos cumprimentos
pelos gestores, tais medidas previam os repasses de recursos financeiros
as conveniadas não devem atrasar. Precisa-se cumprir o que a lei
já diz.
A parceria
entre o CIR e a FUNASA que iniciou no ano de 1996 permitiu a conquista
de muitos avanços na assistência à saúde das
comunidades, com a capacitação de agentes indígenas
de saúde, apoio ao controle social, programas de atenção
básica e projetos de saneamento e melhoria sanitária.
Reivindicamos:
1.
Queremos a renovação do
Convenio CIR-Funasa, que o CIR deve continuar participando na execução
dos programas de saúde porque este trabalho está dando certo
e as nossas comunidades estão satisfeitas;
2.
Os programas voltados às comunidades
indígenas devem nascer das bases. Não aceitamos que as decisões
sobre a nossa saúde sejam tomadas de cima para baixo, senão
com a nossa participação e de acordo com as nossas necessidades
concretas, conforme as comunidades;
3.
Formação dos agentes indígenas
de saúde e demais profissionais;
4.
Que a responsabilidade da hora vôo
volte para o CIR – Funasa;
5.
Manter as pistas de pouso das comunidades
indígenas em condição de pouso e decolagem e regularizar
junto aos órgãos competentes;
6.
Melhoria do atendimento de saúde
para os indígenas na cidade, com implementação
de políticas publicas especificas;
7.
Que as Prefeituras Municipais apresentem prestação de contas
dos recursos voltados a saúde indígenas nas Assembléias
Regionais e ao Conselho Distrital;
8.
Não aceitamos o Sr. Ramiro Teixeira
na Coordenação Regional da Funasa, queremos a nomeação
de um novo coordenador que trabalhe de acordo com os povos indígenas;
9.
Não aceitamos a justificativa de que nossos projetos sejam ilegais,
porque as leis devem ser criadas, modificadas e até revogadas, para
que os nossos direitos e interesses sejam assegurados e o governo possa
cumprir melhor a sua finalidade;
10.
Não aceitamos interferência político-partidária
no destino dos recursos para a atenção básica à
saúde dos povos indígenas;
11.
Investir em novos equipamentos e veículos a cada dois anos,
para os atendimentos as comunidades indígenas, de forma que garanta
maior seguranças nas remoções;
12.
Dar continuidade às obras de saneamento
básico nas comunidades indígenas;
13.
Contratar um intérprete na casai
(inglês, wapic hana, macuxi, taurepang ) para facilitar a comunicação
nos atendimentos;
Nossa
Educação Indígena Diferenciada
Covardemente
nossa escola foi destruída no dia 17/09/2005. Mesmo assim, nossos
alunos e lideranças continuam firmes e estamos recuperando o Centro
Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol.
As ameaças continuam e nossas denúncias também, mas
não podemos ficar no prejuízo.
É
preciso implementar o que diz a Constituição Federal de 1988,
reconhecido o direito à educação diferenciada devem
contar com a criação de mecanismos de apoio à implementação
de ações para que esses direitos venham a ser exercidos.
Os povos indígenas vêm conquistando espaços nas diversas
instâncias governamentais e buscando implementar seus projetos de
etno-desenvolvimento. Neste sentido, é necessário promover
uma educação de qualidade e compromissada com a causa indígena.
Em respeito
à organização social das comunidades indígenas,
e ao direito de ter uma educação diferenciada, seja m consideradas
como referências para o funcionamento e organização
das atividades das escolas, os centros regionais, na responsabilidade dos
seus coordenadores;
Recomendamos:
1.
Punição e reparação
pelos danos causados na destruição do Centro Indígena
de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol;
2.
Os projetos políticos Pedagógicos
da Educação Indígena Diferenciada devem partir da
iniciativa dos povos indígenas, tendo como premissa a decisão
das lideranças, comunidades e suas organizações;
3.
Que seja garantida uma rubrica financeira
específica destinada a educação indígena, transportes
e manutenção, material didático, material permanente
e merenda escolar para atender as necessidades das escolas indígenas;
4.
Realização de concursos públicos diferenciado para
contratação de pessoal de apoio para as escolas indígenas;
5.
É necessário que sejam garantidos
recursos para a formação continuada dos professores indígenas
em nível de magistério e superior, oficinas de elaboração,
edição e publicação de material didático
específico e diferenciado;
6.
Novamente nossas organizações
indígenas CIR, APIRR, OPIR e OMIR solicitam o ingresso de dois representantes
indígenas no Conselho do FUNDEF;
7.
Apoiar a abertura de novas escolas em
ensino fundamental e médio, para trabalhar de forma efetiva na revitalização
das culturas indígenas em suas expressões como língua
materna, dança, canto, artesanato, tradições indígenas
e outros;
8.
Possibilitar e reconhecer oficialmente todas as escolas indígenas;
9.
Reconhecimento do Centro Indígena
de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol pelo MEC e Estado;
10.
Implantar a descentralização
de salas de aula do ensino fundamental de 1ª. A 4ª. Série
nas comunidades;
11.
Disponibilizar veículos para o trabalho dos centros regionais Malacacheta
e Maturuca, de forma que garanta o funcionamento;
12.
Realizar cursos de extensão do
Projeto E´mapia no Centro Indígena de Formação
e Cultura Raposa Serra do Sol, Surumu;
13.
Que os alunos do ensino médio possam ingressar na UFRR através
do Insikiran;
14.
Que a Secretaria Estadual de Educação
possa viabilizar transporte para as escolas indígenas e para o Núcleo
de Educação Indígena;
15.
Em respeito à organização social das comunidades indígenas,
e ao direito de ter uma educação diferenciada, sejam consideradas
como referências para o funcionamento e organização
das atividades das escolas, os centros regionais, na responsabilidade dos
seus coordenadores;
Projetos
Sustentáveis
Ë
imprescindível que seja o Governo Federal apóiem iniciativas
das comunidades indígenas em sua gestão territorial, realizando
convênios com nossas organizações indígenas
para implementar as atividades produtivas.
Propomos:
1.
Criar Núcleos Regionais do PDPI
para atender melhor as comunidades indígenas;
2.
Disponibilizar de recursos da Funai através
de projetos para as Terras Indígenas, especialme nte com áreas
pequenas;
3.
Que se discuta programas de auto-sustentação,
educação, saúde e outros, baseando-se no diálogo
intercultural e no respeito às comunidades envolvidas;
Aguardamos
respostas com providências às nossas reivindicações.
Maturuca,
TI RSS, 10 de fevereiro de 2006.
Assinam
os presentes na 35ª Assembléia dos Povos Indígenas de
Roraima
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Fonte:
35ª Assembléia dos Povos Indígenas de Roraima
Fechamento:
17/02/2006 - 20h35
Contatos:
imprensa@cimi.org.br
Ref.
http://www.consciencia.net/2006/0217-rr-indigenas.html
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Lembre-se
que você tem quatro opções de participação:
(I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação;
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