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Editoria:
ENSINO SUPERIOR
Andifes
defende ação afirmativa nas universidades federais
Associação
Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
Superior quer, no entanto, garantia de assistência aos cotistas
O reitor
Paulo Speller, vice-presidente da Associação Nacional dos
Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes),
participou na última quarta, 15 de fevereiro, em Brasília,
de uma reunião com o ministro da Educação, Fernando
Haddad, e dirigentes dos principais movimentos sociais interessados no
Projeto de Lei que institui as cotas nas universidades federais. O assunto
gerou um debate exaltado nos últimos dias, especialmente depois
que o PL que reserva 50% das vagas nas universidades federais para egressos
de escolas públicas, negros e índios, foi aprovado na Câmara
dos Deputados, no dia 8 de fevereiro.
Um dos
pontos que mais causou divergências foi o prazo para implementação
das cotas. O Projeto prevê o limite de quatro anos para que todas
as Universidades Federais cumpram a reserva da metade de suas vagas. O
MEC havia determinado, na proposta da Reforma Universitária, um
prazo de dez anos, o que recebeu o apoio da Andifes. Mas alguns movimentos
sociais não aceitaram e chegaram a reivindicar que a reserva de
50% fosse incluída no ano seguinte à aprovação
da Lei.
Houve
até críticas à Andifes, acusando-a de ser contra a
adoção de cotas. “Nunca fomos contra as cotas. Pelo contrário,
as universidades federais sempre trabalharam com ações afirmativas
de natureza diversa. Defendemos sim uma política na área,
desde que sejam respeitados a autonomia e o prazo de cada instituição”,
disse Speller, que é reitor da Universidade Federal do Mato Grosso
(UFMT).
Ele acrescentou
ainda que cada Instituição Federal de Ensino Superior (Ifes)
tem sua estratégia e, em algumas instituições, o percentual
de alunos egressos de escolas públicas já ultrapassa os 50%,
no valor global, como é o caso da UFMT. Uma pesquisa realizada pela
Andifes, em conjunto com o Fórum Nacional de Assuntos Comunitários
e Estudantis, em 2004, revelou que 47% do total de estudantes da graduação
das Ifes cursaram integralmente ou a maior parte do ensino médio
em escolas públicas.
O vice-presidente
da Andifes disse que o prazo para alcançar o percentual previsto
no Projeto de Lei vai depender da garantia de condições para
atender os estudantes cotistas. “É preciso que tenhamos garantida
a assistência a esses alunos, como alimentação, moradia,
transporte e apoio pedagógico. Não basta apenas promover
a inclusão, precisamos assegurar a permanência desses alunos
na universidade. Se tivermos essa garantia, o processo de implantação
das cotas será até mais rápido”, acrescentou.
O ministro
da Educação prometeu dobrar a verba destinada à assistência
estudantil dos atuais R$ 4 milhões (Orçamento de 2006) para
R$ 8 milhões, no primeiro ano de implantação das cotas.
Em contrapartida, as universidades terão que implantar a reserva
de 12,5% já no primeiro ano, alcançando, gradativamente,
o percentual de 50% no prazo de seis anos. A proposta foi resultado do
consenso definido entre o MEC, a Andifes e os representantes dos movimentos
Educação e Cidadania de Afrodescentes e Carentes (Educafro),
União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas (Ubes) e Movimento dos Sem Universidade (MSU),
que compareceram à reunião. O MEC vai agora levar a proposta
para os relatores do Projeto de Lei, deputados Carlos Abicalil e Iara Bernardi.
Na avaliação
do vice-presidente da Andifes, a reunião no MEC foi muito positiva,
porque permitiu um entendimento entre as partes envolvidas, aliviando,
assim, a tensão que havia se instalado, “de que a Andifes era contra
tudo”.
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Fonte:
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior - Andifes
Fechamento:
17/02/2006 - 20h35
Contatos:
(61) 3321-6341 / www.andifes.org.br / ascom@andifes.org.br
Ref.
http://www.consciencia.net/2006/0217-andifes.html
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